Em memória do RTm e STM

Na sequência de nova reestruturação do dispositivo, o Exército procedeu à desativação da EPT (em 30SET13) e à sua integração na Escola das Armas (EA), em Mafra, e iniciou o processo de instalação do Regimento de Transmissões (RT) no aquartelamento da antiga EPT (Porto), e da DCSI no aquartelamento do antigo RTm (Lisboa).

A partir de 01OUT13, a orgânica e a natureza da missão do RT alteraram-se profundamente, passando esta a “focar-se” no apoio de combate em CSI e GE, constituindo assim o RT (Porto) um novo Regimento.

Visando preservar historicamente a ilustre memória dos militares, homens e mulheres, que no quartel da Cruz dos Quatro Caminhos em Lisboa (RTm/STM), serviram a Nação servindo no Exército, onde garantiram as comunicações permanentes até 30/09/2013 (STM – Serviço de Telecomunicações Militares), foi agora erigido um singelo tributo ao anterior Regimento de Transmissões à entrada das novas instalações do RT no Porto, em cerimónia presidida pelo General CEME e que contou com a presença do Diretor de CSI, MGen Arnaut Moreira e do Gen Garcia dos Santos, presidente da CHT.

Monumento RT 1Monumento RT 2

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Galeria

Marconi H4

Esta galeria contém 17 imagens.

Depois dos dois equipamentos Ducretet-Popoff, os primeiros adquiridos pelo Exército português, em 1901, e dos cinco Telefunken, os segundos, adquiridos em 1909 (ambos já tratados em artigos anteriores aqui e aqui), foram adquiridos onze equipamentos Marconi no início dos anos … Continuar a ler

Relatório da EPT do 25 de Abril

Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

A participação do pessoal de Transmissões na preparação do 25 de Abril, bem como as suas consequências, são pouco conhecidas, dada a escassez do que se tem escrito e divulgado sobre o assunto.

Há contudo uma exceção, que convém apontar, que foi o Relatório relativo á Escola Prática de Transmissões, da  autoria do capitão Fialho da Rosa, escrito em 5 de Maio de 1974 e que se mostra na figura.

Este documento foi publicado no livro do capitão Diniz de Almeida Origem e evolução do Movimento dos Capitães, pág.350, bem como muitos outros exemplos de Relatórios relativos a outras Unidades.

O que sempre me fascinou neste Relatório foi a sua concisão, serenidade e moderação (e que contrasta com a maioria dos outros Relatórios) prova de grande maturidade do jovem capitão que o elaborou e que, em meu entender constituiu uma contribuição importante para dar a tónica ao processo evolutivo da Arma em consequência do 25 de Abril.

Leva-me a pensar e pergunto-me se o espírito que hoje existe neste Blogue não terá sido também, de algum modo, influenciado por este Relatório.

Novos documentos

Do MGen José António Henriques Dinis foram recebidos três interessantes documentos – a sua Tese de mestrado, sobre Gestão de projectos, que pode ser consultada nas páginas fixas do blogue, no menu Publicações, e os dois discursos que fez no dia do RTm, de que era Cmdt nos anos de 2004 e 2005, que podem ser consultados no menu História das Tm / Documentos – o de 17SET2004, correspondeu ao último dia do SEN no Exército; o de 16SET2005, terá sido o do último Dia do RTm dependente do Governo Militar de Lisboa, pois este foi extinto em Jul2006.

Os primórdios das Transmissões Permanentes (1810-1864)

Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

O período que decorre de 1810 a 1864, de que trata o presente post, corresponde à existência da notável unidade que foi o Corpo Telegráfico que iniciou no Exército – e no País – a era das Telecomunicações.

Recorde-se que, em 2010, o Exército, por proposta da CHT, liderou as comemorações do Bicentenário da criação do Corpo Telegráfico, a que se associaram, entre outros a Fundação Portuguesa das Comunicações e os CTT, foi publicado um livro, que se encontra disponível neste Blogue e inaugurada a lápide na entrada do RTm que se apresenta na figura.

A breve referência que se faz ao Corpo Telegráfico pretende recordar a enorme importância que teve na sua época, aproveitando o facto de, a 10 de Março, último terem passado 202 anos da sua criação.

Os aspetos mais relevantes da ação do Corpo Telegráfico em proveito do Exército e do País podem sintetizar-se em ter sido:
• A primeira unidade de Transmissões do Exército;
• O introdutor da telegrafia visual terrestre no país, espalhando estações telegráficas por todo o território e participando na guerra Peninsular e nas Lutas Liberais;
• O utilizador de tecnologia portuguesa, desenvolvida por Francisco António Ciera que se mostrou competitiva e com vantagem em relação à inglesa nas Linhas de Torres e que se prolongou durante quase 50 anos;
• O introdutor da telegrafia eléctrica em Portugal, cujo funcionamento assegurou durante os nove primeiros anos, incluindo o serviço público nacional e internacional.
• O precursor de vários órgãos, entidades e empresas, que no âmbito militar e civil asseguram hoje os complexos serviços das comunicações a longa distância, nomeadamente os atuais CTT.
De fato, o Corpo Telegráfico merece ser recordado neste blogue, como sucede com a lápide no RTm, pelo seu pioneirismo e por, durante meio século, ter concentrado em si todas as responsabilidades das Telecomunicações nacionais existentes na sua época.

A remodelação da CV do RTm (1)

Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

Encontra-se em curso a remodelação da Coleção Visitável do Regimento de Transmissões, por parte da CHT, a solicitação do RTm que, evidentemente, colabora nesta remodelação.

A coleção pretende apresentar a evolução das Transmissões Permanentes do Exército, ao longo dos seus mais de dois séculos de existência que vão do Corpo Telegráfico ao Regimento de Transmissões.
Trata-se de uma alteração significativa em relação à anterior coleção (que também abrangia as transmissões de campanha), por ter um âmbito mais restrito mas ainda por se procurarem contextualizar os equipamentos expostos em relação à sua época.

Dado que há lacunas na história das Transmissões Permanentes do Exército dificilmente colmatáveis, julga-se vantajoso publicar no Blogue textos relativos à remodelação que poderão constituir motivo de intervenção e correção por parte dos visitantes do Blogue.

Este primeiro texto, dentro de tal propósito, destina-se a justificar a forma como foi compartimentado, na Coleção Visitável, o período de mais de dois séculos de existência das Transmissões Permanentes.

O problema, em boa verdade, não se punha nem no primeiro nem no derradeiro elo da cadeia. Com efeito:

  • O primeiro período pertencia indiscutivelmente ao Corpo Telegráfico (1810 – 1864). desde a sua criação em 1810 até  sua extinção em 1864;
  • O  último período também não parecia oferecer qualquer dúvida que teria que ser ocupado pelo Regimento de Transmissões, a partir de 1977, ano da sua criação, por ser esta unidade o fruto atual de toda a evolução histórica e tecnológica.

O problema resume-se assim na compartimentação do período remanescente, ou seja, que vai de 1864 (ano da extinção do Corpo telegráfico) até 1977, o ano da criação do RTm.

Para o efeito, foram tidas em as seguintes datas de mudança:

  • 17 de setembro de 1873, que representa a “restauração” das Transmissões no Exército depois da extinção do Corpo Telegráfico. É uma data ligada ao local visto que o quartel dos quatro caminhos tinha uma estação na rede telegráfica inaugurada nesse dia. Além disso a importância da data levou a que  fosse escolhida para dia do Regimento de Transmissões.
  • 9 de Janeiro de 1901. Foi a data da passagem do testemunho das Transmissões Permanentes para a Engenharia, como esta Arma pretendia. Foi durante anos o dia do Batalhão de Telegrafistas e da Escola Prática de Transmissões (Lisboa).
  • Ano de 1951. Ano em que foi criado o Serviço de Telecomunicações Militares, que veio a permitir o poderoso  desenvolvimento das telecomunicações militares que se viria a verificar na Guerra Colonial.

Deste modo a Coleção Visitável, para além de um módulo de Apresentação compreende os  seguintes  Módulos, que procuraremos descrever em próximos posts:

  • Módulo 1 correspondente ao período de 1810 a 1864
  • Módulo 2 ao período de 1873 a 1901
  • Módulo 3 ao período de 1901 a 1951
  • Módulo 4 de 1951 a 1977
  • Módulo 5 de 1977 à atualidade

CEU – Centro Emissor Ultramarino

A partir de 1961, foram construídos um centro emissor, na Encarnação, Lisboa (no terreno a sul do edifício onde se situam o Laboratório Militar e o IGeoE) e um centro receptor, no Campo de tiro de Alcochete, ligados por feixes hertzianos e comandados a partir do Centro Nacional de Transmissões, localizado no RTm. Estes meios, onde se destacavam os enormes campos de antenas, permitiram a ligação estratégica com Angola, Moçambique, Guiné e os outros territórios e serviram também muitas vezes para apoio às famílias, pois, a partir do RTm, podiam contactar os militares em comissão, desde que estes se deslocassem a um dos muitos postos do STM nos territórios ultramarinos.

Emissores Marconi HS-31 de 6 Kw e quadro de distribuição

In illo tempore

O Regimento de Telegrafistas em 1935

Imagem ‘clean’ da Rua de Sapadores e do então Regimento de Telegrafistas no final do inverno de 1934/5, quando as árvores ainda não tinham folhas, apenas uma tinha ramos e apenas um automóvel por ali circulava. De notar, a beleza austera e a harmonia do edifício, o poste telefónico na placa central, as antenas nos torreões, o portão encerrado, o espaço amplo e liberto do actual jardim do Regimento de Transmissões e as fardas de cotim dos dois militares.

Porta d’Armas e Edifício do Comando, já nos anos sessenta, quando era o quartel do BT – Batalhão de Telegrafistas (desde 1937)

Início da TSF em Portugal

Em 1899 é nomeado o engenheiro Sá Carneiro, então tenente da companhia de telegrafistas,para tratar e propor a aquisição do material necessário ao estudo experimental de comunicações TSF. O primeiro material foi encomendado ao conhecido e especializado fabricante francês E. Ducretet. O material entregue foi:

O EMISSOR constítuido por um manipulador, um oscilador, uma antena e uma ligação à terra. Este emissor era idêntico aos empregues por Hertz nas suas célebres experiências,

O RECEPTOR pelo som era um aparelho portátil designado por RECEPTOR RÁDIO TELEFÓNICO POPOV-DUCRETET, onde em lugar do tubo de Branly era empregue um revelador de agulhas

Foram realizadas as primeiras experiências T.S.F no início de 1901 na parada do Quartel dos Quatro Caminhos (hoje Regimento de Transmissões) com aparelhos emissores e receptores Ducretet-Popov, a 17 de Abril do mesmo ano realizaram-se novas experiências entre a Raposeira e o Forte do Alto do Duque, noticiadas no jornal Diário de Noticias de 18 de Abril.