Quando a Tropa mandou na RTP

Hoje, dia 24 de Abril, pelas 23:30, a RTP apresenta o documentário “Quando a Tropa mandou na RTP”, da autoria do jornalista e professor universitário dr. Jacinto Godinho (Grande Prémio Gazeta 2006, atribuído pelos três trabalhos da série “Ei-los que partem – História da Emigração Portuguesa”).

Da equipa militar que durante algum tempo chefiou a RTP, a convite do então presidente, TCor Ramalho Eanes e depois, sucessivamente, tendo como presidentes o TCor Tavares Galhardo e o Cor Manuel Pedroso Marques, fizeram parte, em funções técnicas na Direção Técnica, os seguintes militares de Tm: TCor Engº Tm José Saraiva Mendes, Cap Engº Tm José Manuel Pinto de Castro, Cap Engº Tm João José Simões Roque e Cap Engº Tm José Manuel Canavilhas.

Sinopse:

QUANDO A TROPA MANDOU NA RTP

O único canal existente em Portugal era acusado de ser uma ferramenta ideológica do Regime do Estado Novo. A RTP era uma estação governamentalizada q usava a informação para fins de propaganda e manutenção do regime. No dia 25 de Abril a RTP foi considerada um dos alvos prioritários do Movimento dos Capitães. O sucesso da Revolução passava pela ocupação da RTP. Ao fim de dois dias a força da EPAM que ocupou os estúdios da Emissora Televisiva abandonou as instalações mas os militares não abandonaram a RTP. Entre 1974 e 1977 a RTP foi liderada por militares. Numa primeira fase para controlarem e evitarem a partidarização da emissão e da informação. Depois do 11 de Março foram os próprios militares que, escolhidos pelas várias facções políticas em confronto no PREC, serviram de muleta para os interesses dos vários partidos. A RTP teve, caso raro em Portugal e no mundo, oficiais do exército a exercer funções de Director de Informação. A RTP passou de ser uma televisão ao serviço da ditadura para ser uma televisão ao serviço da Revolução. Por ser o órgão de comunicação social mais importante do país foi nesse período alvo de uma feroz batalha pelo seu controlo administrativo e pelo controlo da informação. A RTP foi o próprio Período Revolucionário em Curso.

Um programa de Jacinto Godinho
Imagem: Carlos Oliveira
Edição: António Nunes

Em tempo:
Se não teve oportunidade de assistir ao programa, pode vê-lo clicando aqui.

A voz e os ouvidos do MFA

Na próxima terça-feira, dia 25 de Abril, pelas 21:00, a RTP irá apresentar um filme-documentário realizado por António Pedro de Vasconcelos sobre a participação das Tm no 25A, em particular o lançamento de um cabo, de forma clandestina, que permitiu ligações telefónicas com o comando do MFA no Regimento de Engenharia da Pontinha e que se constituiu como a primeira operação militar do 25A, já descrita e referida neste blogue (ver aqui).

Trailer:

Em tempo:
Se não teve oportunidade de assistir ao programa, pode vê-lo clicando aqui.

Homenagem à antiga EPTm, Lisboa

Por incumbência da Presidente da Junta de Freguesia de São Vicente e após autorização do EXmº CEME, vai ser colocada uma placa na entrada da atual DCSI, na Rua de Sapadores, em Lisboa, no exterior da Unidade, alusiva à participação no 25 de abril de 1974 da então Escola Prática de Transmissões.

Esta placa é uma homenagem da Junta de Freguesia pela participação ativa e importância da Escola Prática de Transmissões nos eventos do 25 de abril de 1974.

Esta cerimónia de descerramento da citada placa contará com a presença do Secretário de Estado da Defesa Nacional, Dr. Marcos Perestrello e do Presidente da Camara de Lisboa.

 

O programa provisório a realizar em 25ABR2016, contempla:

15:30 – Início da Cerimónia;

15:35 – Discurso da Presidente da JF de São Vicente;

15:40 – Discurso do Exmo. Sr. Secretário de Estado da Defesa Nacional e/ou Presidente da Camara de Lisboa

15:50 – Descerramento da placa evocativa;

15:55 – Interpretação de ‘Grândola Vila Morena’ pelo Coro de Santa Engrácia;

16:00 – Interpretação do Hino Nacional.

O meu 11 de Março

Post da nossa leitora Sra D. Maria Isabel Ferreira, recebido por msg:

11-4A tarde de Março começava soalheira, vivida numa aparente normalidade. A vida, lá no serviço, rolava como era costume, com o rigor humano e técnico inerente a uma grande empresa, para a qual era necessário e imperioso que os comboios circulassem dentro dos horários e em conformidade com o contratado com os clientes, o que, infelizmente, nem sempre sucedia. E eu lá estava na habitual secretária de madeira antiga. A cadeira, também de madeira, contribuía para a minha acomodada revolta de ter de ficar ali sentada oito horas por dia. Apesar disso, lembro-me de ser alegre, nova na idade, bonita na aparência e de ânimo forte, mas resignado. Também nostálgica e mística no modo de ser. Talvez herança parental.

Tinha havido a Revolução dos cravos há menos de um ano. Nessa manhã libertadora, grande parte da população, sedenta de liberdade, foi crédula, unida, sorridente e ingénua como uma criança. E eu, a caminho da mesma secretária, descia a Rua Augusta com o coração apertado de uma ignorância alegre e instintiva por uma mudança que me parecia que iria acontecer. Insolitamente, dei de frente com um carro de combate, como se Hollywood estivesse ali a treinar. Sem mais cogitações subi para cima da besta de ferro e juntei-me aos soldados, uns de corpo lá dentro e a cabeça de fora, que nem caracóis indecisos, outros mais expansivos no exterior. E sem que me mandassem sair dali, juntos mostrávamos aos que passavam, muitos incrédulos, o indicador e o outro dedo a seguir em forma de vê. Perguntei a um deles o que se estava a passar e a resposta continuava a ser os dedos em vê. Pareciam não saber mais do que eu, enquanto o navio no Tejo quase estragava aquela festa. Mas a valentia, a missão e a proteção divina fizeram História. Eu não fiz nada, mas posso agora dizer ao meu neto que, naquele dia 25 de Abril, me empoleirei numa máquina de guerra, em plena Rua Augusta!

Era casada há poucos meses com um aluno finalista da Academia Militar e só voltei a vê-lo uns quinze dias depois. Pouco a pouco, a vida acabou por normalizar minimamente, mas os cravos começaram a murchar e depressa o entusiasmo coletivo da Revolução começou a desvanecer.

E no meio de avanços e recuos, nesse dia onze de Março do ano de 1975 eu continuava na secretária antiga no 1º andar da estação de Santa Apolónia. Outra vez com o marido perdido, sabia eu lá por onde. Já estava farta de prevenções! Chegava a pensar que o casamento afinal não era, ou que só era às vezes, quando os outros, os que mandavam no marido, decidiam que fosse. E também que ficar sozinha dia e noite, aos vinte e dois anos, durante dias, dava vontade de mandar a Revolução voltar à Rua Augusta e começar tudo de novo. O povo, ingenuamente, acreditava que o país estava salvo e que a miséria, a ingratidão e a injustiça já eram coisa do passado. A liberdade existia para (quase) todos, os ordenados até tinham melhorado, mas o sossego e a reconciliação nem por isso. Até que, nesse dia, sabe-se lá porquê, os aviões militares sobrevoavam ali por cima da minha cabeça, comigo à secretária, claro.

E ao ouvir aquele barulho dos motores, inesquecível até hoje, acabou-se-me a paciência, a decência e tudo o mais que me levou a odiar a chefia, a qual, mais uma vez, mandou todos para casa ao início da tarde. Arrumei tudo à pressa, passei pela casa de banho, disse vários adeus aos que passavam por mim, sem vontade, e eles não mais. Nunca se sabia o que por ali vinha e estávamos fartos daquele desassossego.

DN 11MARDesta vez não fui para a Rua Augusta; a guerra era no ar e por lá não me empoleirava com certeza. Ainda os vi, aqueles barulhentos velozes a mostrarem-se ao povo, talvez a intimidá-lo. Mais tarde vim a saber que tinham feito um morto e vários feridos lá para o lado Norte da cidade. Marido, já sabia mais que sabido que nem vê-lo, outra vez. Ainda hoje me pergunto porque me dirigi para aquela calçada íngreme das instalações do Exército. Talvez porque soubesse que a vida militar abundava por ali. Subi e cheguei, rápida e nervosamente, à Rua dos Remédios. Aí lembrei-me de o meu marido me ter dito que às vezes estava num Estabelecimento das Transmissões ali perto. Continuei a subir e passei em frente da Santa Engrácia.

Não me intimidei e perguntei ao soldado que vi numa das portas, ao fundo da pequena rua, a olhar para o céu, se podia falar com quem mandava ali. Ou por outra, disse-lhe somente que queria falar com um general! O rapaz olhou para mim como se eu tivesse descido de paraquedas de um daqueles aviões! Meio a gaguejar e sem conseguir perceber o que fazia, ali, uma rapariga àquela hora, naquelas circunstâncias intimidatórias para qualquer um, o soldado entrou no edifício e desapareceu. Eu não me anunciei, pensei. Mas anunciar quem? Que anunciaria o meu nome? O nome de uma mulher desconhecida não seria o bastante para ser atendida por um general que estaria a tratar ou a debater os acontecimentos daquele dia, os quais seriam relevantes e mereceriam toda a sua atenção, seguramente.

Entrei por ali dentro e subi as escadas. Não ouvi nem vi ninguém. Mas espreitei para uma agradável e bonita sala de estar, da qual ainda hoje recordo as belas cadeiras de couro, uma mesa de pau-santo toda retorcida e óleos pendurados nas paredes, com rostos de homens por certo importantes ou mesmo heróis. Fiquei ali em pé, a mirar o que os meus olhos viam e, num ápice, esqueci o que me tinha levado ali: os aviões, as guerras raivosas de ganha um e perde o outro, a chegada a casa sem ninguém, o dia seguinte, o ano seguinte, até a vida na sua real vivência. E passei a viver naquela desconhecida sala uma espécie de ficção, produzida, encenada e representada unicamente por mim, sem que para isso me reconhecesse autoridade, razão ou aptidão.

Ainda fragmentada num olhar curioso, e tentando suster uma taquicardia insistente, fui repentinamente surpreendida por um homem que entrou na sala e cujo aspeto físico me pareceu ser o de um dos atores militares dos filmes clássicos, cheios de bravura e glamour. Aparentava um pouco menos de cinquenta anos, de porte altivo, boa figura, mesmo belo. De estatura alta e entroncada, a farda assentava-lhe muito bem. Mas o que ainda hoje lembro com precisão é o vistoso bigode, que lhe aprumava a elegância. Quanto a galões ou estrelas nem os vi e se os visse era bem possível não os conseguir identificar com acerto. Mas, isso foi o que menos me preocupou; para mim era o general que eu queria que falasse comigo e pronto! Se já me sentia encostada a um canto e com vontade retraída de sair dali, passei a petrificada figura que metia dó. Inclinou-se para me beijar a mão e, se ele não me ajudasse a levantar o braço, ainda hoje lá estaria naquela pose arrependida.

– Por favor sente-se. Quer tomar um whisky? Prefere com gelo ou simples?

As duas bebidas chegaram rapidamente pelas mãos enluvadas do rapaz que eu tinha visto à porta. Segurei o copo a sentir um castigo por me meter em cavalarias altas, já com a cabeça esquecida de aviões a atacar, marido perdido, sem prazo de voltar a aparecer-me, noites escuras e mal dormidas, país com militares à guerra de quartel para quartel, também por causa de civis que se exibiam à pancada ideológica e outras de outros naipes.

Um whisky?! Essa era de mais! Sentia-me a pagar um preço demasiado alto para levar a termo a rebeldia infantil de enfrentar destemida e anonimamente uma invasão aérea, num confronto militar em estilo de guerra civil, naquele dia 11 de Março, à hora de expediente, que deixou de ser. E, para além disso, enfrentei, sem saber como, uma organização militar inteira, através daquele militar tão cavalheiro que, possivelmente, ficou tão estranho com a minha presença ali como eu fiquei com a dele.

– Saiba o senhor que eu quero que tudo isto acabe! Mas que acabe já! Estou farta disto tudo, desta confusão constante, desta vida embrulhada e sem rumo. Diga-me, quando é que isto começa a ficar sossegado? Mas, afinal, que vida é esta? Os senhores têm que acabar com isto! Já não os posso ouvir!

E os aviões continuavam ali por cima de nós como aves doidas a voarem e a desaparecerem num barulho ensurdecedor. Aquele militar, de que eu nem sabia o nome, pois esqueci-o logo que mo disse, olhava para mim sossegado, insistente, como se tudo o que eu dissesse não fosse para calar. Que homem, que saber, que cavalheiro. Afinal eu estar ali, naquele despropósito, parecia-lhe normal, ou agendado antes por um secretário qualquer. Era estranho não se preocupar com o que acontecia lá fora com os seus camaradas e, se razões houvesse, por o país estar assim, possivelmente aos tiros naquele momento. No fundo, éramos dois seres muito diferentes na atuação, talvez parecidos no ser de pessoas a encenar e a provocar uma vida real, quem sabe?

– Casei há tão pouco tempo, e pensava que ia ser… bem…, já sabe, enfim, que eu pudesse estar com o meu marido, normalmente. É que casei com um homem, mas parece-me que nunca deixarei de viver com um militar. O senhor concorda?

– Sim, claro, depende, não pense nisso. Mas, quem é o seu marido?

– O meu marido é o Tenente….

– Ah sim, conheço, sei quem é. Descanse, vai ter muito tempo para estar com ele. Relaxe, diga-me lá, está assustada com isto? Isto não é nada, eles já acalmam. Estão só a mostrar os materiais e a dizer que sabem utilizá-los.

– Pois isso não me interessa! Mas o senhor pode acabar com isto, não pode?

– Acalme-se, porque assim altera-se toda a sua beleza.

Estava na hora de pousar o copo, calar a boca e sair dali.

– Como se chama?

– Maria Isabel.

– É curioso; tem o nome da minha filha!

Depois do último gole do whisky, que afinal bebi, despedi-me e voltei a insultar mentalmente o invisível, o desconhecido daquilo tudo. Olhei pela última vez a enigmática serenidade daquele que podia ser meu pai, e não mais o voltei a ver.

Ao descer a calçada ainda blasfemava: que inferno, que inferno de vida! Ao chegar lá abaixo o largo estava completamente vazio; atravessei-o sem medo, sem saber, sem vontade, sem futuro visível e fui a pé, novamente pela Rua Augusta, desta vez sem ninguém.

Passados dois ou três dias, num intervalo da secretária, olhava lá para cima e pensava como fui capaz, como consegui ir lá…

Eletrificação dos Lugares de Chã,       Abadia e Pinheiro pelos Militares da Escola Prática de Transmissões

No inicio dos anos 70 do séc passado, cerca de 30% dos portugueses eram ainda analfabetos, sendo a taxa nas mulheres bem superior à dos homens (quando da implantação da República, 3/4 da população portuguesa não sabia ler nem escrever). A esmagadora maioria não tinha qualquer acesso à cultura, ou sequer à informação, nem a meios e recursos de bem-estar.

Analfabetismo

Fonte: INE/GEPE

Mais de 50% das casas onde a população portuguesa vivia não tinham água canalizada; em cada 5 casas, 4 nem sequer tinham casa de banho; 40% não tinham esgotos.

Cerca de metade das habitações não tinha eletricidade. Muitas aldeias e lugares não tinham sequer quaisquer estradas, ou saneamento, ou eletricidade.
Não admira pois que, após o 25 de Abril, as Forças Armadas se tenham empenhado em diversas formas de apoio às populações, com realce para as Armas e Serviços técnicos do Exército (Engª, Tm e SMat).

Na sequência de um despacho de 12NOV74 do CEME, realizou-se de imediato uma reunião com vista a estabelecer uma Comissão para o estudo global das potencialidades da Engenharia militar, bem como de eventuais missões de apoio às populações e a entidades civis, tendo a Arma de Tm nomeado dois representantes, o Cor Corte Real e o Cap Cruzinha Soares.

Corpo Eng 1 Corpo Eng 2 Corpo Eng 3Entretanto, já em 7 de Março de 1975 a EPTm dera conta ao CEME que um instruendo do COM, o Asp Miliciano Amilcar Faustino, fizera chegar à EPTm, logo no início do ano, a informação de que, como engenheiro, colaborara com a CM de Sobral de Monte Agraço num projecto para a eletrificação de algumas das suas freguesias e que sugeria e se disponibilizava para efetuar os trabalhos em apoio dessas populações, desde que fossem fornecidos os meios materiais e humanos necessários.

EPTm meia aj custo1 EPTm meia aj custo2 EPTm meia aj custo3

Carta do Cap Golias para o Asp Faustino

Carta do Cap Golias para o Asp Faustino

Muitos outros pedidos de apoio foram chegando à Arma de Transmissões, por parte de diversas Câmaras Municipais, como foi o caso já aqui relatado neste blogue, na história de vida do Cor Cruz Fernandes (ver aqui), na zona de Castro Daire (Viseu), ou o da CM da Tábua, como é referido no documento seguinte:

Nota DATAutorizados superiormente, os trabalhos levados a cabo nos lugares de Chã, Abadia e Pinheiro (todos em Sobral de Monte Agraço) iniciados ainda em Março, permitiram a eletrificação daquelas aldeias pelo pessoal da EPTm (2 oficiais subalternos, 3 sargentos e 22 praças, todos voluntários), com grande satisfação das populações, que comemoraram no final com uma festa, a “Festa da Luz”, no dia 28 de Junho de 1975.
Esta acção teve na altura imensa repercussão na comunicação social, nacional e internacional, tendo nomeadamente sido alvo de uma reportagem da revista Der Spiegel.

Chã

Chã, Abadia e Pinheiro (retirado do Google Maps)

Lista imprensa

Documentação conhecida sobre esta missão da EPTm

Reportagem Der Spiegel

Spiegel: “Como um paciente aprende de novo a andar” Uma reportagem sobre um ano de revolução em Portugal

Timidez ou defesas são desfeitas por bandas ou danças, cinema e teatro - ou mesmo pela instalação de linhas de energia elétrica, como na aldeia de Chã, a 35 quilómetros a noroeste de Lisboa. Aquartelados lá desde Março, numa exploração agrícola vazia, dezassete jovens soldados de Lisboa, sob o comando de Faustino, apoiam as vidas de cerca de 300 moradores. Pequenos agricultores e trabalhadores agrícolas, sobretudo, mudaram muito: pela primeira vez foi reconhecido pelo povo de Chã que seria bom ter uma sala de reuniões na aldeia - e concedeu um barracão vazio. Agora, existem filmes, discussões e apresentações de teatro por grupos de teatro amadores de Lisboa.

Timidez ou defesas são desfeitas por bandas ou danças, cinema e teatro – ou mesmo pela instalação de linhas de energia elétrica, como na aldeia de Chã, a 35 quilómetros a noroeste de Lisboa. Aquartelados lá desde Março, numa exploração agrícola vazia, dezassete jovens soldados de Lisboa, sob o comando de Faustino, apoiam as vidas de cerca de 300 moradores. Pequenos agricultores e trabalhadores agrícolas, sobretudo, mudaram muito: pela primeira vez foi reconhecido pelo povo de Chã que seria bom ter uma sala de reuniões na aldeia – e concedeu um barracão vazio. Agora, existem filmes, discussões e apresentações de teatro por grupos de teatro amadores de Lisboa.

Quarenta anos depois, no passado dia 28 de Junho de 2015, o povo de Chã resolveu comemorar a eletrificação da sua aldeia, com uma nova festa, em que foi erigido um pequeno monumento na praça principal com uma placa de agradecimento aos Aspirantes milicianos de Tm Amilcar Faustino e Emílio Vasconcelos, que chefiaram os trabalhos, bem como à Escola Prática de Transmissões (Lisboa), que dirigiu a missão e disponibilizou os homens e o material.

Placa no largo principal de Chã

Placa no largo principal de Chã

Detalhe

Detalhe

Placa na colectividade local

Placa na colectividade local, de agradecimento ao Asp mil engº Amilcar Faustino

As fotos dos leitores (12)

Do nosso leitor Sr Filipe Duarte recebemos a seguinte mensagem, acompanhada de duas fotografias de uma mensagem histórica esclarecendo a aplicação de uma amnistia aos desertores, compelidos e refractários.
(Nota: uma vez que o grupo data-hora está incompleto, contra as normas, induz em erro quanto ao mês e ano da sua origem, que deverá ser posterior a ABR1974, muito provavelmente de 25MAI74, pelas 13H20, uma vez que no texto se refere um Dec-Lei de 02MAI74 da Junta de Salvação Nacional)

Exmos. Srs Administradores do Blog História das Transmissões Militares

Venho por este meio agradecer o importante e minucioso detalhe com que nos têm brindado nestes últimos anos. Apesar de ser um atento leitor, não tinha prestado a devida atenção para a secção “fotos dos leitores”. Por isso mesmo, venho rectificar esta situação enviando para Vxas algumas das “recordações” que guardo tanto do meu pai, que foi militar de Transmissões nos anos 70, como da minha própria passagem entre 2000 e 2010, tanto no antigo COFT, como no CCom da NATO em Oeiras. Tenho bastantes documentos e mensagens antigas do meu pai, até jornais do RTm. Para já, envio-vos esta MSG recebida pelo meu pai no dia 25 de Abril de 74. A qualidade não é a melhor.

Com os melhores cumprimentos,
Filipe Duarte
251320zapr74251320ZAPR74-2

As Transmissões no 25 de Abril

Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

Este Blogue, através da publicação do notável Anexo de Transmissões à Ordem de Operações para o 25 de Abril, do post relativo ao lançamento do cabo telefónico entre Sapadores e a Pontinha e do relevo dado à reportagem da SIC em que se compara o sistema de transmissões usado e o atual, deu um contributo importante para recordar o sucesso das transmissões na operação e o mérito dos principais intervenientes.

Perante estes antecedentes, apesar da dificuldade que isso representa,  neste dia festivo para o país, resolvi associar-me às comemorações, com uma pequena contribuição, neste Blogue, apresentando uma breve reflexão sobre as causas deste sucesso .

A ideia que hoje predomina é que o sucesso das transmissões se deveu á forma como a operação foi preparada (lançamento do cabo), planeada (notável Anexo de Tm) e executada (trabalho de uma enorme equipa que incluía, entre outros, “os rapazes dos rádios”, os “rapazes dos telefones” e os ”estafetas auto” e o pessoal que assegurava as transmissões dentro das unidades intervenientes), o que, para mim e para muita gente é hoje uma verdade indiscutível.

Haverá algo a acrescentar ?

Para mim, há que referir também, como causa deste sucesso, a ação da Comissão Coordenadora do MFA, pela importância que deu às Transmissões antes e durante o golpe.

Como se sabe, militarmente, a responsabilidade do que se faz, ou não faz, numa unidade, é sempre do Comandante. A Comissão soube fazê-lo nomeando o tenente coronel Garcia dos Santos como o seu “comandante das Transmissões da Operação”. Teve portanto o mérito de ter sabido fazer uma boa escolha.

Com efeito, Garcia dos Santos começou, logo de princípio pela sua intervenção na construção do cabo telefónico que possibilitou a operacionalidade do PC, que sem ele seria inviável (um parêntesis para lembrar que uma das funções essências dos “homens de transmissões das unidades” é assegurar a viabilidade das comunicações no local escolhido para o PC), a que se seguiu a cuidada e criativa execução do Anexo de Tm e o acompanhamento permanente das transmissões durante a operação.

Embora em termos de competência técnica a escolha de Garcia dos Santos fosse indiscutível, não constitui uma escolha vulgar a sua nomeação para este cargo, visto que a operação era comandada pelo Otelo e Garcia dos Santos, que era tenente-coronel, tinha uma patente superior.

No Exército isso nunca aconteceu, nem acontece. Basta que nos lembremos que na Grande Guerra o Comandante do CEP era general e o seu “homem de Transmissões” um capitão (Soares Branco); numa Brigada atual, comandada por um MGen, o comandante das Transmissões é um major (comandante da Companhia de Transmissões), num Batalhão, comandado por um tenente-coronel, o Comandante das transmissões é um tenente (com o Curso de Transmissões para oficiais das Armas), e por aí adiante…

Julgo que o grande mérito que o MFA teve foi, na sua escolha, ter dado prioridade à competência técnica, ultrapassando o problema da hierarquia, decisão que, quanto a mim, constituiu um enorme contributo para o sucesso das transmissões no 25 de Abril.

22 de Abril de 1974 – primeira operação militar do MFA

Aranha das TmTendo sido decidido que o Posto de Comando (PC) do MFA no 25 de Abril seria instalado numa sala recatada do Regimento de Engenharia nº1 (RE 1) na Pontinha, houve que garantir a instalação prévia de meios de comunicações (telefones e rádios), de que o local não dispunha, com urgência e discrição.

Os rádios tácticos e respectivas antenas foram obtidos e instalados de véspera, sob a supervisão do então tenente coronel Garcia dos Santos, responsável pelas transmissões do movimento. Mas a montagem de telefones militares, fundamentais para garantir ligações seguras à rede militar (controlada por oficiais de Tm do MFA) e para providenciar uma linha directa (ponto-a-ponto) entre o PC e a sala da Central automática da EPTm (hoje RTm) em Sapadores, onde eram controladas as comunicações, tinha que começar mais cedo.

Para tal, e aproveitando uma ordem hierárquica já existente para instalar com urgência um telefone militar na zona dos Pupilos do Exército (Estrada de Benfica), foi decidido dar seguimento a esse processo, instalando clandestinamente, a partir das 20H00 do dia 22, um cabo aéreo de 5 pares com 2.000 m (retirado clandestinamente do depósito da EPTm depois das 20H00), primeiro até ao Colégio Militar (Largo da Luz), onde chegou às 04H00 do dia 23, e depois, com um novo cabo de 3.000 m, até ao RE 1, a cuja Porta d’Armas chegou às 06H00 do dia 24, depois de muito trabalho e algumas vicissitudes, como o ter que partir algumas lâmpadas de iluminação pública, para mascarar a instalação a que se procedia. Após um brevíssimo descanso do pessoal envolvido, procedeu-se então às emendas e aos ensaios necessário às ligações a estabelecer, sendo duas à central automática militar (EPTm), e outras duas, por uma questão de redundância, à central do QG de Lisboa e ainda a referida ligação ponto-a-ponto, que viria a permitir um contacto imediato sempre que houve que relatar escutas ao PC, ou coordenar ligações.

Cerca das 18H00 do dia 24, para surpresa dos oficiais que iriam constituir o PC, e que na altura tapavam as janelas com mantas, tal como é relatado por um deles, o Cap Engª Luis Ferreira de Macedo, os terminais do cabo davam entrada no PC, procedendo-se de imediato à ligação, teste e activação dos respectivos telefones.

Esta primeira “operação militar” do 25 de Abril foi dirigida pelo chefe da secção TPF do STM, Cap Verissimo da Cruz (já falecido), coadjuvado pelo adjunto da secção, Cap Pena Madeira, chefiando a equipa de guarda-fios que procedeu à montagem o furriel miliciano Cedoura. A este propósito, “clicar” aqui  para ver, neste blogue, o depoimento do hoje MGen (R) Pedro Pena Madeira.

TrajectoCTA

Reportagem da SIC sobre as Tm

Na próxima terça-feira, dia 22 de Abril, no decurso do telejornal das 20H00, a SIC deverá passar uma reportagem do jornalista Lourenço Medeiros sobre “As Comunicações do Exército 40 anos depois de 1974”, em que participa o MGen Arnaut Moreira, na sua qualidade de DCSI (Diretor de Comunicações e Sistemas de Informação).

No seu decurso, entre os vários aspectos abordados, será também mostrado o “ressuscitar de um TR-28”, com uma bateria do PRC-425, a falar em HF com um PRC-525, devendo ainda ser feita uma referência ao Blogue das Transmissões, a propósito do Anexo de Transmissões da OOp do 25 de Abril e seus apêndices, que aqui têm vindo a ser divulgados nestes dias que antecedem a data de 25 de Abril.

Em tempo (atualização):

A reportagem da SIC sobre as Tm, para além de ter sido prestigiante para a Arma, teve uma boa intervenção do MGen Arnaut Moreira (DCSI), um curioso “ressuscitar” do TR-28 (utilizando uma bateria do PRC-425, visto que a de origem já não funciona), aliciante para os milhares de portugueses que com ele trabalharam, deu uma boa imagem das capacidades técnicas actuais da nossa Arma, mas, sobretudo para nós, CHT, foi um enorme sucesso, dado o disparo, não encontro outro termo, que se deu nos acessos ao nosso blogue.
Estat_blogFactos: Registei, imediatamente antes da hora do programa, 106.620 visitas às diferentes página do blogue, desde que foi lançado; mal acabou a reportagem, já havia 106.735; à meia-noite, o contador registava 107.675 visitas, efeito que se prolongou pelo dia seguinte.
Quanto ao numero de visitantes diferentes no dia 22, foram 361, que fizeram um total de 1.193 visitas (1.150 de Portugal).
Infelizmente, continua é a verificar-se uma fraca participação de ex-militares de Tm, sobretudo dos quadros de Man e Expl.

Para os leitores que não tiveram ocasião de ver a reportagem, carreguei-a no youtube, pelo que aqui fica o respetivo link:

http://youtu.be/sbT5n7qCifo

Apêndice 6 (Autenticação) ao Anexo de Tm à Oop 25 Abril

 

1) Para utilização nas Redes FOXTROT
2) Para utilização nas Redes LIMA

A autenticação consiste num procedimento obrigatório que visa garantir que a entrada de um posto na rede seja uma unidade das nossas forças. Os sistemas de autenticação mais simples, são os constituídos por tabelas com duas entradas. Normalmente o conteúdo das tabelas muda a intervalos de tempo relativamente curtos e previamente combinados, a fim de evitar que o IN consiga decifrar a autenticação. No 25 de Abril foram utilizadas sempre as mesmas tabelas, porque foi assumido que o IN não teria capacidade de as decifrar em tempo oportuno para se introduzir nas redes e tentar prejudicar as operações.

Apendice 6 pg1 de 1 001

 

Apêndice 5 (Lista de códigos de frequências) ao Anexo Tm à OOp 25 Abril

Descrição:

1) Frequências
2) Canais do E/R Racal TR-28
3) Mudanças de canal

Este Apêndice é muito interessante de ler, uma vez que nos permite conhecer a forma expedita, engenhosa e aparentemente simples, utilizada na codificação e descodificação dos requisitos 1), 2) e 3) que constam da Descrição acima. De sublinhar que a matéria deste Apêndice, também se enquadra no princípio de evitar referências em claro a elementos que, se forem detectados pela escuta IN, poderão comprometer o êxito da manobra das Forças Amigas.

Apendice 5 pg 1 de 1

Apêndice 4 (Lista de códigos de Entidades) ao Anexo de Tm à OOp 25 Abril

Codificação e Descodificação de entidades

As observações e recomendações a fazer relativamente a esta lista de códigos, são as mesmas que constam do apêndice 3. Em todo o caso, reafirma-se a proibição de referências em claro a entidades ou outros elementos susceptíveis de fácil identificação pela escuta do IN. De referir que apesar de serem códigos relativamente simples, a sua utilização, prevista para um intervalo de tempo tão curto, não tornava previsível que o IN efectuasse a eventual descodificação em tempo oportuno.

Apendice 4 pg1 de 2

Apendice 4 pg2 de 2 

Apêndice 3 (Lista de códigos de objectivos e locais) ao Anexo de Tm à OOp 25 Abril

Codificação e Descodificação de objectivos e locais

A utilização de códigos destina-se a evitar, senão mesmo a proibir, referências em claro, de objectivos, entidades ou outros elementos susceptíveis de fácil identificação pela escuta do inimigo. Nas Instruções de Coordenação do Anexo de Transmissões, deve constar a forma correcta de como utilizar os códigos em vigor, seja qual for o meio de transmissão utilizado.

Apendice 3 pg1 001

Apendice 3 pg1 001

Apêndice 2 (Lista de códigos/indicativos das unidades) ao Anexo de Tm à OOp 25 Abril

Descrição:

1) Sector Norte – Agrupamento November

2) Sector Centro – Agrupamento Charlie

3) Sector Sul – Agrupamento Sierra

4) Sector de Lisboa – Agrupamento Lima

Durante as conversações via rádio era proíbido identificar as unidades pela sua sigla em claro. Sempre que houvesse necessidade de referir uma qualquer unidade, era obrigatório utilizar o código/indicativo correspondente. Todas as unidades que participaram no MFA em 25ABR, tinham um código atribuido, do qual só tomaram conhecimento através do conteúdo deste apêndice.

Notas:

1. As unidades estão agrupadas por sectores, correspondente à implantação territorial do Exército, que na altura era constituida por quatro Regiões Militares: Norte, Centro, Sul e Lisboa.

2. As redes foram constituidas em função da missão das unidades, conforme determinado na Ordem de Operações; as redes FOXTROT foram constituídas nessa base, mantendo os indicativos dos sectores a que pertenciam, por isso apresentarem a heterogeneidade de indicativos.

3. A rede LIMA apresenta um conjunto de indicativos homogéneo, porque só é constituida por unidades da RML e no cumprimento de missões dentro desta região militar.

 

 

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Apêndice 1 (Esquema das Redes Rádio) ao Anexo de Tm à OOp 25 de Abril

As redes Foxtrot 1 e 2 destinaram-se à ligação do Posto de Comando com as unidades não pertencentes à RML e que actuaram fora de Lisboa. As redes Lima foram destinadas à ligação do PC com todas as unidades que actuaram na região de Lisboa. De referir que as redes foram constituídas com base nas dotações das unidades, a saber: – E/R Racal TR28 para as ligações a distância; – E/R AVP-1, ou do mesmo tipo, para as ligações locais; – E/R das viaturas de Cavalaria. Deve entender-se por ligações locais, as respeitantes ao comando e controlo do movimento e da actividade operacional das sub-unidades dentro de cada unidade.

Notas:

a. Considerando que o TR28, bom para o Teatro de Operações africano, em Portugal não garantia a fiabilidade das comunicações, considerando a distância entre o PC e a maioria das unidades durante o seu deslocamento (inferior a 100Km), as unidades cujo movimento foi na direcção de Lisboa, foram discretamente seguidas por uma viatura civil com 1 ou 2 militares à paisana, que através do telefone civil e a intervalos regulares, foi informando o PC da forma como foi decorrendo o movimento da respectiva unidade.

b. Todas as redes rádio funcionaram em regime de rede dirigida, sendo o posto director o PC do MFA. À hora H, o PC entrou em escuta permanente em todas as redes. Os postos dirigidos só podiam contactar entre si mediante autorização do posto director.

 

2.1 APENDICE 1 ao Anexo A( TRANSMISSÕES)

2.2--APENDICE 1 ao Anexo A( TRANSMISSÕES