AP-525V

O AP-525V é um Amplificador Linear de potência integrado na Família do Rádio Tático Multibanda PRC 525 e projetado para ser instalado em montagem veicular do tipo MT-525. Permite funcionamento contínuo desde 30 MHz a 108 MHz com potência de emissão de 50W PEP/CW, suportando comunicações de voz e dados quer em modo analógico ou digital permitindo modem de alta velocidade até 72Kbps e salto de frequência de alta velocidade (> 500 saltos/s). O comando é totalmente automático e inclui proteção interna e funções de monitorização.

Desenvolvido e produzido em Portugal pela firma EID

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Generalidades
Faixa de Frequencia (TX / RX)
VHF: 30 to 108 MHz
Modulação e Forma de Onda                              Igual ao PRC-525
Alimentação                                                         18 to 32 VDC (MIL-STD-1275B)
22 to 29 VDC (especificação total)
Potência de Saída RF                                          1mW a 50W (com proteção VSWR)
@ 50 Ohms
Nível de Harmónicas                                            ≤ 60 dBc @ 50 ?
Intermodulação                                                    ≥  36 dB referido a PEP
Ambiente                                                             MIL-STD-1810E
Temperatura                                                        -40 ºC to +70 ºC (em operação)
-25 ºC to +55 ºC (especificação total)
Vibração                                                              método 514.4, proc. I
Choque                                                                método 516.4, proc. I
Estanquecidade                                                  IP5.5 (fichas com isolamento ou com

tampas)

EMI/EMC                                                             MIL-STD-461E
CE101, CE102, CS101, CS103, CS104,
CS105, CS114, RE102, CE106
RS103
Mecânica

Dimensões                                                        (W x D x H) 290 x 140 x 101 mm
Peso AP-525V                                                   3.9 Kg
AP-525VC                                                 4.2 Kg (com filtro cosite )
Cor                                                                     RAL9005 Preto

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A introdução do TR-28 em Angola

Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

O TR-28 encontra-se incluído, e em lugar de destaque, no grupo dos “8 magníficos” da Guerra de África,  designação criada neste Blogue.[1]

TR-28 peqAlguma coisa se tem escrito no Blogue sobre este excelente equipamento. Aproveito para transcrever aqui dois textos que julgo constituírem novidade para a maioria dos visitantes.

O primeiro é de autoria do tenente-coronel Costa Matos[2], e está publicado no livro de José Freire Antunes, “A guerra de África – 1961-1974”[3]:

“… Em 1963 ou 1964 fez-se em Angola uma operação muito grande e muito estúpida, chamada Operação Quissonde,… A meu ver esta operação foi muito estúpida porque envolvia muita mão-de-obra para aniquilar as machambas de mandioca, para os deixar morrer à fome. Mas em África toda a gente sabe que basta espetar um pau de mandioca num monte de terra para, daí a três semanas estar florindo.[4] Dessa operação sobrou muito dinheiro.[5]… Um dia, o chefe de Estado-Maior, então coronel Nunes da Silva, pediu para fazermos uma reunião para ver o que é que se ia fazer ao dinheiro que tinha sobrado da Operação Quissonde, uns trinta ou quarenta mil contos. A ideia de Nunes da Silva era comprar uma série de tractores com esse dinheiro e equipar os batalhões com um pelotão de sapadores para ajudar a melhorar os caminhos, estradas, etc. Eu disse que era prioritário ter boas comunicações, ter bons meios de transporte e bons meios logísticos. Uns dias antes tinha lá estado uma missão sul-africana que me tinha falado na possibilidade de nos venderem umas coisas. Até aí tínhamos uns rádios feitos na General Electric[6] que eram uma porcaria, funcionavam com umas baterias enormes que tinham que ser levados por dois ou três soldados.[7] Os sul-africanos tinham um rádio que era fabuloso, o TR-28, que se punha às costas e tinha uma frequência com cristais.[8] Nós perguntámos se eles nos podiam vender uma quantidade apreciável de rádios e de material de acampamento: barracas de campanha, cozinhas (as nossas eram muito antigas). O Exército sul-africano vendeu-nos um extraordinário material de acampamento e esses rádios”.

Nas suas “Memórias” o coronel Engenheiro Silva Ramos conta-nos o seguinte:

1967 – Nos primeiros meses apareceram em Luanda dois indivíduos, um mais velho, devia ser antigo militar e com experiência de mato e outro mais novo engenheiro electrotécnico chamado Larsen. Traziam dois protótipos de rádios de campanha em HF que pretendiam ensaiar em Angola. Era um rádio totalmente transistorizado que podia atingir os 100 watts em Banda Lateral Única. A alimentação era através de uma bateria Cd-Ni recarregável. Tinha obtido os transístores para 25 watts cada na América, dando os 100 w com os quatro em paralelo. O consumo era muito menor que os de campanha existentes mas o alcance era muito maior. Ouvidas as suas explicações e dadas as nossas opiniões segui com eles para as matas da zona de Salazar em duas viaturas. As experiências foram positivas, havia que desenvolver o aparelho. Eles trabalhavam para a Racal Sul-Africana que era independente da Racal inglesa a que já tínhamos comprado equipamentos para o STM.

Voltaram para a África do Sul para produzirem o equipamento mantendo as ligações connosco. Nesse ano as Transmissões de Angola foram visitadas pelo novo Director da Arma, Brigadeiro Câncio Martins acompanhado pelo capitão Simões, a quem foram expostas as possibilidades de uma transformação profunda nas transmissões de campanha com o aparecimento dos rádios de HF-100 watts de BLU que foram designados por TR-28.

Estes rádios tinham 30 canais fixos com cristais, o que obrigava a definir as suas frequências quando da encomenda. Assim, ao preparar-se a encomenda dos primeiros 100 tivemos de fazer um planeamento da sua possível utilização: para ligações de carácter fixo, para ligações de tropas no exterior e estas entre si, canais para ligação à Força Aérea e pedidos de socorro, além de canais de comunicação geral e de emergência. Isto fez-se dentro das faixas de frequência que estavam atribuídas em Angola para ligações militares.

1968 – …. As tentativas para melhorar as comunicações de campanha prosseguiram e surgiram os primeiros TR – 28 para utilizar.”


[1] Ver aqui o post do cor José Canavilhas de 23 de Dezembro de 2011

[2] Era chefe da 3ª Rep do QG da RMA. Em 1967 e 1968 tive a honra de ser seu adjunto  e tenho por ele grande consideração. È inteligente, culto e com enorme capacidade de chefia. Aprendi muito com ele.

[3] II Volume, página 189

[4] Costa Matos conhecia África pois esteve antes em Moçambique, numa comissão onde foi chefe da 2ª Rep/QG e montou um serviço de informações militares de certo prestígio e posteriormente como Governador do Niassa.

[5] De notar que a operação Quissonde se realizou em 1964 e só em 1967 é que se estava a procurar o dinheiro que sobrava dessa operação.

[6] Deveria ter dito Standard Eléctrica

[7] Penso que se referia aos CHP-1 e DHS-1

[8] Queria dizer que as frequências eram controladas a cristal

P/PRC-525

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O PRC-525 representa uma revolução no campo de batalha digital, permitindo a máxima flexibilidade em termos de bandas de frequência, formas de onda e funções. O rádio é um equipamento utilizado na construção de sistemas complexos que permitem comunicação por dados, capacidade de comutação e de interligação entre redes analógicas e digitais, redes WAN e LAN, assim como com computadores  e outros equipamentos terminais de dados.

Desenvolvido e produzido em Portugal pela firma EID

CARACTERÍSTICAS GERAIS DE FUNCIONAMENTO:

Faixa de frequências – 1.5 a 512 MHz
Espaçamento de canais:
HF 1 Hz
VHF/UHF 1 Hz, 5, 6.25, 8.33, 12.5, 25, 50 kHz
Estabilidade de frequência: ± 1 ppm
Canais pré-selecionados: 100 (10 disponível no interruptor rotativo)
Tipos de modulação: A1A (CW), A3E (AM), J3E (USB, LSB), J2D, F3E (FM), F3E WB, F1D, A3E WB
Formas de onda:
Frequency Hopping SECOM H, SECOM V, HAVE QUICK II (opcional)
Transmissão de Dados STANAG 4285, STANAG 4539, STANAG 4529 (HF), OFDM 72 kbps (VHF, UHF, FF), ALE (HF) 2G: FED-STD-1045/1046/1049
3G: MIL-STD-141B, STANAG 4538
Modos de operação: Frequência fixa (FF), saltos de frequência (HF, VHF e UHF) e DFF, GPS modos (tempo, posição), ALE
Teste incorporado (Built-In Test) (BITE) Ao ligar BIT, manual BIT, monitorização continua
Alimentação 16 to 30 VDC
19 to 30 VDC
Portátil
Bateria Li-ion (recarregável)
Autonomia >20 h (5 W, FM, 1:1:8 at 25 ºC)

Recetor:
Sensibilidade (para 10 dB SINAD)
HF-SSB -115 dBm
VHF-FM -115 dBm
UHF-FM -112 dBm
Squelch squelch silábico, Hz tom de squelch de 150, sinal de squelch, RSSI (indicação da potência relativa de sinal)

Emissor:
Potência de saída RF
HV versão HF 1mW, 500mW, 1, 2, 5, 10, 20 W
VHF 1mW, 500mW, 1, 2, 5, 10 W
VU Versão 1mW, 500 mW, 1, 2, 5, 10 W

Ambiente MIL-STD-810E
Temperatura -40 ºC to +70 ºC (operando)
-25 ºC to +55 ºC (fully specified)
Vibração método 514.4
Choque método 516.4
Estanquicidade método 512.3
1 m imersão durante 2 h

EMC MIL-STD-461E
CE102, CE106, CS101, CS103, CS104, CS105, CS114, RE102, RS103, RS105

Mecânica (portátil com baterias k)
Dimensões (WxHxD) 199 x 74 x 309 mm
Peso 5.9 K

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Os 20TPL (2)

Post do MGen Edorindo Ferreira, recebido por msg:

Algumas razões do insucesso do rádio 20 TPL da Standard Eléctrica

Julgo poder afirmar que a “ideia luminosa”, mas arriscada, do TCor Rodrigo Leitão de projecto e fabrico de um rádio táctico português, não teve de início aceitação geral. Embora corajosamente apadrinhada de imediato pelo Director da Arma de Transmissões, Brigadeiro Pereira Pinto, houve vozes discordantes no Exército e mesmo dentro da Arma. Estávamos no Verão de 77, com Forças Armadas ainda não estabilizadas e sem rumo bem definido, pelo que, como seria de esperar, os obstáculos a vencer foram mais que muitos.

No entanto, a “grande aventura” chegou a bom porto depois de algumas tormentas, com a produção do P/PRC-425, que nos primeiros anos da década de 80 começou a ser distribuído a todo o Exército, tendo-se revelado um sucesso.

O mesmo não se pode dizer do sucedido no início da década de 70 com a iniciativa da Standard Eléctrica (SE) de concepção e produção do equipamento rádio de HF denominado 20 TPL, na sua óptica visando satisfazer as necessidades das Forças Armadas nas guerras africanas, e transferir para a indústria nacional de telecomunicações as aquisições efectuadas no estrangeiro. É importante referir que a SE, com o seu equipamento, tinha em mente substituir o TR 28, em serviço desde 68 com boa aceitação, depois de várias tentativas frustradas de equipar as tropas em campanha com um rádio táctico de qualidade.

O Sr. João Freitas, num post sobre o 20 TPL, já aflorou as razões para o fracasso do projecto da SE. Com este artigo pretende-se aprofundar o sucedido e, quiçá, “espicaçar” os que viveram esse tempo, para um saudável debate sobre os motivos que inviabilizaram o negócio da SE.

Vejamos a cronologia do processo:

Julho de 70 – Apresentação do 1.º protótipo à Direcção da Arma de Transmissões (DAT), por iniciativa da SE. De imediato foram sugeridas diversas alterações, de modo a melhorar as características técnicas e operacionais do equipamento, manifestamente insuficientes. Os representantes da SE foram também informados da metodologia para aprovação de novos rádios para o Exército: entrega de 3 exemplares para ensaios prévios em laboratório, a que se seguiria, após provas satisfatórias, a aquisição de 50 para ensaios em campanha durante 6 meses.

Outubro de 70 – A SE propôs que a DAT adquirisse uma ou duas centenas de rádios, que já estariam em produção, sem ter ainda fornecido os três equipamentos para os ensaios prévios!

Abril de 71 – Finalmente entregues três equipamentos para ensaios.

Outubro de 71 – Ensaios laboratoriais concluídos. A DAT informa superiormente que o 20TPL não satisfaz como equipamento para o Exército, pelo que não recomenda a sua aquisição para ensaios de campanha. O Brigadeiro DAT, para dissipar quaisquer dúvidas, determina a realização de um estudo comparativo com o TR 28, identificando as vantagens e os inconvenientes de cada um, o qual poderia ser acompanhado pelos engenheiros da SE.

Não obstante o parecer da DAT, um despacho ministerial determinou a aquisição de 50 rádios, após carta da SE em que solicitou protecção para a sua fabricação nacional. Simultaneamente, a firma tentou que fosse suspenso o processo de aquisição de 500 TR 28, com o argumento de que o seu equipamento era o substituto adequado, de fabrico nacional.

Novembro/Dezembro de 72 – Mais de um ano depois do despacho ministerial e mais de dois após a SE ter anunciado que já tinha os equipamentos em produção, a firma entregou os 50 rádios. Apenas 5 ficaram em Lisboa e os restantes foram entregues directamente em Angola, Moçambique e Guiné (15 para cada), para os tão desejados ensaios em campanha.

De acordo com os ensaios sumários de imediato efectuados, o rádio continuava a não servir. Para a DAT, a SE não tinha melhorado suficientemente o equipamento, pois não havia efectuado as alterações consideradas essenciais, sucessivamente transmitidas verbalmente e por escrito.

Apesar de continuar a não recomendar o equipamento, a DAT ter-se-á resignado a que os ensaios em campanha fossem iniciados, os quais viriam a ter os resultados esperados. Ordens superiores?

Janeiro de 73 – Para grande desconforto da DAT, a SE continuou a tentar influenciar os decisores políticos e militares, com afirmações e insinuações consideradas não verdadeiras e mesmo ofensivas, para que o Exército lhe adquirisse uma quantidade significativa de 20 TPL. A posição da DAT foi irredutível e mesmo algo agressiva, ao informar do descrédito em que era tido em todo o Exército, e em especial nas tropas em campanha, o material de HF da SE, com as inerentes consequências para a Arma. Em vez de manobras para conseguir aquisições, melhor seria a produção de equipamentos que honrassem a firma e que prestigiassem a DAT. Acrescentou ainda que teria sido aconselhável acolher a experiência que o Exército em campanha representa, de modo a resolver os problemas sem procurar impor soluções unilaterais, cuja eventual aceitação iria fazer retroceder o Exército para antes do TR28, quando estava equipado com material HF da SE.

E assim foi ditada a “sentença de morte” ao 20 TPL.

Mas o que terá levado a SE a lançar-se na aventura de conceber e construir, a partir do zero, um rádio completamente novo? Motivos patrióticos, ou comerciais numa tentativa de sobrevivência da empresa?

A SE sabia do sucesso do TR 28, de que já tinha produzido e fornecido algumas centenas, sob licença da RACAL, e que, para o substituir, o rádio a fabricar teria que superar as suas capacidades operacionais e técnicas.

Também era conhecida a desconfiança da Direcção da Arma de Transmissões em relação à Standard Eléctrica, motivada pela recordação do que se havia passado com a aquisição dos rádios de HF CHP-1 e DHS-1, que custaram 140 000 contos (um valor elevado para a época) e que não deram provas cabais em campanha, por serem de operação complicada e de manutenção difícil e dispendiosa. Não terão valido o que custaram, causaram alguns dissabores à Arma e às tropas e, com a chegada do TR28 (em 1968), foram de imediato para a prateleira.

Estavam assim reunidas as condições para a lei de Murphy se aplicar. Mas algo mais não terá corrido bem.

Como já referido, a iniciativa de projecto e fabrico foi da SE e não do Exército, numa atitude meritória mas muito arriscada. Com o P/PRC 425 sucedeu o oposto, com a iniciativa e o empenhamento decisivo da Arma de Transmissões em todas as fases do processo. Salvo melhor opinião, foi esta a razão primeira para o sucesso de um caso e o fracasso do outro.

Por outro lado, julgamos que os engenheiros da SE, alguns deles também professores do Instituto Superior Técnico, teriam boa formação teórica, mas faltava-lhes experiência técnica e militar para o projecto e fabrico de um rádio de campanha. Além disso, não terão sabido acolher as opiniões e sugestões ditadas pelos conhecimentos teóricos e práticos dos engenheiros da Arma.

E, finalmente, será que a SE teve apoio da “casa-mãe”, a americana ITT? Possivelmente não, por questões de âmbito político.

Eventualmente outras razões haverá. Aqui fica o meu contributo para início de debate.

NOTA: artigo escrito essencialmente com base em correspondência trocada entre a Direcção da Arma de Transmissões, a Standard Eléctrica e a Comissão de Reequipamento Extraordinário do Exército e da Força Aérea (CREEFA), de Outubro de 70 a Janeiro de 73.

Os SCR-508; 528; 608 e 628

Post do nosso leitor Sr. João Freitas, recebido por msg:

Vamos tratar de mais um caso complicado, quanto mais não seja por englobar diversas nomenclaturas. Como no caso do AN/GRC-3 a 8, os aparelhos que hoje tratamos são passíveis de várias conjugações jogando com duas gamas de frequências e duas tensões de alimentação. Serão essas duas gamas de frequências e a adição ou subtração de componentes a determinar as suas diferentes identidades. Exteriormente os seus componentes são bastante similares conforme as funções.

Conjunto dos diversos elementos falados no texto

De origem americana, todos estes aparelhos datam do último conflito mundial (1939/1945), equipando nessa altura a maioria dos blindados e veículos de comunicações americanos intervenientes nessa guerra. Sendo rádios de muito boa qualidade, chegam a Portugal a meio dos anos cinquenta, fornecidos nos acordos NATO, havendo provas fotográficas do seu uso nos primeiros anos da guerra em África.

Um SCR-508 montado numa Dodge WC-51 nos primeiros tempos da Guerra Colonial em Angola. É curiosa a proteção feita em caixa de madeira e terra.

O seu toque a recolher dar-se-á nos últimos anos da década de sessenta. A nossa Força Aérea chega a equipar algumas das suas aeronaves (de dois ou quatro motores) com rádios deste tipo!

Todos os recetores e transmissores desta série operam em FM (fonia) numa gama compreendida entre os 20MHz e os 38.9MHz. Bem, como temos que começar por um lado entendemos que devemos ir aos alicerces, aí encontramos uma base (ou suporte veicular) sobre a qual todas as hipóteses podem ser consideradas, falamos da base “MT-237” (MT=MOUNTING). Pesadíssima, compreende todas as ligações necessárias para a fonte de energia primária (baterias de automóvel de 12 ou 24v), antenas, ligações para dois recetores, um transmissor e suas respectivas fixações, além de fusíveis ativos e de reserva, assim como aberturas para diversa manutenção. Este suporte é impressionante pelo seu tamanho e extrema robustez. Outras bases mais pequenas existem para esta serie de rádios, também elas usadas em Portugal, mas esses sistemas encaixam já sob a designação “AN/VRC”, sobre eles falaremos em outro artigo.

Como já aflorámos, sobre o “MT-237”, podem-se colocar múltiplas conjugações de recetores, transmissores e acessórios como passaremos a descrever.

Conjunto SCR-508, ou SCR-608 (dependendo da gama de frequências)

Conjunto SCR-528, ou SCR-628 (dependendo da gama de frequências)

Constituições “SCR” (Set Complete Radio) possíveis:

SCR-508: Constituído por um emissor BC-604 e dois recetores idênticos BC-603 sobre uma base MT-237.

SCR-528: Constituído por um emissor BC-604 e um recetor BC-603 sobre uma base MT-237.

SCR-608:Constituído por um emissor BC-684 e dois recetores idênticos BC-683 sobre uma base MT-237. (versão também usada pela F.A.P.)

SCR-628: Constituído por um emissor BC-684 e um recetor BC-683 sobre uma base MT-237.

(Destes “SCR” faziam parte um vasto leque de outros componentes. Apontamos apenas os mais importantes)

Elementos “BC” (Basic Component) constituintes:

 

O recetor BC-603, ou BC-683

 

Recetores BC-603: Frequências de 20 a 27.9 MHz., com alimentação primária a 12v com o dínamo DM-34 ou a 24v com o dínamo DM-36.

Recetores BC-683: Frequências de 27 a 38.9 MHz., com alimentação primária a 12v com o dínamo DM-34 ou a 24v com o dínamo DM-36.

(Estes dois recetores tinham sintonia corrida ou dez frequências pré-sintonizadas acionadas por teclas.)

 

 

 

O emissor BC-604, ou BC-684

Transmissores BC-604: Frequências de 20 a 27.9 MHz. (30W), com alimentação primária a 12v com o dínamo DM-35 ou a 24v com o dínamo DM-37.

Transmissores BC-684: Frequências de 27 a 38.9 MHz. (30W), com alimentação primária a 12v com o dínamo DM-35 ou a 24v com o dínamo DM-37.

(Estes transmissores tinham apenas dez frequências comandadas a cristais e acionadas por teclas.)

Há originalmente mais conjugações “SCR” possíveis, tendo por base estes elementos e acessórios, sendo estas as mais importantes. Portugal não deverá ter-se restringido às conjugações “SCR” básicas, introduzindo por exemplo num “SCR-508”, em vez de dois recetores iguais, dois com frequências complementares.

Como se notará, é com a possibilidade de facilmente se substituir o dínamo interno dos recetores e transmissores que se alteram a tensões primárias com que estes aparelhos podiam ser alimentados (12 ou 24v).

Um SCR-508, ou 608, em versão fixa terrestre, ou aplicado em veiculo ligeiro, com o CHEST-74

Quando se utilizava a versão SCR-528 ou SCR-628 (ficando o alvéolo de um recetor vazio), podia-se preencher esse espaço com o “CH-264” (CHEST-264) (1) onde eram guardados diversos periféricos, e válvulas de substituição, ou um amplificador para intercomunicação de tripulações de veículos blindados, ou ainda um raro amplificador de RF. Para além da referida base MT-237, e quando estes conjuntos eram utilizados em campo ou em viaturas abertas, era utilizado um “armário” “CH-74″(2) (CHEST-74) equipado com base para a antena, onde o conjunto ficava resguardado.

Esta série de “SCR” é substituída, nos anos cinquenta, pelos AN/GRC-3 a 8. Como Portugal também os teve ao serviço, deles trataremos posteriormente num artigo alargado, por ser ainda mais complexa a sua conjugação de componentes.

(Adaptado de um original publicado na revista “QSP”)

João Freitas

Notas:

(1)  “CH-264” (CHEST-264) “CAIXA 264”. Tem as dimensões iguais a um recetor e é totalmente em aço. Na parte superior tem um compartimento para válvulas e na parte na frente um espaço para guardar microfones e auscultadores, ambos os espaços têm tampas.
Como se tem referido, neste artigo, aparecem mais duas nomenclaturas em que decompõe o complexo sistema “SCR”, é o caso do “CH” (CHEST-74 e 264) e do “DM” (DYNAMOTOR-34, 35, 36 e 37)

(2) A tradução dada aqui é mais do que literal! Somos obrigados a isso porque o termo “CHEST” identifica uma serie de acessórios que, no código “SCR”, genericamente, servem para guardar algo ou alguma coisa. No caso do “CH-74” temos uma caixa (armário) de contraplacado, muito robusta, onde o aparelho era colocado, e a partir do qual pode ser operado. Os E.U.A. foram grandes fabricantes/utilizadores deste tipo de CHEST (e Portugal também os recebe!), muito especialmente subdividindo grandes conjuntos de rádios e seus acessórios que equipavam viaturas de comunicações, ou para utilização em fixo terrestre.

Wireless Set 19, Posto 19, ou P. 19

Post do nosso leitor Sr. João Freitas, recebido por msg:

Da mais elevada linhagem inglesa, com três modelos principais (Mk I, II e III), pertence a uma longa família de rádios com a designação geral de WIRELESS SET (WS) (*)

O P.19 MKIII com os seus diversos acessórios. Note-se o suporte do relógio entre as 2 tomadas do rádio.

O WS19 é concebido pela “PYE” e começa a ser produzido em 1942. Com inúmeros problemas iniciais, rapidamente resolvidos, chegou ao descalabro de apenas 30% de todas as unidades enviadas para a campanha do Norte de África estarem em estado de funcionamento! Serve as tropas aliadas desde a referida campanha, até ao fim da guerra, sendo fabricado em alguns membros da Commonwealth e sob patente nos EUA (ZENIT). De referir que grande parte daqueles que vieram para Portugal (Mk II e III) serem de fabricação canadiana e americana, facilmente distinguíveis pelas indicações em inglês e russo nos painéis frontais. O cirílico explica-se porque parte da sua produção estava destinada aos aliados soviéticos, através dos tratados de “Empréstimo e Cedência”. Resolvidos que foram todos os defeitos, tornou-se um dos melhores e mais conhecidos aparelhos dos tristes anos de 1939 a 1945.

No caso que nos diz respeito recebemos estes equipamentos nos finais de 40, encontramos referência sobre este importante radio no “Boletim de Material de Engenharia” de 1950. Esteve em serviço até meio da década de sessenta. Entre várias menções á utilização deste excelente aparelho pelo nosso exército, salientamos a que referencia o seu uso na povoação de Mucaba em 1961, para estabelecer contacto rádio com um avião “PV-2” que, de noite, sobrevoava a referida zona (**). Sobre ele existiu, também, um manual de operador feito em Portugal.

Conjunto de cabos do WS-19

Especialmente destinado a ser um rádio veicular, também será aplicado inúmeras vezes em “fixo” seguro ou não numa grande caixa de madeira (a sua caixa de transporte). Geralmente quando aplicado num veículo militar toda a sua parte frontal (rádio e PSU) podiam ser protegidas por duas grelhas de ferro, similares às aplicadas no AN/GRC-9. O avanço tecnológico, impulsionado pela guerra, determina o fim da sua produção no início de cinquenta.

WS-19 MkII equipado com amplificador de RF

Os elementos principais que constituíam este interessante aparelho eram os recetores/transmissores/amplificador de voz numa mesma unidade, uma fonte de alimentação separada com dínamo, ou dínamo e vibrador (“PSU”- POWER SUPPLY UNIT), uma unidade de acoplamento de antena (VARIOMETER), geralmente colocada perto da antena do tanque, ou quando em fixo segura sobre o “PSU” e diversas caixas de controlo veicular e respetivos cabos de interligação. Ainda sobre a unidade de sintonia de antena convém dizer que o seu tamanho era impressionante e sem duvida nenhuma uma peça característica do radio, devido á sua forma cilíndrica com um grande botão de manobra.

PSU, onde se podem ver a indicações em inglês e russo

Alguns dos modelos intermédios estavam equipados de um relógio de bolso na parte frontal (do rádio, ou do PSU). Hoje em dia são peças raras, pois “perdiam-se” com relativa facilidade. Estes relógios, iguais entre si, mas oriundos de diversos fabricantes (por ex. “DAMAS”), tinham marcas distintas gravadas na tampa ou no mostrador, tais como: o eterno símbolo do material militar inglês, a “seta”*** e as letras “T.P.” (Time Piece).

Voltando às características técnicas principais, e como acima dissemos o POSTO 19 dividia-se, interiormente, em dois rádios R/T de banda corrida, em amplitude modelada, o “A” e o “B” com as respetivas frequências de 230mcs a 240mcs, e de 4 mcs a 8 mcs em duas bandas. Não nos podemos esquecer da hipótese de pré fixar quatro frequências (duas por banda) no radio “B”, sistema que tomou a designação “PISCA” nos nossos manuais (originalmente apelidado de “flick system”). A alimentação primordial deste aparelho era de 12 ou 24 v.

Não temos conhecimento de que, em Portugal, tenha sido usado um amplificador de “RF” especificamente destinado a este aparelho.

João Freitas

(Adaptado de um artigo publicado originalmente na revista “QSP”)

Notas:

(*) Um dos primeiros sistemas identificativos e sequenciais ingleses, tem a designação, não oficial de “WIRELESS SET” (WS). Esta designação não passa de uma espécie de “nome de família” composta por mais de sessenta rádios. Diferenciados apenas pelos seus números próprios, a sequência numérica desta série, nem sempre uniforme (do “1” ao “88”, há números que faltam), nada nos diz sobre a sua utilização, nem do fim a que se destinam, sendo por exemplo, dois números consecutivos, identificativos de rádios completamente diferentes e tendo fabricantes diversos. Dela continuaremos a falar em outros artigos, pois foi extremamente importante para o nosso país, estando intrinsecamente ligada ás comunicações militares em Portugal entre os finais de década de trinta aos finais de sessenta.

Ainda falando da tendência, de resto muito britânica, de juntar os seus aparelhos de comunicações militares por grupos, aos quais é atribuído um nome, podemos adicionar que, dentro dessa família, os seus elementos são diferenciados por letras e números. Durante alguns anos é essa “família de rádios” que predomina, embora a que antecedeu ainda esteja em utilização e a que lhe vai suceder já esteja em plena distribuição. Como exemplo, podemos colocar no tempo e de forma sucessiva, o sistema “WIRELESS SET” e o sistema “LARKSPUR” (nome de um famoso cavalo de corridas!).

Contrariamente ao que sucede no sistema “WIRELESS SET”, no sistema “LARKSPUR”, de que Portugal também viria a receber largas quantidades de aparelhos, a codificação de cada aparelho, já obedece a uma identificação coerente, segundo tabelas fixas.

(**) General Silva Cardoso, em “Angola anatomia de uma tragédia”

(***) A “seta” (uma ponta de seta estilizada, símbolo do monarca George I e do Império Britânico) é utilizada para identificar, a tinta ou em baixo relevo, algum material de guerra de origem inglesa (Commonwealth) desta altura.

Os SCR-593-A

Post do nosso leitor Sr. João Freitas, recebido por msg:

Vamos hoje tratar de um aparelho praticamente desconhecido, apesar de uma série de fatores que o tornaram único e digno de nota. Mesmo a diversos militares da velha guarda, as nomenclaturas “SCR-593-A” ou “BC-728-A” (1), hoje em dia, já nada dizem.

O “BC-728-A“, (BASIC COMPONENT 728) elemento principal do “SCR-593-A” (SET COMPLET RADIO 593) era apenas um pequeno recetor portátil de amplitude modulada, tendo como comandos quatro botões de pressão para a seleção das quatro frequências pré sintonizadas em oficina, e um outro rotativo que acumulava as funções de ligar / desligar e volume. As quatro frequências estavam compreendidas entre os 2 e os 6 mcs. Podemos dizer que é o único recetor americano de verdadeiro transporte ao ombro, destinado ao serviço militar, muito especialmente à artilharia. Como veremos mais abaixo o aparelho também podia ser aplicado em veículos, seguro a um suporte específico.

Este rádio totalmente autónomo, tinha seis válvulas alimentadas por um sistema com vibrador e possuía altifalante incorporado. Como energia inicial, encontramos no seu interior, uma bateria “BB-54-A“, similar às utilizadas nas motorizadas atuais. A carga desta bateria, era realizada a partir de uma bateria de automóvel de 6 ou 12 v, através de cabos e fichas próprios, e com a ajuda de um outro vibrador (tudo incluído no recetor).

Ligado intrinsecamente ao referido processo de transporte (ao ombro), estava a sua singular antena “AN-75-A”, se não vejamos; a primeira parte da antena era um grosso cabo de borracha preta (com uma proteção em cabedal para o ombro) que, ficando preso pelas suas extremidades ao recetor, servia de alça de transporte. Numa das referidas extremidades estava colocada uma robusta antena telescópica com (aproximadamente) dois metros e dez centímetros de comprimento.

Quando utilizado em “fixo veicular”, o lado da bandoleira que tinha a antena telescópica podia eventualmente ser desaparafusado do corpo do rádio e colocado numa posição convenientemente mais elevada, permanecendo a outra extremidade ligada ao recetor. Um conjunto próprio de acessórios de fixação (2) permitia este uso veicular do recetor, desde que o rádio e a antena pudessem ficar o mais verticais possível. Esta posição era fundamental para o recetor, devido aos cuidados a ter com o ácido da bateria. Tal suporte veicular permitia a fácil extração deste recetor.

A decisão em criar um rádio com alimentação primária baseada numa bateria de ácido/chumbo dita, no futuro, a sua própria morte. Apesar de serem estanques, estes acumuladores vertiam, por descuido ou defeito. O ácido à solta dentro do aparelho, era como um elefante numa loja de cristais. Também a borracha que cobria os quatro botões selecionadores das frequências era de má qualidade e muito fina, deteriorando-se depressa.

Portugal deve ter recebido umas escassas dezenas de unidades (20 rádios, conforme memória de um antigo militar) no início dos anos cinquenta (manual em português de 1958) acompanhadas, naturalmente, por muitos “spares”. Prova disso é termos encontrado, no ano de 2000, largas quantidades de antenas novas ainda embaladas e outro material acessório para eventuais reparações.

João Freitas

(Adaptado de um artigo publicado originalmente na revista “QSP”)

Notas:

(1) A letra “A” na posição apresentada, refere-se já a uma modificação (geralmente impercetível) de qualquer tipo executada naquilo que a sigla anterior (2/3 letras + 2/3 números) verdadeiramente identifica como sendo o básico (o mesmo torna-se válido para as outras letras do abecedário, indicando sucessivas e posteriores alterações).
Quando apresentamos esta especifica identificação, procuramos a que melhor se refira aos modelos que realmente tivemos, em número de exemplares. Não queremos dizer com isso que outros modelos, de menor expressão não tenham de facto sido usados pelo nosso Exército (ex. SCR-593-F).
Será de notar que geralmente os manuais americanos (TM) da serie 11 (material de comunicações), além da sigla identificadora do aparelho a que se destinavam, indicavam logo que se referiam aos rádios com as modificações A, B, C… F, etc., de modo a que o reparador, por exemplo, soubesse que do “B” para o “C”, uma resistência de 1Meg. teria sido alterada para 2. 2Meg.

(2) Sem nos querermos estar a repetir, mais uma vez esclarecemos que a sigla “SCR” (SET COMPLET RADIO) inclui, neste caso: o recetor, antena, bateria, o suporte veicular, cabos de alimentação e todos os parafusos para a fixação do mesmo, tendo cada uma destas peças uma nomenclatura própria. Nesta sequência, ao recetor foi-lhe atribuída a identificação “BC-728” (BASIC COMPONENT 728).

HF-156

Post do nosso leitor Sr. João Freitas, recebido por msg:

Iremos relembrar um transmissor-recetor usado pelas nossas forças armadas, fundamentalmente pelo exército e marinha (Fuzileiros) durante a Guerra Colonial de 1961/74. Hoje em dia, apesar de várias referências e dos dois manuais em português, já poucas pessoas se lembram do “HF-156”, um dos últimos aparelhos da família inglesa “Larkspur” (*), do qual recebe os botões de comando, tão característicos desta série de rádios.

Este aparelho é importante, não só por ter passado pelas costas dos nossos militares, mas porque é considerado como o ultimo rádio, totalmente a válvulas** (15) de transporte ao dorso, produzido no Ocidente. Extremamente robusto, totalmente feito em liga leve, é de imediato reconhecido pela enorme bobine de acoplamento de antena exterior, fixada num dos seus lados. Como inconvenientes principais, temos o seu volume e peso (perto dos 16Kg).

Equipado com um “miolo” eletrónico simples e clássico, estamos tentados a advogar a ideia de um historiador das comunicações militares na “ilha de sua majestade”, que nos diz que o “HF-156” estava destinado a exércitos de 2ª escolha. Realmente todos os exemplares que vimos, não primam por um acabamento de base esmerado. A liga da caixa exterior, geralmente mal fundida e em maus moldes, era corrigida com soldadura posterior e rebarbadora, havendo também pouca qualidade nos componentes eletrónicos (ex. condensadores e resistências).

O peso deste “guarda-fato” advém não só da sua caixa exterior, tão forte e de paredes tão grossas que a tornava pesada. Como veremos, também as duas fontes de alimentação, possíveis, contribuíam para o peso final. Para fornecer as diversas tensões, necessárias a um rádio a válvulas, estavam previstos dois sistemas, um, com base numa pilha de várias tensões (com um adaptador) e um outro com base em duas baterias ácido/chumbo ligadas a um conversor. Será desnecessário referir que as duas soluções não eram leves, com a agravante da versão com baterias, ser penalizada pela possibilidade do ácido se libertar sobre os componentes eletrónicos, a liga do rádio e as costas do utilizador! É esta a razão, pela qual raros são os modelos que chegaram aos nossos dias sem terem a sua parte inferior em muito mau estado, devido a corrosão profunda.

O “HF-156” funcionava em amplitude modelada com seis frequências fixadas por cristal, na gama compreendida entre os 2,5 Mc/s e os 7,5 Mc/s . Equipado com o seu saco de lona verde e vários sistemas de antena, tinha como periféricos auscultadores e microfone (integrados numa mesma armação), ou micro auscultador, elementos que encontramos adotados pela quase totalidade dos rádios de origem Britânica dos anos 50/60. Será curioso referir a fraquíssima qualidade dos vários tipos de borracha empregue na manufatura deste tipo de acessórios e na generalidade dos isolamentos dos cabos elétricos. Hoje em dia a reconstrução de um rádio militar (a válvulas) de origem inglesa, impõe o uso de cuidados acrescidos, só sendo possível a recuperação de periféricos, com a aplicação de cabos novos. O mesmo se passa com a generalidade de toda a cablagem interna.

Portugal recebeu para o Exército conjuntos de “HF-156” no ano de 1962, que se devem ter mantido em utilização até ao final dessa década sem reparos de maior. Um ou dois anos mais tarde, os nossos Fuzileiros vêm também a utilizar este tipo de rádio. De facto são os aparelhos oriundos da Marinha de Guerra os que, exteriormente, encontrámos em pior estado com enormíssimos sinais de corrosão motivada, como referimos, pelo ácido das baterias, mas também pela água salgada e consequentes anos de armazenamento como sucata.

No nosso país, para além dos manuais originais, foram editados pelo menos mais dois em português, um dirigido á sua operação e outro dedicado á manutenção e reparação técnica.

João Freitas

(artigo adaptado de um original publicado na revista “QSP”)

(*)   Em Inglaterra os rádios militares são identificados, ao longo dos anos e sucessivamente, por grandes “famílias” e dentro desses grupos por números. Poderemos considerar isto uma regra. Assim, os aparelhos feitos durante os anos 30 e 40 (Segunda Guerra Mundial) pertencem ao grupo “Wireless Set”. A esta série segue-se o grupo “Larkspur” que estaria em vigor durante as décadas de 50 e 60. É a esta série que pertence o aparelho de que falamos. Posteriormente e até aos nossos dias outros grupos têm aparecido.

(**) Apenas a unidade osciladora para a alimentação (versão utilizando 2 baterias de ácido/chumbo), utilizava dois transístores “OC35”

Os 30STPL

Post do nosso leitor Sr. João Freitas, recebido por msg:

Quando relembrámos o rádio “20 TPL” (ver aqui), deixámos antever que o seu imediato sucessor, o “30 STPL”, também pouco traria de bom, nem alteraria a impressão medíocre deixada pelo primeiro.

Um 30STPL no seu saco de transporte

Projetado e fabricado na Standard Electrica (de seu nome completo “30STPL”), pensamos que deverá a nomenclatura “STPL” à evolução da sigla do seu antecessor “20 TPL”. Por ser um aparelho sintetizado, é acrescida a letra “S” ao grupo “TPL” que por si só será a abreviação de Transistorized Portable. Numa leitura final, “STPL” será a redução de Synthesized Transistorized Portable, No entanto (e para não tornar este texto longo demais) pedimos aos interessados que leiam as “Notas” do artigo anterior (sobre o 20TPL), pois poderá haver outra explicação válida para esta sigla. Nunca encontrámos enquadramento cabal para os números 20 e 30. Alguém, de vós, poderá dar uma ajuda?

Em catálogos e manuais diversos, a essa sigla pouco ortodoxa junta-se uma confusão de definições gerais relativas tanto ao 20TPL, como ao 30STPL. Por exemplo, nos catálogos do “20” ele é apresentado na capa como sendo “20TPL HF SSB Transceiver Packset”, na folha seguinte diz-se que é “Model 20 TPL Transistorized Portable Combat Set”, para além de outras encontradas em diversa propaganda. Relativamente ao rádio de que hoje tratamos, a capa do manual original refere-se-lhe destacadamente como sendo “30STPL  SSB Transmitter-Receiver”, para de imediato o definir na segunda folha como “30STPL Synthesized Packset”.

Estas incoerências na apresentação de um produto deste tipo, que queremos lançar num mercado externo muito aguerrido, geralmente pagam-se caro. Assim como se paga cara a escolha de uma nomenclatura identificativa que pouco ou nada tem em termos de leitura universal convencionada. Já que a Standard, nessa altura, não escolheu o sistema “JAN” (1), ainda bem que adotou as mencionadas siglas, pior seria se os tivessem chamado de “Amália”, “Eusébio” ou “Saudade”…

Como se passou com o “20”, o desenvolvimento do “30” está ligado á Guerra Ultramarina, ao desejo de em breve substituir o “velho” TR-28, a possibilidade de exportação mantendo em laboração um número apreciável de funcionários qualificados. No caso do “30” estaria em jogo a viabilidade da própria empresa. Nada disso veio a acontecer.

Por que razão é que, depois do relativo fracasso do 20 TPL, se incorre nos mesmos erros e se agravam outros? Por que motivo, a um rádio temperamental e incómodo de transportar, se segue outro, dito “mais avançado tecnicamente”, mas maior, muito mais pesado e também problemático? Por que é que, na manufatura dos sacos de transporte (mal dimensionados) se continuou a utilizar lona de fraca qualidade que ao fim de duas chuvadas já não permitia que se fechassem convenientemente, ou com alças que não suportariam o enormíssimo peso?

Assim como sucedeu com o “20” e antes de chegar à forma definitiva (até hoje em dia apenas encontrámos uma versão final), sofre muitas alterações, sendo diversos os protótipos ensaiados, nomeadamente com alterações a nível do painel de comando. Um amplificador de áudio (acessório) recebe também diversas modificações (2). Logo após Abril de 74 recolhem à caserna, de onde quase nunca saíram. Algumas unidades serão oferecidas à CVP. Pouco tempo depois todas estarão na sucata, transformadas em reluzentes lingotes.

Ao perscrutarmos o interior, apercebemo-nos das razões do seu desmedido peso e tamanho. Peças grossas de alumínio, e módulos eletrónicos enormes com diversas blindagens elétricas, onde a palavra miniaturização não teve cabimento, para além de um pack de baterias muito grande e pesadíssimo (deverá ter sido dimensionado tendo em vista o grande tamanho do bloco rádio). Até a estaca do plano de terra era enorme e pesada, mais parecendo uma arma medieval de último recurso. Habituados a ver outros “interiores” de diversos aparelhos congéneres, parece-nos que a palavra de ordem foi “forte e feio, que quem vai carregar não sou eu”. Infelizmente assim nos parece.

Os engenheiros da Standard apercebendo-se tardiamente do peso desmesurado, tentam duplicar algumas peças em resina e fibra de vidro. Tal não vem a resultar, como provam diversas caixas exteriores do pack de baterias feitas nesse composto. Por serem finas demais, não aguentavam os fechos de fixação nem os impactes no solo, tendo sido encontradas em estado lastimoso.

Cerca de 40 anos depois do SCR-300/BC-1000 (2ª Guerra Mundial), com 18 válvulas e uma pilha gigante (ocupando mais de metade do rádio), conseguimos fazer um aparelho totalmente transistorizado, mais pesado e problemático.

Pormenor da fixação da antena

Mas nem tudo era “coisa ruim”. Apesar de parecer que entramos em contradição, tal não acontece quando falamos sobre o desenho do painel de comandos, simples e totalmente original, dos soberbos manuais técnicos; o esmerado planeamento interno, tornando a substituição e reparação de qualquer dos seus cinco módulos principais extremamente fácil; o cuidado em todos os acabamentos e componentes empregues e o excelente tipo de pintura utilizada (electroestática). Com o bloco eletrónico no exterior, todo o painel frontal podia rodar 90º para facilitar o acesso a zonas geralmente difíceis de alcançar. Estando o aparelho montado no seu suporte para utilização fixa/veicular, a base onde era atarraxada a antena tinha a particularidade de poder rodar cerca de setenta graus, permitindo a verticalidade da mesma. O manuseamento operacional sem instruções prévias seria muito fácil para qualquer militar, mesmo que não fosse de transmissões.

Articulação da antena referida no texto acima

Os seus periféricos imediatos (microtelefones, auscultadores) eram do tipo inglês clássico, amplamente difundidos nas nossas Forças Armadas e que encontramos em inúmeros aparelhos (ex. TR28).

João Freitas

(Adaptado de um artigo original publicado na revista “QSP”)

Características principais do 30 STPL

Rádio recetor/transmissor de transporte ao dorso, sintetizado. Dotando-o de suporte especial pode ter utilização fixa ou veicular. Estavam previstos vários modos de carregamento das dez baterias de Ni-Cd, incluindo um gerador manual (igual ao do 20 TPL e cópia de um modelo inglês). Estava contemplada uma alimentação de 220vca/12vcc para utilização em posto fixo (igual à do 20 TPL). A grande maioria dos seus acessórios também tinha aí a sua origem.

Frequências       2Mhz  aos  12Mhz (11.999Mhz)

Canais               10,000, c/ possibilidade de sintonia entre canais

Modelação         AM; USB; CW,  todas em BP ou AP

Potência             30W em SSB; 15W em CW

Alimentação      12V

Peso                   Mais de 17 quilos (reais) c/ acessórios.

Notas

1-    Em anteriores artigos foi esclarecido que “JAN” ou apenas “AN”, é a abreviatura de “Joint Army Navy”, designação de um código identificativo americano (de 1943) universalmente aceite ou adaptado para identificar diverso tipo de material militar. Quando este código é aplicado nos EUA em material seu, a sigla começa sempre por AN sendo seguida por um travessão e posteriores letras e números (ex. AN/PRC-10). Quando esse material é feito noutros países, são adicionadas no seu final as letras identificativas desse país ex. AN/PRC-10Gy (Gy/Germany/Alemanha). Fora dos EUA e mais recentemente, simplifica-se o código, substituindo as letras “AN” pelo indicativo do país fabricante (ex. P/PRC-425, aqui o 1º “P” identifica Portugal), mantendo, o conjunto de três letras posteriores, o significado que já tinha anteriormente e que devido às inúmeras conjugações pode ser, quase, interminável.

2-    Este curioso amplificador de áudio (para utilização em fixo) substituía o pack de baterias (era idêntico em dimensões). Quando aplicado ao rádio, estava previsto que a alimentação fosse feita por um cabo exterior ligado a 12Vcc. Também, neste caso, o microtelefone era ligado ao amplificador.

Os 20TPL

Post do nosso leitor Sr João Freitas, recebido por msg:

Desde o início das comunicações militares, Portugal tem sido sujeito activo na concepção e fabricação de diverso tipo de aparelhos e acessórios para esse fim. Projectos originais totalmente realizados no nosso País, montagens com base em licenças estrangeiras ou até algumas cópias feitas nos mais impensáveis sítios foram-se revezando ao longo do tempo, facto que nos dá algum alento doméstico sem no entanto ter expressão fora das nossas fronteiras. Como parte de uma explicação para esse facto será preciso ter em conta que este tipo de material está sujeito a mercados de dificílima penetração, com clientela inclinada para firmas conhecidas, há muito estabelecidas no meio.

Referindo-nos apenas aos rádios, são as décadas de vinte e de trinta, e as quatro últimas, as que delimitam a criatividade e os picos de produção portuguesa neste campo. Nas primeiras duas, em unidades militares de Coimbra e Lisboa, nas outras em diversas indústrias em Lisboa e em seu redor.

Em 1969, tendo em vista a sua utilização na Guerra do Ultramar, a viabilidade das suas linhas de montagem e a possibilidade de venda ao estrangeiro (1), a ITT Standard Electrica propõe a realização de um receptor-transmissor de transporte ao dorso. É dada a esse rádio a nomenclatura “20TPL” (2).

Aspeto geral do 20 TPL;
Note-se, ao meio, as duas fixações para o suporte veicular

Como se disse diversas vezes em outros artigos, a Standard Electrica foi, sem sombra de dúvida, uma das mais importantes firmas ligada à montagem de rádios militares em Portugal, tendo por esse motivo um trato recíproco muito particular e a diversos níveis com as FA. Este fator empresarial, coadjuvado por um sector militar sempre presente, com funções supervisoras e de aconselhamento, são a trave mestra da indústria eletrónica militar em Portugal há mais de cinquenta anos.

A Standard foi responsável, pela montagem sob patente dos TH.C.736 e TH.C.737, dos AVP-1, dos DHS-1 e CHP-1, e de diversos modelos de RACAL TR-28. Não esqueçamos ainda que, para além dos 20TPL, 30STPL e dos modelos anunciados anteriormente, criou e fabricou outros rádios para fixo e móvel, destinados não só às FA, como também às forças militarizadas e de polícia. Nem todos foram casos de sucesso. Após o seu fecho, apenas o seu belo edifício principal, na Av. da Índia em Lisboa defronte à antiga Feira das Indústrias (*), resistiu a décadas de abandono. Os pavilhões anexos onde se montaram milhares de rádios de todo o tipo, foram demolidos há muitos anos.

À complexidade de criar um aparelho original, fiável, e obedecendo a estreitos requisitos bélicos, juntavam-se os condicionalismos a que Portugal estava sujeito, devido à posição singular que tinha assumido em África. Evidenciavam-se essas dificuldades na simples compra de componentes com estreitos requisitos militares, para não falar no alumínio (desse tipo específico) com que viriam a ser feitas diversas peças de estrutura interna e externa. Estas dificuldades seriam solucionadas negociando com países amigos, ou servindo-nos deles como intermediários.

Não esqueçamos que, qualquer novo rádio de transporte ao dorso, iria fazer frente aos RACAL TR-28, já em utilização e que tão boas provas estavam a dar. O aparelho emergente teria que ser tão bom ou melhor. Apesar da vontade, tal não viria a acontecer. O seu sucesso interno, se o teve, foi fogo-fátuo, ao exterior não seria vendida nenhuma unidade.

Uma realidade é a montagem de aparelhos, mesmo tendo incorporação de componentes totalmente feitos em Portugal, outra totalmente diferente é, a partir do zero, fazer um rádio completamente novo. Aparentemente sem experiência recente neste campo (referimo-nos a aparelhos tácticos de transporte ao dorso), os engenheiros da ITT, depararam com dificuldades em juntar num mesmo produto final a técnica, a operacionalidade, a originalidade e a estética. Prova disso são os vários protótipos totalmente funcionais que temos encontrado ao longo dos anos, para além de diversos modelos conceptuais mostrados em catálogos.

Painel de comando (versão em inglês)

Nesta amálgama de versões, que nunca passaram à fase de produção em série, já observámos de tudo, por exemplo: diversas caixas exteriores com e sem nervuras de reforço, diversos painéis de comandos e alterações de disposição dos mesmos, alterações das tomadas de periféricos e na forma de encaixe para a antena tubular, até a alteração radical da posição do pack de baterias, da parte inferior do rádio para um dos seus lados! Estas sucessivas modificações, consumidoras de dinheiro e energia, estão também patentes nos periféricos. A profusão de versões diferentes acabadas e a total falta de informação fiável sobre o assunto, leva-nos a ter enorme dificuldade em determinar onde acabam os protótipos, e onde começam as pré-séries (se as houver) e diferentes modelos finais e a sua evolução. Neste caso, como em muitos outros, os catálogos e promocionais de fábrica não são base de pesquisa segura, ao apresentarem, como dissemos, por vezes, modelos conceituais que nunca irão sair do estirador.

Detalhe da zona onde é fixada a antena

Como produto final, com produção significativa, sobressaem pelo menos duas versões finais que têm como distinção o número de canais (ver quadro abaixo). Ambas pintadas em tons de verde oliva (em 2 ou 3 cores de padrão NATO/RAL), sem nomenclatura que as distinga, usando microtelefones tipo RACAL TR-28 e sacos de transporte em lona de má qualidade mas bom acabamento. Ao ter um rádio destes na mão algo nos diz da sua origem lusitana, algo que não podemos, em certeza, definir, mas que pressentimos. Decerto não serão apenas as indicações de função em português (existem em português e inglês), talvez seja a mistura de estilos e de soluções para diversos problemas que nos dá essa necessária informação.

Mal-amado desde o princípio, visto de soslaio pelos militares que no início da década de setenta tinham mais que fazer do que andar a experimentar um projecto novo, e em parte desnecessário, incómodo de transportar, com alguns problemas electrónicos (que teriam sido facilmente resolvidos) e uma intrincada alteração de frequências, onde não bastava a simples substituição dos cristais. Tendo ainda que se confrontar com o seu rival TR-28, rapidamente passa para um segundo plano de onde nunca sairá. Muito poucas unidades chegarão ao Ultramar. O exército, sem saber o que fazer com eles, resolve ceder à Cruz Vermelha Portuguesa muitas unidades. Com essa nova gerência também não têm sorte, continuando arrumados a um canto (parte deles na antiga delegação da Amadora e na sede em Lisboa), até ao aparecimento do inevitável sucateiro.

Uma parte do espólio não utilizado, resultante da sua produção, tal como gabaritos de montagem, incontáveis excedentes novos do mais variado tipo e fase de acabamento, diversos protótipos e material pronto, foi parar em 1994 a um industrial de reciclagem de excedentes metálicos (leia-se, ferro-velho!) perto de Lisboa.

Pouco tempo depois, a Standard Electrica, persistirá teimosamente na vã tentativa de “um rádio português” e lançará o “30STPL”. Seria outro infeliz projecto do qual falaremos proximamente. Somente em 1978/79, o P/PRC-425, planeado e executado na Centrel, faria esquecer estes percalços e relançar a indústria de comunicações militares tácticas num dos caminhos ao seu alcance. Posteriormente a Sistel lançaria o P/PRT-825 e outros. Atualmente a EID introduz no mercado diversas versões da série 525.

João Freitas

Características dos dois principais modelos 20TPL, sendo a sua principal diferença o número de canais.

Rádios receptores/transmissores de transporte ao dorso, comandados a cristais. Dotando-os de suporte especial podem ter utilização fixa ou veicular. Estavam previstos vários modos de carregamento das dez baterias de NiCd, incluindo um gerador manual (muito similar a um modelo inglês). Foi anunciada uma caixa de alimentação, destinada a albergar pilhas secas de 1.5V cada. Nunca a encontrámos, nem ninguém se lembra da sua real existência. Estava contemplada uma alimentação de 220Vca/12Vcc para utilização em posto fixo.

Frequências: 2Mhz aos 12Mhz

Canais: 6 ou 23, ambos comandados a cristais. As versões de 23 canais são em número muito superior

Modulação: AM; USB ou LSB e CW

Potência do trm.: 20W em SSB, 10W em CW

Alimentação: 12V em 2 packs recarregáveis de 6Ah ou 3.5Ah

Peso: Cerca de 10 quilos c/ acessórios

Notas:

(1) Visando esses mercados, os catálogos e manuais técnicos tinham versões em inglês.

(2) A sigla “20TPL” poderá ser a abreviação de TRANSISTORIZED PORTABLE, forma já reduzida da designação de fábrica – “Model 20 TPL, Transistorized Portable Combat Set”. Foi-nos dito, há alguns anos, por dois engenheiros ex- responsáveis da ITT (áreas da metalomecânica e do desenvolvimento dos módulos) que essa sigla teria o significado de “Telefone Portátil Lisboa”. Não sabemos qual delas será a certa (pensamos ser a primeira!), ou se haverá ainda uma terceira hipótese.
Haverá por aí alguém que nos possa esclarecer?

(Adaptado de um artigo saído na revista “QSP”)

(*) – Onde hoje funciona a OML (Orquestra Metropolitana de Lisboa)

SCR-694

Post do nosso leitor Sr João Freitas, recebido por msg (fotos do autor):

As guerras coloniais portuguesas da década de sessenta/setenta criaram mitos a nível dos equipamentos utilizados. Nada de estranho ou invulgar, pois em todos os conflitos esta espécie de fenómeno acontece. Quando se discute o assunto invariavelmente as siglas “G-3”, “T-6” ou “AN/GRC-9” veem á tona de água como bolhas de ar. O sucesso do último caso assinalado, o seu maior número e as semelhanças com o rádio de que agora nos ocupamos, levam a que este não tenha o reconhecimento merecido. De facto o SCR-694, “Paido AN/GRC-9 (1, 3), é com ele muitas vezes confundido (2), Em tudo bastante similar e de forma paradoxal, diferente!

Militares portugueses nos EUA (Fort Monmouth) recebendo treino no SCR-694. No aparelho em 1º plano (com a tampa fechada) repare-se na diferença de largura entre a base e o seu topo (menos largo)

Pelos motivos apresentados, manteremos neste artigo o nome do AN/GRC-9 sempre presente. O BASIC COMPONENT 1306 (BC-1306), nomenclatura dada apenas ao recetor/transmissor do Set Complet Radio 694, tem a forma e a aparência de um GRC-9 (4) ligeiramente mais pequeno, sendo de facto o seu antecessor. Também de origem americana, usado durante a Segunda Guerra Mundial e inicialmente concebido para ser empregue apenas por unidades especiais e tropas de montanha que o transportariam ao dorso, imediatamente foi adotado por todas as formas de utilização. Com uma gama de frequências compreendida entre os 3.8 e os 6.5 MHz (2 aos 12MHz, no GRC-9), utiliza todos os periféricos que encontramos mais tarde neste rádio, incluindo o gerador a manivelas.

A sua gama de frequências é agrupada numa banda única corrida (3 bandas, no GRC-9), podendo-se fazer a pré-seleção de duas frequências com dois cristais, (2 cristais, em cada uma das 3 bandas, no GRC-9). Estes dois cristais estavam colocados no seu painel frontal, protegidos por uma pequena tampa, enquanto os cristais do GRC-9 eram fixos no seu interior obrigando a uma desmontagem simples do radio para lhes ter acesso.

"BC-1306" do "SCR-694"

"RT-77" do "AN/GRC-9"

Como referimos, a uma certa distancia e vistos de frente, apenas o seu menor tamanho e os botões de comando (totalmente redondos no BC-1306 e redondos com asas de manobra no GRC-9) distinguem um aparelho do outro, sendo até as grelhas de proteção muito idênticas. Quando os observamos de lado essa identificação é bastante mais simples, pois o BC-1306 é mais estreito na sua parte superior, devido á sua tampa frontal ser desigual (mais larga na base).

Assim como no GRC-9, o BC-1306 tinha o transmissor na parte superior e o recetor na inferior, englobados numa mesma caixa de alumínio. O sistema utilizado para a necessária ligação interna das duas partes, coincidia no conceito mas diferia totalmente na forma. Curiosamente o BC-1306, apesar de ser o primeiro, tinha um sistema que parecia ser a evolução do que mais tarde aparece no AN/GRC-9. Na realidade este primeiro sistema revelou-se fonte de problemas, tentemos relembrar: A caixa do BC-1306 onde eram colocados o recetor e o transmissor, tinha no seu fundo duas fichas fêmea interligadas (permitindo um ligeiro ajuste)  , bastando para o estabelecimento das ligações, empurrar a parte recetora e a transmissora (cada uma com a sua ficha macho) até á sua posição de trabalho, as conexões estabeleciam-se naturalmente. A impossibilidade de visualizar realmente estes procedimentos de encaixe, alguma pouca habilidade e empenos de diversa ordem, danificavam com regularidade estas uniões, ou o rádio por existência fácil de posteriores curto-circuitos. Tendo em conta tudo isto, o AN/GRC-9 mantém o mesmo sistema, só que desta vez as fichas macho apenas estão seguras á caixa pelo cabo que as interliga, ficando com folga suficiente para o pessoal encarregue da manutenção ter a possibilidade de, com a sua própria mão, proceder á sua separação ou ligação antes de fechar o aparelho, este passo para trás resolveu alguns dos problemas encontrados na serie BC-1306. Condensadores de mica (Micamold?) castanhos, bem conhecidos dos nossos técnicos) eram outra das dores de cabeça, transformando-se em verdadeiras resistências…

Fonte de alimentação "PE-237"

Vindo equipado com a fonte de alimentação “PE-237”, pesadíssima e enorme (desenhada tendo em conta a dimensão dos guarda-lamas traseiros dos Jeep Willys MB e GPW), com uns característicos vibradores paralelepipédicos de cor negra, logo que aparece a mais moderna e menos problemática “DY-88”, esta é rapidamente adotada. De referir que a fonte de alimentação “PE-237” ainda equipa as primeiras unidades do AN/GRC-9.

Em Portugal recebemos o SCR-694 em finais de quarenta (48, 49?) e mantivemo-lo em operação até aos primeiros anos da Guerra Colonial, a par do AN/GRC-9, entretanto chegado a Portugal e que o substitui com vantagens e sem sobressaltos. Sabemos que este aparelho foi fabricado entre cinquenta e sessenta em França, nunca encontrámos prova de que tivéssemos recebido alguns com essa proveniência.

João Freitas

Notas:

(1) Revista QSP n.º258 de 12 / 2002

(2) Em contactos tidos com antigos militares, a memória atraiçoa-os identificando-o da seguinte maneira: “Eu operei num AN/GRC-9 mais pequenino”! Ou, “No batalhão havia dois AN/GRC-9, mas um era ligeiramente menor do que o outro”. . .

(3) Não crendo nós, que nos julguem estarmos a falar de cátedra, e como mero apontamento para tentar ajudar a compreender melhor esta coisa das nomenclaturas, uma vez que estamos a escrever para um grupo alargado de interessados, alguns deles nunca tendo passado pelas transmissões, encontramos no artigo deste mês dois bons exemplos das identificações americanas, utilizadas durante a 2ª Guerra Mundial e posteriormente. Assim temos o SCR-694, um radio de 1942/43, identificado pelo sistema “SCR(SET COMPLET RADIO), usado durante os anos de 1920 a 1942/43, e o AN/GRC-9 sendo de fabrico posterior é abrangido já pelo sistema “AN” (ARMY NAVY), usado de 1943 a 1957 e que, naturalmente, substitui a tal nomenclatura “SCR”.

Digno de nota é o facto do sistema “AN” não contar com a força aérea (americana) e referindo-se apenas ao exército e à marinha. Como sabemos, só em 1947 a aviação se separa do exército, formando um ramo independente, adotando uma nomenclatura similar para os seus aparelhos de comunicações.

Como a nomenclatura “SCR” têm criado erros de tradução, a ela voltaremos no futuro.

(4) Se quisermos ser mais precisos teremos que dizer que apenas o conjunto transmissor/recetor tem a designação “BC-1306”, no caso do conjunto “SCR-694”. De certa forma corresponde ao transmissor/recetor “RT-77/GRC-9” ou simplesmente “RT-77“, nomenclatura que identifica apenas o bloco transmissor/recetor de um sistema composto também por dezenas de componentes e a que foi dada a nomenclatura englobante de AN/GRC-9!

Quando falamos dos conjuntos SCR, ou do seu sucessor AN, compreende-se de imediato um vastíssimo lote de componentes imprescindíveis para que o objeto primordial desse conjunto (ex. o tal BC, ou RT) exerça em plenitude e em todas as situações previstas, a função para a qual está destinado. Assim cada componente, por mais pequeno que seja, terá letras e números que o identificam. Geralmente duas letras iniciais indicam-nos a função/utilidade, por ex. saco (bag) letras BG, cabo de micro (cord) letras CD, o número dá-lhes uma identidade única. Muito mais haveria a acrescentar, pois existem variantes e exceções, mas pensamos que só iriamos complicar o que é complicadamente simples…

Não vindo daí mal para o mundo, logicamente tantos códigos específicos dentro de um mesmo conjunto, levam-nos a designar algumas vezes um mesmo rádio (apenas o bloco transmissor/recetor) com dois “palavrões” diferentes, por exemplo dentro do sistema SCR, quando falamos do conjunto SCR-300, falamos do rádio BC-100; no SCR-536 o rádio é o BC-611. No sistema AN para além do GRC-9 poder-se-ia apontar o caso do AN/PRC-10 em que apenas o rádio tem a designação RT-176. Dezenas e dezenas de outros casos poderiam ser apontados.

Receptor R-274/D/FRR

Este tipo de equipamento destinava-se á recepção de sinais rádio de HF em fonia e grafia. Foi utilizado nas versões fixa e móvel (em viatura) até 1974 no Batalhão de Transmissões 3, no Regimento de Transmissões e na Escola Prática de Transmissões.

Composição:

Receptor R-274/D/FRR (equip. de baixo), nº0001-1.1
Unidade de Controlo C-1218/GR nº206 (equip.do meio), nº0014-1.7
Amplificador BC-614 nº 199 (equip. de cima), nº0613-1.15
Altifalante LS-614/U, nº0334-1.4
Microfone Dinâmico tipo 680-D, nº0032-1.20
Microfone de Carvão Tipo T-17, nº0121-1.18
Chave de Morse Blindada 605/606/IX, nº1552-1.18
Base Cónica C/ Antena Vertical MS-116/17, nº1786-1.6
Adaptador tipo J-517/G, nº0001.3

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