FPC (MGen PL)

Palestra na Fundação Portuguesa das Comunicações (11OUT2010, dia dos CTT), da responsabilidade primária do MGen Pedroso de Lima:

Bicentenário do Corpo Telegráfico 

Para mim foi uma subida honra o convite da Fundação Portuguesa das Comunicações para, em sua casa, falar sobre o Corpo Telegráfico, pioneiro das Telecomunicações militares e civis em Portugal.

Agradeço ao seu Presidente, Eng. º Almeida Mota, esse privilégio e felicito-o pela iniciativa de incluir o Corpo Telegráfico na celebração do dia festivo dos CTT, que recentemente nos honraram com o lançamento de um inteiro postal dedicado ao Corpo Telegráfico e com quem as Transmissões do Exército têm um relacionamento cordial que dura há mais de um século.

Este relacionamento resulta do Corpo Telegráfico ser o nosso antepassado comum, mas sobretudo por termos sabido viver um longo passado de cooperação mútua .

Permito-me recordar aqui dois exemplos desta cooperação, no século XIX, entre a Direcção dos Telégrafos do Reino, antepassado histórico dos actuais CTT e as Transmissões do Exército.

  • O primeiro, diz respeito à construção e manutenção da primeira rede telegráfica eléctrica militar privativa do Exército, em 1873, depois da extinção do Corpo Telegráfico,
  • O segundo, anos mais tarde, relativo  à expansão da capacidades da rede militar, no período nocturno, em que a rede telegráfica civil não fazia serviço.

Esta breve referência histórica permite-me afirmar que as Transmissões do Exército têm fortes razões para se associarem à homenagem que hoje se presta aos CTT e aproveitar a oportunidade de lhes desejar as maiores prosperidades no futuro.
 
Vou passar a referir-me ao Corpo Telegráfico, tema central da palestra

As Comemorações do Bicentenário, destinadas a celebrar a criação do Corpo Telegráfico em 1810, resultaram de uma iniciativa da Comissão da História das Transmissões, dada a relevância do Corpo Telegráfico, como pioneiro das Telecomunicações em Portugal.

Esta ideia foi bem acolhida na instituição militar e acarinhada pelas instituições de Telecomunicações civis, convidadas a partilhar as Comemorações.

As razões que justificam as presentes Comemorações,podem sintetizar-se no facto de o Corpo Telegráfico ter sido:

  • A primeira unidade de Transmissões do Exército;
  • O introdutor da telegrafia visual terrestre no país, espalhando estações telegráficas por todo o território;
  • O introdutor da telegrafia eléctrica em Portugal, cujo funcionamento assegurou durante os nove primeiros anos;
  • O precursor de vários órgãos, entidades e empresas, que no âmbito militar e civil asseguram hoje os complexos serviços das comunicações a longa distância;
  • O utilizador, durante quase 50 anos, de um sistema de telegrafia visual de concepção e produção totalmente portuguesas.

As Comemorações iniciaram-se no dia 17 de Setembro, em simultâneo com as do Dia do Regimento de Transmissões, presididas pelo General CEME, que dedicou uma mensagem Corpo Telegráfico e descerrou uma lápide comemorativa na Unidade.

O Regimento de Transmissões apresentou, nesse dia, uma exposição de carácter itinerante relativa ao Corpo Telegráfico e dois modelos reduzidos dos telégrafos pioneiros da telegrafia óptica, sendo o de ponteiro apresentado pela primeira vez em Portugal.

A sessão que se seguiu teve lugar no Museu Militar a 7 de Outubro passado, e destinou-se à apresentação pública do livro, Bicentenário do Corpo Telegráfico, produzido pela Comissão da História das Transmissões.

Esta sessão teve três intervenções.

A primeira coube ao tenente – coronel José Berger que fez uma exposição sobre as Linhas de Torres Vedras, na qual apresentou o dispositivo das forças anglo – lusas aí empenhadas e o sistema de Transmissões que as apoiou.
Baseado em documentos da época, concluiu que, a partir de Outubro de 1810, o telégrafo português substituiu o inglês, por decisão dos próprios ingleses, por reconhecerem ser mais fiável e mais simples de operar
Esta conclusão veio dar maior importância à actuação do Corpo Telegráfico nas Linhas de Torres Vedras e permite perceber melhor porque não foi posteriormente utilizado em Portugal o telégrafo inglês, enquanto que o português continuou ao serviço durante quase meio século.

A segunda palestra, apresentada pelo coronel Costa Dias foi dedicada a Francisco António Ciera, figura de maior relevo na cartografia e na telegrafia visual em Portugal, debruçando-se sobre a forma como concebeu e aplicou os telégrafos de ponteiro e de persianas, mais simples e económicos do que todos os existentes na altura.

A terceira palestra, constitui um trabalho da Comissão que me competiu apresentar.
Nela, foi feito um balanço das Comemorações em termos de preservação da memória do Corpo Telegráfico, passando a reproduzir o texto da autoria de Aniceto Afonso:
 
Estas comemorações, como era nossa intenção, trouxeram até nós uma história que estava por contar e que muito nos orgulha.

Deixaram marcas materiais que permitem prolongar a memória do Corpo Telegráfico, como a lápide descerrada no Regimento de Transmissões, o inteiro postal sobre o bicentenário, o livro que vos apresentámos e o primeiro modelo reduzido do telégrafo de ponteiro existente em Portugal.

Mas as Comemorações deixaram também marcas “imateriais” ainda mais relevantes do que as anteriores, como o reconhecimento da importância do Corpo Telegráfico pelas entidades e organizações que participaram nas Comemorações.

Essa presença, estamos certos, não deixará de se reflectir na percepção de que a sua história, inclui o saber, o esforço e o empenho de um punhado de homens que, ao serviço do Corpo Telegráfico, lançou os fundamentos das comunicações modernas que asseguram a complexidade da vida do homem nos dias de hoje.

Chegamos assim ao fim deste ciclo muito orgulhosos dos resultados que conseguimos.

A preservação destas memórias garante-nos uma maior consciência do papel da História na acção dos homens, como ancoradouro da tradição e da matriz traçada pelos nossos avós, não permitindo que esqueçamos a natureza do nosso empenho actual, em direcção ao progresso, à paz e aos direitos de todos os cidadãos.

Temos agora esperança que a sociedade portuguesa e os seus representantes, em especial algumas autarquias, associadas ou não à Universidade e a outras entidades interessadas, possam imitar outros países europeus como a França, e reconstruir estações de telegrafia óptica nos locais onde existiram há dois séculos, tornando-os assim locais de visita pública e de desfrute cultural, em memória dos pioneiros dos telégrafos portugueses.

Teríamos assim oportunidade de confirmar que trazemos uma memória que nos liga a gerações que nos antecederam e nos dão razão de ser e continuar, assim como tomaremos mais consciência de que constituímos, para as gerações que se seguem, referências dos seus valores e da sua determinação.  

Muito obrigado pela vossa atenção.

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