As TRANSMISSÕES na GRANDE GUERRA – Relatório de Soares Branco (4)

Post dos Coronéis Aniceto Afonso e Costa Dias, recebido por msg:

  1. SITUAÇÃO INICIAL DO SERVIÇO TELEGRÁFICO

Introdução

No final de agosto de 1916, pouco depois do fim da primeira fase das manobras de Tancos, chegou a Lisboa uma missão militar anglo-francesa para discutir com Portugal a forma de participação de tropas portuguesas na frente ocidental.

A missão esteve em Portugal até novembro, tendo sido produzido o Memorando das condições de emprego das forças Portuguesas na zona de operações britânica em França, depois aprovado pelo Governo Britânico a 16 de dezembro. O memorando previa que as unidades portuguesas avançariam para França, mas passariam por uma fase de instrução a cargo do comando britânico, antes de entrarem em linha. A força seria constituída por uma Divisão reforçada, com um total de três Brigadas a dois Regimentos e estes a três Batalhões, totalizando 18 Batalhões. Esta composição foi estabelecida numa 2ª Convenção luso-britânica assinada a 3 de janeiro de 1917, pouco antes do embarque das primeiras tropas. Relativamente à artilharia deviam constituir-se quatro Grupos de peças 75 mm e três Grupos de obuses, estes com duas baterias cada. Estava prevista a mobilização de cerca de 40.000 militares.

Partida de Lisboa

Desembarque em Brest

Quando os primeiros contingentes já se encontravam em França, decorrendo o período de aquartelamento e instrução previsto, verificou-se ser necessário fazer uma adaptação de estrutura orgânica, visto que as unidades britânicas não tinham o escalão Regimento, dependendo os Batalhões diretamente das Brigadas. E uma vez que sobravam comandos, foi sugerido pelo chefe da missão militar britânica junto do CEP, que Portugal poderia constituir um Corpo de Exército a duas Divisões, cada uma com três Brigadas e estas com quatro Batalhões, num total de 24 Batalhões, mais seis do que os mobilizados por Portugal. Foi ainda levantada a hipótese de se constituir um Corpo de Artilharia Pesada, na dependência do CEP.

O primeiro contingente em França do mais velho aliado da Inglaterra

Posto o problema ao Governo português ainda em fevereiro, este acedeu de imediato, até porque isso conferia à presença portuguesa um significado de maior relevo. Tornava-se contudo necessário mobilizar mais cerca de 15.000 militares, pois também a estrutura de apoio seria necessariamente aumentada. Isso exigia também a extensão da capacidade de transporte através dos meios navais disponibilizados pela Grã-Bretanha. Ora, essa capacidade estava já comprometida com o transporte de tropas americanas para a Europa, pelo que se tornou muito difícil à Inglaterra aceitar esse compromisso. Apesar de todas as negociações acessórias que se tornaram necessárias e que levaram o ministro da Guerra, Norton de Matos, a permanecer cerca de um mês em Londres, entre meados de maio e meados de junho, o contingente português só no mês de Setembro terminou a primeira fase de transporte para França. Foi nesta altura que, dando corpo a uma intenção que sempre esteve na mente do governo inglês, este propunha que as unidades portuguesas ficassem na dependência de unidades inglesas e integrassem oficiais ingleses, proposta que evidentemente, o governo português rejeitou liminarmente.

Apesar de todas estas hesitações e dificuldades a nível político, no terreno acabou por se trabalhar sempre com a hipótese da constituição do Corpo de Exército, embora as notícias nem sempre fossem tranquilizadoras e fossem causa de algumas dúvidas.

No que respeita ao Serviço Telegráfico, Soares Branco considerou sempre, a partir de março de 1917, a hipótese que depois se viria a concretizar – a entrada em linha do Corpo de Exército português, embora tal só tenha acontecido a partir de 5 de novembro.

Ponto de situação

Voltando à análise do relatório do capitão Soares Branco, constatamos que, quando ele se apresentou ao responsável pelo Serviço Telegráfico do 1º Exército Britânico, coronel de Engenharia H. Moore, no dia 27 de janeiro de 1917, ficou assente que enviaria a este um relatório sucinto sobre a situação do mesmo serviço no CEP.

Coronel Herbert Tregosse Gwennap Moore, Royal Engineers, DSO, CB, CMG, Avis

Para além de uma informação sobre o pessoal e o material do Serviço, Soares Branco deveria também referir as capacidades disponíveis, o grau de instrução do pessoal, as faltas a preencher tanto em pessoal como em material, assim como as alterações necessárias para a sua adaptação à organização inglesa. Soares Branco enviou o relatório ainda durante o mês de março, com data de 23, incluindo-o depois no seu relatório final como apêndice nº. 4. É este apêndice que vamos analisar neste texto.

No corpo principal do seu relatório final, Soares Branco, a propósito do compromisso que tomara de enviar o ponto de situação ao 1º Exército, tece algumas considerações sobre as dúvidas que teve e a forma como procurou resolvê-las, não dando a entender ao seu destinatário as hesitações que ainda subsistiam no CEP quanto à organização das suas tropas. É por isso que ele dá a primeira explicação sobre o envio do relatório ao 1º Exército: “Uma vez estudada a organização e funcionamento do serviço de comunicações no 1º Exército Inglês, no qual deveria o CEP ficar incorporado, julguei da máxima importância informar o Serviço Telegráfico do 1º Exército da organização e estado da instrução à data do embarque para a França das tropas telegrafistas portuguesas”. E também acentua os princípios por que se guiou para cumprir a sua missão, não apenas neste relatório parcial, mas sempre que tivesse de assumir responsabilidades: “Diante de mim tive o problema do futuro, e alheio ao que à Missão Inglesa em Lisboa havia sido comunicado sobre o Serviço Telegráfico, não tendo nem direta nem indiretamente recebido da mesma Missão quaisquer esclarecimentos que pudessem ainda orientar na Metrópole o plano orgânico das unidades telegrafistas e de sinaleiros, dois princípios tive que respeitar:

O primeiro, falar claro e com verdade ao 1º Exército Britânico.

O segundo, em harmonia com o que observara e estudara, propor ao meu Estado-Maior tudo quanto de indispensável havia julgado”.

Tanto para cumprimento dum princípio, como para o outro, seria indispensável que Soares Branco soubesse como iria o CEP organizar-se, o que não foi questão simples neste início de missão. Esta deveria ter sido a principal interrogação que Soares Branco colocou aos responsáveis portugueses já presentes em França, já que era necessário, como diz, “que eu tivesse exato conhecimento de quais as forças que deveriam compor o CEP – Uma Divisão, um Corpo, uma Divisão reforçada com Artilharia Pesada?”. É que, embora compreendendo “quantos melindres e naturais incertezas não encobre uma resposta clara ao que me era indispensável tomar para base de qualquer trabalho, mas sem ela nada de seguro podia propor”.

Mas quando finalmente tem as condições mínimas para prosseguir o seu ponto de situação, já inclui informações sobre a organização dos vários escalões do CEP no que respeita às unidades de comunicações e respetivo pessoal, assumindo em definitivo que a força portuguesa será composta por um Corpo de Exército a duas Divisões. Temos assim, ao nível do Corpo:

“a) 1 chefe do Serviço Telegráfico e 2 adjuntos
b) 1 Secção de Telegrafistas de Campanha
c) 1 Secção de Telegrafistas de Praça
d) 1 Secção de Telegrafia Sem Fios”.

Cada uma destas unidades tinha o seguinte pessoal:

“1. A Secção de Telegrafistas de Campanha tem a composição análoga à indicada para as Divisões podendo contudo receber destas uma ou duas esquadras de fio, no caso de o serviço assim o indicar.
2. A Secção de Telegrafistas de Praça compõe-se de 1 oficial, 3 sargen­tos, 6 cabos e 30 soldados.
3. A Secção de Telegrafia Sem Fios é de 2 oficiais, 3 sargentos, 12 motoristas e telegrafistas, 13 soldados não especializados”.

Mais adiante, Soares Branco refere a composição do Serviço Telegráfico ao nível das Divisões, havendo, em cada uma, uma Secção de Telegrafistas de Campanha e um Destacamento de Telegrafistas de Praça.

Quanto ao “material de que a Secção de Telegrafistas de Campanha dispõe pode ser diminuído duma esquadra de fio que fique pertencente ao Corpo”, e em relação ao pessoal de “Telegrafistas de Praça ficará encarregado das linhas do Corpo na Divisão e transportará no carro de parque o material telefónico e telegráfico que complementarmente for distribuído à Secção de Telegrafistas de Campanha pelo acréscimo do número de ligações pedidas”.

Em cada Divisão, “o chefe do Serviço será o Comandante da Secção de Telegrafistas de Campanha que disporá de 3 oficiais de Engenharia”, a “Secção de Telegrafistas de Campanha tem uma composição idêntica, referida nos quadros”.

Já o Destacamento de Telegrafistas de Praça merece maior atenção e mais extensa referência, com a indicação de que se compõe de “120 praças afetas aos Batalhões de Infantaria, mas sob a direção do Serviço Telegráfico”. Existe também pessoal afeto ao serviço telegráfico e telefónico dos Quartéis-generais, constituído por um segundo-sargento, um cabo e 46 praças, sendo que estas “são treinadas em serviço de estação, construção e reparação de linhas permanentes”.

O relatório que Soares Branco envia ao 1º Exército aborda a questão do material de transmissões existente no CEP, de forma a salientar aquilo que satisfaz as exigências do serviço e o que tem necessariamente de ser substituído ou complementado. Mas as informações acabam por ser genéricas, já que não havia ainda uma clara definição de qual viria a ser a organização das forças portuguesas. Por isso, Soares Branco refere em primeiro lugar o material usado pela Secção de Telegrafistas de Campanha do Corpo, “análogo ao das Secções afetas às Divisões”, que se divide em quatro esquadras, sendo “2 esquadras de cabo, 1 esquadra de fio e 1 esquadra de serviço ótico”.

Esta Secção “pode montar 5 estações telegráficas Morse, 5 estações telefónicas conjugadas servidas pelas mesmas linhas e 5 estações telefónicas falantes”. Com base nos recursos materiais existentes, a Secção podia montar “22 km de linha de cabo simples” e “10 km de linha de fio”.

Por seu lado, a “esquadra de serviço ótico permite estabelecer 8 postos quer de dia quer de noite”, sendo que “todo o material da Secção, a não ser as lanternas para serviço ótico e o cabo simples, é de muito boa qualidade e satisfaz plenamente as condições exigidas do serviço de campanha”.

Seguem-se então informações técnicas sobre o material, algumas bastantes pormenorizadas, incluindo os diâmetros e o revestimento dos vários cabos disponíveis.

Assim, “os telégrafos Morse são de duas direções para sistema escrevente” e os “telefones de 1 e 2 direções têm chamada magnética e chamada acústica para buzzer”. Mas havia apenas “um único comutador suíço para 4 linhas”. E quanto ao cabo, “composto de 5 fios de cobre” e com uma “armadura de 12 fios de aço”, “tem apenas o defeito de estar velho”.

Já o “cabo subaquático é análogo ao cabo armado usado no Exército Inglês”, mas “há apenas 1000 metros”. E embora este cabo fosse “muito pesado, 202 kg. por cada km” estava “enrolado em carretéis apropriados montados nas viatu­ras de carros de cabo, permitindo o seu desenrolamento com a viatura a trote”.

Também o “fio para a linha aérea, composto de 4 fios enrolados em hélice” estava “em boas condições de uso e serviço”.

Por seu lado, “os postes para a linha aérea são de madeira” podendo “atingir uma altura máxima de 16 pés”.

Quanto às pilhas, elas “eram dum sistema Leclanche de rolha e tampa, mas o facto de não se poderem adquirir em Lisboa aglomerados bons para os elementos, torna-lhe o funcionamento defeituoso utilizando-se apenas elementos secos”.

Por fim, o “material para o serviço ótico compõe-se de bandeiras”, “lanternas de óleo de colza ou petróleo”, “heliógrafos de Mance, muito bons para países onde há sol, como em Portugal”, e “aparelhos Mangins (heliógrafo e lanterna) bons mas de complicado funcionamento”, tudo em número de quatro.

Aparelho óptico Mangin, aqui em exercícios em Tancos

Funcionamento do Serviço

Quanto ao funcionamento do Serviço, Soares Branco aborda a questão por sectores, dando informações de cada uma das suas pequenas unidades, secções e esquadras.

Assim, “cada esquadra de cabo (…) faz o serviço indo todas as praças a pé divididas em distribuidores, marcadores, desenroladores e assentadores e verificadores, cujo serviço se faz simultaneamente atingindo-se uma velocidade de 3 a 4 km a hora”. Já as esquadras de fio trabalhavam “com o fio enrolado em carretéis no carro de fio”, não se atingindo mais que “uma velocidade de 2 ou 1 km por hora, conforme os diferentes traçados”.

Em relação ao “serviço ótico, destinado às ligações menos importantes ou a duplicar as principais, tem uma grande mobilidade para as marchas graças ao transporte do pessoal nos carros de parque e ao uso de bicicletas”, podendo “montar sempre 4 postos duplos quer de dia quer de noite”, empregando, conforme as condições, os heliógrafos Mangin ou Mance. De qualquer forma, e durante as marchas, a “Secção divide-se em dois escalões”.

No que respeita à Secção de Telegrafistas de Praça, ela “é a formação cujo pessoal é mais treinado pela sua ocupação civil e militar no guarnecimento das estacões e na construção e reparação de linhas permanentes”. Contudo, os seus “recursos, como facilmente se nota, não chegam atualmente para a multiplicidade de ligações exigidas”.

O serviço desta Secção, segundo Soares Branco, poderia aproveitar-se tanto na “guerra de movimento, na construção de transversais nas redes civis ou militares da retaguarda, reparações e serviço de estações”, como na guerra de posição”, neste caso para a “construção e conservação das linhas enterradas chamadas gerais, e no guarnecimento de estações”.

Relativamente à Secção de Telegrafia Sem Fios, Soares Branco informa que “o material desta Secção é do sistema Marconi – antena em L, com 1,5 kw de potência, 250 km em terreno plano como do Brabante belga, e os mastros em madeira da altura de cerca de 25 metros”, sendo o material “análogo ao do sis­tema inglês”. Nesta Secção “o pessoal está regularmente treinado, mas ainda não pode na sua generalidade considerar-se telegrafista de 2ª classe, embora haja algumas praças de 1ª classe”.

Marconi 1,5 KW Spark Field Set em montagem veicular

Marconi 1,5 KW Spark Field Set

Grau de instrução

Relativamente ao “grau de instrução do pessoal”, Soares Branco separa os telegrafistas de campanha dos telegrafistas de praça, informando que no primeiro caso o pessoal “está razoavelmente treinado no serviço de guarnecimento de estações, bem treinado na monta­gem de linhas de campanha de cabo e de fio”, mas que “precisa todo ele de receber instrução sobre o material inglês diferente do português e com que terá também que trabalhar”. Mas não serão necessárias mais que quatro a seis semanas para essa instrução.

Quanto às Secções de Telegrafistas de Praça, Soares Branco afirma que o seu pessoal “está treinado no serviço de estações, precisa conhecer o material inglês com que virá a trabalhar mas facilmente poderá tomar conta do serviço das estações”. Contudo, “desconhece as regras da montagem e levantamento das linhas de campanha, mas é perito no estabelecimento, reparação e conservação de linhas gerais permanentes”, pelo que a sua instrução não exigiria mais de quatro semanas.

Ainda no que respeita ao grau de instrução, seguem-se os sinaleiros de artilharia e os sinaleiros de infantaria, havendo alguma semelhança, mas também pequenas diferenças.

No que respeita aos sinaleiros de artilharia, “o seu número foi consideravelmente elevado de 5 a 15 por bataria”, sendo que o “sistema homográfico foi substituído pelo alfabeto Morse”. Por seu lado, o material telefónico foi “substituído por material inglês por o antigo não servir, era americano, e os telefones para linha simples eram só de 4 direções”.

Mas como a “maioria dos sinaleiros são quase analfabetos”, a sua instrução “deve ser demorada, pois é toda feita de novo”, tornando-se “também necessário o ensino da profissão de guarda-fio de que nada ainda até hoje lhes foi ensinado”.

Quanto aos sinaleiros de infantaria e “devido à grande maioria de praças analfabetas nesta arma, teve que lançar-se mão de soldados telegrafistas de Praça, de engenharia, para pelo menos ter 2 soldados por companhia e batalhão capazes de fazer uso do Fullerfone”. Por esta razão “a instrução destas praças deverá ser rápida e fácil”, mas “a dos restantes sinaleiros da infantaria será morosa e difícil, não sendo talvez suficiente 6 semanas”.

Conclusões e propostas

Para terminar o seu relatório ao coronel H. Moore, responsável pelo Signal Corps do 1º Exército Britânico, Soares Branco apresenta as suas conclusões e propostas:

“1. Aumentar a dotação de material das Secções de Telegrafistas de Campanha e de Praça até que os seus números igualem os da Companhia de Sinais duma Divisão Inglesa para o que se fez a devida requisição.

2. Dotar as unidades de infantaria e artilharia de material idêntico ao do Exército Inglês para o que se fez a respetiva requisição.

3. Estabelecer uma Escola de Sinaleiros em Quiestede para a Engenharia e Infantaria e uma outra Escola para a Artilharia em Therouanne, para o que já se recebeu algum material, mas para o que ainda restaria pedir às unidades logo que estas o recebam”.

Instrução na Escola de Marthes/Mametz/Thérouanne 23JUN17

Em conclusão

Analisando de forma sucinta o relatório de Soares Branco, feito pouco mais de um mês depois da sua chegada a França e após a sua rápida visita a várias unidades inglesas da frente, pode concluir-se que ele tinha a perfeita noção das suas responsabilidades e conhecia as condicionantes das tarefas que lhe competiam, para bem cumprir a missão das transmissões na frente que seria entregue ao Corpo Português.

Já sabia que o CEP se iria organizar num Corpo de Exército a duas Divisões, que as suas unidades seriam organizadas à semelhança das unidades inglesas e que também o dispositivo das forças e a sua estrutura interna não poderia ser muito diferente da das unidades que visitara no terreno. Era de facto, uma conclusão lógica.

Mas Soares Branco tinha também o conhecimento suficiente sobre o pessoal e o material de que dispunha para organizar o seu Serviço, pelo que tomara já algumas iniciativas, como a requisição dos materiais em falta e a proposta da constituição de duas escolas de formação, onde o elo mais fraco da sua cadeia de tarefas – os sinaleiros – pudesse receber a instrução necessária à sua completa formação.

A análise do seu relatório final, onde se inclui este apêndice, e que iremos continuar, dar-nos-á uma ideia mais precisa da forma como o capitão de Engenharia Soares Branco, como responsável máximo do Serviço Telegráfico do CEP, desempenhou a sua missão.

 

As TRANSMISSÕES na GRANDE GUERRA – Relatório de Soares Branco (2)

Post do Cor Aniceto Afonso, recebido por msg:

  1. A PRIMEIRA VISITA DE SOARES BRANCO ÀS UNIDADES INGLESAS

Como já sabemos, o relatório do capitão de Engenharia Soares Branco, chefe do Serviço Telegráfico do Corpo, é um documento fundamental para se compreender como funcionou este Serviço na frente de batalha, durante o período em que o CEP se manteve em França.

Já falámos das visitas que Soares Branco efetuou às unidades inglesas de diferentes escalões, logo após a sua chegada a França, a partir do final do mês de janeiro de 1917. No primeiro texto demos uma ideia geral destas visitas, nas suas grandes linhas. Mas o relatório é minucioso em relação aos aspetos mais interessantes relacionados com o funcionamento do serviço telegráfico nas unidades inglesas.

Vejamos então algumas das observações que Soares Branco considerou relevantes e que incluiu no seu relatório.

Durante a visita que efetuou ao QG do XI Corpo da Força Expedicionária Britânica, iniciada em 2 de fevereiro de 1917, são de destacar os apontamentos sobre pessoal e material e também sobre o funcionamento do Serviço Telegráfico (Signal Service). Na estação telegráfica do Corpo estavam presentes cerca de 30 elementos, com as suas especialidades e funções, que guarneciam oito aparelhos telegráficos e também o sistema telefónico, com dois indicadores, um de 40 e outro de dez direções. Na estação entravam cerca de 200 linhas, entre telegráficas e telefónicas, que eram quase todas aéreas até aos quartéis-generais das Divisões e das Brigadas.

Montagem de linhas aéreas com postes duplos

Soares Branco constatou que, para além da estação telegráfica, havia junto do Corpo, para se efetuar o serviço de comunicações, secções de cabo correspondentes às respetivas Divisões, no caso três secções. Cada uma tinha 36 elementos e fazia uso de oito carros de lançamento de cabo. Não deixa de ser interessante que Soares Branco refira a existência de 40 milhas de cabo, mas que este material “aguardava a guerra de movimento sendo expressamente proibido fazer uso dele”.

Carro de cabo português

Seguidamente, como sabemos, o capitão Soares Branco dirigiu-se para o QG da V Divisão, reconhecendo aí o respetivo Serviço Telegráfico e a Estação Central da Divisão. As comunicações telegráficas dispunham de quatro aparelhos em funcionamento e as comunicações telefónicas eram asseguradas por dois indicadores de 10 linhas, ligando às repartições do QG, ao Corpo, às Brigadas, às Divisões laterais, Comando de Engenharia, Serviço de Saúde, etc.

10 Line Field UC/MK 236 Switchboard

Um sargento, dois cabos e 13 soldados asseguravam o serviço da Estação.

No seu conjunto, o pessoal telegrafista da Divisão dividia-se em estado-maior e quatro secções. O estado-maior era constituído por um oficial, cinco sargentos, um artífice e 45 soldados, estando equipado com um automóvel, 16 motocicletas e 15 bicicletas. Por sua vez, cada secção era constituída por quatro oficiais, dois sargentos, dois artífices e 66 soldados. Cada secção tinha à sua disposição quatro carros de cabo e quatro carros ligeiros, podendo estender 52 milhas de cabo.

Estafetas motociclistas

O quadro abaixo procura dar uma ideia da distribuição do pessoal e do material das comunicações ao nível do Corpo e da Divisão:

Quadro 1, elaborado por Jorge Costa Dias

Soares Branco realça também a importância das informações que recolheu nas visitas a uma Brigada de Infantaria, a um Batalhão, e também à Artilharia, incluindo no seu relatório os números principais e a forma de funcionamento do sistema de comunicações em cada um deles.

Em relação à Brigada, menciona em primeiro lugar a Estação e depois o “Posto de Combate”. Na Estação encontrou em funcionamento um telégrafo acústico para a Divisão, dois indicadores acústicos de sete direções para os Batalhões, assim como um fullerfone com a mesma finalidade. Existia também um indicador telefónico acústico de dez linhas para as ligações internas e para os Grupos de Artilharia.

Quanto ao pessoal, serviam na Estação dois sargentos e nove praças, com as suas especialidades. O total do pessoal da Brigada ligado às transmissões era de 1 oficial, 2 sargentos e 24 soldados, que tinham para o seu serviço 18 bicicletas e quatro cavalos.

Relativamente ao “Posto de Combate” da Brigada, o melhor seria fazê-lo coincidir com a central telefónica do Grupo de Artilharia adstrito à Brigada, embora nem sempre isso fosse possível. De qualquer modo, deveriam funcionar aqui três indicadores telefónicos acústicos de sete direções para a Artilharia e um ou dois para os Batalhões, complementados com um fullerfone para os Batalhões.

Fullerphone Trench S: Usado nas trincheiras nas ligações para as Companhias e os Batalhões. © IWM (COM 176)

Soares Branco tira algumas conclusões, assim sistematizando os conhecimentos proporcionados pela sua visita. Em primeiro lugar, no caso de o posto da Brigada coincidir com o posto do Grupo, o comando daquela podia corresponder-se com os seus Batalhões, as Brigadas laterais e a Divisão; e o comandante do Grupo podia comunicar com qualquer Bateria, Batalhão ou posto de observação. Se fosse necessário instalar dois postos distintos, deveriam prever-se ligações entre os dois postos, não esquecendo que “o telefone da artilharia deve sempre permitir a transmissão de voz”. Também seria de prever um sistema de sinais óticos para comunicar com os batalhões, embora sem a comunicação recíproca.

Por sua vez, o posto telefónico de um Batalhão devia ter dois indicadores acústicos de sete direções, um fullerfone e um telefone, sendo este utilizado para as baterias e o fullerfone para as companhias.

Telephone Set D Mark III

Em qualquer caso, a duração dos serviços era sempre de 24 horas.

As ligações da Artilharia merecem um capítulo separado no relatório de Soares Branco, pelo que as abordaremos em outro texto.

O quadro seguinte é um resumo das observações feitas por Soares Branco, em relação à Brigada, ao Batalhão e também à Artilharia.

Quadro 2, elaborado por Jorge Costa Dias

Fullerphone das OGME

Do nosso leitor sr. Luiz Fernando Dias recebemos por msg o texto e as imagens abaixo, que publicamos com gosto:

Na década de 40 do Séc. passado as Oficinas Gerais de Material de Engenharia, em Belém, construíram muito material de transmissões, nomeadamente diversos modelos de telefones de trincheira, comutadores telefónicos, heliógrafos, fullerphones, lanternas de sinais, etc.

Os aparelhos, muito bem construídos, com peças cuidadosamente torneadas eram acondicionados em estojos de couro de muito boa confeção. Estiveram em uso relativamente durante pouco tempo, quando a 2ª Guerra mundial acabou, as FA começaram a ser equipadas com material americano e inglês. Nos anos 40 ainda não existia a Arma das Transmissões e as OGME produziam e reparavam todo o material de transmissões.

Considero esta peça, que pertence à minha coleção, um belo exemplar do que se fazia nos anos 40.

Fullerphone das OGME

Fullerphone das OGME

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Equipamentos de Transmissões da 1ª GM – O FULLERPHONE – Modo de funcionamento

Conforme foi referido no 1º post sobre o fullerphone (ver aqui), este surgiu da necessidade de ter comunicações seguras na linha da frente.

No início das hostilidades, logo que as posições de ambos os contendores se começavam a fixar, eram lançados circuitos metálicos de comunicação, uns paralelos à linha da frente, para ligação de unidades vizinhas, outros perpendiculares a essa linha, para ligação aos escalões superiores, à artilharia e às reservas. Estes circuitos tinham, essencialmente, as seguintes formas de lançamento:

– Dentro das trincheiras, ao longo destas, com os fios assentes no fundo ou, preferencialmente, apoiados na sua parede lateral.

– Sobre o terreno, sem protecção, ou, quando muito, dentro de pequenas valetas.

– Aéreos, assentes em suportes e isoladores improvisados, seguros em postes de madeira, cujo aspecto lhe valeu o popular nome de “comic  airlines”.

– Enterrados, utilizando cabos próprios. Solução trabalhosa e cara tentada mais tarde.

Estes circuitos eram utilizados para comunicação telefónica e telegráfica, transportando sinais de corrente alternada: no caso do telefone as frequências da voz, no caso da telegrafia uma frequência fixa modulada pelos sinais de morse (traço e ponto).

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Fig 1 – Aspecto das comic airlines

Os comandos rapidamente se aperceberam que o inimigo obtinha informações rápidas e precisas da actividade amiga sem necessidade de utilizar informações fornecidas por prisioneiros ou espiões. Concluiu-se que essas informações provinham da escuta das comunicações, aproveitando essencialmente o fenómeno de indução que permite que num fio condutor, nas proximidades de outro que conduz uma corrente alternada, seja induzida uma corrente da mesma natureza. Uma outra forma, mais simples, de intercepção, aproveitava o facto de muitas comunicações, sobretudo telegráficas, utilizarem apenas um fio, fazendo o retorno pela terra. Com equipamentos sensíveis era possível interceptar o retorno, enterrando dois pólos metálicos a uma certa distância um do outro ao longo da linha fictícia de retorno.

A solução era pois utilizar telégrafos de corrente contínua. O telégrafo de Morse estava disponível e era de corrente contínua mas os equipamentos existentes não estavam adaptados às difíceis condições da frente além de exigirem linhas com qualidade que as existentes não tinham.

Deveu-se ao engenho do capitão Fuller a solução simples e prática do problema, com a invenção do fullerphone. Trata-se de um equipamento que põe na linha impulsos de corrente contínua mas que, internamente, funciona como um telégrafo acústico.

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Fig 2 – Esquema eléctrico do fullerphone

O esquema simplificado está representado na fig 2. O equipamento é constituído por um vibrador (Buzzer), por um filtro passa-baixo constituído pelas bobinas H1e H2 e pelos condensadores C1, C2 e C3, pelo transmissor (chave de morse) T e pelo auscultador A.

O “buzzer” (vibrador) é constituído por um electroíman, com a sua armadura, que em repouso tem a posição fixa no contacto 1, por acção de uma mola. Quando se liga a bateria B o electroíman é atravessado por uma corrente que faz com que a armadura seja atraída, cortando a corrente e voltando a armadura à posição de repouso, ligando novamente a corrente e, assim, sucessivamente. Este ligar/desligar do contacto 1 possibilita o funcionamento  contínuo do vibrador com uma frequência que depende exclusivamente das suas características mecânicas, nomeadamente das dimensões e massa da armadura e da constante elástica da mola. Essa frequência variava entre os 400 e os 550 Hz, sendo regulável.

Para emitir, o operador manipula a chave T ao ritmo dos sinais de morse. Com T premido fecha-se um circuito entre o pólo positivo da bateria, contacto 4 da chave, linha L2, receptor, linha L1, auscultador A, contacto 2 da armadura e pólo negativo da bateria. Este circuito é interrompido, no contacto 2, ao ritmo da vibração do buzzer, o que permite ouvir no auscultador o sinal emitido. Esse sinal, ao passar pelo filtro H1, H2, C1, C2 e C3, é convertido num impulso de corrente contínua com a mesma duração, que é transmitido à linha.

Na recepção é o impulso de corrente contínua que chega aos terminais L1 e L2 da linha, passando sem alteração pelo filtro passa-baixo. Esse impulso é “recortado” no contacto 2 do vibrador, peloque no auscultador A é ouvido um impulso correspondente de corrente alterna.

Desta forma simples, temos um equipamento telegráfico que internamente é acústico, o que simplifica a recepção, e na linha é de corrente contínua, o que dificulta a interceção.

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Fig. 3 – Forma dos sinais no fullerphone

Na fig 3 estão representadas as formas da corrente no circuito do auscultador (corrente alterna de frequência audível) e na linha (corrente contínua), correspondentes aos sinais de morse traço e ponto, tanto em emissão como em recepção. De notar que a corrente na linha tem uma forma rectangular imperfeita, com os cantos arredondados, o que traz a vantagem adicional de tornar a audição dos sinais mais suave, evitando os “clicks” característicos da onda rectangular perfeita.

O equipamento pode funcionar em linha simples, com retorno por terra, ou em linha dupla. Permitia ligações até cerca de 30 quilómetros de distância, nas linhas de campanha então utilizadas. É claro que o alcance dependia da qualidade da linha, sendo muito maior em linha dupla do que em linha simples. De qualquer modo, para a mesma qualidade da linha, o alcance do fullerphone era muito maior que o de qualquer outro telégrafo existente na época.

Os sinais eram muito mais claros do que os dos telégrafos acústicos existentes porque, nestes, o início e o fim do sinal correspondia ao começo e final da vibração da armadura do “buzzer” com o respectivo ruído associado. Por esta razão a velocidade potencial de transmissão era maior no fullerphone que nos telégrafos acústicos.

O fullerphone não podia ser inteceptado por indução ou por fuga pela terra, mesmo nos casos de linha simples. A única forma de o interceptar era pela ligação direta à linha de um equipamento igual.

Houve notícias de intercepção, por parte dos alemães, com equipamento sofisticado (que incluía amplificadores de válvulas), mas apenas a distâncias inferiores a 60 metros do fullerphone escutado.

Como foi referido no 1º post, o fullerphone sobreviveu até à 2ª Guerra Mundial, onde ainda foi muito utilizado. O princípio de funcionamento manteve-se mas os vários modelos que foram aparecendo incorporaram a evolução técnica com a introdução de electrónica para substituir o “buzzer” electromecânico e amplificar os sinais recebidos aumentando a sensibilidade.

Grande Guerra – As Comunicações de um batalhão na linha da frente


Em 10 de Setembro de 1917, o alferes José Augusto do Carmo, chefe da Secção de Sinaleiros do Batalhão de Infantaria 1 pertencente à 6ª Brigada, apresentou um relatório sobre o funcionamento das comunicações ao nível de batalhão nas primeiras linhas. Nesta data, o Comando do CEP ainda não exercia a responsabilidade do Sector Português, estando as unidades portuguesas sob o comando operacional do XI Corpo de Exército britânico comandado pelo general Hacking. A 1ª Divisão exercia essa responsabilidade desde o dia 10 de Julho e o Corpo Português assumirá esse comando no dia 5 de Novembro de 1917, ficando subordinado ao I Exército Britânico, sob o comando do general Horne.
As brigadas pertencentes à 2ª Divisão foram assumindo a responsabilidade das suas zonas de ação, até se concluir o período de sobreposição necessário ao avanço do comando, o que veio a acontecer no dia 26 de Novembro.
Cada divisão ficou constituída por três brigadas, cada brigada por quatro batalhões e cada batalhão por quatro companhias.
Em relação às comunicações, e segundo as informações do alferes Carmo, existiam, na área do batalhão, duas redes de comunicações por fio. Havia a rede de alarme SOS ou “omnibus” só para pedidos SOS, que ligava entre si todas as estações e os postos SOS do batalhão (postos mais avançados de observação, responsáveis por emitir alarmes),os quais se serviam do telefone. Os telefones funcionavam em paralelo e eram operados por sinaleiros.
A rede normal ligava o batalhão às suas companhias, aos postos avançados, às estações dos batalhões adjacentes, às unidades de artilharia de apoio e ao comando da sua brigada. O equipamento desta rede era constituído por dois indicadores 413 e fullerfones. Os fullerfones estavam ligados às centrais 413 e eram operados pelas praças da Companhia de Transmissões de Praça.
O pessoal que operava as comunicações no batalhão era constituído por soldados da Companhia de Telegrafistas de Praça, guarda-fios e sinaleiros. Cada batalhão tinha cinco soldados da Companhia de Telegrafistas, estando um no Batalhão e um em cada companhia; os guarda-fios eram três e estavam todos no Batalhão. Os sinaleiros eram dois por companhia (oito no total), estando um destacado no posto SOS da companhia quando esta estava na frente. De uma forma geral, o dispositivo do Batalhão na frente contava com duas companhia em primeira linha, uma em apoio e outra em reserva, embora os trabalhos fossem ininterruptos. As rotações faziam-se quase sempre com intervalos de seis dias.

O relatório atrás referido do alferes Carmo está estruturado da seguinte forma:
– Comunicações telefónicas estabelecidas
– Aparelhos empregados nas estações e postos
– Forma como o pessoal foi distribuído
– Como desempenharam a sua missão
– Como é pedido o auxílio da artilharia pela infantaria
– Como está montado o serviço de correspondência
– Informações diversas
O relatório, muito sintético e objetivo, dá uma ideia muito aproximada do funcionamento das comunicações ao nível do batalhão, apresentando as principais tarefas e dificuldades enfrentadas pela Secção de Sinaleiros. Publica-se integralmente.

CEP, 2ª Divisão, 6ª Brigada, 1º Batalhão
Secção de Sinaleiros de Infantaria nº 1
Relatório

Comunicações telefónicas estabelecidas.
Existiam no Batalhão em que fiz serviço duas redes de comunicações, uma, a omnibus ou de SOS, que ligava entre si todas as estações e postos os quais se serviam do telefone; outra, a normal, que permitia comunicações pelo fullerfone entre as estações do Batalhão e as que se lhe ligavam da retaguarda.
Junto a este relatório vão os respetivos esquemas.
Pelo primeiro destes sistemas, só é permitido falar-se quando em caso de SOS e mesmo assim limita-se o despacho a SOS e indicação do setor que o pediu. Pelo outro são enviados os outros despachos, mesmo de carácter D.D.
Aparelhos empregados nas estações e postos.
Na central do Batalhão bem como nas estações das Companhias existiam fullerfones. Em virtude do número de ligações no Batalhão existiam 2 indicadores 413, 2 fullerfones e 2 telefones, um para o SOS e outro para a verificação das linhas.
Cada estação está munida de um telefone ligado à linha do SOS e existem no sector de cada Companhia da frente e na 1ª linha um posto munido de um telefone e que é chamado posto de SOS, visto que é dali que parte em caso de perigo essa indicação, que é ouvida no Batalhão e em todas as companhias.
Os fullerfones que vi empregar eram os I e os telefones, franceses.
Forma como o pessoal foi distribuído.
Coloquei em cada Companhia um soldado da CTP e 2 sinaleiros. No Batalhão, um soldado da CTP e 3 praças como guarda-fios.
O sargento fazia serviço na central do Batalhão, e todos os sinaleiros passaram por todas as situações: companhias da frente, apoio, reserva, postos de SOS e central do Batalhão.
Como guarda-fios guardei os inaptos para sinaleiros. Esses acompanharam sempre o serviço que hão de desempenhar.
Como desempenharam a sua missão.
Se atender ao pouco tempo de instrução que tiveram na Escola (1), ao facto de nem todos terem sido sinaleiros, e ao conhecimento de que não tenham responsabilidade no desempenho do serviço, portaram-se a contento.
No entretanto, é preciso substituir alguns homens, para o que já estou dando instrução a igual número.
Como é pedido o auxílio da artilharia pela infantaria.
Quando é necessário bater um ponto inimigo pela artilharia, o fogo é pedido pelo Batalhão às baterias que o apoiam.
Em caso de SOS, para maior rapidez, e segundo as instruções, é comunicado ao Batalhão telefonicamente o sector que periga e este, por sua vez, comunica às baterias.
Se falta o telefone usam-se os outros meios de comunicação e em último caso foguetões, que bastam só por si para que a artilharia faça fogo sobre a frente inimiga indicada pela direção em que os foguetões foram lançados.
Como está montado o serviço de correspondência.
A central do Batalhão é ao mesmo tempo posto de correspondência. Esta é agrupada ali conforme a proximidade dos seus destinos e enviada pelos ciclistas e estafetas apeados. A correspondência urgente é enviada imediatamente, e é considerada urgente a que se refere a munições, para o que lhe basta a indicação no envelope “Munições”.
Este serviço é fiscalizado nos recibos que o destinatário assina e que registam as horas da entrega e do recebimento, nº da correspondência e destino.
Informações diversas.
Não se utilizam nas trincheiras, nem bandeiras, nem discos.
Não vi tão pouco utilizar as lanternas de sinais. Julgo possível e conveniente o seu emprego em comunicações da frente para a retaguarda para postos que não dariam conferências nem entendidos.
Cada linha tem a sua linha de reserva, que passa por itinerário diferente.
As linhas passam em diversos sítios por caixas de experiências, para mais facilmente se conhecerem as avarias e as reparar.
Em Campanha, 14 de Setembro de 1917
José Augusto do Carmo
Alf. Infª. 1”.

(1) Refere-se à Escola de Sinaleiros, em França, que dava instrução aos sinaleiros, de telefonia acústica (buzzer), telefonia por voz e telegrafia ótica com bandeiras, com quadro venezianos e lâmpadas (lanternas).

 

Rede SOS

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Rede Normal

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Ainda a lanterna Lucas de sinais

Do nosso leitor sr Luiz Fernando Dias recebemos, a propósito da recente publicação do manual de instruções da lanterna Lucas, o seguinte comentário/post, que muito agradecemos:

No final da década de 30, princípios dos anos 40 do século passado, foram construídos nas Oficinas Gerais de Material de Engenharia diverso material de transmissões: Telefones de Campanha, Comutadores Telefónicos, Fullerphones, Heliógrafo m/38, Lanternas de sinais (tipo Lucas), etc.

A lanterna de sinais fabricada pelas OGME era cópia exacta da Lanterna Lucas, muito bem executada, não ficava nada atrás da original. Contudo o corpo da lanterna era de alumínio, ao contrário da original que era de latão.

A caixa era de madeira tal como a lanterna Lucas da primeira geração, como se pode ver no desenho do folheto de instruções. Penso que estas instruções são de 1928, logo anteriores ao fabrico da Lanterna OGME.

Mais tarde, na 2ª Guerra Mundial, a Lanterna Lucas passou a ter a caixa metálica, chegando a estar em uso no nosso Exército.

Tenho uma vaga ideia que existe um exemplar destes no Museu de Transmissões, na Graça.

Da minha coleção junto uma fotografia de uma Lanterna de Sinais, fabrico OGME, anos 40, numa exposição em Torres Vedras efectuada em 2004.
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Heliógrafo português m/938 C comunica a 38,5Km na Alemanha

Através de um post colocado neste blogue no dia 16ABR2013 (ver aqui) foram dados a conhecer alguns elementos relativos ao heliógrafo português modelo 938 e ao modelo italiano da OMI em que se inspirou.

No passado dia 17 de Junho este blogue foi contactado pelo Dr Joerg Noack, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva de Leipzig (radioamador DG2ORK), através da seguinte mensagem:

Exmos. Srs.:

Somos um grupo de entusiastas da Alemanha que promovem Ciências Naturais para alunos do ensino secundário e jovens estudantes.
Entre os nossos projectos actuais conta-se a comunicação óptica com heliógrafos. O objetivo deste projecto é ensinar os princípios físicos e ópticos por detrás desta tecnologia, e mostrar como este tipo de comunicação foi usada no século passado.
Temos vindo a utilizar com sucesso heliógrafos portugueses do tipo 938C (números de série 116, 1489, 2580) em transmissão Morse, numa distância superior a 38,5km.
Sabemos, através do V/ site, que o modelo 938C é baseado num heliógrafo italiano da OMI, e que foi fabricado na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa, entre 1920 e 1940.
Estamos à procura de outras informações sobre a história do heliógrafo 938C, e ficariamos muito gratos por qualquer ajuda que nos possa dispensar nesse sentido, nomeadamente no que diz respeito a manuais, planos de construção, informações sobre a Fábrica de Braço de Prata, e uso de heliógrafos no Exército Português.

Se fosse possível, seria mais fácil para nós comunicar em Inglês.
Obrigado desde já pela V/ atenção.
C/ melhores cumprimentos,
Jörg Noack

Heliógrafo português m/938C utilizado (foto Dr Jörg Noack)

Heliógrafo português m/938C utilizado (foto Dr Jörg Noack)

Heliógrafo italiano OMI utilizado (foto Dr Jörg Noack)

Heliógrafo italiano OMI utilizado (foto Dr Jörg Noack)

No seguimento da nossa pronta resposta, o Dr Noack enviou-nos amavelmente logo no dia seguinte mais a seguinte mensagem, dando conta do êxito alcançado por ele e pelo Dr. Karsten Hansky (DL3HRT) numa transmissão por Morse visual entre um modelo português (m/938c) e o heliógrafo OMI em que o nosso se baseou, efectuada nesse mesmo dia entre Seitz e Leipzig, na incrível distância de 38,5 Km:

Dear José Manuel Canavilhas,

Thank you very much for your friendly reply. I did not expect any feedback that fast!
I have to admit, that I do not speake any Portuguese. So I will forward your compliments to my colleague, who did the translation 🙂
Please let me introduce Dr. Karsten Hansky (DL3HRT). He is the driving force behind the heliograph project. Karsten, like me, is a radio amateur interested in everything connected to light.
We did know, that the 938C was made for just 4km. However, Karsten is a serious scientist and a very curious mind. After some calculation he convinced me to try to heliograph between Zeitz and Leipzig over the distance of 38,5km. So we did it – and to our big surprise, it worked! I could even see the signal from Karsten’s 938C with naked eye.
Bright sunlight is not very common in our area, so we had to wait for this moment for many weeks.
However, we did it again today. Karsten operated an italian heliograph from OMI at a location above the city of Zeitz. I used a 938C at the roof of your institute in Leipzig. The distance was about 38,5km.
It is unbelievable, how far heliograph communication with these small mirrors works. The alignment of the heliographs over this distance is the most crucial step and requires a lot of adjustment. Fortunately, the OMI heliograph has a build in magnifying telescope that helps a lot.

(Muito obrigado pela sua resposta amigável. Eu não esperava um feedback tão rápido!
Eu tenho que admitir que eu não falo Português. Por isso vou encaminhar os seus elogios ao meu colega que fez a tradução 🙂
Por favor, deixe-me apresentar o Dr. Karsten Hansky (DL3HRT). Ele é a força motriz por trás do projeto heliógrafo. Karsten, como eu, é um radioamador interessado em tudo relacionado com a luz.
Nós sabemos que o 938C foi feito para apenas 4 km. No entanto, Karsten é um cientista sério e uma mente muito curiosa. Depois de alguns cálculos, ele convenceu-me a tentar heliografar entre Zeitz e Leipzig numa distância de 38,5km. Então nós fizemos isso – e para nossa grande surpresa, funcionou! Eu pude até ver o sinal do 938C do Karsten a olho nu.
A luz solar brilhante não é muito comum na nossa área, por isso tivemos que esperar por esse momento por muitas semanas.
No entanto, nós fizemos isso novamente hoje. Karsten operava um heliógrafo italiano da OMI num local acima da cidade de Zeitz. Eu usei um 938C no telhado do nosso instituto em Leipzig. A distância era de cerca de 38,5km.
É inacreditável quão longe a comunicação heliográfica com estes pequenos espelhos funciona. O alinhamento dos heliógrafos para estas distâncias é o passo mais importante e requer um grande ajustamento. Felizmente o heliograph OMI tem incluída ampliação telescópica, o que ajuda muito.)

Zeitz_Leipzig

O heliógrafo OMI visto a olho nu

O heliógrafo OMI visto a olho nu (foto Dr Jörg Noack)

Além desta informação e destas imagens, o Dr Noack enviou-nos também um ficheiro em que se pode ver a transmissão efectuada pelo heliógrafo português (e também do OMI). Infelizmente, o alojamento deste blogue (gratuito) não nos permite colocar aqui videos, mas os nossos leitores poderão ver essas imagens acedendo a este endereço.
No caso do m/938C, os sinais são visíveis contra o fundo mais escuro do edifício do Instituto de Leipzig, situado um pouco à esquerda da mais alta chaminé. No caso do OMI, este situa-se na linha do horizonte, um pouco à esquerda da torre metálica, tal como também é visível na imagem acima, onde está assinalado por um circulo.

Uma ultima nota, para chamar a atenção desta louvável iniciativa de explorar física e empiricamente este antigo sistema óptico de comunicações, e, sobretudo, de procurar envolver jovens alemães no entusiasmo pelo conhecimento destes ainda hoje úteis equipamentos. Algo que deveríamos procurar fazer em Portugal, com este e outros sistemas visuais, que foram da maior importância no nosso país.

Grande Guerra -IV- Divisão de Instrução, manobras de 1916 – 5ª parte

As comunicações na Divisão de Instrução, nas manobras de 1916 

Aniceto Afonso
Jorge Costa Dias

 

5. 2 As comunicações na Divisão de Instrução – Instrução

Foi a instrução nº12 da 1ª Repartição do Quartel General que estabeleceu a instrução a ministrar às secções de Telegrafistas de T.S.F. e de Campanha T.P.F. durante as manobras.

– Secção TSF
A Secção de TSF, durante todo o período dos exercícios, dedicou-se à tarefa de instalar a estação de TSF Marconi (MM1), assim como à prática de recepção pelo ouvido, à prática dos motores TSF e ao estabelecimento de comunicações com Lisboa (MM2) e com o Alfeite (Marinha).

– Secção TPF
A instrução em Tancos para os telegrafistas de campanha abrangeu as comunicações telegráficas e telefônicas, assim como os heliógrafos e as bandeiras.
Vejamos alguns dos materiais que foram usados:

Telefones
Foram usados telefones e a central telefônica Ericson e também os telefones de Cavalaria.

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Heliógrafos
Foi usado na instrução o heliógrafos de Mance.

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Heliógrafos e lanterna de Mangin

E também o heliógrafo e lanterna de Mangin.

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Bandeiras
Também foi ministrada instrução de bandeiras, que podiam utilizar o código Morse ou o alfabeto homográfico.

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Bandeiras e códigos
No código Morse, com apenas uma bandeira, havia três posições – posição normal, posição de ponto e posição de traço.

 

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– Esquadras de construção
A partir de 5 de Junho iniciou-se a instrução programada para as diversas especialidades da Secção de TPF e assim, no período de 5 de Junho a 15 de Julho, as esquadras de construção praticaram:
Construção de linhas permanentes
Construção de linhas de cabo
Construção de linhas de fio

 

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– Serviço Ótico
As esquadras de serviço ótico praticaram a utilização de:
Heliógrafo de Mance na ligação do Alto de D. Luís com o Alto da Conceição e de Mangin na ligação do Alto de D. Luís com o Alto da Barquinha, assim como o uso de bandeiras na ligação Casal do Rei com Cascalheira do Freixo.

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11 ligação por bandeiras

– Tarefas dos telegrafistas
Durante todo o período de manobras, as tarefas dos telegrafistas consistiam em treinar os procedimentos telegráficos, assegurando o funcionamento das estações, garantirem o apoio e as ligações entre as unidades e assegurarem as ligações durante as marchas.

 

 

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– Mapa
No conjunto de exercícios do período de instrução pode destacar-se o exercício de grandes destacamentos mistos realizado em 24 e 25 de Julho no planalto da Barquinha no qual se confrontavam a 1ª BI (P.V.), na defensiva, e a 2ª BI (P.A.) no ataque. Reparar que o terreno foi organizado para a defensiva, reconhecendo-se as trincheiras.

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– Instalação de tropas e ligações
Neste exercício, a Secção de TPF instalou e explorou a partir do QG as linhas de cabo para a estação telegráfica da Barquinha, para a Reserva Geral e para o Alto das Éguas e uma ligação ótica também para o Alto das Éguas. Os telefonistas de infantaria instalaram a rede telefónica de serviço ao exercício, assim como uma ligação ótica.
Na imagem apresentam-se as ligações na zona da ação da 1ª BI, que estava na defensiva.

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– Esquema do exercício
No seu conjunto, o exercício pode ser representado como se vê na imagem.

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– Ação sobre Atalaia
Por sua vez, o exercício de Divisão (o maior exercício efetuado durante o período de manobras) foi realizado de 29 a 1 de agosto, concretizando-se através de uma ação sobra a Atalaia. Neste exercício, a Secção TPF teve como missão garantir as ligações durante as marchas, utilizando as estações civis e montando as linhas necessárias para acompanhar as movimentações.

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Os trabalhos efetuados nas manobras de Tancos pelas tropas de transmissões situaram-se em bom nível e apoiaram com bastante eficácia as unidades operacionais, acompanhando as suas movimentações. Testaram os seus conhecimentos e os materiais utilizados. Para aqueles que vieram a integrar o C.E.P., como por exemplo o seu responsável máximo, capitão Soares Branco, foi uma experiência muito útil.

 

6. Balanço dos exercícios militares

Conclusões
Como balanço deste nosso estudo, como dissemos ainda incompleto, escolhemos alguns trechos de relatórios de unidades participantes:
“A intensidade da instrução em Tancos levou-nos a marchas longas bastante penosas, debaixo dum calor ardentíssimo e perfeitamente cercados de nuvens de pó, pois nem assim os nossos soldados deixaram de cumprir com o seu dever” (Coronel Barreira, 2º Regimento da 1ª BI);
“Nas localidades, nenhumas notas discordantes se deram, havendo localidades em que todos, à porfia, primavam em atenções para oficiais e praças que, pela sua conduta irrepreensível, souberam corresponder ao acolhimento amigável que lhes era feito” (Coronel Fragoso, 1ª Brigada).
“Como consequência da falta de educação militar, deriva-se naturalmente a ausência de um espírito disciplinado, sofredor e obediente (…) Tive ocasião de notar que nos diferentes exercícios executados, não havia aquele empenho e aquela coesão e decisão indispensáveis para justificar a transição para as diversas fases dos combates” (Tenente-coronel Veiga, 1º Grupo de Metralhadoras).
“Praticaram-se todos os sistemas de ligações – cadeias de homens, ordenanças, sinais óticos, telefone e telégrafo, sendo digno de registo o desembaraço das tropas de engenharia na montagem e desmontagem dos dois últimos sistemas e na receção e transmissão dos despachos.
Os diversos meios de ligação, mais na ofensiva do que na defensiva, em que aquelas se tornam mais fáceis e práticos, nem sempre foram utilizados conforme as reservas disponíveis, situação tática, natureza do terreno e rede de comunicações, e daí as ordens, informações e notícias chegarem muitas vezes tardiamente, perdendo todo o valor” (Coronel Almeida Fragoso, comandante da 2ª BI).

Em suma, podemos concluir que as manobras de 1916 em Tancos, com a concentração de uma Divisão a duas Brigadas, foi uma decisão politicamente necessária, mas militarmente questionável. Os temas estavam desadequados em relação ao que se praticava quase desde o início da Guerra, na Frente Ocidental. As manobras testaram as capacidades militares do Exército, mas não serviram de grande lição.

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Grande Guerra -IV- Divisão de Instrução, manobras de 1916 – 3ª parte

As comunicações na Divisão de Instrução, nas manobras de 1916 

Aniceto Afonso
Jorge Costa Dias

 

4. Breve História das Transmissões no Exército Português até 1916

A primeira unidade militar de Transmissões em Portugal foi o Corpo Telegráfico, criado em 1810, pioneiro das telecomunicações militares e civis em Portugal.

regulamento de 1810 corpo telegráfico 80X80

Introduziu no país dois sistemas que revolucionaram as telecomunicações da época no país.Em primeiro lugar, a telegrafia ótica, a qual funcionou com base no telégrafo de ponteiro

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e no telégrafo de postigos

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inventados por Francisco Ciera, que estiveram presentes na defesa das Linhas de Torres, e cuja utilização se prolongou até 1855 na rede nacional, altura em que foi substituída pela telegrafia elétrica.

Em segundo lugar, a telegrafia elétrica, que foi operada pelo Corpo Telegráfico de 1855 a 1864, e posta ao serviço do público nacional e internacional. Começou por utilizar telégrafos Breguet

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Breguet-Telegraph-Transmitt

que foram depois substituídos por mesas de telégrafo Morse.

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Em 1864 o Corpo Telegráfico foi extinto. O seu pessoal foi integrado numa organização civil do Ministério das Obras Públicas, a Direção Geral dos Telégrafos e Faróis.
A estratégia para a reintrodução das Transmissões no Exército deveu-se a Fontes Pereira de Melo e traduziu-se na inauguração, em 17 de setembro de 1873, da 1ª rede telegráfica militar com 13 estações, e em 1884, com a criação da Companhia de Telegrafistas do Regimento de Engenharia.

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Em 1901, por decreto de 7 de Dezembro, foi criada a Companhia de Telegrafistas de Praça.
Só com a reorganização do Exército de 1911 é que veio a ser criado, em 1913, o Batalhão de Telegrafistas de Campanha com uma Companhia de Telegrafistas por Fio (TPF) e uma Companhia de Telegrafistas sem Fio (TSF).
Voltando ao século XIX, devemos acrescentar que se assistiu à expansão da rede telefónica, que no início usou o telefone de mesa de Bramão concebido em 1879 por Cristiano Augusto Bramão (oficial do Corpo Telegráfico)

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e que é considerado uma referência a nível internacional, porquanto é o primeiro aparelho do mundo que apresenta, reunidos numa única peça, o auscultador e o microfone.
As redes de comunicações conheceram uma crescente expansão entre os finais do século XIX e início do século XX, como mostram os mapas das redes existentes nesta época:
Rede de pombais, que se manteve até à década de 30 do século XX;

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Rede de heliógrafos, que ainda fazia serviço em 1933.

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A rede telegráfica, que conheceu uma enorme expansão em todo o território nacional, era o principal meio de comunicação quando a Divisão de Instrução se concentrou em Tancos.

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Em relação à telegrafia sem fios (TSF), o Exército realizou em 1901 as primeiras experiências de rádio com material encomendado ao fabricante francês Ducretet, que era constituído por um emissor e por um recetor Ducretet.

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Em 1909 foram adquiridas 4 estações de telegrafia elétrica Telefunken, sendo duas fixas e duas de campanha hipomóveis (MT1 e MT2).

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De 1915 a 1917 foram adquiridas 11 estações Marconi – 5 a dorso, 3 hipomóveis e 3 automóveis.

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Em Abril de 1916 havia no Batalhão de Telegrafistas de Campanha quatro estações de TSF, pois algumas das adquiridas tinham sido mobilizadas com as expedições para Angola e Moçambique.
Eram elas:
Em serviço combinado com a Divisão Naval havia uma estação Telefunken (MT1) em S. Julião da Barra e outra (MT2) em Cascais.
Para mobilizar com a Divisão a constituir, existiam duas estações Marconi (uma MM1 e uma outra MM2), ambas no Batalhão de Telegrafistas de Campanha.

Galeria

Visita da CHT à exposição Comunicações Militares em Loures

Esta galeria contém 18 imagens.

Vários membros da Comissão da História das Transmissões visitaram a exposição que está patente em Loures, no edifício 4 de Outubro (antigos Paços do Concelho, onde, nesse dia do ano de 1910, cerca das 15h, foi hasteada uma bandeira com as cores republicanas e … Continuar a ler

Equipamentos de transmissões da 1ª GM – O “Fullerphone”

O “fullerphone” e o “power buzzer”, que permitia a telegrafia pelo solo (TPS), foram as duas novidades tecnológicas nas comunicações da 1ª GM. Todavia, enquanto o “power buzzer” rapidamente caiu em desuso, ultrapassado pela TSF, o “fullerphone” foi um sucesso, sendo sucessivamente melhorado, de tal forma que na 2ª GM ainda foi muito utilizado.

Confesso que antes de me debruçar sobre o material de transmissões usado pelo CEP, na 1ª GM, ouvia falar do “fullerphone” convencido que se tratava de um telefone. Na verdade, trata-se de um telégrafo cujos sinais são recebidos pelo operador sob a forma de sons, daí o sufixo “phone” no seu nome. A confusão aumenta ainda um pouco porque, como a corrente que o “fullerphone” mete na linha é contínua, é possível acoplar-lhe um telefone fazendo passar, nessa linha, em simultâneo, sem interferência, uma conversa telefónica e uma ligação telegráfica. Quase todos os modelos de “fullerphone” incorporavam um telefone, aproveitando esta característica. Para essa funcionalidade tinham um micro auscultador, igual ao dos telefones, que permitia a conversação telefónica e, para  os sinais telegráficos, tinham um auscultador, simples ou duplo, para os receber e uma chave de morse para os transmitir.

O telégrafo de Morse tinha sido inventado em meados do sec XIX, entrando de imediato ao serviço das comunicações militares e, por isso, era um meio disponível no início da 1ª GM. O telefone estava também disponível mas havia poucos equipamentos adaptados às duras condições das trincheiras. Os telefones existentes eram, essencialmente, de dois tipos, conforme o circuito de chamada: de magneto e de “buzzer” ou acústicos. Estes possuíam um vibrador (“buzzer”) para gerar um sinal alterno, de baixa frequência, que fazia actuar a campainha do telefone chamado ou fazia cair um alvo da central telefónica. Na frente, estes telefones eram muitas vezes utilizados para transmitir grafia, usando exclusivamente o seu circuito de chamada comandado ao ritmo dos sinais de morse.

As forças aliadas rapidamente se aperceberam que as comunicações estavam a ser escutadas pelo inimigo, provavelmente aproveitando o fenómeno de indução característico das correntes alternas. Foi esta constatação que levantou a necessidade de desenvolvimento de um equipamento telegráfico portátil, robusto, de corrente contínua, que pudesse ser utilizado na frente da batalha.

Deve-se ao engenho do Capitão ( mais tarde Major General) Algernon Clement Fuller a invenção do equipamento que satisfazia tais condições, com uma tecnologia completamente nova, que tentarei descrever em próximo artigo.

Na verdade, o equipamento desenvolvido pelo Cap Fuller revelou-se um sucesso. Era relativamente simples, com poucas componentes, o que permitia construí-lo numa caixa pequena e robusta. Era de fácil operação, com uma chave de morse para emitir e um auscultador para receber. Era extremamente sensível: 0,5 microampere na linha era suficiente para ouvir o sinal e 2 microamperes eram suficientes para uma escuta confortável ( isto em comparação com os 50 – 500 miliamperes necessários no telégrafo de Morse). Esta última característica permitia a utilização de linhas mais longas, de linhas de pior qualidade e, às vezes mesmo, permitia a comunicação com linhas cortadas, aproveitando a condutibilidade do solo entre as pontas da linha cortada.

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Foto de Fuller retirada do programa da BBC “The One Show” de 25/03/2015

Durante a 1ª GM foram utilizados vários tipos de “fullerphone”. O Ten Cor Soares Branco refere os seguintes modelos ao serviço do CEP[i]: PO, I, S, W, D3, F e Nº237

Existe uma publicação da “Arma de Engenharia – Serviço de Transmissões” com a descrição e funcionamento dos “fullerphones” existentes no Exército Português. Retirei dessa publicação a descrição dos vários modelos:

– PO (refere-se normalmente ao PO mark 235, existindo também o PO mark 237)

Foi construído pelo “Post Office”, daí a designação.   Está encerrado numa caixa de madeira, dividida em 2 compartimentos, ambos munidos de tampa com charneira. O compartimento superior contém a chave de morse ou transmissor e restantes botões de comando, bornes de ligação à linha e o vibrador. O compartimento inferior, bipartido, contém, num dos lados, os restantes componentes do circuito eléctrico e, no outro, as pilhas. A caixa tem as dimensões de 25x25x23 cm e pesa 7 kg.

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Exemplar do Fullerphone  PO 235 existente no museu das transmissões

– I

Posui um potenciómetro ajustável para anular o efeito das correntes parasitas, melhorando a recepção. As dimensões são: 25,5x27x18,5 cm, e o seu peso 6,9 Kg;

– S

Está encerrado numa caixa de madeira, possuindo uma correia para o transporte a tiracolo. As suas dimensões são: 27,5×13,5×20,3 cm, e o seu peso 4,6 Kg;

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Fullerphone Trench S (fonte: Imperial War Museum)

– W

Semelhante ao modelo S. As suas dimensões são: 25×13,5×20,5 cm e o peso 3,7Kg;

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Fullerphone Trench W (Modelo existente no Museu das Transmissões)

– D3 (ou D. mark III)

É constituído por uma caixa de ebonite encerrado numa bolsa de couro, tendo a pilha noutra bolsa de couro, cosida à primeira. A caixa de ebonite tem dois compartimentos, um mais alto que o outro, com o fundo metálico, para ligação directa à terra. Sobre a tampa do compartimento mais baixo e mais largo, estão montados a chave de morse, outros comutadores e os bornes . As suas dimensões são: 17x25x24 cm, e o seu peso 4 Kg;

 

TrencD_ajustado

Fullerphone Trench D (fonte: Imperial War Museum)

 

– F

È semelhante ao D. mark III, mas encerrado numa caixa de madeira;

– Nº 237

Deve tratar-se do modelo PO mark 237 . Penso que seja semelhante ao PO mark 235. Não encontrei dados a ele referentes.

 

Os modelos D, F, S e W são designados “de trincheira”, enquanto os modelos PO eram considerados de gabinete.

 

No final da guerra foi construído o “fullerphone Mark III” ( não confundir com o “D. mark III”, anterior) que foi o modelo de maior longevidade. Foi utilizado até cerca de 1937, ano do aparecimento do “Mark IV”, utilizado durante a 2ª GM. Posteriormente apareceram ainda os modelos “Mark V” e “Mark VI”.

[i] A Batalha de “La Lys” e as transmissões, Revista de Artilharia .

Tancos, as manobras de 1866 e a telegrafia de campanha

O Polígono militar de Tancos, onde se situaram a Escola Prática de Engenharia (hoje Regimento de Engenharia nº1), o Batalhão de Caçadores Pára-quedistas, mais tarde Regimento de Caçadores Pára-quedistas, mais tarde ETAT (hoje Escola de Tropas Pára-quedistas), a Base Aérea nº 3 – onde eu vivi 10 anos, mais tarde CTAT (hoje Unidade de aviação ligeira do Exército) e o Batalhão de Transmissões nº3 do Casal do Pote (extinto em 1967) é bem conhecido dos militares portugueses, sobretudo dos mais antigos, e das populações da área, nomeadamente Entroncamento, Tomar, Abrantes, Tancos, Constância e Praia do Ribatejo, onde ainda hoje residem muitos reformados militares e seus familiares.

O Polígono militar de Tancos, hoje (vista Google)

O Polígono militar de Tancos, hoje (vista Google)

Limitado aproximadamente pelas povoações de Tancos (civil) a oeste, pelo Tejo a sul, até à Praia do Ribatejo (antiga Paio de Pele), Fonte Santa, Vale de Poços e Madeiras a leste, e pelo Seival, a noroeste, ocupa uma área de cerca de 380 hectares.

O que muitos desconhecem é que a sua existência remonta a 1866, quando ali foi criado, numa charneca cheia de mato e pedras, e em tempo recorde, um Campo de Instrução e Manobra para o Exército. Decidida a aquisição dos terrenos, que decorreu de forma amigável com as dezenas de proprietários, pela quantia total de 14.725,752 réis, foi possível construir no reduzido tempo de cerca de 40 dias (a brigada de engenharia começou a trabalhar no dia 21AGO) um enorme campo militar para alojamento e exercício do Exército, com 274 construções em madeira, centenas de barraquins de lona, paióis, hospital, enfermaria veterinária, cavalariças, matadouro, padaria, cozinhas, refeitórios, correio, abastecimento de água, etc, a tempo de receber os milhares de homens que ali se começaram a juntar no dia 01OUT1866. Este terá sido o primeiro “milagre de Tancos“, a que se seguiu, na primavera de 1916, um outro, mais conhecido, que foi a extraordinária improvisação para, em três meses, transformar o polígono militar de Tancos, na ocasião estendido até à planície de Montalvo, a meio caminho para Abrantes, numa estrutura capaz de receber e treinar uma divisão de instrução com vinte mil soldados. O Corpo Expedicionário Português partiria em Janeiro de 1917 para combater na Flandres, a nossa frente europeia na Grande Guerra

Acampamento-Tancos

Parte do acampamento em 1916

Montalvo

O grande desfile militar em Montalvo (22JUL1916)

O detalhado relatório final, publicado em 1868, mas escrito em 1867, da responsabilidade do Coronel do Corpo do Estado Maior António de Mello Breyner, que fora o Sub-chefe do EM do Campo, merece ser aqui destacado nos aspectos mais marcantes, nomeadamente os que referem a utilização, pela primeira vez em Portugal, da telegrafia eléctrica em campanha:

Relatório sobre o Campo de Instrução e Manobra
que teve lugar na Charneca de Tancos
no mês de Outubro de 1866

Sendo reconhecida a necessidade de dar ao exercito uma instrucção pratica e desenvolvida do serviço de campanha, e de se adextrar nas grandes manobras e exercícios, foi decretado na organisação do exercito de 20 de dezembro de 1849 o estabelecimento de um campo do instrucção, determinando-se por portaria de 18 do março de 1861 que o campo de instrucção fosse estabelecido no sitio das Vendas Novas, indo ali durante um até dois mezes, no outono de cada anno, a força que o governo designasse para aquelles exercícios.

Esta útil medida, apesar de se haverem feito alguns trabalhos preparatórios, não pôde levar-se a effeito, até que no anno passado o ex.mo ministro da guerra, António Maria de Fontes Pereira de Mello, avaliando a sua importância e a vantagem que d’ahi resultaria ao exercito, vencendo todas as difficuldades e removendo todos os embaraços que se apresentavam, ordenou a formação do campo, nomeando previamente, por portaria de 9 de julho do mesmo anno uma commissão com o fim de propor todas as medidas para a realização d’aquclle pensamento, e de modo que resultasse ao exercito a máxima instrucção e disciplina.

A commissão, em desempenho da sua missão, tratou de proceder ao exame dos terrenos próximos da capital, em que se podesse estabelecer o campo em questão, o não os encontrando com as precisas condições, nem mesmo a Granja do Marquez de Pombal, entre Cintra e Mafra, que lhe fora indicada, dirigiu suas vistas para o campo das Vendas Novas, e para a charneca de Tancos, tendo de abandonar o primeiro, comquanto fosse o marcado, como dito fica, pelo encontrar pouco salubre, aceitando a segunda localidade, comquanto a 115 kilometros distantes de Lisboa, mas por ser de fácil communicação, tanto pelo caminho de ferro como pelo Tejo, ordenando a alguns dos seus membros que ali fossem para a reconhecer e examinar.

A commissão delegada marchou no dia 25 de julho para proceder ao reconhecimento do terreno, sua extensão, natureza do solo, qualidade e quantidade das aguas nativas, dando em seguida parte do que encontrara; mas reconhecida a necessidade da competente planta, para mais segura informação, foi esse trabalho encarregado a uma brigada do corpo do estado maior, que já havia levantado a da Granja do Marquez, e que com a maior presteza e perfeição com que são feitos todos os trabalhos d’aquelles officiaes, a levantaram na escala de 1 para 5:000, entregando-a depois á commissão delegada, que em presença d’esse documento pôde rectificar a sua primeira informação, de que o terreno era bom, sadio, ponto importante com relação á defeza do paiz, de fácil communicação com a capital, com boas aguas nativas, mas em pequena quantidade, podendo porém a sua falta ser supprida com as do rio Zêzere, ou do Tejo, comquanto de difficil trabalho, pela altura a que tinham de ser elevadas as primeiras, que todavia julgava preferíveis ás segundas, porquanto se havia de sujeitar o serviço do campo, ao do caminho de ferro, por ter a canalisação de o atravessar; notando por ultimo que para o fim destinado, achavam que o campo só admittia para acampar, satisfazendo-se a todos os preceitos escriptos, e tendo um bom campo de alarme para manobra, a força de 4:000 até 6:000 homens de todas as armas.

A charneca de Tancos é quasi plana, numa elevação de 50 a 60 metros acima dos rios Tejo e Zêzere que a limitam pelo sul e leste, e 40 a 50 metros pelo norte e sul, pelas ribeiras do Seival e de Tancos, comprehendendo uma área de 380 hectares, e o seu perímetro de proximamente 7:200 metros correntes.

Recebidas pelo ex.mo ministro da guerra estas informações, mas querendo ter toda a certeza da salubridade do campo, ordenou que dois facultativos militares acompanhassem a commissão informadora, que ali tornou no dia 27, dando-se depois parte da exactidão com que, mesmo pelo lado da sanidade, tinha sido apreciado aquelle local. Julgado portanto o campo em boas condições, por portaria de 3 de agosto foi determinado o estabelecimento do acampamento na charneca mencionada, para os exercícios e manobras no anno findo, esperando-se d’esse ensaio, para definitivamente se resolver, se aquelle terreno poderia com vantagem ser destinado permanentemente para aquelle fim.

Planta do Campo de Instrução e Manobra

Planta do Campo de Instrução e Manobra (clique na imagem e depois, em baixo, volte a clicar na definição, para a aumentar, e de novo na imagem, para ver em detalhe)

Determinado o campo e marcada a força que ali havia de reunir, e que posteriormente por portaria de 12 de setembro foi designada, isto é, 3 brigadas de infanteria na força de 7:400 homens, 1 brigada de cavallaria na força de 1:278 homens e 951 cavallos, 1 regimento de artilheria de 6 baterias, e 1 bateria de montanha, na força de 702 homens, 30 bocas de fogo, 125 cavallos e 240 muares, 1 batalhão de engenheria de 506 homens, do corpo de administração que devia constar de 189 praças, 4 cavallos e 42 muares, formando um total de 10:075 homens, 1:116 cavallos, 282 muares e 30 bocas de fogo; procedeu a brigada do corpo do estado maior, debaixo da direcção do ex.mo general chefe do estado maior, Carlos Benevenuto Cazimiro da Silva, ao traçado do acampamento, subordinando-o ao terreno dado, e á força marcada: assim pois estabeleceu-o com o flanco direito apoiado no Tejo, a frente coberta pelo rio Zêzere, e o flanco esquerdo tendo a ribeira do Seival, ainda que de pequena importância, formando duas linhas, sendo a segunda considerada reserva.

1866 - Acampamento visto do Alto da Carrascosa (Monte D. Luis) / gravura de B. Lima e G. Pereira

1866 – Acampamento visto do Alto da Carrascosa (Alto D. Luis I) / gravura de B. Lima e G. Pereira  (clique na imagem e depois, em baixo, volte a clicar na definição, para a aumentar, e de novo na imagem, para ver em detalhe)

E o relatório prossegue com uma descrição muito detalhada do campo e das instalações, podendo ler-se a dada altura – … na distancia de 600 metros, sobre uma altura de 40 metros acima do nivel do campo, denominada Outeiro da Carrascosa, mas que depois tomou o nome de Alto de D. Luiz I, se levantaram as barracas reaes para Suas Magestades, El-Rei D. Luiz no centro, El-Rei D. Fernando á direita, e para Sua Alteza o Senhor Infante D. Augusto á esquerda; na retaguarda as destinadas aos seus camaristas e ajudantes, e mais comitiva, e para o poente as barracas para o ex.mo ministro da guerra, e marechaes do exercito duque de Saldanha e conde de Santa Maria, assim como se haviam também disposto outras para os generaes. ou outras personagens que fossem visitar o campo.
Alem d’estas barracas haviam-se construido as cozinhas para serviço de Suas Magestades, de 15 metros de comprimento, 6 metros de largura e 3 metros de altura, e para s. ex.a o ministro, de 4m,5 de comprimento e largura e 3 de altura.
Os abrigos para os cavallos de serviço a Suas Magestades, tinham 36 metros de comprido, 6 metros de largura e 3 metros de altura, e para os cavallos de serviço das outras personagens de 10 metros de comprido, 4m,5 de largura e 3 metros de altura.

O monte D. Luis e o terreno de manobra, hoje, vistos da torre da ex-BA3

O monte D. Luis e parte do terreno de manobra, vistos da torre de controlo da ex-BA3

No extremo do campo, na retaguarda da esquerda da linha, e sobre uma ondulação do terreno bem arejado, e nas condições devidas, foi construido de madeira o hospital militar, bello edifício de 74 metros de fachada principal, incluindo dois corpos avançados de 8 metros por 7 metros de largo.

E mais à frente: Em igual distancia proximamente da primeira e segunda linha (dos estacionamentos das brigadas), em ponto um pouco elevado, estava assente o quartel general;… para o sul e norte duas barracas de madeira, a do lado do sul do feitio de uma casa suissa (Chalet) foi destinada a servir de gabinete photographico do campo, e a outra, em estylo egypcio, á estação de telegraphia electrica;

As manobras do Exército tiveram lugar durante todo o mês de Outubro de 1866. As unidades começaram a marchar para o campo logo no dia 1, tendo o Bat de Caçadores nº5 sido o primeiro a chegar, logo na tarde desse mesmo dia, e prolongaram-se até meados do mês. A maioria foi transportada de comboio, até à estação nova (hoje estação do Almourol), mas unidades houve que por terra seguiram a cavalo e até uma que foi transportada num vapor (entre Lisboa e o Algarve).

Anx L1Anx L2O comandante em chefe foi o general de divisão Visconde de Leiria, o segundo comandante o general de divisão José Gerardo Ferreira Passos, o chefe do EM do campo o general de brigada Carlos Benevenuto Cazimiro, sendo as três brigadas de Infantaria comandadas respectivamente pelos generais de brigada Augusto Xavier Palmeirim, Visconde do Sardoal e José Manuel da Cruz, a brigada de cavalaria pelo general de brigada Jeronymo Maldonado da Silva Eça e a brigada de Engenharia pelo TCor do Corpo do Estado Maior de Engª Joaquim António Esteves Vaz. O chefe divisionário – director da telegraphia, foi o tenente graduado de Infª Augusto Bon de Sousa.

Comando e Quartel General

Comando e Quartel General

No dia 14 o rei D. Luis visitou o acampamento e as demais instalações e assistiu a uma missa campal. Todos os dias se realizaram exercícios por Corpos e Brigadas mas, nos dias 20, 23 e 25, houve três grandes exercícios de armas combinadas. Finalmente, no dia 27, na presença do rei D. Luis I, da rainha D. Maria Pia, do príncipe D. Augusto de Bragança (irmão do rei, então com 19 anos, que seguiu a carreira militar e chegou a general de divisão) e do rei D. Fernando II (que enviuvara de D. Maria II em 1853 e fora regente na menoridade de D. Pedro V, o filho mais velho, falecido em 1861), teve lugar o grande exercício final, em ambas as margens do Tejo, aproveitando o lançamento pela Engenharia de uma ponte sobre 33 barcos, com 230m de comprimento e 2,9m de largura, entre Tancos e o Arrepiado (local que até hoje é sempre usado, como se verifica no exercício Tridente da NATO que decorre por estes dias):

Chegadas as tropas a Tancos (civil) tomou posição á direita e esquerda da ponte, em local apropriado, a bateria de montanha. com o fim de proteger a passagem do rio, caso o inimigo a tentasse impedir; assim como o regimento de artilheria n.° 1, que occupou para o mesmo fim as alturas da margem direita, e bem assim para sustentar a retirada da força, conjunctamente com a infanteria que formava a reserva com a cavallaria.

O ex.mo commandante em chefe estabeleceu o seu quartel general próximo á ponte.

Dada esta disposição á força protectora do movimento, marchou o batalhão de caçadores n.° 2, que com a maior presteza transpoz a ponte e em atiradores coroou os montes, que em alguns pontos são de difficil accesso, fazendo logo um vivíssimo e bem sustentado fogo de fuzilaria, sendo supportado pelos regimentos de infanteria n.os 5 e 16, mandados em seu apoio; seguiram depois as mais forças do ataque, bateria de montanha, meio esquadrão de cavallaria n.o 5, e o general commandante acompanhado de uma estação telegraphica de campanha, que se poz em communicação com outra do quartel general, com a qual esteve em continuada correspondência, e finalmente o batalhão de caçadores n.o 9.

Verificada a passagem destas forças, tomaram ellas as posições convenientes, fazendo muito fogo a artilheria de montanha em uma eminencia, varrendo com os seus tiros todo o terreno em frente do flanco direito: suppondo-se haver o inimigo conhecido o seu descuido e chamado em seu auxilio grandes forças, o combate tornava-se desigual e repellindo o ataque, e obtendo vantagem tentava flanquear a posição com o fim de tomar a ponte e impedir a retirada á força atacante, comquanto o regimento de infanteria n.° 16 e batalhão de caçadores n.° 9 estivessem collocados para impedirem aquelle movimento e sustentarem a retirada.

O ex.mo general em chefe, em presença das imaginadas demonstrações do inimigo, que lhe foram communicadas telegraphicamente, ordenou pelo mesmo meio, a retirada das forças, satisfeito o fim da operação.

A determinação d’esta ordem foi executada com regularidade, sendo a retirada de toda a força protegida pela artilheria do regimento n.° 1, e pelos fogos dos corpos da margem direita postados para esse effeito, e apenas passara a ultima praça, cortou-se a ponte com a maior rapidez, produzindo um bello espectáculo.

Findo o exercido regressaram ao campo Suas Magestades e Alteza, e collocados devidamente, ali receberam a continência que as tropas tiveram a honra de fazer áquelles augustos senhores, desfilando para os seus abarracamentos.

Recolhidos ás barracas reaes, fizeram a honra de convidar a jantar a todos os generaes, e mais officiaes a quem da primeira vez fizeram igual distincção.

Havendo tambem entrado n’aquelle exercício a telegraphia de campanha, empregada pela primeira vez entre nós, e convindo ser conhecido o respectivo apparelho, adiante vae descripto, devendo antes consignar, que o serviço telegraphico do campo foi estabelecido no dia 27 de setembro pelo chefe divisionario Augusto Bon de Sousa, constando de três estações, a do quartel general, paço e administração militar, tendo esta ultima um fio directo para o entroncamento, communicando com o do caminho de ferro, para facilitar as ordens para transportes de géneros, e material pelos comboios expressos e mesmo ordinários.

O numero de palavras transmittidas desde o dia do seu estabelecimento até o dia 31 de outubro foi de 128:692. Os apparelhos para as linhas do estado eram do systema Morse, e para as do caminho de ferro do de Bréguet.

Na telegraphia de campanha o fio conductor empregado era de duas dimensões de diâmetro (0m,001 o 0m,002) de cobre destinado a ser collocado no chão de rastos, achando-se isolado por duas capas de algodão e uma camada de verniz.

A extensão do fio de que se podia dispor era de 13 kilometros, enrolado em seis bobines (carretel) de 0m,80 de altura, cada uma com 500 metros de fio, e o resto em uma bobine grande colocada sobre uma padiola, pesando com o fio 114 kilogrammas, e podendo sem custo ser conduzida por três homens.

As bobines pequenas que tinham um eixo ôco, que atravessava um outro de ferro que saía pelas extremidades, eram conduzidas por dois homens, pegando-lhe cada um de seu lado, e deixando o fio pelo chão, desenrolando-o á proporção que marchavam.

Os apparelhos eram três do sistema Morse com pilhas de Bunsen, compostos de doze elementos com sulphato básico de mercúrio, por não haver em Lisboa o sulphato acido, que é o que deve ar empregado n’estas pilhas.

Estava cada um acondicionado dentro de uma mochila de pelle de vitella do tamanho das ordinárias distribuídas ao exercito, sendo conduzidas ás costas de soldados pela mesma forma, os quaes para esse fim foram postos a disposição do chefe da telegraphia.

O aparelho foi fabricado pelo engenheiro de instrumentos de precisão Hermann, antigo discipulo do instituto industrial, pelas diligências do director geral dos telegraphos do reino, o ex.mo sr. José Vitorino Damásio, bem conhecido propugnador das industrias da nossa patria, tendo-se seguido o modelo de um de Digney, que pertence a Sua Magestade El-Rei D. Luiz, que se dignou confia-lo para aquelle fabrico ao dito director, o qual, homem de sciencia e de amor pelo paiz, quiz fosse experimentado no campo de instrucção e manobra, entregando-o ao cuidado e estudo do muito inteligente e bom empregado chefe divisionario acima mencionado, que gostoso aceitou o encargo de proceder ás necessárias experiencias d’aquelle tão grande como útil auxiliar nas operações da guerra.

Este chefe, que montara os telegraphos no campo e que fazia parte do quartel general, havia por vezes experimentado a conductibilidade do fio em differentes distancias, não valendo a pena fazer uma experiência definitiva no campo de alarme, porque a sua pequena extensão tornava quasi inútil a applicação d’aquelle poderoso e rápido meio de transmissão de ordens, não tendo tambem pessoal montado, nem os meios precisos, que aliás convém ter, como existem já em outras nações.

Na Prússia e na Itália usam de um carro próprio aonde vae o apparelho e o telegraphista, o que se não fez por falta de tempo, alem de que em um paiz montanhoso como o nosso, em muitas partes não poderia ser empregado com vantagem.

Offerecendo o exercício do dia 27 de outubro bom ensejo para se experimentar a telegraphia de campanha que fica descripta, porquanto atravessando a tropa o rio, e tendo de operar a grande distancia do commandante em chefe, com quem convinha communicar-se com rapidez, offereceu-se o sr. Bon de Sousa para acompanhar a força atacante, como effectivamente acompanhou, pondo-se ás ordens do respectivo commandante, o general Augusto Xavier Palmeirim. Para o fim desejado deixou estabelecido o telegrapho volante junto ao quartel general sobre uma pequena mesa de tesoura, extremamente portátil, e dada a ordem de avançar, a força marchou com um outro telegrapho, sendo acompanhado de seis guardas fios e quatorze soldados do regimento de infanteria n.° 2, e um sargento, mandados para esse serviço: destes um levava ás costas o apparelho, e os outros conduzindo as bobines pequenas. O fio ia sendo desenrolado em marcha na retaguarda do batalhão de caçadores n.° 2, pelo lado esquerdo da ponte, á qual era fixo por meio de verrumas do tamanho ordinário, enterrando-se na testa da ponte na margem esquerda para não ser partido pela cavallaria, que seguia na retaguarda da brigada de telegraphia, continuando depois até ao ponto em que o general Palmeirim o mandou estabelecer, tendo-se desenrolado 2 kilometros de fio, tendo sido feitas as ligações das differentes porções, com torçadas abrigadas por pequenos tubos de guta-percha, fortemente atadas nas extremidades com nastro.

Esta linha foi enterrada mais duas vezes por causa das passagens das tropas, o resto ou pelo chão, ou suspenso aos muros e silvas, etc.

Apenas estabelecido foi o telegrapho, começou a transmissão dos despachos do general Palmeirim para o quartel general e deste para aquelle. Tendo por fim dado parte, como já foi mencionado não poder sustentar-se, foi-lhe dada ordem de retirar, o que começou a executar-se logo, levantando o posto telegraphico quando passaram as ultimas tropas da força atacante, marchando na frente da guarda da retaguarda como é uso, atravessando portanto a ponte momentos antes de ser cortada.

Alem destes apparelhos, havia um outro no quartel general e ligado aos intermédios da linha, ao longo do caminho de ferro para Lisboa, base principal das operações.

A experiência teve o melhor resultado, a conductibilidade do fio, posto que enterrado por tres vezes e lançado sobre o terreno, era boa, assim como os apparelhos muito sensíveis. A corrente eléctrica, posto que se desenrolassem só 2 kilomctros, atravessou 8, porque se ligaram todas as bobines.

A força avançada ainda mais continuaria em comunicação, não só com o quartel general, mas tambem com Lisboa.

Os soldados, posto que fosse a primeira vez que fizessem similhante serviço, o desempenharam, assim como os guarda-fios, com o maior zelo e boa vontade, como informou o chefe citado o sr. Bon Sousa, lendo-se prestado a fornecer todos estes esclarecimentos, assim como os srs. capitães António José da Cunha Salgado (cap de Cavª, chefe de toda a administração militar do campo) e Ladislau Miceno Machado Alvares da Silva (cap de Engª, responsável pelo abastecimento de água desde o Zêzere e das fontes existentes na área), cada um na parte que se refere ao serviço de que estavam encarregados.

Verifica-se pois que a telegrafia eléctrica de campanha foi entre nós pela primeira vez utilizada em Tancos, no longínquo dia 27 de Outubro de 1866, sob a chefia de Augusto Bon de Sousa, e com o maior sucesso. Também a capacidade de decisão das chefias militares de então e a rapidez na execução da criação e utilização do campo (desde a nomeação de uma comissão para escolha do local, em 09JUL, até ao inicio das manobras, em 01OUT), devem ser, ainda hoje, motivo de orgulho para todos nós.

Os heliógrafos portugueses

O heliógrafo, ou telégrafo óptico, é um aparelho que utiliza o reflexo dos raios solares num espelho para transmitir um código. Em dias de excepcional visibilidade, pode transmitir uma mensagem a dezenas de quilómetros.
Vários foram os heliógrafos utilizados em Portugal ao longo dos séc XIX e XX. Todos eles já aqui foram referidos e tiveram alguma informação disponibilizada neste blogue, nomeadamente o Martins, o Mance, o OMI e o mod/938.

Devemos hoje considerar portugueses dois desses heliógrafos (o primeiro, sem dúvida, mas também o último), sucessivamente utilizados no passado pelo Exército português:

– O primeiro foi inventado pelo então sargento Manuel Martins na década de oitenta do séc XIX (1884) e consistia de dois modelos, o grande, de espelho rectangular, para estações fixas/de guarnição, e o portátil, de espelho redondo e de menores dimensões, para utilizações móveis/táticas. Com o modelo grande foi montada pelo Exército uma rede heliográfica que previa, em 1889, cobrir mais de dois terços do território continental, com 58 estações militares, mas que ficou aquém do pretendido.
Em 1898, quando era já instrutor do serviço telegráfico na Direcção dos Telégraphos de Guarnição e Pombaes Militares, Martins publicou um livro sobre “Telegrafia óptica e acústica” onde estas suas invenções (e outras, como por exemplo o phanógrapho Martins, para comunicação de noite, com luz artificial) foram apresentadas, descritas e tratadas, e de que apresento aqui alguns elementos de interesse, relevantes para este postal:

Livro MartinsMartins heliogLivro Martins pag 15Livro Martins pag 16Livro Martins pag 17Livro Martins pag 18O modelo grande, sobretudo, foi largamente utilizado no País e durante algumas dezenas de anos.
Nas figuras seguintes podem ver-se:
– estação de Palmela, instalada junto ao castelo, nos inícios do séc XX, podendo observar-se o heliógrafo Martins grande em operação, aqui com recurso a um espelho auxiliar (para situações com o sol por trás);
– heliógrafo Martins grande modelo, montado em tripé;
– a rede heliográfica militar em 1889, no seu auge, tal como consta do livro “As comunicações militares de relação em Portugal”, de 1938, de Afonso do Paço;
– a rede heliográfica militar efetivamente existente em 1899 (ter em atenção que a rede telegráfica eléctrica já vinha sendo instalada desde 1855 pelo Corpo Telegráfico);

3 - Heliog Martins in station

Estação heliográfica de Palmela

Heliógrafo Martins grande, com espelho auxiliar, montado em tripé

Heliógrafo Martins grande, com espelho auxiliar e tripé

RedeHelio

A Rede heliográfica em 1889

CHT Mapa de heliografos 1899

A rede heliográfica em 1899

Já no séc XX, apesar de o heliógrafo Martins continuar a ser usado pelos especialistas de Transmissões (então ainda integrados na Arma de Engenharia) até aos anos trinta (bem como o aparelho óptico Mangin, para uso noturno, entretanto introduzido, também para uso exclusivo destes especialistas), o principal heliógrafo utilizado pelas restantes Armas do Exército foi, sobretudo a partir da participação na Grande Guerra e até finais da década de 30, o heliógrafo Mance.

Do livro Sinaleiros - programa de instrução, Ten Inf Guedes Pinto

Do livro Sinaleiros – programa de instrução, Ten Inf Guedes Pinto

Heliógrafo Mance

Heliógrafo Mance com bolsa de transporte, montado em tripé

Aparelho óptico Mangin

Aparelho óptico Mangin em exercícios (Tancos)

Nas imagens seguintes, e a este propósito, podem também aqui ser consultadas as instruções sobre o heliógrafo Mance, para os Sinaleiros da Arma de Infantaria, retiradas do livro Sinaleiros, de 1926, da autoria do ten Infª Rodrigo Guedes Pinto:

Sinaleiros Inf 1Sinaleiros Inf 2– Mais tarde, na sequência da aquisição, cerca de 1930, de um heliógrafo italiano (OMI – Ottico Meccanica Italiana) que utilizava um manobrador e palhetas móveis para cobrir ou descobrir a reflexão do sol, mantendo fixos os espelhos, o que era vantajoso para uma mais fácil transmissão dos sinais Morse, este aparelho veio a ser alterado e largamente melhorado, primeiro pelas Oficinas Gerais de Engenharia (OGME) e mais tarde pela fábrica militar de Braço de Prata, constituindo verdadeiramente um novo modelo de heliógrafo, que mereceu a designação de heliógrafo português mod/938 e teve larga divulgação e utilização.
Duas imagens do heliógrafo OMI pertencente à coleção visitável do RTm (Lisboa), hoje DCSI:

Heliógrafo italiano OMI

Heliógrafo italiano OMI

Heliógrafo italiano OMI

Heliógrafo italiano OMI

E três imagens do mod/938 pertencente à mesma coleção:

Heliógrafo português mod/938

Heliógrafo português mod/938

mod 1938_2

Heliógrafo português mod/938

mod 1938_3

Heliógrafo português mod/938

As instruções para este heliógrafo português mod/938 já anteriormente foram publicadas neste blogue, podendo ser consultadas clicando aqui.

As fotos dos leitores (13)

A propósito do postal “Dois pedidos de leitores” aqui publicado em 12ABR14 (e que pode ser visto clicando aqui), o nosso leitor Sr Artur Varela teve a amabilidade de nos enviar algumas fotografias de dois equipamentos que possui e das respectivas caixas, só que estas em metal, ao contrário da primeiramente aqui apresentada, das OGME, que era em madeira. Segundo o Cor Jorge Costa Dias, trata-se da lanterna Lucas.
Lucas3Lucas5Lucas1Lucas2Lucas6Lucas4Lucas7

Enviou-nos também uma fotografia de um telégrafo Herrmann, uma preciosidade que igualmente possui e que abaixo é reproduzida:
Herrmann