As fotos dos leitores (13)

A propósito do postal “Dois pedidos de leitores” aqui publicado em 12ABR14 (e que pode ser visto clicando aqui), o nosso leitor Sr Artur Varela teve a amabilidade de nos enviar algumas fotografias de dois equipamentos que possui e das respectivas caixas, só que estas em metal, ao contrário da primeiramente aqui apresentada, das OGME, que era em madeira. Segundo o Cor Jorge Costa Dias, trata-se da lanterna Lucas.
Lucas3Lucas5Lucas1Lucas2Lucas6Lucas4Lucas7

Enviou-nos também uma fotografia de um telégrafo Herrmann, uma preciosidade que igualmente possui e que abaixo é reproduzida:
Herrmann

O “AN/GRC-9” da I.R.E.T.

Post do nosso leitor sr João Freitas, recebido por msg:

A saga do nosso conhecido AN/GRC-9 é complexa e muitas das vezes desconhecida. Confundido muitas vezes com o SCR-694, de onde provém e que, como dissemos num anterior artigo, também tivemos numerosos exemplares, foi posteriormente copiado na China, na União Soviética, na Jugoslávia e em Itália. Será do modelo italiano que tentaremos falar neste pequeno artigo. Quando nos referimos a cópias, não falamos de toda uma produção realizada sob licença, mas sim a verdadeiras tentativas, melhoradas ou não, de reproduzir um vencedor.

Pensamos que o aparelho que vos trazemos agora é, no dia de hoje, completamente desconhecido. Vindo em pequenos números para o nosso Exército e Marinha de Guerra teve uma permanência tão efémera quanto interessante foi a sua história e a história do seu fabricante, a I.R.E.T. italiana!

Presumimos, pelo muitíssimo pouco que existe sobre este raro rec./trans., que deverá ter chegado às nossas fileiras mesmo no final da década de sessenta, principio de setenta (1971?). Tivemos conhecimento dele por uns quantos “esqueletos” em sucateiros, algumas fotografias de testes e de fábrica, e de dois exemplares completamente novos e com todos os seus acessórios, salvos da ira do terrível martelo . . .

A “ I.R.E.T.” é criada por Vladimir Spacapan, um italiano de origem sérvia. Nesta sociedade estava presente capital (minoritário 49.89%) de origem jugoslavo, representado pela firma suíça “Multihold A.G.”. De certa forma explica-se, por isso, e pela proximidade territorial, a existência de fábricas “I.R.E.T.” na antiga Jugoslávia (sob o nome “BERO”, “ELECTRA” ou “ISKRA”) que fabricavam aparelhos exatamente iguais a alguns dos aparelhos que passaram, em boa hora, por Portugal. Embora seja “fumo da nossa chaminé” quem nos diz que alguma desta produção não terá ido parar às mãos de alguns exércitos independentistas que, então, estavam em guerra connosco (1961/74)? A confirmar-se isto, o senhor Spacapan venderia a toda a gente e viveria mais ou menos feliz…

Versão Jugoslava do IRET que passou por Portugal. As duas em tudo são iguais. Reparar na utilização de fichas tipo NATO. (foto Internet)

Versão Jugoslava do IRET que passou por Portugal. As duas em tudo são iguais. Reparar na utilização de fichas tipo NATO.
(foto Internet)

Este I.R.E.T. (desconhecemos a sua verdadeira designação) foi um excelente exemplo do que foi dito no parágrafo anterior tendo sido também manufaturado na Jugoslávia com a designação “RUP-4”, sendo os dois aparelhos exatamente iguais. Os seus volumes e parecenças exteriores com o AN/GRC-9, assim como de alguns dos seus acessórios, são gritantes. Apesar de serem similares exteriormente, todo o bloco eletrónico era diferente do modelo americano, recorrendo a sistemas transistorizados mais modernos e de mais fácil alimentação. O recetor (1R12 Mod H) era posto a trabalhar com duas pilhas de 4.5v e o transmissor (T20) com uma unidade exterior (TN20) fornecedora das tensões necessárias. A gama de frequências (HF) era a mesma do GRC-9.

Muito gostaríamos de saber mais sobre a permanência deste aparelho em Portugal. Esperamos que com a vossa imprescindível colaboração se vá deslindando toda uma história ainda por escrever.

Creiam-nos não estarmos a falar de forma doutoral, como sabedores de uma verdade absoluta. Apenas tentamos lançar bases para se iniciarem mais discussões construtivas que nos levem à aproximação de uma verdade. O tempo vai passando, as memórias, assim como as pessoas vão-se, naturalmente, perdendo e se não se aproveita o que ainda resta e se escreve sobre um passado tão recente como desconhecido, o nosso futuro histórico ficará minimizado.

Os AN/PRC-10 e 10A

Post do nosso leitor e colaborador Sr. João Freitas, recebido por msg:

No final da Segunda Guerra Mundial e tendo em conta o êxito do “SCR-300“, os EUA começam a pensar na sua substituição. O rápido avanço da técnica assim o exigia. Após a apreciação de alguns projectos, ficou decidido o início da produção de um dos mais emblemáticos rádios de transporte ao dorso (Walkie-Talkie).

Um conjunto completo AN/PRC-8, 9 ou 10. (foto do manual TM11-612)

Um conjunto completo AN/PRC-8, 9 ou 10.
(foto do manual TM11-612)

Esta nascença não foi singular, mas sim de quadrigémeos que recebem o nome oficial de AN/PRC-8, AN/PRC-9, AN/PRC-10 e AN/PRC-28. Posteriormente os três primeiros modelos tiveram uma pequena alteração a nível electrónico e cosmético, adoptando então respectivamente a designação 8A, 9A, 10A. Toda esta serie de seis aparelhos (exceptuando o PRC-28) foram fabricados sob licença em diversas partes do mundo, nomeadamente em França, Alemanha, Japão, e Israel. Convém precisar que em termos de frequências, somente o PRC-10, e 10A substituem o SCR-300, sendo os restantes modelos destinados a outras armas dentro das forças armadas dos EUA.

O AN/PRC-28 é um infeliz nesta notável família, é o irmão que nasce torto e que nunca vingará, acabando por falecer prematuramente. Este curioso rádio, exteriormente idêntico, perde a sintonia corrida (tem o botão de sintonia substituído por um tampão, nem tem a pequena alavanca de fixação da frequência escolhida) e apenas tem um canal comandado a cristal. A sua produção limitada, não fez história. Estes factos tornaram o PRC-28 uma peça cobiçada por coleccionadores.

O conjunto transportado ao dorso. (foto do manual TM11-612)

O conjunto transportado ao dorso.
(foto do manual TM11-612)

Ainda hoje se discute a utilização do PRC-8, 9 e 10 de forma operacional nos últimos dias do conflito coreano. Registos de ordens e contra-ordens e todo um secretismo, envolvem os seus primeiros passos em combate, apenas se sabe que chegam á Coreia nas últimas horas da guerra, o mesmo se passaria com o AN/PRC-6. Os seis modelos são praticamente iguais, interior e exteriormente, diferindo nas frequências abrangidas (*) e em pequenas modificações a nível electrónico. Como só tivemos nas nossas F. A. o PRC-10 e 10ª (oriundos de vários fabricantes), falaremos deles como de um só se tratasse.

Como é habitual dividem-se em duas partes, uma superiora destinada ao radio e seus comandos (**) em liga leve moldada e uma inferior (em aço ou alumínio), servindo de caixa para a bateria. Tinha esta caixa na sua base um compasso que uma vez aberto permitia que o aparelho ficasse na posição vertical no solo (ver foto). Além do R/T, o conjunto completava-se com um arnês “ST-120” e um pequeno saco “CW-216” onde eram colocadas as duas antenas os seus suportes elásticos e o microauscultador. Este saco era uma evolução estilizada do encontrado no “SCR-300“.

Com o PRC-10 foi introduzido um tipo totalmente novo de antena que veio revolucionar estes imprescindíveis acessórios – a antena de fita de aço “AT-272/PRC“, sendo rapidamente aplicada em modelos posteriores, não só nos EUA, mas por todo o mundo. Inquebrável e totalmente flexível, era o máximo que se podia esperar de um sistema irradiante portátil que estivesse sujeito a uma situação de combate. Alem da antena de fita o AN/PRC-10 podia usar quando utilizado em fixo (preferencialmente), a antena “AT-271/PRC“, com cerca de três metros de altura. Cada uma das antenas tinha um elemento flexível e alvéolos próprios. Apenas como curiosidade, podemos dizer que ela será suplantada pela antena “Kulikova” de origem soviética, mas isso é uma outra história…

Também estava prevista e recebemos antenas de quadro “AT-339“, para fins goniométricos. Como micro auscultador usava o nosso conhecido “H-33/PT“.

Totalmente a válvulas, pode-se dizer que é um dos primeiros rádios a utilizar, no seu bloco electrónico, uma forma verdadeiramente modular e padronização NATO ao nível das tomadas exteriores. Operando em FM e em banda corrida, possuía um cristal para calibração autónoma.

Painel de um PRC-8, 9 ou 10. (foto do manual TM11-612)

Painel de um PRC-8, 9 ou 10.
(foto do manual TM11-612)

O seu painel de comandos estava equipado de uma luz interior para o quadrante, de limitador de ruído e do respectivo botão de volume. Já que estamos a falar do volume de som, podemos dizer que de certa forma, foi o seu calcanhar de Aquiles, pois mesmo no seu máximo e em condições de algum ruído exterior, era por vezes complicado estabelecer uma comunicação eficaz.. Outro elemento que geralmente dava problema, era o pequeno cabo de ligação á pilha. Fino e extremamente flexível, não admitia “violências”, devendo ser tratado com cuidado.

Inicialmente era alimentado por uma grande pilha “BA-279/U” com as tensões de 1,5v, 67.5v e 135v. Posteriormente aparecem inúmeros conversores de cc/cc, que uma vez ligados a uma baixa tensão (geralmente 6 ou 12v), fornecem as mesmas tensões da mencionada pilha (BA-279/U).

Esta forma de obter a energia necessária, era em termos gerais mais económica, pois numa pilha de uma única baixa tensão era muito mais barata e diminuía o problema da deterioração em armazém, como sucedia nas BA-279/U. Para uso veicular, em aeronaves, ou em fixo, realçamos três meios também utilizados em Portugal. Os dois primeiros substituíam totalmente a caixa da bateria, são eles: O alimentador/amplificador de áudio “AM-598/U” (USA), equipado de base elástica e previsto para ser ligado a 24v; o “PP 8910/PRC” com a mesma origem, e feito na firma “Codeco Inc.” similar á caixa original da pilha e com possibilidade de ser ligado a 6, 12, 24v c/c, 110, ou 220v c/a. Usámos também um alimentador feito pela “ACEC” (francês?) com a designação “PP. GI 1178” que para alimentar o conversor, levava 24 pilhas de 1,5v.

Em Julho de 1967 foi testado em Linda-a-Velha (DGMT), com aparente sucesso, um outro conversor substituto da pilha BA-279/U, com a designação “ATR-137”. Não conseguimos saber se este famoso conversor francês, oriundo da firma “Soc. Quartz et Electronique”, foi de facto alguma vez utilizado pelo nosso exército.

O alimentador feito em Portugal e referenciado no texto, junto da sua embalagem original (lado onde o rádio é ligado). (foto do autor)

O alimentador feito em Portugal e referenciado no texto, junto da sua embalagem original (lado onde o rádio é ligado).
(foto do autor)

O mesmo conversor visto do lado oposto (lado das ligações às pilhas). (foto do autor)

O mesmo conversor visto do lado oposto (lado das ligações às pilhas).
(foto do autor)

Portugal não ficará de fora na historia dos acessórios para o PRC-10. Apesar da comprovada operacionalidade de todos os referidos alimentadores é desenvolvido e fabricado no nosso País, em quantidade apreciável (pelo menos 40/50 unidades), um curioso conversor com a designação CTH-5001-BM. Fabricado no “Centro Técnico Hospitalar” (dados fornecidos na embalagem de origem e razão da sua nomenclatura). Apesar de termos visto dezenas de unidades novas, tivemos muita dificuldade em obter informações adicionais sobre o tipo de pilhas usadas e se estaria contemplado um suporte específico para as mesmas. Acrescentamos ainda que, após alguns testes feitos por nós, e contrariamente aos conversores anteriormente apontados, o CTH-5001-BM necessitaria de uma tensão de 6v para fornecer os tais altas voltagens (67.5v + 135v) sendo os 1.5v fornecidos separadamente por uma pilha individual. Apesar de tudo o que sabemos sobre este aparelho, muito gostaríamos de ouvir, da vossa parte, sobre o seu desenvolvimento e verdadeira forma de alimentação, assim como do real número de unidades fabricadas e se houve ou não um manual de fábrica.

Apesar de já vir referenciado no curso de transmissões para oficiais do exército de 1959/60, mas sendo realçado que naquela data ainda não estava ao serviço do exército, vamos encontrar o PRC-10 a caminho dos Dembos, em Angola, em 1961. Deixará o serviço activo nos três ramos das nossas Forças Armadas durante os finais de setenta, princípio de oitenta.

Notas :

(*) AN/PRC-8 e 8A       de 20 a 27.9 Mcs   (para blindados) não usado em Portugal

AN/PRC-9 e 9A       de 27 a 38.9 Mcs   (para artilharia)   não usado em Portugal

AN/PRC-10 e 10A   de 38 a 54.9 Mcs   (para infantaria)

AN/PRC-28             de uma única frequência , não usado em Portugal

(As designações das armas onde seriam usados, apenas se aplicam aos EUA)

 

(**)Designações dos blocos electrónicos:

RT-174 no PRC-8

RT-175 no PRC-9

RT-176 no PRC-10

RT-399/PRC no PRC-28

Quando se trata de uma versão com o prefixo “A”, ao numero do RT é-lhe acrescentado o mesmo prefixo, o mesmo se passa com diversos acessórios e componentes

Ex.: RT-176A corresponde ao bloco electrónico encontrado no AN/PRC-10A

Reportagem da SIC sobre as Tm

Na próxima terça-feira, dia 22 de Abril, no decurso do telejornal das 20H00, a SIC deverá passar uma reportagem do jornalista Lourenço Medeiros sobre “As Comunicações do Exército 40 anos depois de 1974”, em que participa o MGen Arnaut Moreira, na sua qualidade de DCSI (Diretor de Comunicações e Sistemas de Informação).

No seu decurso, entre os vários aspectos abordados, será também mostrado o “ressuscitar de um TR-28”, com uma bateria do PRC-425, a falar em HF com um PRC-525, devendo ainda ser feita uma referência ao Blogue das Transmissões, a propósito do Anexo de Transmissões da OOp do 25 de Abril e seus apêndices, que aqui têm vindo a ser divulgados nestes dias que antecedem a data de 25 de Abril.

Em tempo (atualização):

A reportagem da SIC sobre as Tm, para além de ter sido prestigiante para a Arma, teve uma boa intervenção do MGen Arnaut Moreira (DCSI), um curioso “ressuscitar” do TR-28 (utilizando uma bateria do PRC-425, visto que a de origem já não funciona), aliciante para os milhares de portugueses que com ele trabalharam, deu uma boa imagem das capacidades técnicas actuais da nossa Arma, mas, sobretudo para nós, CHT, foi um enorme sucesso, dado o disparo, não encontro outro termo, que se deu nos acessos ao nosso blogue.
Estat_blogFactos: Registei, imediatamente antes da hora do programa, 106.620 visitas às diferentes página do blogue, desde que foi lançado; mal acabou a reportagem, já havia 106.735; à meia-noite, o contador registava 107.675 visitas, efeito que se prolongou pelo dia seguinte.
Quanto ao numero de visitantes diferentes no dia 22, foram 361, que fizeram um total de 1.193 visitas (1.150 de Portugal).
Infelizmente, continua é a verificar-se uma fraca participação de ex-militares de Tm, sobretudo dos quadros de Man e Expl.

Para os leitores que não tiveram ocasião de ver a reportagem, carreguei-a no youtube, pelo que aqui fica o respetivo link:

http://youtu.be/sbT5n7qCifo

Mala-estojo de campanha para Centro de mensagens (1885)

Mala do Serviço telegráfico de campanha utilizada pelo Exército português nos finais do séc XIX (fornecida pela casa Herrmann), fechada para transporte, com dois compartimentos assimétricos no interior, garantindo quando aberta uma inclinação adequada à escrita:

IMG_0810Conteúdo da mala estojo, tal como inscrito no interior de um dos compartimentos:

No exemplar existente na CV do RTm faltam o canivete, folhas de papel mataborrão e a régua originais

No exemplar existente na CV do RTm faltam o canivete, folhas de papel mataborrão e a régua originais

Distribuição de alguns dos artigos necessários à escrita, quando aberta:

IMG_0806Interior de um dos dois compartimentos (o outro, mais fino, contém os 6 cadernos de papel para escrituração das msgs):

Do lado esquerdo, a palmatória em latão e do lado direito, o tinteiro, também em latão, além de diversos artigos arrumados para o transporte

Do lado esquerdo, a palmatória em latão e do lado direito, o tinteiro, também em latão, além de diversos artigos arrumados para o transporte

Impressos de mensagens:

IMG_0807

E/R PRC 239-6X (IRET) e Amplificador de potência PA 21

E/R VHF FM, completamente transistorizado, o IRET era um pequeno rádio (6x14x20 cm), pesando cerca de 2 kg, que, por meio de dois seletores instalados no painel frontal, permitia selecionar um de 100 canais, controlados por um jogo de 20 cristais internos, na banda dos 47 aos 57 MHz (espaçamento de 50 KHz entre canais).

IRET (PRC 239 + PA 21) da CV do RTm

IRET (PRC 239 + PA 21) da CV do RTm

O IRET com o seu saco de transporte (BAG 55)

O IRET com o seu saco de transporte (BAG 55)

O IRET com os acessórios standard

O IRET com os acessórios standard

Era alimentado, ou por um jogo de 4 pilhas secas de 4,5 V (BA 9), ou por um acumulador de Cd/Ni de 18 V (AL 18/1). A antena habitual era uma antena de fita flexível, cortada para os 52 MHz (meio da gama), mas podia ser ligado a uma antena exterior de 50 Ohm, através de um adaptador (AA-2), quando inserido no amplificador de potência. Como acessórios standard, trazia um saco de transporte (BAG 55), duas correias de transporte (ST 43 e 44), um microtelefone com interruptor “premir para falar” (MT 10A), uma antena de fita em aço (AT 32) e um manual de instruções. O microtelefone, à prova de água, era em alumínio injectado, com uma pastilha do tipo dinâmico, que trabalhava como microfone quando em emissão (quando era premida a patilha) e como um pequeno altifalante quando em recepção, a situação normal. Como carregadores de bateria, podia usar ou o CA-29, para tensões de 11-32 V DC (em viatura), ou o CA-32, para 220 V AC (fixo). Em Africa foi sobretudo usado na Guiné.

O IRET com o carregador de baterias CA-29 instalado

O IRET com o carregador de baterias CA-29 instalado

Fixação das correias para operação a dorso

Fixação das correias para operação a dorso

Com 2 W de saída quando em tensão máxima da alimentação, concebido para trabalhar em pequenas distâncias, o IRET podia contudo ser dotado de um amplificador de potência de 30W (PA 21), igualmente transistorizado, o que lhe aumentava bastante o alcance e permitia instalá-lo, quer como equipamento móvel, em viatura, quer como fixo. Nestes casos, a tensão da fonte de alimentação para o PA 21 era obtida a partir de uma bateria de 12 ou 24 V, sendo que no caso dos 12 V estes eram automaticamente elevados para os 24 através de um conversor DC-DC. Esta unidade de potência (PU 9) era ligada ao PA 21 por meio de 4 fechos de mola. A antena veicular era de chicote, de 1/4 de comprimento de onda (142 cm). O peso deste conjunto, incluindo o suporte anti-vibratório para instalações veiculares (SA 26), era de 8,5 Kg.

PA 21 com o PRC 239-6X introduzido

PA 21 com o PRC 239-6X introduzido

PA 21 com o PRC 239-6X retirado

PA 21 com o PRC 239-6X retirado

Material português de Transmissões na Feira Popular, em 1947

1947_Festas-de-LisboaNo âmbito das celebrações dos 800 anos da conquista da cidade de Lisboa aos mouros (14 de Maio de 1147), realizaram-se em 1947 diversas comemorações, com larga adesão popular, de que se destacam:
– um grande cortejo histórico pelas ruas da capital, com direcção do cineasta e dramaturgo Leitão de Barros, no dia 6 de Julho (cortejo que foi depois repetido a 20 de julho, aquando da visita de Eva Peron a Lisboa), com a participação de representações de todos os territórios ultramarinos que Portugal possuía à época (nesta ocasião, Antonio Lopes Ribeiro realizou para a CML um raro documentário, a cores, que pode ser visto aqui).

Uma imagem do "Carro de Lisboa", desfilando frente à tribuna, no dia 6 de julho

Uma imagem do “Carro de Lisboa”, desfilando frente à tribuna, no dia 6 de julho de 1947

– e uma Feira de Amostras, integrada nas mesmas comemorações e realizada nas instalações de Palhavã da Feira Popular (nos terrenos onde hoje se localiza a Fundação Gulbenkian):

Diário de Lisboa de 28 de Maio de 1947

Diário de Lisboa, edição de 28 de Maio de 1947

Anúncio pago na edição do dia 29

Anúncio pago na edição do dia seguinte do mesmo jornal

O Ministério da Guerra, como outros ministérios, construiu de propósito nas instalações da Feira um pavilhão, onde o público podia  observar diversos equipamentos, materiais e actividades do Exército:Ministerio_Guerra_1947De destacar, os equipamentos de Transmissões na altura em uso pelo Exército e que eram fabricados nas OGME – Oficinas Gerais de Material de Engenharia (sobretudo telefones e indicadores telefónicos, mas também aparelhagem de laboratório, material rádio e aparelhos ópticos):

Material-de-Transmissoes-feirapop_29MAI47Material-de-Transmisses_feira_pop_idemFontes das imagens: Fundação Gulbenkian e Fundação Mário Soares

WIRELESS SET 38 MKII / Posto 38 (P. 38)

Post do nosso leitor e colaborador Sr João Freitas, recebido por msg:

De origem inglesa, o Wireless Set 38 Mk. II adota em Portugal a designação de “P.38” (Posto 38). Inicialmente concebido como um radio rec/trm para a infantaria, encontrou posteriormente, “abrigo” dentro de alguns veículos blindados com a mesma origem (geralmente acoplado a um Wireless Set 19/P-19/Posto 19, o mesmo aconteceu com o Wireless Set 88, sobre o qual falaremos mais tarde.

O seu desenho e construção muito simples e um certo ar de “feito-à-pressa”, traduzem bem a necessidade que, em tempo de guerra, o Reino Unido teve de rapidamente, mas com alguma qualidade para o fim em vista, produzir aparelhos específicos. Relembra-se aqui que este recetor/transmissor, como o seu nome indica, pertence à família de aparelhos “WIRELESS SET”, do qual Portugal recebeu vários modelos, quase todos de boa memória.

O “Posto-38” completo vendo-se os respetivos auscultadores, laringofones e a caixa de ligação à pilha. (foto do autor)

O “Posto-38” completo vendo-se os respetivos auscultadores, laringofones e a caixa de ligação à pilha. (foto do autor)

Esse ar pouco “abonatório” é realçado por uma caixa exterior em chapa de ferro pré-cortada, dobrada e soldada por pontos. O seu pequeno tamanho levava a que uma das válvulas de emissão funcionasse tão perto do painel frontal, que o seu calor o queimaria numa pequena zona após algumas horas de trabalho. Apesar destas curiosidades cumpriu muitíssimo bem o fim para o qual estava concebido.

Uma das particularidades deste aparelho era, para alem do seu pequeno volume, a forma de transporte muito pouco usual para a época em que foi concebido (1942), consistindo em o seu simples arnês estar preparado para ser fixado aos suspensórios do sistema “Mills” britânico (fabricado em Portugal sob a designação Mod. 1943/44), ficando o radio ao peito do utilizador no seu lado esquerdo (substituindo a cartucheira). Esta inovação, somente cinquenta/sessenta anos depois, se verifica novamente em alguns rádios táticos de última geração. Também de certa forma inovador era a utilização de um laringofone em substituição do clássico microfone, o que deixava as mãos livres ao operador. Ao ombro era levado um saco com os elementos da antena. A grande pilha era transportada às costas numa mochila.

O sistema de transporte referido (transporte ao peito), também foi utilizado num outro aparelho extremamente curioso, contemporâneo e da mesma “família” Wireless Set e que passou também por Portugal, falamos do Wireless Set 58/Posto 58 ou P-58. Dele falaremos mais tarde.

Usando o sistema de sintonia corrida, o WS 38 funcionava, apenas, em fonia na estreita gama dos 7mc/s, aos 9mc/s. Era um aparelho extremamente simples e de uma robustez a toda a prova, possuindo um alcance de aproximadamente 3 km.

A grande pilha de alimentação. Digno de nota a sempre presente marca aposta em todo o material de guerra oriundo da Comunidade Britânica “W/seta/D”. O “W” e o “D” são as iniciais de “War Department”. A seta, designada em inglês de “Broad Arrow”, por vezes também é chamada de “Crow Feet”, ou “Pheon” e é aplicada desde 1870 como símbolo de todo o material pertencente à coroa. Na altura, dependendo da origem (ex. Canadá, Austrália, Índia etc.), a seta teria outras conjugações de letras indicadoras da origem do material (foto do autor)

A grande pilha de alimentação. Digno de nota a sempre presente marca aposta em todo o material de guerra oriundo da Comunidade Britânica “W/seta/D”. O “W” e o “D” são as iniciais de “War Department”. A seta, designada em inglês de “Broad Arrow”, por vezes também é chamada de “Crow Feet”, ou “Pheon” e é aplicada desde 1870 como símbolo de todo o material pertencente à coroa. Dependendo da origem (Canadá, Austrália, Índia etc.), a seta teria outras conjugações de letras indicadoras da origem do material (foto do autor)

A alimentação era realizada através de uma pilha com as tensões de 3 e 150v com duração para cerca de 5 horas. De uma caixa de junção que ligava o radio á referida pilha, partiam também os cabos dos auscultadores e do laringofone. No seu painel frontal tinha apenas dois botões, um de três posições Desligado/Recetor/Emissor e outro para sintonia com possibilidade de bloqueamento. Um sistema rotativo dava hipótese de encaixe para uma das duas antenas disponíveis (1,20m ou 3,60m), não tinha botão de volume.

Um “WS-38” que passou pela Legião Portuguesa (Defesa Civil do Território). Ao fundo observa-se o saco de transporte das duas antenas e a mochila para a pilha e acessórios. Curioso o símbolo esmaltado afixado no rádio com as letras “DCT”, de desenho muito moderno para a altura (anos sessenta?), comparar com o modelo anterior, clássico, aplicado no capacete. (foto do autor)

Um “WS-38” que passou pela Legião Portuguesa (Defesa Civil do Território). Ao fundo observa-se o saco de transporte das duas antenas e a mochila para a pilha e acessórios. Curioso o símbolo esmaltado afixado no rádio com as letras “DCT”, de desenho muito moderno para a altura (anos sessenta?), comparar com o modelo anterior, clássico, aplicado no capacete. (foto do autor)

Pensamos, do muito que se tem lido em documentação geralmente dispersa, que o WS38 não tenha vindo em grande número para Portugal, tendo começado a chegar em 1947/48/49(?), infelizmente nada mais sabemos sobre o “o seu tempo de serviço”. Extrapolando de factos diversos julgamos que apenas terá visto os primeiros anos da década de sessenta, pois o aparecimento de novos modelos, de técnica mais apurada obrigou, a este antigo herói da Segunda Guerra, a passar á reforma que tardava. Sabemos que em fim de vida vem a equipar, por cedência do exército, a Legião Portuguesa (Defesa Civil do Território, pintados de um verde mais claro) e a Mocidade Portuguesa, tendo nesta ultima alguma utilidade na instrução de graduados.

Em vários anúncios de revistas (*) inglesas de 1959, um conjunto completo e novo do WS38 vendia-se, livremente, por pouco mais de uma libra!

Portugal também teve o Wireless Set 38 Mk. III, como é um modelo evolutivo totalmente diferente, trataremos dele posteriormente, não podendo juntar os dois modelos num mesmo artigo.

(*) ex. Wireless World Electronics, de Maio de1959

Os SCR-399 e SCR-499 e a história de três cartas!

Post do nosso leitor e colaborador sr João Freitas, recebido por msg:

Os rádios militares não aparecem apenas na sua forma singela para serem aplicados nas mais diversas funções, por vezes vêm como o caracol, com a casa ás costas. É o caso dos conjuntos transmissores/receptores equipados de um “shelter” (abrigo), fazendo o seu conjunto um  “SCR” (Set Complet Radio), ou  um posterior “AN/???”.

Enquanto os britânicos optam, nos anos trinta e quarenta, por equipar de fábrica diversos veículos com cabinas para rádio fixas ao chassis e fazendo parte integrante do veículo, os EUA preferem desenvolver uma série de abrigos que encaixariam nos normalizados compartimentos de carga dos seus camiões, muito especialmente na GMC de 2ton. 1/2. Também no recheio destes “abrigos” as tendências nestes países eram diferentes. Enquanto a Inglaterra equipa o seu interior conforme a necessidade, os EUA estabelece conjuntos fixos e padronizados sob as referidas designações SCR e AN. Teremos de ter em mente, que estes abrigos americanos de que hoje falamos serviram a diversas conjugações internas fixas de material de comunicações, e a inevitáveis alterações ao sabor das necessidades.

Referimo-nos apenas a estes dois países porque neste momento, e na medida do nosso conhecimento os exemplares recebidos por Portugal, tiveram neles a sua origem. Não nos podemos esquecer de que durante o final dos anos sessenta, princípio de setenta foi desenvolvido um abrigo rádio nacional. sobre ele estamos a organizar um futuro artigo, assim como desenvolveremos outros textos sobre este mesmo tema.

O conjunto SCR-399 e o seu Shelter montado numa GMC

O conjunto SCR-399 e o seu Shelter montado numa GMC

Pormenor da retaguarda de dois SCR-399

Pormenor da retaguarda de dois SCR-399

Portugal ao longo dos anos quarenta e cinquenta recebe diversos conjuntos de origem americana, fabricados durante e após a Segunda Guerra Mundial com a designação “SCR-399” e “SCR-499”.

Shelter desmontado e reboque do gerador

Shelter desmontado e reboque do gerador

Tendo a sua génese no SCR-299(*), ambos compreendem o mesmo grupo de rádios e acessórios, a única diferença entre eles reside no facto de o SCR-399 fazer parte de um “shelter” para colocação sobre uma GMC ou similar, e uma unidade geradora rebocável. O SCR-499, desprovido destes dois elementos, estava destinado apenas a uma utilização fixa, estando prevista a sua ligação á rede eléctrica geral.

Por diversas vezes, no estrangeiro, tivemos a possibilidade de entrar em “casinhotos” destes totalmente recuperados por particulares e em estado de pleno funcionamento. É sem sombra de dúvida, para quem gosta do assunto uma experiência extraordinária. O cheiro, a luminosidade, os aparelhos maravilhosos que compõem o conjunto, em suma o ambiente causa-nos uma impressão indelével. Naquele peculiar ambiente somos facilmente levados pela imaginação e pela história que conhecemos.

Interior visto da porta, podendo-se observar a disposição interna. Recetores do lado esquerdo e transmissor ao fundo, armário do lado direito e banco central

Interior visto da porta, podendo-se observar a disposição interna.
Recetores do lado esquerdo e transmissor ao fundo, armário do lado direito e banco central

É extremamente complexo enumerar todos os componentes destes SCR, por esse motivo apenas relacionaremos os elementos principais. Assim ao entrarmos no abrigo HO-17A, tínhamos ao lado esquerdo dois armários/secretárias em madeira com as unidades receptoras, BC-312 e BC-342, um amplificador de modulação BC-614, um frequêncimetro SCR-211, e telefones EE-8. A parede de fundo no abrigo, era quase toda ocupada pelo enorme transmissor BC-610 e pelo seu aparelho de sintonia de antena BC-939. Do lado direito encontrávamos um armário para arrumação de diversos componentes imprescindíveis ao funcionamento da unidade e ao centro uma fileira de bancos, servindo também de baús para guardar uma imensidade de cabos, antenas e demais acessórios. (**)

Pormenor dos recetores, vendo-se ao fundo o transmissor

Pormenor dos recetores, vendo-se ao fundo o transmissor

Pormenor do banco central e armário que é colocado no lado direito

Pormenor do banco central e armário que é colocado no lado direito

Equipados dessa maneira, estes dois conjuntos transmitiam e recebiam em amplitude modulada, numa larga gama de frequências compreendida sensivelmente entre os 2.000 kc/s e os 18.000 kc/s, tendo ainda a possibilidade de comunicação por cabo telefónico.

Como dissemos, no caso do SCR-399 encontramos ainda um reboque K-52, equipado com um gerador PE-95E. Neste momento convém relembrar, a diferença entre os SCR-399 e 499, reside no facto do 499 não possuir nem o abrigo HO-17A, nem o conjunto reboque/gerador, mantendo todos os outros elementos constituintes do SCR-399, incluindo os armários e os bancos que se encontravam dentro do abrigo, e que continham as unidades receptoras e seus mais directos acessórios.

Durante a sua permanência em Portugal os conjuntos SCR-399 foram alterados, com o passar do tempo e conforme as necessidades, retirando-lhes elementos da composição original e adicionando outros aparelhos de comunicações mais modernos. Também os diversos elementos dos SCR-499 dificilmente se mantiveram unidos na sua forma original, sendo aplicados individualmente conforme fosse julgado útil. Não conseguimos saber quantos conjuntos destes teremos recebido, mas pensamos que não terão sido mais de dez unidades.

Durante muitos anos um destes “contendores” históricos serviu de abrigo aos trabalhadores do jardim frontal à residência do Presidente da República, em Belém. Aí guardavam pás, picaretas, regadores e mangueiras. Muito podre, apenas a tela de alumínio e alcatrão com que tinha sido coberto diversas vezes o mantinha de pé, no entanto ainda eram visíveis um dos suportes de antena e o quadro distribuidor de eletricidade originais.

Notas :

(*) Desconhecemos se o conjunto SCR-299 esteve em utilização em Portugal, nunca tendo encontrado referências sobre ele. Este conjunto era inicialmente montado em Dodge K-51, ou em Shelters similares ao HO-17ª.

(**) Em futuros artigos abordaremos individualmente a extensa série de receptores BC-312, 314 etc.

A história de três cartas

Quando acabou o depósito de Beirolas, para dar lugar à Expo, e a maior parte do nosso insubstituível património em veículos militares foi parar a diversos países da Europa ao preço de ferro velho (*). O  que ficou por cá foi objecto da nossa atenção, passando nós dezenas de fins-de-semana no Carregado e em Vila Nova de Poiares perscrutando o pouco que por cá ficou e que em breve veria o calor do maçarico.

Num destes shelters HO-17A, ao remexer nas suas entranhas, deparámos com uns papéis escondidos numa armação de uma gaveta. A nossa curiosidade logo lhes deitou a mão, e qual não foi o nosso espanto ao depararmos com duas cartas enviadas ao sargento Bill Parr, por um seu irmão (capelão militar) e por uma sua tia, para a frente de combate na Europa, no Natal de 1944, e uma terceira escrita por ele, mas que nunca foi enviada. Nesta carta ele descreve com a devida cautela a recentemente travada batalha do Bulge (Bélgica). As duas cartas recebidas, antes de lhe terem sido entregues, tinham sido abertas e carimbadas pelos serviços de segurança militar.

Esta descoberta deixou-nos emocionados. Logo na nossa mente visualizamos todo o percurso da peça onde estávamos e das cartas perdidas no seu interior. Após a sua manufactura em 1943 nos EUA, tinha vindo para a Europa, onde interveio nos combates finais da Segunda Guerra (Natal de 1944), logo a seguir terá recolhido a um dos diversos parques de excedentes (provavelmente em França ou Alemanha) onde foi recuperada para posteriormente ser entregue a um qualquer pais da recente NATO. Já em mãos portuguesas, quem sabe se voltou á Alemanha em exercícios no âmbito dessa mesma organização, ou foi até África? Apenas sabíamos que de concreto ele estava ali pronto para o camartelo.

Apesar de diversos contactos com a adida militar da Embaixada dos EUA, e dos seus interessados esforços, foi impossível saber novidades do Sargento Bill Parr do “1065 Signal Corps Service Grp” (do qual tínhamos o nº de matricula), nem dos seus familiares em Decartur, no estado da Georgia (USA), obtendo apenas a informação de que aquela morada era atualmente uma pequena empresa de pneus, sem qualquer relação com os nomes apontados.

Com a chegada da Internet, e em contactos com diversas famílias “Parr” nos Estados Unidos, somos informados de que este apelido é maioritariamente de origem canadiana! De facto, a sorte e as novas tecnologias, levaram-nos a encontrar um seu familiar (sobrinho), que se prestou a servir de intermediário. O nosso amigo Bill, tinha sido um dos muitos canadianos com família nos EUA a combater durante a Segunda Guerra Mundial no exército americano.

Para finalizar bem este nosso artigo, e graças á Internet, acrescentamos que até 2003 o sargento Bill Parr ainda estava de saúde, com os seus mais de noventa anos, vive/vivia no Canadá, onde nasceu, e tem ainda bem presente na memória o “seu” shelter de radio, tendo ficado de lágrima ao canto do olho ao ler as suas cartas de 1944, já há muito tempo esquecidas. Em reconhecimento do nosso contacto, enviou-nos fotografias de alguns dos familiares identificados nas três cartas. Após cinquenta anos, a carta tinha sido entregue!

(Resumo de um artigo, de nossa autoria, publicado, inicialmente, na revista “QSP”.)

João Freitas

(*) O material blindado e outro, vendido por terceiros a França, Inglaterra, e Bélgica tem sido devidamente restaurado por particulares e pode ser admirado em várias concentrações de veículos militares por toda a Europa.

Manipulador do Emissor Ducretet

Em 1901 o Exército Português realizou as primeiras experiências de rádio (TSF) com material encomendado ao conhecido e especializado fabricante francês E. Ducretet.
O material em questão referia-se a:

-um EMISSOR DUCRETET constituído por um manipulador, um oscilador, uma antena e uma ligação à terra. Este emissor era idêntico aos empregues por Hertz nas suas célebres experiências.

-um RECEPTOR pelo som, que era um aparelho portátil designado por RECEPTOR RÁDIO TELEFÓNICO POPOV-DUCRETET, onde em lugar do tubo de Branly era empregue um revelador de agulhas.

Em relação ao receptor, do qual existem dois exemplares, um na Colecção/Visitável (C/V) do RTm e outro no Museu Militar de Elvas, existem vários textos sobre ele neste site.

Do emissor tudo nos leva a crer que o único vestígio é uma peça que existe na C/V e que identificámos como sendo o manipulador.

manipulador morse
O contacto eléctrico era obtido pressionando o manípulo

DSC06784

que provocava no contacto saliente do copo de protecção, o encosto da agulha.

DSC06787copo de faísca
Para justificar esta identificação junta-se gravura do emissor Ducrete de 1901 em que se pode ver no lado esquerdo da imagem, o manipulador assinalado com a letra M.

Diapositivo1Junta-se o esquema do emissor em que também está representado o manipulador.

Diapositivo2

As figuras do emissor Ducrete constam do livro

Diapositivo3

Receptor Ducretet e existentes na CV do RTm

Receptor Ducretet e manipulador existentes na CV do RTm

Os “S.R. MKII – H.Q. STATION” e os “S.R. MKII – O.S.”

Post do nosso leitor e colaborador Sr João Freitas, recebido por msg:

Com base numa patente alemã, já em 1910 e 1913, na Rússia, se fizeram testes de “referenciação pelo som” da artilharia inimiga, ou seja, a determinação da posição de uma peça de artilharia ou bateria, através do som emitido durante o seu próprio disparo. O processo baseava-se no princípio da onda de som gerada pelo disparo (ou qualquer outro som) se propagar no espaço em círculos concêntricos e a uma velocidade conhecida. Para isso as tropas “X” interpunham entre si e a suposta posição das peças do inimigo “Y”, uma barreira de microfones especiais distanciados entre si centenas de metros. A análise matemática posterior de diversos parâmetros adquiridos durante o registo do disparo (ver esquema), dava a “X” posição da artilharia inimiga “Y”.

Esquema dos cálculos a serem efectuados

Esquema dos cálculos a serem efectuados

De maneira bastante simplista podemos explicar que o disparo do “inimigo”, ao criar uma onda de som circular (de baixa frequência), é primeiramente registado pelo microfone que estiver mais perto da fonte, esse mesmo som ao progredir “bate” sucessivamente nos dois microfones seguintes e será também registado. Como entre o recebimento vindo do primeiro microfone e o recebimento vindo de pelo menos mais dois outros havia duas ou mais diferenças de tempo, o conhecimento desses pequeníssimos lapsos permitia após equações complexas determinar um círculo que corresponderia às ondas se som e o seu respetivo centro. Esse centro determinava a origem do som, e portanto a posição da peça inimiga. O inverso também era possível, ou seja; determinar com precisão o local onde estava a cair o “nosso” fogo, através do registo das deflagrações.

Nem tudo eram rosas, o sistema era complexo, moroso de instalar, e passível de influências meteorológicas e outras, além disto era necessário um outro posto mais avançado, entre a barreira dos tais microfones e a bateria inimiga. O militar que guarnecesse este posto, apesar de também desconhecer a real posição da artilharia inimiga, desencadearia (via rádio) o processo de registo, ao ouvir o som de um primeiro disparo, ou ao ver o clarão provocado á boca da arma.

Pelas razões apresentadas, em teoria, era bom mas na prática dificilmente funcionava. Portugal vem a receber da Comunidade Britânica conjuntos SR/HQ que apenas foram utilizados em manobras e com pouca eficiência. Julgamos até que os aparelhos tenham chegado cá sem os calculadores necessários a obter as posições de tiro, sendo os aparelhos usados posteriormente como simples recetores/transmissores. É sobre eles que vos falamos hoje.

SR HQ

SR HQ

Os S.R. MKII-H.Q. (1) e os S.R. MKII – O.S. (2) são sistemas radio pertencentes á família “Wireless Set”. Desenvolvidos e usados durante a 2ª Guerra Mundial, chegam ao nosso país no final de quarenta, havendo na pouca referência sobre eles, a indicação da sua distribuição á Arma de Artilharia. Presentemente caíram no mais profundo esquecimento, mesmo a antigos militares a nomenclatura SR-HQ e SR-OS nada lhes diz.

SR OS

SR OS

Um conjunto completo compreenderia uma estação S.R. – H.Q. como posto de comando, ou posto registador e calculador das informações sonoras recebidas, três a cinco S.R. – O.S. como detetores dos sons, fazendo a tal barreira com os microfones e mais uma a três S.R. – O.S. no papel de posto mais avançado (dando a ordem para iniciar o registo dos sons). Quantos mais postos equipados com microfones houvessem no terreno mais precisão se obtinha nos cálculos de determinação de rumo e distância. Como estes aparelhos eram também “normais” recetores/transmissores, era através deles que passava o tráfego de mensagens entre o posto de comando, os postos captores de som e o posto avançado.

Os dois rádios eram diferentes fisicamente sendo o H.Q. um posto com características de “fixo” e o O.S. um posto adaptado ao transporte ao dorso, tendo para isso adotado a caixa exterior do “Wireless Set 62”. Além de uma gama de frequências comum compreendida entre os 9 e os 10.5mHz, possuíam ainda cinco canais (cada canal tinha um ajuste de mais/menos 20kHz) para a receção das informações enviadas pelos microfones, peças que á primeira vista mais pareciam umas grandes marmitas do que verdadeiros micros, necessitando que fossem colocados no solo em buracos superficiais para não sofrerem influencias parasitas. Os dois rádios tinham conversores rotativos alimentados a baterias de 6v.

(Retirado de um artigo anterior, de nossa autoria, publicado na revista QSP)

João Freitas

Notas:

(1) – S.R. MKII – H.Q. Station (Sound Ranging Mark II HeadQuarters Station) Posto de Comando, Modelo 2, para referenciação pelo som.

(2) – S.R. MKII – O.S. (Sound Ranging Mark IIOut Station) Posto Exterior, Modelo 2 para referenciação pelo som.

(3) Enquanto os EUA sempre preferiram determinar os diversos modelos de um dado aparelho militar por uma letra (ex. BC-611-C e BC-611-F), acrescentando ou não a palavra “MODEL” ou “TYPE”, a Comunidade Britânica deu primazia ao termo “MARK”, ou á sua abreviação “Mk.” seguido por uma sucessiva numeração romana (ex. Wireless Set Nº19 Mark I, seguido pelo Mark II, Mark III etc.).

O Museu da Guerra Colonial

Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

mgc 1Num comentário ao post de 25 de janeiro de 2013, do coronel José Canavilhas (clicar aqui, para consultar) informei que tencionava, na primeira oportunidade, visitar o Museu da Guerra Colonial.

A oportunidade surgiu estas férias, pelo que tive o prazer de, recentemente, visitar o museu, na companhia de 5 familiares (nenhum deles militar). Todos, sem exceção, gostaram da visita, pelo que passei a considerar (apesar da escassez da amostra)  que o museu  era suscetível de ser atrativo para um público mais vasto do que o militar.

O presente post pretende apresentar uma breve descrição do Museu, que nos causou uma impressão francamente favorável, contribuindo assim para uma merecida divulgação deste Museu, através deste Blogue.

mgc 2Trata-se de um Museu, feito com meios relativamente modestos, de entrada gratuita, onde me pareceu clara a preocupação de mostrar ao visitante, de forma interessante, alguns  aspetos relevantes da Guerra Colonial. É também um Museu em evolução no sentido da sua expansão.

O Museu, não foi criado para apresentar uma coleção de material previamente recolhida, como sucede em muitos outros museus, mas assumidamente para dar corpo ao projeto de  “ Guerra Colonial uma história para contar”.  Neste caso o contar a história passou a ser o essencial e, com isso, a visita ganhou outra coerência e interesse.

O projeto surgiu no Externato Infante D. Henrique de Ruilhe, em Braga, com a  participação de alunos e professores, dentre os quais se destaca o Dr. António Lajes, diretor científico do Museu.

A criação do Museu resultou de uma parceria entre o Externato Infante D. Henrique, a Associação dos Deficientes das Forças Armadas e a Câmara Municipal de Famalicão.

O Museu está situado na freguesia do Ribeirão, a cerca de 6km do Centro de Famalicão, e é constituído por duas  grandes salas.

mgc 3Na primeira sala (uma parte da qual é apresentada na figura) é apresentada uma desenvolvida cronologia da Guerra Colonial, uma descrição dos Movimentos de Libertação nos 3 Teatros de Operações, uma listagem dos militares mortos na Guerra Colonial, uma representação da Força Aérea bem como os seguintes temas:

  • Embarque
  • Operações Militares
  • Dia- a- Dia
  • Religiosidade
  • Nativos
  • Ação Psicológica
  • Correspondência
  • Horrores Ferimentos Guerra e Morte
  • Fim do Império – 25 de Abril de 1974
  • Anexo Militar (que funcionava na Rua de Artilharia 1 e era uma espécie de hospital de convalescentes resultantes da Guerra)
  • ADFA
  • Stress de Guerra

Em relação a cada um destes temas é apresentada uma fotografia bastante ampliada e um texto explicativo e, sempre que possível, documentação apropriada.

A segunda sala que, embora aberta ao público, neste momento ainda não se encontra concluída, contem uma representação da Força Aérea (que inclui um helicóptero Alouette 3 e um paraquedas aberto pendente do teto)  e o material de Transmissões que foi recebido por doação, conforme se indica no post de 25 de janeiro deste ano.   Este material está apenas exposto, aguardando a sua etiquetagem, que nos afirmaram estar em preparação.

Há assim, presentemente, um claro contraste entre as duas salas. Na primeira sala predominam os elementos gráficos (fotografias alusivos e textos explicativos do respetivos temas), na segunda predomina a apresentação do material sem textos explicativos.

Ou seja enquanto que na primeira sala se procura seguir o projeto para o qual surgiu o Museu “A Guerra Colonial uma história para contar” e isso é traduzido nas narrativas que se apresentam para cada um dos temas, na 2ª sala, a história não está ainda contada pois apenas temos o material exposto.

No caso das Transmissões tenho esperanças que não se fique pela simples etiquetagem dos equipamentos expostos, mas se conte a história da evolução notável  que se verificou nas transmissões de campanha e permanentes do Exército na Guerra Colonial e da importância que essa evolução teve na condução operacional e logística da guerra.

Para além do interesse da visita, que assinalámos,  é importante  realçar o mérito da ideia, que me parece exemplar,  de fazer um museu para contar a história da Guerra Colonial e levar a ideia até ao fim, apesar da modéstia dos meios disponíveis.

De assinalar também que o aparecimento deste primeiro Museu sobre a Guerra Colonial é também valorizado por surgir em Portugal que não tem ainda qualquer Museu dedicado exclusivamente à Grande Guerra , aos Descobrimentos,  à Guerra da Restauração, ou até à História do Exército…

Rede telegráfica militar – fim Séc. XIX – 2ªparte

Na continuação do artigo “Rede telegráfica militar – fim séc. XIX – 1ªparte” dá-se a conhecer os materiais utilizados, na época, nas redes telegráficas militares pela publicação de extrato do livro já referido.
Da leitura deste documento salienta-se que se utilizava nas linhas telegráficas fio de ferro galvanizado de 2 a 3 mm de diâmetro e nas linhas telefónicas fio de bronze silicioso 11/10 de milímetro.
É de salientar que os despertadores e os comutadores utilizados na rede militar foram desenvolvido pelo Alf. Martins



A45 001

telrgra web  b fig 2 3

 

telegrafia  web B fig 7 8 10 11 001

telegra web a fig 9

linhas telegráficas 46  001linhas telegráficas 47 001

telA  web 13 14, 15 001

linhas telegráficas 48  001

 

telegra web a fig 16

Rede telegráfica militar- fim séc. XIX – 1ª parte

De acordo com o livro do Tenente de Engenharia Carlos Augusto de Sá Carneiro, publicado em 1897, sobre as linhas telegráficas do Continente do Reino, Ilhas Adjacentes e Províncias Ultramarinas, a rede militar compreendia a rede geral e as redes especiais de Lisboa e Porto.

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Apresentámos a sua descrição

linhas telegráficas 30 e 31 001 - Cópia

linhas telegráficas 32 e 33 001 - Cópia - Cópia

linhas telegráficas 32 e 33 001 - Cópia

rede lisboa 001

rede do port 001 - Cópia

Da leitura deste documento destaca-se que só havia rede telegráfica exclusivamente militar em Lisboa e Porto e que o Exército ainda não tinha redes telefónicas, tendo apenas algumas ligações telefónicas ponto a ponto em Lisboa e Porto, e uma ligação telefónica em Elvas.

Heliógrafo Português m/938

Os heliógrafos portugueses foram fabricados a partir de 1930, inspirados no telégrafo de origem italiana (O M I), inicialmente nas Oficinas Gerais de Material de Engenharia e posteriormente na Fábrica Militar de Braço de Prata.

Dá-se a conhecer as instruções de funcionamento destes equipamentos, cujos fundamentos são comuns a todos os tipos de  heliógrafos
instruções de heliografo 1 001 instruções de heliografo2 001instruções de heliografo 3 001