Museu Militar (MGen PL)

Comunicação, aquando do lançamento do livro “Bicentenário do Corpo Telegráfico 1810-2010” , pelo MGen Pedroso Lima (07OUT2010)

O Corpo Telegráfico

Nesta cerimónia cabe-me falar sobre o Corpo Telegráfico.
Espero poder transmitir a todos a convicção da sua importância no nascimento e consolidação dos sistemas de comunicações a longa distância em Portugal.
Há 200 anos, o Príncipe Regente, futuro D. João VI, criou o Corpo Telegráfico, em 5 de Março de 1810 tendo a Comissão da História das Transmissões proposto a realização de um conjunto de acções evocativas da efeméride que hoje, podemos dizer, foram plenamente cumpridas.
Porém, tal não teria sido possível sem o empenho de várias entidades e organizações, que será uma honra mencionar aqui.

O Regimento de Transmissões, através do seu comandante, Coronel Viegas Pires, abraçou com entusiasmo desde início, a nossa proposta, integrando nela alguns actos, no programa do dia da Unidade, em 17 de Setembro passado.

A Direcção de Comunicações e Sistema de Informação, e o seu director, Major-General Xavier Matias, demonstraram constante disponibilidade para integrar as Comemorações no seu plano de actividades. Por esse canal passaram todas as nossas propostas para as actividades comemorativas.

O Exército Português, através do seu comandante, general Pinto Ramalho, teve sempre a maior abertura para acolher e apoiar as comemorações, transmitindo-lhes o carácter institucional que as tornaram dignas, abrangentes e, passe a imodéstia, brilhantes.
Em resumo, podemos dizer que da parte do Exército foi compreendida e assumida a mensagem que sempre esteve na base destes eventos – a preservação da memória.
Contudo, e felizmente, a experiência das comunicações do século XIX não se constituiu apenas na raiz da tradição militar.
Como muitas vezes acontece, os avanços técnicos criados e desenvolvidos por necessidades militares, acabam invariavelmente por se estender à sociedade civil, que os adapta, utiliza e assim progride.
Aconteceu isso com as comunicações telegráficas em Portugal.
 De facto, esses pioneiros do século XIX acabaram por transmitir o seu saber e a sua experiência à sociedade civil.
Com naturalidade o Corpo Telegráfico foi extinto em 1864, chegado que era o tempo de o serviço de telecomunicações, que passara de óptico a eléctrico ainda sob orientação militar, se assumisse como um serviço público, do Ministério das Obras Públicas.
O que queremos destacar é que, sendo os primórdios das telecomunicações em Portugal de natureza militar, o serviço público e as empresas que hoje o asseguram têm aí também as suas raízes.
 Por isso não poderiam ficar de fora nestas comemorações. Tal como a Arma de Transmissões, elas são herdeiras desse património comum, que nos liga ao passado.
Desejamos assim destacar a Fundação Portuguesa das Comunicações, e do seu presidente engenheiro Almeida Mota, por se terem disponibilizado a integrar, nas suas actividades, as presentes comemorações, demonstrando assim estarem cientes dessa raiz comum, que a todos nos orgulha.
Também queremos realçar a participação da Fundação Portugal Telecom, na pessoa do seu presidente Dr. Henrique Granadeiro, que apoiou a publicação do livro Bicentenário do Corpo Telegráfico que hoje apresentamos, como já apoiara a edição do primeiro livro sobre as Transmissões Militares. Isto demonstra que a memória desta história comum é partilhada pela Fundação Portugal Telecom e pelas empresas que estão hoje na sua base.

Mas não chegaram ao fim os nossos agradecimentos. Cabe-nos ainda destacar a adesão imediata dos CTT – Correios de Portugal à efeméride do Corpo Telegráfico, em resposta aos nossos contactos.
Na pessoa do seu administrador, Eng.º. Pedro Coelho, expressamos a nossa gratidão, tanto pela sua presença nos actos comemorativos, como na participação nas comemorações com o lançamento de um inteiro postal, no dia do Regimento de Transmissões. Por esse acto, cabe também aqui uma palavra de saudação ao departamento de Filatelia dos CTT e ao seu director Dr. Raul Moreira.

A amplitude, brilho e a dignidade das comemorações já ficariam asseguradas pela participação das organizações e das pessoas mencionadas e de tantos que nos têm acompanhado, mas a verdade é que devemos ainda mencionar outros.
 Em primeiro lugar, a Comissão Portuguesa de História Militar, na pessoa do seu presidente, Tenente-General Sousa Pinto, que continua a ser o nosso editor;
também a Direcção de Infra-Estruturas Militares, na pessoa do seu director Major-General Rodrigues da Costa, por ter autorizado a presença nesta sessão do Tenente-Coronel José Berger, que nos trouxe novas achegas para a história do Corpo Telegráfico.
 
Uma palavra de grande apreço ao nosso colaborador, sargento-mor Rui Paim das Neves, que executou os modelos reduzidos dos dois telégrafos portugueses pioneiros das transmissões ópticas.
Não posso deixar de me sentir honrado ao mencionar, em nome da Comissão da História das Transmissões, todas estas pessoas e  organizações.
Por isso a todos expressamos a nossa gratidão e o nosso orgulho por nos terem honrado com o vosso apoio, a vossa participação e a vossa compreensão. Muito obrigado a todos.
Cabe-me agora, como representante da Comissão da História das Transmissões referir brevemente o programa das comemorações do bicentenário do Corpo Telegráfico.
As Comemorações iniciaram-se com as cerimónias do Dia do Regimento de Transmissões, em 17 de Setembro último, presididas pelo General Chefe do Estado-Maior do Exército, que enviou uma mensagem alusiva à efeméride que foi lida na cerimónia e que descerrou uma lápide comemorativa na porta de armas do quartel.
No local foi lançado, pelos CTT, um inteiro postal e, por iniciativa do Comando do Regimento de Transmissões, foi inaugurada uma exposição, de carácter itinerante, sobre o Corpo Telegráfico, incluindo os modelos dos telégrafo de palhetas e de ponteiro,  concebidos por Francisco António Ciera.

Seguiu-se esta sessão em que agora participamos, que não só nos deu um ponto de situação das investigações em curso em torno do Corpo Telegráfico, como nos permitiu fazer a apresentação do livro Bicentenário do Corpo Telegráfico, que a todos foi distribuído.
No âmbito das comemorações, haverá ainda, no dia 11 de Outubro, por iniciativa da Fundação Portuguesa das Comunicações, uma exposição sobre o Corpo Telegráfico integrada na comemoração do dia dos CTT. De notar que a Fundação já disponibilizara espaço para uma referência ao Corpo Telegráfico na sua exposição relativa ao Centenário da República.

Minhas senhoras e meus senhores.

Não só pelos estudos que têm sido levados a cabo pela Comissão da História das Transmissões, mas por outros que felizmente se têm realizado, estamos hoje mais cientes do papel desempenhado por estes pioneiros das telecomunicações e também da importância do Corpo Telegráfico no seu tempo.
Podemos, por isso dizer, que o Corpo Telegráfico foi:
• A primeira unidade de Transmissões do Exército;
• O introdutor da telegrafia visual terrestre no país, espalhando linhas e estações por todo o território;
• O introdutor da telegrafia eléctrica em Portugal, tendo assegurado o seu funcionamento durante os nove primeiros anos;
• O precursor dos vários órgãos, entidades e empresas, que no âmbito militar e civil asseguram hoje os complexos serviços herdeiros das comunicações a longa distância;
• O utilizador, durante quase 50 anos, de um sistema de telegrafia visual de concepção e produção totalmente portuguesas.
Estas comemorações, trouxeram até nós uma história que estava por contar e que muito nos orgulha.
Deixaram marcas materiais que permitem prolongar a memória do Corpo Telegráfico, como a lápide descerrada no Regimento de Transmissões, o inteiro postal sobre o bicentenário, o livro que vos apresentamos e o primeiro modelo reduzido do telégrafo de ponteiros existente em Portugal.
Mas as Comemorações deixaram também marcas “imateriais” ainda mais relevantes que as anteriores, como o reconhecimento da importância do Corpo Telegráfico pelas entidades e organizações que participaram nas Comemorações.
Essa presença, estamos certos, não deixará de se reflectir na percepção de que a história de cada uma, inclui o saber, o esforço e o empenho de um punhado de homens que, ao serviço do Corpo Telegráfico, lançou os fundamentos das comunicações modernas que asseguram a complexidade da vida do homem nos dias de hoje.
Chegamos assim ao fim deste ciclo muito orgulhosos dos resultados que conseguimos.
A preservação destas memórias garante-nos uma maior consciência do papel da História na acção dos homens, como ancoradouro da tradição e da matriz traçada pelos nossos avós, não permitindo que esqueçamos a natureza do nosso empenho actual, em direcção ao progresso, à paz e aos direitos de todos os cidadãos.
Temos agora esperança que a sociedade portuguesa e os seus representantes, em especial algumas autarquias, associadas ou não à Universidade e a outras entidades interessadas, possam imitar outros países europeus como a França, e reconstruir algumas estações de telegrafia óptica nos locais onde funcionaram há dois séculos, tornando-as locais de visita pública e de desfrute cultural, em memória dos pioneiros dos telégrafos portugueses.
Teríamos assim oportunidade de confirmar que trazemos uma memória que nos liga a gerações que nos antecederam e nos dão razão de ser e continuar, assim como tomaremos mais consciência de que, para as gerações que se seguem, constituímos referências dos seus valores e da sua determinação.  

Muito obrigado pela vossa atenção.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s