Exposição em Loures

 

Do nosso leitor sr Luis Fernando Dias recebemos por email o seguinte texto, referente ao post anterior (GG – As Comunicações de um batalhão na linha da frente):

Está a decorrer no Museu do Conventinho em Loures, uma exposição denominada “IN  MEMORIUM. Loures no esforço da Grande Guerra” que estará aberta ao publico até ao fim do ano. Dei a minha colaboração, no âmbito das transmissões, colocando duas peças de origem inglesa, mas que pertenceram ao Exercito Português. Possivelmente terão vindo no final da GG para Portugal.

Um Fullerphone  Mk 1* e uma lanterna elétrica de sinais com o respectivo tripé. É interessante a indicação que o Alferes José Augusto do Carmo dá sobre o equipamento usado “Os fullerfones que vi empregar eram os I” (sic). Muito provavelmente o Mk 1 .

FullerphoneMk 1*

FullerphoneMk 1*

Lanterna de sinais

Lanterna eléctrica de sinais

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Grande Guerra – As Comunicações de um batalhão na linha da frente


Em 10 de Setembro de 1917, o alferes José Augusto do Carmo, chefe da Secção de Sinaleiros do Batalhão de Infantaria 1 pertencente à 6ª Brigada, apresentou um relatório sobre o funcionamento das comunicações ao nível de batalhão nas primeiras linhas. Nesta data, o Comando do CEP ainda não exercia a responsabilidade do Sector Português, estando as unidades portuguesas sob o comando operacional do XI Corpo de Exército britânico comandado pelo general Hacking. A 1ª Divisão exercia essa responsabilidade desde o dia 10 de Julho e o Corpo Português assumirá esse comando no dia 5 de Novembro de 1917, ficando subordinado ao I Exército Britânico, sob o comando do general Horne.
As brigadas pertencentes à 2ª Divisão foram assumindo a responsabilidade das suas zonas de ação, até se concluir o período de sobreposição necessário ao avanço do comando, o que veio a acontecer no dia 26 de Novembro.
Cada divisão ficou constituída por três brigadas, cada brigada por quatro batalhões e cada batalhão por quatro companhias.
Em relação às comunicações, e segundo as informações do alferes Carmo, existiam, na área do batalhão, duas redes de comunicações por fio. Havia a rede de alarme SOS ou “omnibus” só para pedidos SOS, que ligava entre si todas as estações e os postos SOS do batalhão (postos mais avançados de observação, responsáveis por emitir alarmes),os quais se serviam do telefone. Os telefones funcionavam em paralelo e eram operados por sinaleiros.
A rede normal ligava o batalhão às suas companhias, aos postos avançados, às estações dos batalhões adjacentes, às unidades de artilharia de apoio e ao comando da sua brigada. O equipamento desta rede era constituído por dois indicadores 413 e fullerfones. Os fullerfones estavam ligados às centrais 413 e eram operados pelas praças da Companhia de Transmissões de Praça.
O pessoal que operava as comunicações no batalhão era constituído por soldados da Companhia de Telegrafistas de Praça, guarda-fios e sinaleiros. Cada batalhão tinha cinco soldados da Companhia de Telegrafistas, estando um no Batalhão e um em cada companhia; os guarda-fios eram três e estavam todos no Batalhão. Os sinaleiros eram dois por companhia (oito no total), estando um destacado no posto SOS da companhia quando esta estava na frente. De uma forma geral, o dispositivo do Batalhão na frente contava com duas companhia em primeira linha, uma em apoio e outra em reserva, embora os trabalhos fossem ininterruptos. As rotações faziam-se quase sempre com intervalos de seis dias.

O relatório atrás referido do alferes Carmo está estruturado da seguinte forma:
– Comunicações telefónicas estabelecidas
– Aparelhos empregados nas estações e postos
– Forma como o pessoal foi distribuído
– Como desempenharam a sua missão
– Como é pedido o auxílio da artilharia pela infantaria
– Como está montado o serviço de correspondência
– Informações diversas
O relatório, muito sintético e objetivo, dá uma ideia muito aproximada do funcionamento das comunicações ao nível do batalhão, apresentando as principais tarefas e dificuldades enfrentadas pela Secção de Sinaleiros. Publica-se integralmente.

CEP, 2ª Divisão, 6ª Brigada, 1º Batalhão
Secção de Sinaleiros de Infantaria nº 1
Relatório

Comunicações telefónicas estabelecidas.
Existiam no Batalhão em que fiz serviço duas redes de comunicações, uma, a omnibus ou de SOS, que ligava entre si todas as estações e postos os quais se serviam do telefone; outra, a normal, que permitia comunicações pelo fullerfone entre as estações do Batalhão e as que se lhe ligavam da retaguarda.
Junto a este relatório vão os respetivos esquemas.
Pelo primeiro destes sistemas, só é permitido falar-se quando em caso de SOS e mesmo assim limita-se o despacho a SOS e indicação do setor que o pediu. Pelo outro são enviados os outros despachos, mesmo de carácter D.D.
Aparelhos empregados nas estações e postos.
Na central do Batalhão bem como nas estações das Companhias existiam fullerfones. Em virtude do número de ligações no Batalhão existiam 2 indicadores 413, 2 fullerfones e 2 telefones, um para o SOS e outro para a verificação das linhas.
Cada estação está munida de um telefone ligado à linha do SOS e existem no sector de cada Companhia da frente e na 1ª linha um posto munido de um telefone e que é chamado posto de SOS, visto que é dali que parte em caso de perigo essa indicação, que é ouvida no Batalhão e em todas as companhias.
Os fullerfones que vi empregar eram os I e os telefones, franceses.
Forma como o pessoal foi distribuído.
Coloquei em cada Companhia um soldado da CTP e 2 sinaleiros. No Batalhão, um soldado da CTP e 3 praças como guarda-fios.
O sargento fazia serviço na central do Batalhão, e todos os sinaleiros passaram por todas as situações: companhias da frente, apoio, reserva, postos de SOS e central do Batalhão.
Como guarda-fios guardei os inaptos para sinaleiros. Esses acompanharam sempre o serviço que hão de desempenhar.
Como desempenharam a sua missão.
Se atender ao pouco tempo de instrução que tiveram na Escola (1), ao facto de nem todos terem sido sinaleiros, e ao conhecimento de que não tenham responsabilidade no desempenho do serviço, portaram-se a contento.
No entretanto, é preciso substituir alguns homens, para o que já estou dando instrução a igual número.
Como é pedido o auxílio da artilharia pela infantaria.
Quando é necessário bater um ponto inimigo pela artilharia, o fogo é pedido pelo Batalhão às baterias que o apoiam.
Em caso de SOS, para maior rapidez, e segundo as instruções, é comunicado ao Batalhão telefonicamente o sector que periga e este, por sua vez, comunica às baterias.
Se falta o telefone usam-se os outros meios de comunicação e em último caso foguetões, que bastam só por si para que a artilharia faça fogo sobre a frente inimiga indicada pela direção em que os foguetões foram lançados.
Como está montado o serviço de correspondência.
A central do Batalhão é ao mesmo tempo posto de correspondência. Esta é agrupada ali conforme a proximidade dos seus destinos e enviada pelos ciclistas e estafetas apeados. A correspondência urgente é enviada imediatamente, e é considerada urgente a que se refere a munições, para o que lhe basta a indicação no envelope “Munições”.
Este serviço é fiscalizado nos recibos que o destinatário assina e que registam as horas da entrega e do recebimento, nº da correspondência e destino.
Informações diversas.
Não se utilizam nas trincheiras, nem bandeiras, nem discos.
Não vi tão pouco utilizar as lanternas de sinais. Julgo possível e conveniente o seu emprego em comunicações da frente para a retaguarda para postos que não dariam conferências nem entendidos.
Cada linha tem a sua linha de reserva, que passa por itinerário diferente.
As linhas passam em diversos sítios por caixas de experiências, para mais facilmente se conhecerem as avarias e as reparar.
Em Campanha, 14 de Setembro de 1917
José Augusto do Carmo
Alf. Infª. 1”.

(1) Refere-se à Escola de Sinaleiros, em França, que dava instrução aos sinaleiros, de telefonia acústica (buzzer), telefonia por voz e telegrafia ótica com bandeiras, com quadro venezianos e lâmpadas (lanternas).

 

Rede SOS

scan-1

 

Rede Normal

scan-rede-normal

 

Ainda a lanterna Lucas de sinais

Do nosso leitor sr Luiz Fernando Dias recebemos, a propósito da recente publicação do manual de instruções da lanterna Lucas, o seguinte comentário/post, que muito agradecemos:

No final da década de 30, princípios dos anos 40 do século passado, foram construídos nas Oficinas Gerais de Material de Engenharia diverso material de transmissões: Telefones de Campanha, Comutadores Telefónicos, Fullerphones, Heliógrafo m/38, Lanternas de sinais (tipo Lucas), etc.

A lanterna de sinais fabricada pelas OGME era cópia exacta da Lanterna Lucas, muito bem executada, não ficava nada atrás da original. Contudo o corpo da lanterna era de alumínio, ao contrário da original que era de latão.

A caixa era de madeira tal como a lanterna Lucas da primeira geração, como se pode ver no desenho do folheto de instruções. Penso que estas instruções são de 1928, logo anteriores ao fabrico da Lanterna OGME.

Mais tarde, na 2ª Guerra Mundial, a Lanterna Lucas passou a ter a caixa metálica, chegando a estar em uso no nosso Exército.

Tenho uma vaga ideia que existe um exemplar destes no Museu de Transmissões, na Graça.

Da minha coleção junto uma fotografia de uma Lanterna de Sinais, fabrico OGME, anos 40, numa exposição em Torres Vedras efectuada em 2004.
lucas-dias

O CEP – Os militares sacrificados pela má política

Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

Este post é dedicado ao livro “O CEP – Os Militares Sacrificados Pela Má Política”, coordenado por dois distintos professores da Academia Militar: António José Telo e o tenente-coronel de Artilharia Pedro Marquês de Sousa, e lançado recentemente (no passado dia 01 de junho, nas instalações do Palácio da Bemposta – Sala D. João IV).

o-cepO livro tem como novidade incluir na historiografia do CEP, pela primeira vez, o estudo dos arquivos ingleses, franceses, dos EUA e de alguns alemães.

Para mim, o livro constituiu uma agradável surpresa, pelo que aconselho aos leitores deste Blogue a sua leitura e reflexão, tanto mais que o livro cobre o período entre 1910 e o 9 de abril de 1918, que continua a ser objeto de estudo por parte da CHT.

A última Revista Militar[1] contém um excelente comentário a este livro, da autoria do major general Vieira Borges, cuja leitura também recomendo aos leitores deste Blogue,

Nesse comentário é referida a organização do livro, a qualidade da sua grafia, as inovações que introduz e as mensagens que transmite.

Permito-me destacar algumas observações que apresenta:

  • “A obra vai marcar a historiografia portuguesa…”
  • “O livro leva inevitavelmente a profunda reflexão e debate seja a nível individual ou coletivo”
  • Incentiva os leitores da Revista Militar “à leitura cuidada do livro, na certeza de que nem tudo foi dito, nem escrito nem entendido – e julgo que nunca o será, pois aqui reside uma das riquezas da História.“
  • Felicita os autores pela publicação da obra “que demonstra que ainda existe espaço para novas perspetivas a bem da verdade histórica.”

Para terminar ainda mais três observações pessoais:

  • A primeira é o facto de estar previsto que o trabalho da equipe que realizou esta notável obra, que inclui mais de uma dezena de investigadores civis e militares dos 3 ramos das Forças Armadas, venha a prosseguir, apresentando novas publicações sobre o período que se segue ao 9 de abril (em que tenho esperanças que não sejam esquecidas as Transmissões), a frente africana, a frente interna que teve particular influência no processo e a frente naval. Como o major general Vieira Borges, faço votos para que este projeto seja realizado.
  • “Esta obra é polémica, como é fatal quando se pretende dar uma explicação sobre um assunto tão importante e tão deturpado como o CEP”, afirmam os autores no final do Introdução do livro. prevendo que… ”as opiniões aqui expressas vão provocar uma reação negativa de várias entidades e pessoas”

Não conheço outro comentário a esta obra que não seja o que referimos, mas tenho também a sensação que a obra tem condições para ser uma obra marcante na história do CEP.

  • Pela minha parte apenas ainda só li o capítulo I, que me entusiasmou. O livro vai ser a grande obra a ler nestas férias.

[1] Relativa a junho/julho de 2016 , que pode ser vista aqui.

Heliógrafo português m/938 C comunica a 38,5Km na Alemanha

Através de um post colocado neste blogue no dia 16ABR2013 (ver aqui) foram dados a conhecer alguns elementos relativos ao heliógrafo português modelo 938 e ao modelo italiano da OMI em que se inspirou.

No passado dia 17 de Junho este blogue foi contactado pelo Dr Joerg Noack, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva de Leipzig (radioamador DG2ORK), através da seguinte mensagem:

Exmos. Srs.:

Somos um grupo de entusiastas da Alemanha que promovem Ciências Naturais para alunos do ensino secundário e jovens estudantes.
Entre os nossos projectos actuais conta-se a comunicação óptica com heliógrafos. O objetivo deste projecto é ensinar os princípios físicos e ópticos por detrás desta tecnologia, e mostrar como este tipo de comunicação foi usada no século passado.
Temos vindo a utilizar com sucesso heliógrafos portugueses do tipo 938C (números de série 116, 1489, 2580) em transmissão Morse, numa distância superior a 38,5km.
Sabemos, através do V/ site, que o modelo 938C é baseado num heliógrafo italiano da OMI, e que foi fabricado na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa, entre 1920 e 1940.
Estamos à procura de outras informações sobre a história do heliógrafo 938C, e ficariamos muito gratos por qualquer ajuda que nos possa dispensar nesse sentido, nomeadamente no que diz respeito a manuais, planos de construção, informações sobre a Fábrica de Braço de Prata, e uso de heliógrafos no Exército Português.

Se fosse possível, seria mais fácil para nós comunicar em Inglês.
Obrigado desde já pela V/ atenção.
C/ melhores cumprimentos,
Jörg Noack

Heliógrafo português m/938C utilizado (foto Dr Jörg Noack)

Heliógrafo português m/938C utilizado (foto Dr Jörg Noack)

Heliógrafo italiano OMI utilizado (foto Dr Jörg Noack)

Heliógrafo italiano OMI utilizado (foto Dr Jörg Noack)

No seguimento da nossa pronta resposta, o Dr Noack enviou-nos amavelmente logo no dia seguinte mais a seguinte mensagem, dando conta do êxito alcançado por ele e pelo Dr. Karsten Hansky (DL3HRT) numa transmissão por Morse visual entre um modelo português (m/938c) e o heliógrafo OMI em que o nosso se baseou, efectuada nesse mesmo dia entre Seitz e Leipzig, na incrível distância de 38,5 Km:

Dear José Manuel Canavilhas,

Thank you very much for your friendly reply. I did not expect any feedback that fast!
I have to admit, that I do not speake any Portuguese. So I will forward your compliments to my colleague, who did the translation 🙂
Please let me introduce Dr. Karsten Hansky (DL3HRT). He is the driving force behind the heliograph project. Karsten, like me, is a radio amateur interested in everything connected to light.
We did know, that the 938C was made for just 4km. However, Karsten is a serious scientist and a very curious mind. After some calculation he convinced me to try to heliograph between Zeitz and Leipzig over the distance of 38,5km. So we did it – and to our big surprise, it worked! I could even see the signal from Karsten’s 938C with naked eye.
Bright sunlight is not very common in our area, so we had to wait for this moment for many weeks.
However, we did it again today. Karsten operated an italian heliograph from OMI at a location above the city of Zeitz. I used a 938C at the roof of your institute in Leipzig. The distance was about 38,5km.
It is unbelievable, how far heliograph communication with these small mirrors works. The alignment of the heliographs over this distance is the most crucial step and requires a lot of adjustment. Fortunately, the OMI heliograph has a build in magnifying telescope that helps a lot.

(Muito obrigado pela sua resposta amigável. Eu não esperava um feedback tão rápido!
Eu tenho que admitir que eu não falo Português. Por isso vou encaminhar os seus elogios ao meu colega que fez a tradução 🙂
Por favor, deixe-me apresentar o Dr. Karsten Hansky (DL3HRT). Ele é a força motriz por trás do projeto heliógrafo. Karsten, como eu, é um radioamador interessado em tudo relacionado com a luz.
Nós sabemos que o 938C foi feito para apenas 4 km. No entanto, Karsten é um cientista sério e uma mente muito curiosa. Depois de alguns cálculos, ele convenceu-me a tentar heliografar entre Zeitz e Leipzig numa distância de 38,5km. Então nós fizemos isso – e para nossa grande surpresa, funcionou! Eu pude até ver o sinal do 938C do Karsten a olho nu.
A luz solar brilhante não é muito comum na nossa área, por isso tivemos que esperar por esse momento por muitas semanas.
No entanto, nós fizemos isso novamente hoje. Karsten operava um heliógrafo italiano da OMI num local acima da cidade de Zeitz. Eu usei um 938C no telhado do nosso instituto em Leipzig. A distância era de cerca de 38,5km.
É inacreditável quão longe a comunicação heliográfica com estes pequenos espelhos funciona. O alinhamento dos heliógrafos para estas distâncias é o passo mais importante e requer um grande ajustamento. Felizmente o heliograph OMI tem incluída ampliação telescópica, o que ajuda muito.)

Zeitz_Leipzig

O heliógrafo OMI visto a olho nu

O heliógrafo OMI visto a olho nu (foto Dr Jörg Noack)

Além desta informação e destas imagens, o Dr Noack enviou-nos também um ficheiro em que se pode ver a transmissão efectuada pelo heliógrafo português (e também do OMI). Infelizmente, o alojamento deste blogue (gratuito) não nos permite colocar aqui videos, mas os nossos leitores poderão ver essas imagens acedendo a este endereço.
No caso do m/938C, os sinais são visíveis contra o fundo mais escuro do edifício do Instituto de Leipzig, situado um pouco à esquerda da mais alta chaminé. No caso do OMI, este situa-se na linha do horizonte, um pouco à esquerda da torre metálica, tal como também é visível na imagem acima, onde está assinalado por um circulo.

Uma ultima nota, para chamar a atenção desta louvável iniciativa de explorar física e empiricamente este antigo sistema óptico de comunicações, e, sobretudo, de procurar envolver jovens alemães no entusiasmo pelo conhecimento destes ainda hoje úteis equipamentos. Algo que deveríamos procurar fazer em Portugal, com este e outros sistemas visuais, que foram da maior importância no nosso país.

Grande Guerra -IV- Divisão de Instrução, manobras de 1916 – 5ª parte

As comunicações na Divisão de Instrução, nas manobras de 1916 

Aniceto Afonso
Jorge Costa Dias

 

5. 2 As comunicações na Divisão de Instrução – Instrução

Foi a instrução nº12 da 1ª Repartição do Quartel General que estabeleceu a instrução a ministrar às secções de Telegrafistas de T.S.F. e de Campanha T.P.F. durante as manobras.

– Secção TSF
A Secção de TSF, durante todo o período dos exercícios, dedicou-se à tarefa de instalar a estação de TSF Marconi (MM1), assim como à prática de recepção pelo ouvido, à prática dos motores TSF e ao estabelecimento de comunicações com Lisboa (MM2) e com o Alfeite (Marinha).

– Secção TPF
A instrução em Tancos para os telegrafistas de campanha abrangeu as comunicações telegráficas e telefônicas, assim como os heliógrafos e as bandeiras.
Vejamos alguns dos materiais que foram usados:

Telefones
Foram usados telefones e a central telefônica Ericson e também os telefones de Cavalaria.

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Heliógrafos
Foi usado na instrução o heliógrafos de Mance.

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Heliógrafos e lanterna de Mangin

E também o heliógrafo e lanterna de Mangin.

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Bandeiras
Também foi ministrada instrução de bandeiras, que podiam utilizar o código Morse ou o alfabeto homográfico.

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Bandeiras e códigos
No código Morse, com apenas uma bandeira, havia três posições – posição normal, posição de ponto e posição de traço.

 

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– Esquadras de construção
A partir de 5 de Junho iniciou-se a instrução programada para as diversas especialidades da Secção de TPF e assim, no período de 5 de Junho a 15 de Julho, as esquadras de construção praticaram:
Construção de linhas permanentes
Construção de linhas de cabo
Construção de linhas de fio

 

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– Serviço Ótico
As esquadras de serviço ótico praticaram a utilização de:
Heliógrafo de Mance na ligação do Alto de D. Luís com o Alto da Conceição e de Mangin na ligação do Alto de D. Luís com o Alto da Barquinha, assim como o uso de bandeiras na ligação Casal do Rei com Cascalheira do Freixo.

Fundo 3-5-4-22-211_m0015

11 ligação por bandeiras

– Tarefas dos telegrafistas
Durante todo o período de manobras, as tarefas dos telegrafistas consistiam em treinar os procedimentos telegráficos, assegurando o funcionamento das estações, garantirem o apoio e as ligações entre as unidades e assegurarem as ligações durante as marchas.

 

 

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– Mapa
No conjunto de exercícios do período de instrução pode destacar-se o exercício de grandes destacamentos mistos realizado em 24 e 25 de Julho no planalto da Barquinha no qual se confrontavam a 1ª BI (P.V.), na defensiva, e a 2ª BI (P.A.) no ataque. Reparar que o terreno foi organizado para a defensiva, reconhecendo-se as trincheiras.

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– Instalação de tropas e ligações
Neste exercício, a Secção de TPF instalou e explorou a partir do QG as linhas de cabo para a estação telegráfica da Barquinha, para a Reserva Geral e para o Alto das Éguas e uma ligação ótica também para o Alto das Éguas. Os telefonistas de infantaria instalaram a rede telefónica de serviço ao exercício, assim como uma ligação ótica.
Na imagem apresentam-se as ligações na zona da ação da 1ª BI, que estava na defensiva.

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– Esquema do exercício
No seu conjunto, o exercício pode ser representado como se vê na imagem.

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– Ação sobre Atalaia
Por sua vez, o exercício de Divisão (o maior exercício efetuado durante o período de manobras) foi realizado de 29 a 1 de agosto, concretizando-se através de uma ação sobra a Atalaia. Neste exercício, a Secção TPF teve como missão garantir as ligações durante as marchas, utilizando as estações civis e montando as linhas necessárias para acompanhar as movimentações.

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Os trabalhos efetuados nas manobras de Tancos pelas tropas de transmissões situaram-se em bom nível e apoiaram com bastante eficácia as unidades operacionais, acompanhando as suas movimentações. Testaram os seus conhecimentos e os materiais utilizados. Para aqueles que vieram a integrar o C.E.P., como por exemplo o seu responsável máximo, capitão Soares Branco, foi uma experiência muito útil.

 

6. Balanço dos exercícios militares

Conclusões
Como balanço deste nosso estudo, como dissemos ainda incompleto, escolhemos alguns trechos de relatórios de unidades participantes:
“A intensidade da instrução em Tancos levou-nos a marchas longas bastante penosas, debaixo dum calor ardentíssimo e perfeitamente cercados de nuvens de pó, pois nem assim os nossos soldados deixaram de cumprir com o seu dever” (Coronel Barreira, 2º Regimento da 1ª BI);
“Nas localidades, nenhumas notas discordantes se deram, havendo localidades em que todos, à porfia, primavam em atenções para oficiais e praças que, pela sua conduta irrepreensível, souberam corresponder ao acolhimento amigável que lhes era feito” (Coronel Fragoso, 1ª Brigada).
“Como consequência da falta de educação militar, deriva-se naturalmente a ausência de um espírito disciplinado, sofredor e obediente (…) Tive ocasião de notar que nos diferentes exercícios executados, não havia aquele empenho e aquela coesão e decisão indispensáveis para justificar a transição para as diversas fases dos combates” (Tenente-coronel Veiga, 1º Grupo de Metralhadoras).
“Praticaram-se todos os sistemas de ligações – cadeias de homens, ordenanças, sinais óticos, telefone e telégrafo, sendo digno de registo o desembaraço das tropas de engenharia na montagem e desmontagem dos dois últimos sistemas e na receção e transmissão dos despachos.
Os diversos meios de ligação, mais na ofensiva do que na defensiva, em que aquelas se tornam mais fáceis e práticos, nem sempre foram utilizados conforme as reservas disponíveis, situação tática, natureza do terreno e rede de comunicações, e daí as ordens, informações e notícias chegarem muitas vezes tardiamente, perdendo todo o valor” (Coronel Almeida Fragoso, comandante da 2ª BI).

Em suma, podemos concluir que as manobras de 1916 em Tancos, com a concentração de uma Divisão a duas Brigadas, foi uma decisão politicamente necessária, mas militarmente questionável. Os temas estavam desadequados em relação ao que se praticava quase desde o início da Guerra, na Frente Ocidental. As manobras testaram as capacidades militares do Exército, mas não serviram de grande lição.

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Eleições para a Presidência da República (1976)

Post do MGen Edorindo Ferreira, recebido por msg:

Cumprem-se agora 40 anos da primeira eleição por sufrágio universal e livre do Presidente da República, ocorrida em 27 de Junho de 1976.

Tal como para a eleição da Assembleia da República, dois meses antes, o Ministério da Administração Interna (MAI) solicitou ao Exército a montagem de um sistema de transmissão e de escrutínio provisório dos resultados eleitorais. E de novo essa missão foi atribuída à Direcção da Arma de Transmissões, sendo a transmissão assegurada pela rede do Serviço de Telecomunicações Militares e o escrutínio efectuado na Escola Prática de Transmissões.

O sistema foi semelhante ao implementado para o acto eleitoral anterior (ver aqui), tendo sido igualmente coordenado pelo Tenente Coronel Engº Tm José Maria Marques. As operações de escrutínio foram novamente asseguradas pelo Capitão Engº Tm José Manuel Pinto de Castro, com recurso à calculadora HP 9810 e respectivos acessórios, em especial o plotter para  impressão de gráficos.

IMG_3081A experiência anterior e o facto de haver apenas quatro candidatos facilitou a programação da calculadora e a obtenção de resultados com maior celeridade. As mais de quatro mil mensagens recebidas de todas as capitais de distrito foram devidamente processadas e os resultados disponibilizados ao STAPE.

As duas imagens que se seguem constituem testemunho do trabalho efectuado: a primeira do impresso próprio manuscrito no Governo Civil pelo Oficial Delegado da Comissão Nacional de Eleições (em Lisboa eram entregues directamente na Escola Prática de Transmissões) e a segunda do gráfico regularmente efectuado pelo plotter.

PR 76 PSI 001 PR 76 001O sistema principal, da responsabilidade do STAPE/MAI, foi também semelhante ao de Abril, com apenas uma diferença: pela primeira vez o escrutínio não foi efectuado por uma empresa privada, tendo dessa tarefa sido incumbido o Centro de Informática do Ministério da Justiça. Paralelamente, quase em simultâneo, o apuramento dos resultados foi também efectuado pelo Instituto Nacional de Estatística e pelo Serviço Mecanográfico do Exército.

As eleições para a Assembleia da República (1976)

Post do MGen Edorindo Ferreira, recebido por msg:

Em 25 de Abril de 1976 realizaram-se as primeiras eleições para a Assembleia da República, criada pela Constituição da República Portuguesa, que fora aprovada no dia 2 de Abril de 1976.

Devido ao facto de existir desconfiança de alguns partidos políticos quanto à credibilidade da transmissão e do escrutínio provisório dos resultados eleitorais através de meios exclusivamente civis, o Ministério da Administração Interna (MAI) solicitou ao Exército a implementação de um sistema alternativo utilizando equipamentos e redes militares.

De forma sucinta descrevem-se os dois sistemas que foram instalados para a transmissão  e escrutínio provisório dos resultados eleitorais.

1. Sistema militar, da responsabilidade da Direcção da Arma de Transmissões (Exército)

Tal como em 1975, o MAI solicitou ao Exército a montagem de um sistema de transmissão dos resultados através da sua rede de telecomunicações privativa, operada pela Arma de Transmissões.  Mas desta vez acrescentou o escrutínio provisório, para precaver a eventual ocorrência de falhas no sistema da responsabilidade do Secretariado Técnico dos Assuntos Políticos e Eleitorais (STAPE).

O sistema implementado pelo Exército foi coordenado pelo Tenente Coronel José Maria Marques e nele estiveram envolvidas várias dezenas de Oficiais, Sargentos  e Praças.

1.1. Transmissão dos resultados

Processou-se de forma semelhante ao ano anterior, ou seja: em cada Governo Civil foi colocado um Oficial das Forças Armadas, Delegado da Comissão Nacional de Eleições, a quem eram entregues cópias dos impressos com os resultados enviados por cada freguesia; depois preenchia uma mensagem militar (para cada freguesia) que era entregue na Unidade militar local; através da rede do Serviço de Telecomunicações Militares, quer por via telegráfica (telex), quer radiotelegráfica (morse), essa mensagem era transmitida para a Escola Prática de Transmissões (EPT), localizada na Rua de Sapadores, em Lisboa; cópias destas mensagens eram entregues em mão ao Centro de Escrutínio Militar, instalado na Sala de Conferências da EPT, e ao Centro de Informática do Ministério da Justiça, por estafeta, em viatura militar.

1.2. Escrutínio

A novidade foi o tratamento dos resultados, efectuado por militares da Escola Prática de Transmissões.

Foi utilizada uma calculadora HP 9810 que foi programada e operada pelo Capitão Engº Tm José Manuel Pinto de Castro. Recebidos os dados do Centro de Mensagens eram gravados e processados, sendo os resultados impressos num plotter próprio (para gráficos) e numa máquina de escrever.

IMG_3081A programação da calculadora foi complexa e lenta, tanto mais que os partidos concorrentes às eleições eram muitos, variáveis de distrito para distrito, e havia que ter  em consideração o método de Hondt para distribuição dos deputados por partido e por distrito. O apuramento efectuado pelo STAPE foi mais rápido, como é óbvio, pois utilizava um computador já muito avançado para a época. Mas, embora com algum atraso, foi possível disponibilizar os resultados apurados, que poderiam ter sido utilizados se o sistema civil tivesse falhado.

Infelizmente não foi possível encontrar nenhum mapa ou gráfico elaborado pela calculadora. Mas para memória futura aqui fica um dos vários esquemas efectuados para programação da máquina.

programa HP 001Esquema de sequência de operações para acumulação de dados

Sua Excelência o Chefe do Estado Maior do Exército, General Ramalho Eanes, deslocou-se  à Escola Prática de Transmissões na noite do dia 25, como documentam estas duas fotografias.
146a-Eleições 76 JMM 146b-Eleições 76 JPC

2. Sistema civil, da responsabilidade do STAPE/MAI

2.1. Transmissão dos resultados

Foi igual ao método utilizado um ano antes para a eleição da Assembleia Constituinte, ou seja: Freguesia-Governo Civil por telefone, e Governo Civil-Lisboa por telex.

2.2. Escrutínio

O Centro de Escrutínio foi de novo instalado na Fundação Gulbenkian, sendo desta vez o processamento dos resultados efectuado pela empresa NORMA.

Em paralelo, as contas foram também efectuadas pelo Centro de Informática do Ministério da Justiça (CIMJ), tendo em vista a utilização dos meios informáticos do Estado em futuras eleições.

Havia ainda um outro sistema de reserva, do Instituto Nacional de Estatística, que só entraria em operação duas horas após a paralisação dos sistemas da NORMA e do CIMJ, o que não viria a suceder.

42 anos de Escola Prática – Honra e valor – Um livro notável

Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:
Como não tive possibilidade de estar presente nas comemorações do dia da Arma deste ano, em que foi apresentado o livro “42 anos e Escola Prática de Transmissões Honra e Valor”, só tive oportunidade de ler o livro a partir do final semana passada, graças à gentil oferta do Coronel Ribeiro, atual Comandante do Regimento de Transmissões no Porto, que muito agradeço.
Trata-se de uma obra notável, que considero de referência na área da historiografia das Transmissões militares e que jugo da maior importância para a Arma de Transmissões pela potencialidades que revela e perspetivas que suscita.
EPT livroEm primeiro lugar a obra tem uma conceção profundamente original e de grande oportunidade, dado que, em 2013, as Escolas Práticas das Armas foram abolidas e concentradas em Mafra na Escola das Armas.
Para quem esperava uma História da EPT (Porto) o título “42 anos de Escola Prática” é enigmático, pois a EPT (Porto) começou em 1977 e acabou em 1913, apenas teve 36 anos de vida. O livro porém inclui no conceito de Escola Prática de Transmissões as duas unidades que tiveram esse nome, primeiro em Lisboa de 1971 a 1977 e depois no Porto de 1977 a 2013. Ou seja a Escola Prática começou em Lisboa e acabou no Porto.
Contudo, vai mais longe, incluindo os antecedentes da Escola Prática, quando as suas funções eram desempenhadas pela Engenharia em Tancos, na EPE; e uma cuidada referência aos antecedentes históricos da valências de Instrução, Transmissões Permanentes, Transmissões de Campanha e Investigação e Desenvolvimento que a acompanharam a Escola Prática durante as quatro décadas de existência
Uma obra monumental e de grande qualidade. Não é, nem pretende ser, uma história completa da Arma, pois não refere nem a componente Logística (hoje retirada da Arma), nem a parte respeitante à Direção da Arma, que nunca estiveram presentes na Escola Prática.
Estão assim de parabéns os grandes responsáveis por esta iniciativa: o MGen Arnaut Moreira, que teve a ideia de se publicar uma obra condigna da Escola Prática que desafiou a pessoa certa para a concretizar: o Coronel Rodrigues que se empenhou decididamente nesta gigantesca tarefa e conseguiu congregar os esforços de uma vasta equipa de militares da própria unidade e obter a contribuição de antigos comandantes e outras figuras altamente prestigiadas da Arma e do Exército como o General Garcia dos Santos e o Ten Gen Xavier Matias.
É um livro imperdível (com uma Bibliografia impressionante) que é indispensável ler.
As maiores virtudes que lhe encontro são:

• Constituir uma contribuição relevante para a historiografia das Transmissões Militares e da preservação da memória sobretudo da Escola Prática de Transmissões (Porto) que há muito o merecia, pelo importante papel que desempenhou.

• A qualidade do livro, feito basicamente por uma vasta equipe de pessoal militar em serviço ativo, vem demonstrar que a historiografia das Transmissões também é uma atividade que pode ser feita por jovens ao serviço e não está necessariamente condenada a ser reservada a pessoal na reserva ou na reforma.

Julgo que este notável esforço constitui um forte exemplo de coesão e capacidade da Arma que terá continuidade no futuro. Entre outros, a leitura do depoimento do MGen Dario Carreira, como antigo Comandante, a obra já realizada pelo cor Ribeiro na historiografia das Transmissões (os “30 anos do RTm” os“42 anos de Escola Prática” e a “CTm 5” que espero venha a ser finalmente publicada) dão fortes garantias de que a ideia de que vale a pena recordar e tentar perceber o passado, não ficará por aqui.

Inauguração de duas paradas na CTm da BrigMec

No passado dia 15 de junho de 2016, realizou-se na Companhia de Transmissões (CTm) da Brigada Mecanizada (BrigMec) em Santa Margarida a cerimónia de inauguração das paradas Major Tm Pedro Rocha Pena Madeira e Sargento-Ajudante Tm Jorge Alberto de Jesus Alves.
Após apresentação das Honras Militares ao Major-General Pedro Jorge Pereira de Melo, presidente do Conselho da Arma de Transmissões, que presidiu à cerimónia, o Comandante da CTm da BrigMec em suplência, Ten Tm (Engº) José João Pereira Rocha Cordeiro, proferiu uma alocução alusiva ao evento, seguida da inauguração da Parada Maj Tm Pena Madeira, atualmente com o posto de Major-General, que iniciou a sua carreira militar na Escola Prática de Transmissões (EPT) e que, enquanto Comandante da Companhia de Transmissões da 1ª Brigada Mista Independente (1ª BMI), em 1978, foi o responsável pelo levantamento da Companhia e de todo o processo de normalização e atualização dos materiais de transmissões da 1ª BMI.
Logo de seguida foi inaugurada a Parada Sargento-Ajudante Tm Jorge Alberto de Jesus Alves, hoje com o posto de Sargento-Mor, que enquanto Sargento-Ajudante, foi o primeiro Sargento Adjunto do primeiro Comandante da Companhia.
Seguiu-se uma visita ao Museu da Companhia de Transmissões, culminando a cerimónia com um almoço volante oferecido aos convidados e onde não faltaram o tradicional grito da Arma de Transmissões e o corte do bolo comemorativo.
Deste modo a Companhia de Transmissões e a Brigada Mecanizada perpetuam a memória dos que engrandeceram a sua história assim como passaram a mensagem aos militares mais novos sobre a importância da manutenção dessa memória.
Nota: O MGen Pena Madeira é um dos membros da CHT.

    

    

    

Fonte: Página da BrigMec no site do Exército

As Tm no nº 1 do Jornal do Exército (JAN1960)

No dia 7 de Dezembro de 1959, reunidos numa dependência do Colégio Militar, o Brigadeiro David dos Santos (futuro 1º director do JE), os Majores Balula Cid (professor de Desenho do CM, caricaturista e futuro 1º chefe de redação), Pinto Coelho, Eduardo Fernandes e Tavares Figueiredo e o Capitão José Marques, redigiram uma proposta de criação do Jornal do Exército.

1960 –  A 11 de Janeiro é publicado um despacho do Ministro do Exército, Brigadeiro Afonso de Almeida Fernandes – Aprovo com a maior satisfação a presente proposta que vem ao encontro de uma aspiração que há muito acalentámos e que as circunstâncias parecem tornar agora oportuna. Conviria que o primeiro número do Jornal saísse ainda no corrente mês, o que julgo possível, em face do trabalho preliminar já realizado. O Jornal intitular-se-á Jornal do Exército (…).

– De facto, ainda em Janeiro, é feita a primeira tiragem do JE, com 20 mil exemplares.

– A 26 de Janeiro o Jornal do Exército abandona o CM e passa a ocupar o 2.º andar do N.º 61 da Rua da Escola Politécnica, em Lisboa. 

– A 14 de Julho, por Portaria do Ministério do Exército, é criado formalmente o Jornal do Exército, definido como: órgão de informação, cultura e recreio do Exército Português.

– No seu primeiro numero, na rubrica Noticiário Militar (pág 10), foi inserida uma interessante notícia sobre o Batalhão de Telegrafistas que pode ser consultada na seguinte imagem (clicar sucessivamente, 3 vezes, se pretender aumentar ao máximo):
Ed 1 de 1960 JORNAL DO EXÉRCITO - BT

As Eleições para a Assembleia Constituinte (1975) – Parte 2

Post do MGen Edorindo Ferreira, recebido por msg:

NÚMEROS E CURIOSIDADES

1. As eleições para “Deputados à Assembleia Constituinte” deveriam realizar-se até 31 de Março de 1975 (nº 4 do Artº 4º da Lei nº 3/74, de 14 de Maio). No entanto, a instabilidade no País, motivada por complexas lutas políticas em que alguns advogavam a primazia de eleições para a Presidência da República, determinou que, em Novembro, tivessem sido marcadas apenas para 12 de Abril. Mas, na sequência dos acontecimentos de 11 de Março de 75, estiveram em risco por poderem vir a constituir um travão para “o processo revolucionário em curso”. Acabariam por ser re-marcadas para o dia 25 de Abril.

2. A fase de preparação do sistema de transmissão foi algo atribulada pois muitas juntas de freguesias não dispunham de telefone, que era indispensável para comunicar os resultados finais ao Governo Civil e, também, para possibilitar os contactos com o STAP, a Comissão Nacional de Eleições e o Centro de Escrutínio. Nas primeiras reuniões preparatórias os CTT/TLP informaram que não seria possível instalar telefones em várias freguesias, especialmente no interior do País, visto não haver vagas nas centrais telefónicas da zona respectiva. O STAP não aceitou a “desculpa” dos CTT/TLP, tendo-lhes sido dito que teriam que encontrar uma maneira de resolver o problema. Na reunião seguinte surgiu a solução: uns dias antes do acto eleitoral os telefones de alguns assinantes ficariam temporariamente “avariados” e as linhas respectivas seriam encaminhadas para as juntas de freguesia. E assim foi!

3. O papel utilizado no processo eleitoral foi oferecido pelo Governo da Suécia (sendo primeiro-ministro Olof Palme) e transportado num navio da Alemanha, de Gotemburgo para Lisboa (cais de Xabregas). Chegaram 166 paletes, contendo cerca de 90 000 Kg de papel, dos quais 40 000 Kg foram utilizados no fabrico de mais de 8 650 000 boletins de voto e as restantes 50 toneladas em cartazes, folhetos, “posters”, cadernos e impressos vários, etc. Esta enorme quantidade de papel foi devidamente armazenada nas instalações da Manutenção Militar, de onde foi saindo à medida das necessidades das tipografias.

4. Só com muita dificuldade é que o MAI conseguiu que as Direcções Gerais de Impostos e das Alfândegas isentassem o pagamento dos impostos de transações e alfandegários sobre o papel… oferecido!

5. O computador utilizado para o escrutínio dos votos (GE MARK I) estava instalado algures em Lisboa e era constituído por dois processadores interligados por dois controladores. Um dos processadores era um CPU de 16 K com ciclo de memória de 6 microssegundos; o outro executava a transmissão de dados e controlava os terminais remotos (até 40); no Centro de Escrutínio (na Fundação Gulbenkian) foram instalados apenas 30. Utilizava as linguagens de programação BASIC, FORTRAN e ALGOL e a unidade de disco tinha 18 MB de capacidade.

tsharing6. O custo total do processo foi de 23 300 contos, que hoje equivalem a 3,2 milhões de euros a preços correntes. A maior parte deste custo (cerca de 20 mil contos) diz respeito às operações logísticas (recenseamento, documentação, urnas, câmaras de voto, computador, CTT/TLP, tipografias, material de escritório, transportes, etc). Os custos com o pessoal do STAP foram apenas de 1 500 contos. Para comparação refere-se que os partidos gastaram 31 mil contos na propaganda eleitoral!

7.  Discriminação dos custos das principais operações logísticas:

– 13 800 urnas, com o peso total de 55 toneladas: 2 260 contos;

– 13 136 câmaras de voto, 394 toneladas: 1 200 contos;

– 8 657 700 boletins de voto, 35 toneladas: 415 contos;

– Recenseamento e elaboração da documentação respectiva: 9 700 contos;

– Time-Sharing (escrutínio): 1 300 contos;

– CTT/TLP: 1 400 contos.

8. Grande parte das despesas de todo o processo eleitoral foi paga com dinheiro encontrado no cofre do gabinete do ex-director da PIDE/DGS.

9. Apesar de várias vezes instruídos sobre o modo de enviar os resultados apurados em cada freguesia, nem todos os Presidentes de Junta agiram como determinado. O ineditismo do acto, a festa que se lhe seguiu e até razões pessoais (por exemplo o facto de o seu partido não ter obtido um bom resultado) muito contribuíram para os atrasos verificados. Houve quem fosse aos Municípios para entregar os resultados e outros… esqueceram-se! De tal modo que a meio da tarde do dia 26 ainda faltava receber os resultados de 154 freguesias, sendo 2/3 dos distritos de Braga e Vila Real.

ResultadosResultados globais às 16:25 de 26 de Abril

10. Um dos casos caricatos passou-se com uma freguesia não muito longe de Lisboa, que era a única que faltava, no dia 26,  para concluir o escrutínio do Distrito em questão. O respectivo Presidente de Junta nunca respondeu aos sucessivos telefonemas, mas a meio da tarde acabou por aparecer no Governo Civil para entregar pessoalmente o impresso com o resultado já apurado na noite anterior. Desculpou-se dizendo que tinha ido celebrar e depois… adormeceu!  E quando acordou dirigiu-se a galope à capital do Distrito, montado num cavalo!

11. O principal responsável pela “máquina logística” foi o Comandante Camões Godinho, o qual, na madrugada do dia 26, orgulhosamente declarava que o STAP estava pronto para organizar eleições em qualquer parte do mundo, até na China!

12. Todos os principais responsáveis pelas tarefas eleitorais eram Oficiais das Forças Armadas:

Ministro da Administração Interna: Tenente-coronel Costa Braz

Director do STAP: Comandante Vasco Almeida e Costa

Responsável pela Logística: Comandante Camões Godinho

Delegado do Exército: Major Engº de Transmissões José Maria Marques

Adjuntos do Exército: Tenentes Engº de Transmissões Edorindo Ferreira, Paulo Melo e Azevedo, João Oliveira Ferreira e António Sousa Maia.

Entre outros, eram técnicos do STAP o Dr Jorge Miguéis (mais tarde responsável por diversos processos eleitorais) e o futuro Dr e Ministro Jorge Coelho.

13. Nos primeiros dias de Maio “a vitória do STAP”, e de todos os que contribuiram para o sucesso do primeiro processo eleitoral em liberdade, foi devidamente celebrada num almoço no Guincho. Cerca de uma semana depois, outras actividades mais prosaicas esperavam o autor deste escrito e os seus camaradas Tenentes no Regimento de Transmissões, no Porto.

Grande Guerra -IV- Divisão de Instrução, manobras de 1916 – 4ª parte

As comunicações na Divisão de Instrução, nas manobras de 1916 

Aniceto Afonso
Jorge Costa Dias

5. As comunicações na Divisão de Instrução – Preparação

5.1 Organização e tarefas
As comunicações nas manobras da Divisão de Instrução em Tancos foram asseguradas pelos militares da Companhia de Telegrafistas por Fio (TPF) e da Companhia de Telegrafistas sem Fio (TSF) do Batalhão de Telegrafistas de Campanha e pelos militares da Companhia de Telegrafistas de Praça.

A Divisão tinha, ao nível do Quartel-General, o Chefe do Serviço Telegráfico, Cap. Soares Branco, nomeado em Fevereiro de 1916.
E como unidades de transmissões das tropas divisionárias:
Uma Secção de Telegrafistas por Fios (TPF)
Uma Secção de Telegrafistas sem Fios (TSF).
Os seus efetivos eram os seguintes:
Secção de TPF – 2 oficiais, 12 sargentos e 92 cabos e soldados;

1 AA secção teleg TPF digitalizado 001(mobilizada)
Secção de TSF (operando apenas um equipamento) – 2 oficiais, 3 sargentos e 26 cabos e soldados.

2 AAsecção telegr TSF digitalizado 001(mobilizada)
Ao nível das unidades operacionais e de apoio existiam como elementos de ligação: Telefonistas, Telegrafistas, Sinaleiros e Estafetas, sendo estes ciclistas ou motociclistas.

Quadro responsáveis pelas comunicações DI mobilizada 001

 

O total do efetivo de comunicações na Divisão de Instrução foi de 824, entre oficiais, sargentos, cabos e soldados.

Vejamos agora o mapa de uma parte da zona onde se realizaram as manobras e se instalou o Comando da Divisão e onde se distinguem as localizações do hospital, da zona de Aringa e do quartel-general.

AA e JCD, As comunicações na Divisão de Instrução V1
Os exercícios utilizaram as estações da rede civil de telégrafos existentes na região.

Imagem15

As estações telegráficas militares estavam ligadas à estação civil mais próxima e era através da rede civil que se ligavam entre si. Notar que a estação militar de Tancos se ligava à estação civil da Barquinha.

Imagem16

 

5.2-Instrução de comunicações – trabalhos prévios

O Quartel-General da Divisão instalou-se em Tancos em 5 de Maio de 1916.
As ligações permanentes existentes eram manifestamente insuficientes, pelo que antes de se iniciarem as manobras agendados para 6 de Junho foi necessário preparar as ligações entre Tancos e Lisboa e entre as forças estacionadas, a fim de garantir o êxito das manobras.
A estação militar de Tancos encontrava-se na Escola de Aplicação de Engenharia (EAE) e ligava-se à estação da Barquinha de dia, e de noite às estações militares de Santarém e Abrantes.
Dado o aumento de tráfego previsto a Direção dos Correios e Telégrafos (DGCT) deu ordens para que as estações civis da Barquinha e Santarém passassem a serviço permanente e que a de Santarém centralizasse o tráfego entre Tancos e Lisboa.
Para ultrapassar as dificuldades foram efetuadas as seguintes ligações:
• Ligação direta a Lisboa por Aringa-Entroncamento-Linha 24 (civil)- Lisboa
• Ligação a Lisboa pela linha Tancos-Barquinha-Linha303-Santarém-Lisboa
• Estabelecimento de uma linha telefónica Tancos–Entroncamento para a Direção de Etapas, com estação intermédia na Barquinha;
• Ligações aos comandos de forças que viriam a constituir-se: Brigadas de Infantaria e Comandos da Artilharia e Cavalaria;
• Linha telegráfica e telefónica para o Casal do Relvão, na zona dos fogos de guerra.
As construções efetuaram-se a uma velocidade de 1 a 2km por dia, devido a terem que ser substituídos quase todos os postes do traçado militar.
A 12 de junho estes trabalhos estavam concluídos.

Para além das linhas, também foram montadas algumas estações, que recebiam, transmitiam e distribuíam o tráfego de comunicações proveniente e destinado às unidades e órgãos da Divisão.
A estação do Quartel-General da Divisão, que era uma estação telegráfica e telefónica, tinha ligações telegráficas a Lisboa (via Entroncamento) e ao casal do Relvão (fogos de guerra); e tinha ligações telefónicas a:
• Estação Militar de Tancos
• 1ª BI (nas casas da Cavalaria)
• Comando Artilharia (no Casal do Pote)
• 2ª B.I. (na entrada da carreira de tiro de Constância)
• Fogos de Guerra (no Casal do Relvão)
• Regimento Cavalaria (Fonte Santa)
• Estação da Barquinha
• Direção de Etapas (Entroncamento)
• Chefe do Estado Maior (no Comando)
• Comando Engenharia e Serviço Telegráfico (na secretaria do Comando)

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A estação militar de Tancos, já existente, tinha uma ligação telegráfica direta à estação telegráfica civil da Barquinha e tinha as seguintes ligações telefónicas:
• Estação do Quartel-General
• Batalhão de Pontoneiros (no Quartel do Batalhão)
• Companhia de Sapadores Mineiros e Ambulância nº2 (na Feiteira)
• Serviços Administrativos (no refeitório)
• Escola de Aplicação de Engenharia
• Ambulância nº1 (Hospital Militar)

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A estação telefónica dupla na Barquinha (civil e militar) estava equipada com um comutador suíço, que possibilitava as mudanças de linhas.

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As ligações telegráficas e telefónicas montadas para a Divisão de Instrução ficaram asseguradas como consta do esquema elaborado na época.

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Grande Guerra -IV- Divisão de Instrução, manobras de 1916 – 3ª parte

As comunicações na Divisão de Instrução, nas manobras de 1916 

Aniceto Afonso
Jorge Costa Dias

 

4. Breve História das Transmissões no Exército Português até 1916

A primeira unidade militar de Transmissões em Portugal foi o Corpo Telegráfico, criado em 1810, pioneiro das telecomunicações militares e civis em Portugal.

regulamento de 1810 corpo telegráfico 80X80

Introduziu no país dois sistemas que revolucionaram as telecomunicações da época no país.Em primeiro lugar, a telegrafia ótica, a qual funcionou com base no telégrafo de ponteiro

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e no telégrafo de postigos

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inventados por Francisco Ciera, que estiveram presentes na defesa das Linhas de Torres, e cuja utilização se prolongou até 1855 na rede nacional, altura em que foi substituída pela telegrafia elétrica.

Em segundo lugar, a telegrafia elétrica, que foi operada pelo Corpo Telegráfico de 1855 a 1864, e posta ao serviço do público nacional e internacional. Começou por utilizar telégrafos Breguet

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Breguet-Telegraph-Transmitt

que foram depois substituídos por mesas de telégrafo Morse.

33-Telég Morse campanha
Em 1864 o Corpo Telegráfico foi extinto. O seu pessoal foi integrado numa organização civil do Ministério das Obras Públicas, a Direção Geral dos Telégrafos e Faróis.
A estratégia para a reintrodução das Transmissões no Exército deveu-se a Fontes Pereira de Melo e traduziu-se na inauguração, em 17 de setembro de 1873, da 1ª rede telegráfica militar com 13 estações, e em 1884, com a criação da Companhia de Telegrafistas do Regimento de Engenharia.

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Em 1901, por decreto de 7 de Dezembro, foi criada a Companhia de Telegrafistas de Praça.
Só com a reorganização do Exército de 1911 é que veio a ser criado, em 1913, o Batalhão de Telegrafistas de Campanha com uma Companhia de Telegrafistas por Fio (TPF) e uma Companhia de Telegrafistas sem Fio (TSF).
Voltando ao século XIX, devemos acrescentar que se assistiu à expansão da rede telefónica, que no início usou o telefone de mesa de Bramão concebido em 1879 por Cristiano Augusto Bramão (oficial do Corpo Telegráfico)

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e que é considerado uma referência a nível internacional, porquanto é o primeiro aparelho do mundo que apresenta, reunidos numa única peça, o auscultador e o microfone.
As redes de comunicações conheceram uma crescente expansão entre os finais do século XIX e início do século XX, como mostram os mapas das redes existentes nesta época:
Rede de pombais, que se manteve até à década de 30 do século XX;

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Rede de heliógrafos, que ainda fazia serviço em 1933.

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A rede telegráfica, que conheceu uma enorme expansão em todo o território nacional, era o principal meio de comunicação quando a Divisão de Instrução se concentrou em Tancos.

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Em relação à telegrafia sem fios (TSF), o Exército realizou em 1901 as primeiras experiências de rádio com material encomendado ao fabricante francês Ducretet, que era constituído por um emissor e por um recetor Ducretet.

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Em 1909 foram adquiridas 4 estações de telegrafia elétrica Telefunken, sendo duas fixas e duas de campanha hipomóveis (MT1 e MT2).

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De 1915 a 1917 foram adquiridas 11 estações Marconi – 5 a dorso, 3 hipomóveis e 3 automóveis.

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Em Abril de 1916 havia no Batalhão de Telegrafistas de Campanha quatro estações de TSF, pois algumas das adquiridas tinham sido mobilizadas com as expedições para Angola e Moçambique.
Eram elas:
Em serviço combinado com a Divisão Naval havia uma estação Telefunken (MT1) em S. Julião da Barra e outra (MT2) em Cascais.
Para mobilizar com a Divisão a constituir, existiam duas estações Marconi (uma MM1 e uma outra MM2), ambas no Batalhão de Telegrafistas de Campanha.