Os AN/PRC-10 e 10A

Post do nosso leitor e colaborador Sr. João Freitas, recebido por msg:

No final da Segunda Guerra Mundial e tendo em conta o êxito do “SCR-300“, os EUA começam a pensar na sua substituição. O rápido avanço da técnica assim o exigia. Após a apreciação de alguns projectos, ficou decidido o início da produção de um dos mais emblemáticos rádios de transporte ao dorso (Walkie-Talkie).

Um conjunto completo AN/PRC-8, 9 ou 10. (foto do manual TM11-612)

Um conjunto completo AN/PRC-8, 9 ou 10.
(foto do manual TM11-612)

Esta nascença não foi singular, mas sim de quadrigémeos que recebem o nome oficial de AN/PRC-8, AN/PRC-9, AN/PRC-10 e AN/PRC-28. Posteriormente os três primeiros modelos tiveram uma pequena alteração a nível electrónico e cosmético, adoptando então respectivamente a designação 8A, 9A, 10A. Toda esta serie de seis aparelhos (exceptuando o PRC-28) foram fabricados sob licença em diversas partes do mundo, nomeadamente em França, Alemanha, Japão, e Israel. Convém precisar que em termos de frequências, somente o PRC-10, e 10A substituem o SCR-300, sendo os restantes modelos destinados a outras armas dentro das forças armadas dos EUA.

O AN/PRC-28 é um infeliz nesta notável família, é o irmão que nasce torto e que nunca vingará, acabando por falecer prematuramente. Este curioso rádio, exteriormente idêntico, perde a sintonia corrida (tem o botão de sintonia substituído por um tampão, nem tem a pequena alavanca de fixação da frequência escolhida) e apenas tem um canal comandado a cristal. A sua produção limitada, não fez história. Estes factos tornaram o PRC-28 uma peça cobiçada por coleccionadores.

O conjunto transportado ao dorso. (foto do manual TM11-612)

O conjunto transportado ao dorso.
(foto do manual TM11-612)

Ainda hoje se discute a utilização do PRC-8, 9 e 10 de forma operacional nos últimos dias do conflito coreano. Registos de ordens e contra-ordens e todo um secretismo, envolvem os seus primeiros passos em combate, apenas se sabe que chegam á Coreia nas últimas horas da guerra, o mesmo se passaria com o AN/PRC-6. Os seis modelos são praticamente iguais, interior e exteriormente, diferindo nas frequências abrangidas (*) e em pequenas modificações a nível electrónico. Como só tivemos nas nossas F. A. o PRC-10 e 10ª (oriundos de vários fabricantes), falaremos deles como de um só se tratasse.

Como é habitual dividem-se em duas partes, uma superiora destinada ao radio e seus comandos (**) em liga leve moldada e uma inferior (em aço ou alumínio), servindo de caixa para a bateria. Tinha esta caixa na sua base um compasso que uma vez aberto permitia que o aparelho ficasse na posição vertical no solo (ver foto). Além do R/T, o conjunto completava-se com um arnês “ST-120” e um pequeno saco “CW-216” onde eram colocadas as duas antenas os seus suportes elásticos e o microauscultador. Este saco era uma evolução estilizada do encontrado no “SCR-300“.

Com o PRC-10 foi introduzido um tipo totalmente novo de antena que veio revolucionar estes imprescindíveis acessórios – a antena de fita de aço “AT-272/PRC“, sendo rapidamente aplicada em modelos posteriores, não só nos EUA, mas por todo o mundo. Inquebrável e totalmente flexível, era o máximo que se podia esperar de um sistema irradiante portátil que estivesse sujeito a uma situação de combate. Alem da antena de fita o AN/PRC-10 podia usar quando utilizado em fixo (preferencialmente), a antena “AT-271/PRC“, com cerca de três metros de altura. Cada uma das antenas tinha um elemento flexível e alvéolos próprios. Apenas como curiosidade, podemos dizer que ela será suplantada pela antena “Kulikova” de origem soviética, mas isso é uma outra história…

Também estava prevista e recebemos antenas de quadro “AT-339“, para fins goniométricos. Como micro auscultador usava o nosso conhecido “H-33/PT“.

Totalmente a válvulas, pode-se dizer que é um dos primeiros rádios a utilizar, no seu bloco electrónico, uma forma verdadeiramente modular e padronização NATO ao nível das tomadas exteriores. Operando em FM e em banda corrida, possuía um cristal para calibração autónoma.

Painel de um PRC-8, 9 ou 10. (foto do manual TM11-612)

Painel de um PRC-8, 9 ou 10.
(foto do manual TM11-612)

O seu painel de comandos estava equipado de uma luz interior para o quadrante, de limitador de ruído e do respectivo botão de volume. Já que estamos a falar do volume de som, podemos dizer que de certa forma, foi o seu calcanhar de Aquiles, pois mesmo no seu máximo e em condições de algum ruído exterior, era por vezes complicado estabelecer uma comunicação eficaz.. Outro elemento que geralmente dava problema, era o pequeno cabo de ligação á pilha. Fino e extremamente flexível, não admitia “violências”, devendo ser tratado com cuidado.

Inicialmente era alimentado por uma grande pilha “BA-279/U” com as tensões de 1,5v, 67.5v e 135v. Posteriormente aparecem inúmeros conversores de cc/cc, que uma vez ligados a uma baixa tensão (geralmente 6 ou 12v), fornecem as mesmas tensões da mencionada pilha (BA-279/U).

Esta forma de obter a energia necessária, era em termos gerais mais económica, pois numa pilha de uma única baixa tensão era muito mais barata e diminuía o problema da deterioração em armazém, como sucedia nas BA-279/U. Para uso veicular, em aeronaves, ou em fixo, realçamos três meios também utilizados em Portugal. Os dois primeiros substituíam totalmente a caixa da bateria, são eles: O alimentador/amplificador de áudio “AM-598/U” (USA), equipado de base elástica e previsto para ser ligado a 24v; o “PP 8910/PRC” com a mesma origem, e feito na firma “Codeco Inc.” similar á caixa original da pilha e com possibilidade de ser ligado a 6, 12, 24v c/c, 110, ou 220v c/a. Usámos também um alimentador feito pela “ACEC” (francês?) com a designação “PP. GI 1178” que para alimentar o conversor, levava 24 pilhas de 1,5v.

Em Julho de 1967 foi testado em Linda-a-Velha (DGMT), com aparente sucesso, um outro conversor substituto da pilha BA-279/U, com a designação “ATR-137”. Não conseguimos saber se este famoso conversor francês, oriundo da firma “Soc. Quartz et Electronique”, foi de facto alguma vez utilizado pelo nosso exército.

O alimentador feito em Portugal e referenciado no texto, junto da sua embalagem original (lado onde o rádio é ligado). (foto do autor)

O alimentador feito em Portugal e referenciado no texto, junto da sua embalagem original (lado onde o rádio é ligado).
(foto do autor)

O mesmo conversor visto do lado oposto (lado das ligações às pilhas). (foto do autor)

O mesmo conversor visto do lado oposto (lado das ligações às pilhas).
(foto do autor)

Portugal não ficará de fora na historia dos acessórios para o PRC-10. Apesar da comprovada operacionalidade de todos os referidos alimentadores é desenvolvido e fabricado no nosso País, em quantidade apreciável (pelo menos 40/50 unidades), um curioso conversor com a designação CTH-5001-BM. Fabricado no “Centro Técnico Hospitalar” (dados fornecidos na embalagem de origem e razão da sua nomenclatura). Apesar de termos visto dezenas de unidades novas, tivemos muita dificuldade em obter informações adicionais sobre o tipo de pilhas usadas e se estaria contemplado um suporte específico para as mesmas. Acrescentamos ainda que, após alguns testes feitos por nós, e contrariamente aos conversores anteriormente apontados, o CTH-5001-BM necessitaria de uma tensão de 6v para fornecer os tais altas voltagens (67.5v + 135v) sendo os 1.5v fornecidos separadamente por uma pilha individual. Apesar de tudo o que sabemos sobre este aparelho, muito gostaríamos de ouvir, da vossa parte, sobre o seu desenvolvimento e verdadeira forma de alimentação, assim como do real número de unidades fabricadas e se houve ou não um manual de fábrica.

Apesar de já vir referenciado no curso de transmissões para oficiais do exército de 1959/60, mas sendo realçado que naquela data ainda não estava ao serviço do exército, vamos encontrar o PRC-10 a caminho dos Dembos, em Angola, em 1961. Deixará o serviço activo nos três ramos das nossas Forças Armadas durante os finais de setenta, princípio de oitenta.

Notas :

(*) AN/PRC-8 e 8A       de 20 a 27.9 Mcs   (para blindados) não usado em Portugal

AN/PRC-9 e 9A       de 27 a 38.9 Mcs   (para artilharia)   não usado em Portugal

AN/PRC-10 e 10A   de 38 a 54.9 Mcs   (para infantaria)

AN/PRC-28             de uma única frequência , não usado em Portugal

(As designações das armas onde seriam usados, apenas se aplicam aos EUA)

 

(**)Designações dos blocos electrónicos:

RT-174 no PRC-8

RT-175 no PRC-9

RT-176 no PRC-10

RT-399/PRC no PRC-28

Quando se trata de uma versão com o prefixo “A”, ao numero do RT é-lhe acrescentado o mesmo prefixo, o mesmo se passa com diversos acessórios e componentes

Ex.: RT-176A corresponde ao bloco electrónico encontrado no AN/PRC-10A

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Apêndice 6 (Autenticação) ao Anexo de Tm à Oop 25 Abril

 

1) Para utilização nas Redes FOXTROT
2) Para utilização nas Redes LIMA

A autenticação consiste num procedimento obrigatório que visa garantir que a entrada de um posto na rede seja uma unidade das nossas forças. Os sistemas de autenticação mais simples, são os constituídos por tabelas com duas entradas. Normalmente o conteúdo das tabelas muda a intervalos de tempo relativamente curtos e previamente combinados, a fim de evitar que o IN consiga decifrar a autenticação. No 25 de Abril foram utilizadas sempre as mesmas tabelas, porque foi assumido que o IN não teria capacidade de as decifrar em tempo oportuno para se introduzir nas redes e tentar prejudicar as operações.

Apendice 6 pg1 de 1 001

 

Apêndice 5 (Lista de códigos de frequências) ao Anexo Tm à OOp 25 Abril

Descrição:

1) Frequências
2) Canais do E/R Racal TR-28
3) Mudanças de canal

Este Apêndice é muito interessante de ler, uma vez que nos permite conhecer a forma expedita, engenhosa e aparentemente simples, utilizada na codificação e descodificação dos requisitos 1), 2) e 3) que constam da Descrição acima. De sublinhar que a matéria deste Apêndice, também se enquadra no princípio de evitar referências em claro a elementos que, se forem detectados pela escuta IN, poderão comprometer o êxito da manobra das Forças Amigas.

Apendice 5 pg 1 de 1

Apêndice 4 (Lista de códigos de Entidades) ao Anexo de Tm à OOp 25 Abril

Codificação e Descodificação de entidades

As observações e recomendações a fazer relativamente a esta lista de códigos, são as mesmas que constam do apêndice 3. Em todo o caso, reafirma-se a proibição de referências em claro a entidades ou outros elementos susceptíveis de fácil identificação pela escuta do IN. De referir que apesar de serem códigos relativamente simples, a sua utilização, prevista para um intervalo de tempo tão curto, não tornava previsível que o IN efectuasse a eventual descodificação em tempo oportuno.

Apendice 4 pg1 de 2

Apendice 4 pg2 de 2 

Apêndice 3 (Lista de códigos de objectivos e locais) ao Anexo de Tm à OOp 25 Abril

Codificação e Descodificação de objectivos e locais

A utilização de códigos destina-se a evitar, senão mesmo a proibir, referências em claro, de objectivos, entidades ou outros elementos susceptíveis de fácil identificação pela escuta do inimigo. Nas Instruções de Coordenação do Anexo de Transmissões, deve constar a forma correcta de como utilizar os códigos em vigor, seja qual for o meio de transmissão utilizado.

Apendice 3 pg1 001

Apendice 3 pg1 001

Apêndice 2 (Lista de códigos/indicativos das unidades) ao Anexo de Tm à OOp 25 Abril

Descrição:

1) Sector Norte – Agrupamento November

2) Sector Centro – Agrupamento Charlie

3) Sector Sul – Agrupamento Sierra

4) Sector de Lisboa – Agrupamento Lima

Durante as conversações via rádio era proíbido identificar as unidades pela sua sigla em claro. Sempre que houvesse necessidade de referir uma qualquer unidade, era obrigatório utilizar o código/indicativo correspondente. Todas as unidades que participaram no MFA em 25ABR, tinham um código atribuido, do qual só tomaram conhecimento através do conteúdo deste apêndice.

Notas:

1. As unidades estão agrupadas por sectores, correspondente à implantação territorial do Exército, que na altura era constituida por quatro Regiões Militares: Norte, Centro, Sul e Lisboa.

2. As redes foram constituidas em função da missão das unidades, conforme determinado na Ordem de Operações; as redes FOXTROT foram constituídas nessa base, mantendo os indicativos dos sectores a que pertenciam, por isso apresentarem a heterogeneidade de indicativos.

3. A rede LIMA apresenta um conjunto de indicativos homogéneo, porque só é constituida por unidades da RML e no cumprimento de missões dentro desta região militar.

 

 

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Apêndice 1 (Esquema das Redes Rádio) ao Anexo de Tm à OOp 25 de Abril

As redes Foxtrot 1 e 2 destinaram-se à ligação do Posto de Comando com as unidades não pertencentes à RML e que actuaram fora de Lisboa. As redes Lima foram destinadas à ligação do PC com todas as unidades que actuaram na região de Lisboa. De referir que as redes foram constituídas com base nas dotações das unidades, a saber: – E/R Racal TR28 para as ligações a distância; – E/R AVP-1, ou do mesmo tipo, para as ligações locais; – E/R das viaturas de Cavalaria. Deve entender-se por ligações locais, as respeitantes ao comando e controlo do movimento e da actividade operacional das sub-unidades dentro de cada unidade.

Notas:

a. Considerando que o TR28, bom para o Teatro de Operações africano, em Portugal não garantia a fiabilidade das comunicações, considerando a distância entre o PC e a maioria das unidades durante o seu deslocamento (inferior a 100Km), as unidades cujo movimento foi na direcção de Lisboa, foram discretamente seguidas por uma viatura civil com 1 ou 2 militares à paisana, que através do telefone civil e a intervalos regulares, foi informando o PC da forma como foi decorrendo o movimento da respectiva unidade.

b. Todas as redes rádio funcionaram em regime de rede dirigida, sendo o posto director o PC do MFA. À hora H, o PC entrou em escuta permanente em todas as redes. Os postos dirigidos só podiam contactar entre si mediante autorização do posto director.

 

2.1 APENDICE 1 ao Anexo A( TRANSMISSÕES)

2.2--APENDICE 1 ao Anexo A( TRANSMISSÕES

Anexo de Tm à OOp 25 Abril 74

Este documento foi elaborado pelo então Tenente-Coronel Garcia dos Santos e descreve ao pormenor as ligações de transmissões do Posto de Comando (PC) do Movimento das Forças Armadas (MFA) localizado no RE 1, na Pontinha, com as unidades participantes. Estas ligações, rádio e telefónicas, permitiram exercer o comando e a coordenação da actividade operacional. As redes rádio permitiram também, quando necessário e sempre após autorização do PC, a coordenação da situação das operações entre as unidades. Todos os contactos através das redes rádio foram obrigatoriamente precedidos de autenticação. O Anexo de Transmissões foi distribuído com a Ordem de Operações a todas as unidades do MFA.

Este Anexo de Transmissões é uma cópia do existente no Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, onde foi entregue pelo então Cap. Salgueiro Maia, portanto corresponde ao que foi distribuido à EPC.

Os apêndices que integram o Anexo de Transmissões são os seguintes:

Apêndice 1 – Esquemas das redes rádio
Apêndice 2 – Lista de códigos / Indicativos das unidades
Apêndice 3 – Lista de códigos de objectivos e locais
Apêndice 4 – Lista de códigos de entidades
Apêndice 5 – Lista de códigos de frequências
Apêndice 6 – Sistemas de autenticação

Cada um destes apêndices será objecto de referência específica num novo artigo.

Na Colecção Visitável do RTm e no Polo de Tm do Museu Militar de Elvas existem referências a todos estes documentos, em espaços dedicados à Arma de Transmissões e o 25 de Abril.

 

2013-09-12 16-52-30_0399

2013-09-12 16-52-46_0400

2013-09-12 16-53-07_0401

2013-09-12 16-53-23_0402

2013-09-12 16-53-38_0403

2013-09-12 16-53-53_0404

2013-09-12 16-54-13_0405

2013-09-12 16-54-29_0406

2013-09-12 16-54-49_0407

E/R PRC 239-6X (IRET) e Amplificador de potência PA 21

E/R VHF FM, completamente transistorizado, o IRET era um pequeno rádio (6x14x20 cm), pesando cerca de 2 kg, que, por meio de dois seletores instalados no painel frontal, permitia selecionar um de 100 canais, controlados por um jogo de 20 cristais internos, na banda dos 47 aos 57 MHz (espaçamento de 50 KHz entre canais).

IRET (PRC 239 + PA 21) da CV do RTm

IRET (PRC 239 + PA 21) da CV do RTm

O IRET com o seu saco de transporte (BAG 55)

O IRET com o seu saco de transporte (BAG 55)

O IRET com os acessórios standard

O IRET com os acessórios standard

Era alimentado, ou por um jogo de 4 pilhas secas de 4,5 V (BA 9), ou por um acumulador de Cd/Ni de 18 V (AL 18/1). A antena habitual era uma antena de fita flexível, cortada para os 52 MHz (meio da gama), mas podia ser ligado a uma antena exterior de 50 Ohm, através de um adaptador (AA-2), quando inserido no amplificador de potência. Como acessórios standard, trazia um saco de transporte (BAG 55), duas correias de transporte (ST 43 e 44), um microtelefone com interruptor “premir para falar” (MT 10A), uma antena de fita em aço (AT 32) e um manual de instruções. O microtelefone, à prova de água, era em alumínio injectado, com uma pastilha do tipo dinâmico, que trabalhava como microfone quando em emissão (quando era premida a patilha) e como um pequeno altifalante quando em recepção, a situação normal. Como carregadores de bateria, podia usar ou o CA-29, para tensões de 11-32 V DC (em viatura), ou o CA-32, para 220 V AC (fixo). Em Africa foi sobretudo usado na Guiné.

O IRET com o carregador de baterias CA-29 instalado

O IRET com o carregador de baterias CA-29 instalado

Fixação das correias para operação a dorso

Fixação das correias para operação a dorso

Com 2 W de saída quando em tensão máxima da alimentação, concebido para trabalhar em pequenas distâncias, o IRET podia contudo ser dotado de um amplificador de potência de 30W (PA 21), igualmente transistorizado, o que lhe aumentava bastante o alcance e permitia instalá-lo, quer como equipamento móvel, em viatura, quer como fixo. Nestes casos, a tensão da fonte de alimentação para o PA 21 era obtida a partir de uma bateria de 12 ou 24 V, sendo que no caso dos 12 V estes eram automaticamente elevados para os 24 através de um conversor DC-DC. Esta unidade de potência (PU 9) era ligada ao PA 21 por meio de 4 fechos de mola. A antena veicular era de chicote, de 1/4 de comprimento de onda (142 cm). O peso deste conjunto, incluindo o suporte anti-vibratório para instalações veiculares (SA 26), era de 8,5 Kg.

PA 21 com o PRC 239-6X introduzido

PA 21 com o PRC 239-6X introduzido

PA 21 com o PRC 239-6X retirado

PA 21 com o PRC 239-6X retirado

Inauguração do Núcleo de Transmissões do Museu Militar de Elvas

Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

Museu Elvas antigo

Quartéis do Casarão na 1ª metade do séc XX

Integrada nas comemorações do 4º aniversário do Museu Militar de Elvas, presididas pelo TGen Campos Gil, Vice-Chefe do Estado Maior do Exército, realizou-se, em 7 de novembro, a inauguração do Núcleo de Transmissões do Museu Militar de Elvas.

Quartéis do Casarão,  â esquerda, Instalações do núcleo de Tm do Museu Militar de Elvas

Quartéis do Casarão
à esquerda, Instalações do núcleo de Tm do Museu Militar de Elvas

As cerimónias mereceram largo destaque nos órgãos de comunicação da cidade encontrando-se na net, poucas horas depois, o relato da cerimónia e uma ampla cobertura fotográfica incluindo a inauguração do Núcleo de Transmissões, a que dedica uma reportagem fotográfica com várias dezenas de fotografias.[1]

A Comissão da História das Transmissões Militares (CHT), convidada a assistir às cerimónias, esteve presente com uma delegação de 11 elementos, encabeçada pelo general Garcia dos Santos.[2]

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As cerimónias demonstraram o crescente dinamismo e capacidade do Museu Militar de Elvas, com a notória valorização das suas coleções.

O núcleo de Transmissões vem constituir uma mais valia e um novo motivo de interesse para o Museu.

No discurso que proferiu, o MGen Santos de Carvalho, atual Diretor da Historia e Cultura Militares do Exército, realçou o papel fundamental do apoio que a CHT prestou à execução deste projeto e afirmou que a Arma de Transmissões constituía um exemplo para todas as outras Armas do Exército no sentido de estarem presentes no Museu Militar de Elvas, como considera ser desejável.

IMG_2550Em relação a esta referência altamente elogiosa à atuação da CHT[3] neste processo que levou à inauguração do Núcleo de Transmissões no Museu convém não esquecer o papel da Direção de História e Cultura Militares e o do Museu Militar de Elvas, responsáveis por todo o processo museológico e pela orientação das obras de adaptação do edifício, o que fizeram com inquestionável brilho.

Penso, assim, que a Direção da História e Cultura Militar está de parabéns pela forma brilhante como soube cumprir o objetivo estabelecido pelo Chefe do Estado Maior de por de pé o Núcleo de Transmissões, integrando e coordenando os diferentes intervenientes.

IMG_2552Em minha opinião, o Núcleo constitui uma evidente mais valia para o atual Museu, esperando que constitua também mais um motivo de atração para os visitantes.

IMG_2555IMG_2554IMG_2556A continuação desta excelente coordenação de esforços assegurará o dinamismo da evolução do Núcleo, como é desejável.

Não ficaria bem comigo próprio se não aproveitasse a oportunidade para evocar uma figura cuja ação constitui a origem remota da inauguração do Núcleo de Transmissões do Museu Militar de Elvas.

Com efeito, se não fosse a ação do coronel  Guilherme Bastos Moreira, que durante décadas se dedicou à construção da notável da coleção de material que constitui a CV do RT, não teríamos hoje o Núcleo de Transmissões em Elvas.

Cor Engº Guilherme Bastos Moreira

Cor Engº Guilherme Bastos Moreira

A sequência de factos que antecedem a criação deste núcleo Museológico de Transmissões pode ser vista da seguinte maneira:

  • Em 2002 morreu o cor Bastos Moreira, pondo em causa a continuidade da CV do RT. A pedido do Comandante do RT[4] foi criado o “Grupo dos amigos do Museu”  (mais tarde integrado na CHT) que conseguiu a reabertura da CV.
  • Em 2008, a pedido da Fundação Portuguesa das Comunicações (FPC), o Exército aceita participar numa exposição organizada pela Fundação relativa às comunicações das Forças Armadas, na qual o material exposto era fundamentalmente da CV do RT.
  • Esta exposição temporária teve sucesso, esteve aberta ao público cerca de um ano, mas teve como consequência que a CV esteve fechada e só conseguiu reabrir no corrente ano.[5]
  • A CHT, em 2009, após terminada a exposição da FPC, propôs ao general CEME a remodelação da CV do RT, de acordo com a experiência colhida e com o apoio da FPC.
  • O general CEME concordou com a proposta mas determinou que a DHCM, com o apoio da CHT, constituísse o Núcleo de Transmissões no Museu de Elvas, que quatro anos depois é agora concretizado.

É evidente que a criação do Museu Militar de Elvas em 2009, a exposição da FPC (que deu projeção à CV do RT), a decisão do general CEME de instalar o Núcleo em Elvas e o apoio que deu ao projeto, bem como as atuações da DHCM, Museu de Elvas e da CHT na execução do projeto, levaram a que ao fim de quatro anos tivesse sido possível a inauguração do Núcleo.

Porém, nada disso teria sido possível sem os notáveis legados – a coleção de material de transmissões e as “Notas” que escreveu – que devemos ao saudoso coronel Bastos Moreira e que, sobretudo em momentos como este,  parece da maior justiça recordar.


[1] Acesso através do Google com entrada “aniversário do Museu Militar de Elvas”.

[2] De referir que cerca de um ano antes, a CHT fez uma visita ao Museu (Ver post de 18 de Novembro de 2012).

[3] Os elementos da CHT que mais se distinguiram neste processo de criação do Núcleo de Elvas foram o MGen Pena Madeira e o coronel Costa Dias

[4] Coronel Edorindo Ferreira

[5] O grande impulsionador desta remodelação, feita a pedido do Comandante de RT, foi o coronel Costa Dias

Revisitando Elvas

Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

Em finais do ano passado, tivemos o prazer de participar na visita que a  Comissão de História das Transmissões fez a Elvas e que foi objeto do post deste Blogue de 18 de Novembro de 2012 (clique aqui para lhe aceder directamente).

Como se referiu, destacaram-se o Museu Militar, que era o objetivo principal dado que a CHT está a colaborar na instalação Núcleo de Transmissões no Museu, o Castelo de Elvas e o forte da Graça.

A visita encantou-nos, mas todos ficámos com a sensação de que Elvas tinha muito mais para ver do que aquilo que tínhamos podido visitar e, pela minha parte, não perdi a primeira oportunidade que apareceu para voltar a Elvas.

A nova visita  teve a particularidade de ter sido guiada pelo Tenente Coronel Ribeiro, o nosso – e excelente –  guia na visita anterior e incidiu sobre locais diferentes dos contemplados na primeira visita.

Como gostei muito do que vi e fiquei de novo com a sensação de que não visitara tudo quanto gostaria de ver em Elvas, pensei que uma vez que a CHT não deixará, certamente, de voltar a Elvas após a instalação do Núcleo de Transmissões, no Museu Militar  tinha alguma oportunidade uma pequena notícia sobre os “encantos de Elvas” que só agora “descobri” (Embora não deixe, evidentemente, de reconhecer que, nesta matéria, outros membros da CHT o possam fazer muito melhor do que eu, e certamente que o farão pois Elvas merece mais e melhor).

Uma forma que encontrei de complementar a visita do ano passado foi procurar acentuar aqui quais as grandes novidades que me trouxe a nova visita a Elvas, dar uma boa notícia que o tenente coronel Ribeiro nos transmitiu e também acentuar o que eu desejava ver mas que, de novo, não houve tempo para visitar.

As grandes novidades desta visita

Vou apenas destacar aqui três dos inúmeros motivos de interesse que nos foram apresentados pelo tenente coronel  Ribeiro  (a Torre Fernandina, a Igreja de Nossa Senhora da Assunção (Antiga Sé)  e o Forte de Santa Luzia) e apresentar as razões que me levaram a pensar que acrescentavam mais qualquer coisa de significativo à visita anterior.

 

A vista da cidade da Torre Fernandina

Torre FNa visita anterior tivemos ocasião de apreciar vistas da cidade de Elvas muito bonitas, nomeadamente do Castelo, da zona do Museu Militar ou do Forte de Santa Luzia.

Porém, a vista da Torre Fernandina, uma torre do século XIV aberta ao público com uma exposição permanente, é deslumbrante.
Vale bem a pena subir ao terraço e daí desfrutar a bela vista da cidade.

A Igreja de Nossa  Senhora da Assunção (antiga Sé)

Antiga SeNo local da atual Igreja já existia outra, em estilo gótico, em 1517. A partir deste ano e até 1537 decorreram obras, conduzidas provavelmente por Francisco Arruda, o arquiteto da torre de Belém, que lhe introduziram o estilo manuelino.

Em 1570 Elvas passou a ser diocese e a catedral ascendeu a , situação que durou até 1881, quando a diocese foi extinta.

Durante mais de três séculos a Igreja teve em Elvas enorme importância.  Os diferentes bispos introduziram sucessivas alterações na Sé.

Na primeira visita ficara com a ideia que, com a enorme quantidade de efetivos concentrados em Elvas, onde chegavam a estar 80.000 homens, o Exército parecia ser a grande força dominante.

Na verdade a Igreja também tinha o seu peso. O tenente coronel Ribeiro contou uma história, que ilustra a afirmação desse poder. Diz respeito ao pórtico de entrada da Igreja que, conforme se pode ver na foto é um sóbrio pórtico neoclássico. Foi mandado construir por um bispo em substituição do pórtico manuelino existente, porque “estava fora de moda” e do qual não existem rastos.

  

O forte de Santa Luzia

Na visita anterior visitámos o Forte da Graça, uma autêntica jóia da arquitetura militar, cujo estado de conservação era desolador.

Forte SLA visita ao Forte de Santa Luzia, cuja fotografia se apresenta, e que constitui outra  obra prima da arquitetura militar, com elevada qualidade estética e considerada a mais importante fortaleza do século VII em território nacional. Encontra-se, ao contrário do forte de Elvas, em excelente estado de conservação.

Mas a grande novidade que o tenente coronel Ribeiro nos deu é que a recuperação do forte da Graça estava em vias de resolução, o que esperava concretizar-se no dia 10 de Junho, em que Elvas foi a cidade onde se comemorou o dia de Portugal.

O que gostaria de ter visto

O tenente coronel Ribeiro falou-nos de dois Museus importantes de Elvas que mereciam uma visita. Um era o de Arte Contemporânea, que segundo ele é um dos museus de arte contemporânea mais importantes do país e o Museu de fotografia. Em especial o primeiro talvez justifique uma próxima ida a Elvas…

Reflexões Museológicas

Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

Como tenho afirmado, considero importante a experiência que vai sendo adquirida na remodelação da Coleção Visitável do Regimento de Transmissões com vista a encarar a cooperação, que compete à CHT realizar, na constituição do Núcleo de Transmissões do Museu de Elvas.

É, no fim de contas, uma forma de aplicação do princípio de “aprender a fazer museus, fazendo”, tal como praticámos em relação à História.

Com efeito, partiu-se do princípio de que a realização de uma obra mais limitada, visto que na CV do RT apenas se pretendia que dissesse respeito às Transmissões Permanentes, ajudaria a realizar a obra de âmbito muito mais vasto que era a do Núcleo de Elvas, em que se apresentavam Comunicações Permanentes e de Campanha.

Havia uma inovação importante que se pretendia implantar na CV do RT que era considerar que a base do projeto de remodelação consistia em que a CV era feita para “contar aos visitantes a história das Transmissões Permanentes do Exército”. Assim, para cada um dos diferentes períodos em que foram divididos os 200 anos de história que se pretende contar (de 1810 à atualidade), havia que elaborar previamente a respetiva “visita guiada”.

A finalidade da CV era permitir que o visitante aprendesse a evolução das Transmissões Permanentes. Os objetos expostos permitiam ilustrar a história que a CV pretendia contar. Nela não tinham cabimento outros objetos que nada tivessem a ver com essa história ou cuja utilização nem sequer fosse conhecida.

Na visita que fizemos ao atual Museu Militar de Elvas tivemos ocasião de confirmar a viabilidade deste conceito não só porque a visita guiada  ao Museu, realizada pelo TCor Ribeiro foi essencial para a compreensão da exposição, como também este oficial me comunicou a sua opinião favorável ao conceito que lhe expus e que estava a ser adotado na CV do RT.

Recentemente tive oportunidade de expor a um familiar e amigo, familiarizado com a área dos Museus, o problema básico que consiste em sabe qual o critério que se deve adotar para que uma peça seja exposta no museu, e se considerava válida a nossa ideia de expor os objetos no sentido de melhor “contarmos a história que pretendermos transmitir aos visitantes”.

A resposta foi francamente positiva. Aconselhou-me também a leitura de uma publicação do Conselho Internacional de Museus (ICOM), da UNESCO, com sede em Paris,  “Conceitos Chave de Museologia”, de André Desraillees e François Mairesse, 2010.

Dessa publicação limitamo-nos a transcrever algumas passagens que nos parecem suficientes para validar a nossa tese:

  • “Os objetos expostos devem considerar-se menos como coisas, do ponto de vista da sua realidade física, do que como entes de linguagem… Numa exposição os objetos são utilizados como signos do mesmo modo que as palavras num discurso…” (pág.63)
  • “Desde o momento que os objetos se consideram elementos de linguagem permitem construir exposições-discurso…(pág.64)
  • “O objeto não é para nada verdade de nada; polifuncional primeiro, polisémico depois, só faz sentido se posto num conceito (Hainard,1984) (pág.65)

Inserir os objetos expostos no discurso da Visita guiada que orienta a exposição é, assim, a sua necessária contextualização.

Galeria

Os ‘8 Magníficos’ das Guerras de África

Esta galeria contém 8 imagens.

Durante os mais de 13 anos que duraram as guerras em Angola, Guiné e Moçambique, muitos foram os rádios utilizados em campanha, alguns deles tendo servido também as ligações fixas. De uma situação no início de 1961 de quase completa … Continuar a ler

R-174/GRR

Receptor AM/CW de campanha. Integrado numa pequena rack (CY-615/URR) de 2 chassis:
* Rádio receptor R-174
* Power supply mais speaker PP-308/URR.
Receptor superheterodino a válvulas (11), Banda 1,5 a 18 MHz, em 4 faixas, sintonia continua com 10 possiveis pre-sets.
Construido pelas firmas Emerson Radio, Motorola e Zenith Radio.
Manual: TM 11-295, Agosto 1952.
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