Os Telégrafos na ilha Terceira em 1830

Já anteriormente escrevi neste blogue sobre a existência de uma rede de telégrafos nos Açores, na ilha Terceira, durante o período das guerras liberais. Foi-me então possível, a partir do conhecimento que tinha de uma representação de um telégrafo/semáforo de balões existente no Monte Brasil (Posto de sinais), única em Portugal, referir também, e mostrar descrições e imagens da época, uma outra rede, esta constituída por telégrafos de postigos do Ciera situados na zona da Praia da Vitória, que ligavam a Angra do Heroísmo (ver aqui).

Durante as visitas semanais da CHT ao AHM, deparei-me recentemente com alguns documentos interessantes sobre este assunto, nomeadamente um, assinado pelo TCor Engª Euzébio Furtado, de que abaixo mostro a primeira página, seguida de uma transcrição de todo o documento, que teve a ajuda do “nosso mestre” Cor Aniceto Afonso para tirar algumas dúvidas de legibilidade.

Carta do TCor Furtado para o Quartel-Mestre José Baptista da Silva Lopes

Carta do TCor Eusébio Furtado para o Quartel-Mestre José Baptista da Silva Lopes

Neste documento, o TCor Furtado refere-se a um conjunto de 6 telégrafos de bolas existentes a toda a volta da ilha para comunicar movimentos de navios no respetivo setor, propondo a transferência de 2 deles e a instalação de mais 2 telégrafos repetidores (8 no total), para que um daqueles pudesse comunicar com o do Monte Brasil. Infelizmente não assinala todas as suas posições, apenas a do Monte Brasil, as daqueles que propõe mudar de local e as dos repetidores que pretende instalar.

Transcrição completa do documento:

Ill.mo Sr

Havendo S. Exª o Sr General comandante das Forças, reconhecido que o Serviço dos Telégrafos não preenchia os seus fins, tanto pelo mau Regimento dos Sinais como pela incapacidade de quase todos os Empregados, que nem guardam o segredo que convém, nem têm a vigilância indispensável, e por estas razões se devia dar melhor forma ao mesmo Regimento e Serviço; se dignou portanto S. Ex.ª ordenar-me verbalmente que procedesse a um Projeto com as seguintes condições: 1ª, se convém que os pontos telegráficos fiquem sendo os mesmos, ou mudados e em maior numero de forma que contornem a Ilha; 2ª, que se me parecer altere a forma dos Telégrafos; 3ª, forme um Regimento claro e simples de sinais; 4ª, que proponha novos Empregados para este tão útil serviço, que conhecendo bem a sua importância lhe deem toda a atenção e mereçam a gratificação que se lhe arbitrar, podendo para isto escolher e propor entre o grande numero de Oficiais Inferiores que há de mais nos Corpos, empregando no desempenho desta Ordem o mesmo zelo que sempre me anima pelo serviço cumpre-me dizer a V. S.ª para conhecimento de S. Ex.ª:
Que não obstante ter feito em outra ocasião um completo jogo de Sinais com os mais melhoramentos convenientes, como este Projeto não foi avante, agora se tornou quase inútil e tive de empreender trabalho novo apropriado ao grande aumento de Forças e subsequentes alterações que se tem feito nos mais Ramos de Serviço.

Quanto à 1ª condição, ainda que os atuais pontos telegráficos são bem escolhidos, seria mais conveniente passar o Telégrafo do Pico de D. Joana para o das Contendas onde as névoas não são tão frequentes nem tão densas; e para haver conhecimento do que se passa nos mares do Norte e parte dos do Oeste que não são vistos do Monte Brasil, deve-se é colocar um Telégrafo Indicador no Pico de Martin-Simão, ponto vantajoso sobranceiro aos Altares próximo aos Biscoitos e comunique com o dito Monte Brasil; mas como deste se não divisa imediatamente aquele, será indispensável dois Telégrafos Repetidores, um no Pico Gordo de baixo e outro no Pico da Bagacina; assim ficará perfeitamente fechado o circuleo Telegráfico da Ilha.

Responder à 2ª condição, que sendo muito vantajoso a simplicidade do maquinismo, melhor seriam os Telegrafos Franceses ou Ingleses com o nome de Semáforos, mas esta mudança nos obrigaria a desprezar inteiramente os atuais e construir oito novos, quando aqueles por seu limitado serviço bem satisfazem precisando só serem reparados e construídos pequenos alojamentos para os Empregados.

Para a 3ª condição, V. Exª se servirá ver no Quadro junto o Regimento dividido em dois Capitulos, o 1º dos Sinais para tempos ordinários, e o 2º para a ocasião de Operações; em ambos os casos me persuado ter previsto quanto pode ocorrer de mais essencial e que mereça ser transmitido telegraficamente e isto tão somente com a adição do triangulo de madeira ao que hoje existe, quando seja preciso mais sinais; bem se vê que restam ainda muitas combinações em claro e muitas mais que não desenhei. Os Sinais Gerais ou preparatórios são comuns aos dois capítulos.

Reconhecida a necessidade de substituir os atuais Empregados por outros de mais préstimo, é certamente muito vantajoso e parece mais possível serem estes tirados dos sargentos supranumerários dos Corpos; se esta proposta for da aprovação de V. Exª então pedirei particulares informações sobre os mais idóneos e os proporei ao Sr General. De dois modos podem eles fazer este serviço, ou por destacamentos mensais, ou sendo permanentes, o 1º caso tem o mui grave inconveniente da publicidade dos sinais que forçosamente se seguirá sem ser fácil descobrir os infratores; e por isso me parece preferível a permanência procurando quanto seja possível conciliar a exatidão do Serviço com a residência em pontos isolados e desabridos. Entendo e proponho que estes sargentos tenham como gratificação mais metade de seus soldos abonados e pagos como estes, ficando pelo seu serviço inteiramente responsáveis ao Diretor dos Telégrafos: para os ajudar eles devem ter dois soldados que alternem diariamente o seu serviço e que destaquem por um mês sem outros vencimentos que os que percebem atualmente.

Parece-me conciliar assim o bom e exacto serviço com a economia da despesa, a qual no Inverno ainda pode ser mais limitada.
V. Exª se servirá resolver o que mais bem convier ao Serviço, e as suas novas Ordens me servirão de governo sobre a conferição dos Quadros Telegráficos e Regulamento para os Empregados. Deus guarde a V. S.ª

Quartel em Angra 4 de Agosto de 1830

Ill.mo Sr. José Baptista da Silva Lopes

Assina: Eusébio Candido Cordeiro Pinheiro Furtado
Tenente-Coronel no Real Corpo de Engenheiros

(Nota 1 – José Baptista da Silva Lopes):

Quartel-Mestre General nos Açores, futuro Ten General e Barão de Monte Pedral, Dir Geral da Artª, que foi quem, em 1842, enquanto Inspetor Geral do Arsenal do Exército, instituiu o Museu de Artª, hoje Museu Militar.

Barão de Monte Pedral

Barão de Monte Pedral

(Nota 2 – Eusébio Candido Cordeiro Pinheiro Furtado):

Autor de uma Memória histórica sobre a batalha da Praia em 11AGO1829, futuro Marechal de campo comandante do Real Corpo de Engenheiros e Ten General Governador de Armas do quartel de S. Jorge, que então promoveu em Portugal um novo conceito de empedrar o chão, ao estilo de mosaico, com pedras brancas e pretas, que passaram a denominar-se ‘calçada-mosaico’, depois de, em 1842, já assim ter orientado o revestimento da parada do Batalhão de Caçadores n.5, em Lisboa.

Memória Histórica do 11 de Agosto de 1829

Memória Histórica do 11 de Agosto de 1829

Para desenvolver este conceito fez uma construção, em 1848, no Rossio – a praça Dom Pedro IV – em Lisboa, que resultou num empedrado de 8712 metros quadrados, coberto de ondas a preto e branco (Mar largo). Com o crescimento da cidade, novas ruas foram pavimentadas com este conceito, passando a designar-se definitivamente por calçada portuguesa.

Pormenor do desenho do "Mar largo"

Pormenor do desenho do “Mar largo” para o Rossio

(Nota 3 – Localização dos Picos):

Feteira é uma freguesia localizada na costa sul da ilha Terceira, a cerca de 7 km a leste da cidade de Angra do Heroísmo. No extremo nordeste da freguesia ergue-se o Pico de Dona Joana, um cone vulcânico de escórias basálticas quase circular com cerca de 500 m de diâmetro, esventrado em direção ao sudoeste, com a parte exposta da cratera a uma cota de 262 m acima do nível do mar. A parte mais alta do cone, na cumeada norte e nordeste, atinge os 331 m de altitude.

A Ponta das Contendas, Vila de São Sebastião, concelho de Angra do Heroísmo, localiza-se na ponta sudeste da ilha Terceira, a cerca de 13 km da cidade de Angra do Heroísmo e a 8 km da cidade da Praia da Vitória – Formada por vários cones de escórias, como o Pico das Contendas (142 m acima do nível do mar), esta faixa litoral da Baía da Mina apresenta-se muito recortada, com enseadas rochosas, praias de calhau rolado e alguns ilhéus.

Pico Martin Simão (ou Matias Simão)  é uma elevação de origem vulcânica localizada na freguesia dos Altares, concelho de Angra do Heroísmo, a cerca de 19 km,  e encontra-se localizado na parte Noroeste da ilha Terceira, junto à costa, elevando-se a 153 m acima do nível do mar.

Pico Gordo é um cone vulcânico localizada na freguesia dos Altares do concelho de Angra do Heroísmo. Este acidente montanhoso encontra-se localizado na parte Oeste da ilha Terceira, eleva-se a 622 metros de altitude acima do nível do mar

O Pico da Bagacina é uma elevação de origem vulcânica localizada no interior da ilha Terceira. Este acidente montanhoso eleva-se a 638 metros de altitude acima do nível do mar e encontra-se intimamente relacionado com o Maciço Montanhoso da Serra de Santa Bárbara.

Do mesmo documento consta ainda uma curiosa e complexa tabela de códigos e uma representação de um telégrafo de bolas rudimentar, apoiado numa qualquer arvore ou tronco.

Códigos de sinais

Códigos de sinais (O sinal + quer dizer repetição, isto é, arriado e tornado a içar. E o zero posto antes de qualquer sinal quer dizer 100. Continua com alguns exemplos, terminando com – quando for um nº composto por dezenas e unidades, o sinal se fará no extremo da haste do telégrafo; e quando seja só de unidades, se fará no terço dela.)

Telégrafo rudimentar

Telégrafo de bolas de 3 prumadas, com recurso a balões pretos e brancos (ver códigos acima). A primeira argola é apenas para passagem das 3 espias, não tem gancho para pendurar.

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Os heliógrafos portugueses

O heliógrafo, ou telégrafo óptico, é um aparelho que utiliza o reflexo dos raios solares num espelho para transmitir um código. Em dias de excepcional visibilidade, pode transmitir uma mensagem a dezenas de quilómetros.
Vários foram os heliógrafos utilizados em Portugal ao longo dos séc XIX e XX. Todos eles já aqui foram referidos e tiveram alguma informação disponibilizada neste blogue, nomeadamente o Martins, o Mance, o OMI e o mod/938.

Devemos hoje considerar portugueses dois desses heliógrafos (o primeiro, sem dúvida, mas também o último), sucessivamente utilizados no passado pelo Exército português:

– O primeiro foi inventado pelo então sargento Manuel Martins na década de oitenta do séc XIX (1884) e consistia de dois modelos, o grande, de espelho rectangular, para estações fixas/de guarnição, e o portátil, de espelho redondo e de menores dimensões, para utilizações móveis/táticas. Com o modelo grande foi montada pelo Exército uma rede heliográfica que previa, em 1889, cobrir mais de dois terços do território continental, com 58 estações militares, mas que ficou aquém do pretendido.
Em 1898, quando era já instrutor do serviço telegráfico na Direcção dos Telégraphos de Guarnição e Pombaes Militares, Martins publicou um livro sobre “Telegrafia óptica e acústica” onde estas suas invenções (e outras, como por exemplo o phanógrapho Martins, para comunicação de noite, com luz artificial) foram apresentadas, descritas e tratadas, e de que apresento aqui alguns elementos de interesse, relevantes para este postal:

Livro MartinsMartins heliogLivro Martins pag 15Livro Martins pag 16Livro Martins pag 17Livro Martins pag 18O modelo grande, sobretudo, foi largamente utilizado no País e durante algumas dezenas de anos.
Nas figuras seguintes podem ver-se:
– estação de Palmela, instalada junto ao castelo, nos inícios do séc XX, podendo observar-se o heliógrafo Martins grande em operação, aqui com recurso a um espelho auxiliar (para situações com o sol por trás);
– heliógrafo Martins grande modelo, montado em tripé;
– a rede heliográfica militar em 1889, no seu auge, tal como consta do livro “As comunicações militares de relação em Portugal”, de 1938, de Afonso do Paço;
– a rede heliográfica militar efetivamente existente em 1899 (ter em atenção que a rede telegráfica eléctrica já vinha sendo instalada desde 1855 pelo Corpo Telegráfico);

3 - Heliog Martins in station

Estação heliográfica de Palmela

Heliógrafo Martins grande, com espelho auxiliar, montado em tripé

Heliógrafo Martins grande, com espelho auxiliar e tripé

RedeHelio

A Rede heliográfica em 1889

CHT Mapa de heliografos 1899

A rede heliográfica em 1899

Já no séc XX, apesar de o heliógrafo Martins continuar a ser usado pelos especialistas de Transmissões (então ainda integrados na Arma de Engenharia) até aos anos trinta (bem como o aparelho óptico Mangin, para uso noturno, entretanto introduzido, também para uso exclusivo destes especialistas), o principal heliógrafo utilizado pelas restantes Armas do Exército foi, sobretudo a partir da participação na Grande Guerra e até finais da década de 30, o heliógrafo Mance.

Do livro Sinaleiros - programa de instrução, Ten Inf Guedes Pinto

Do livro Sinaleiros – programa de instrução, Ten Inf Guedes Pinto

Heliógrafo Mance

Heliógrafo Mance com bolsa de transporte, montado em tripé

Aparelho óptico Mangin

Aparelho óptico Mangin em exercícios (Tancos)

Nas imagens seguintes, e a este propósito, podem também aqui ser consultadas as instruções sobre o heliógrafo Mance, para os Sinaleiros da Arma de Infantaria, retiradas do livro Sinaleiros, de 1926, da autoria do ten Infª Rodrigo Guedes Pinto:

Sinaleiros Inf 1Sinaleiros Inf 2– Mais tarde, na sequência da aquisição, cerca de 1930, de um heliógrafo italiano (OMI – Ottico Meccanica Italiana) que utilizava um manobrador e palhetas móveis para cobrir ou descobrir a reflexão do sol, mantendo fixos os espelhos, o que era vantajoso para uma mais fácil transmissão dos sinais Morse, este aparelho veio a ser alterado e largamente melhorado, primeiro pelas Oficinas Gerais de Engenharia (OGME) e mais tarde pela fábrica militar de Braço de Prata, constituindo verdadeiramente um novo modelo de heliógrafo, que mereceu a designação de heliógrafo português mod/938 e teve larga divulgação e utilização.
Duas imagens do heliógrafo OMI pertencente à coleção visitável do RTm (Lisboa), hoje DCSI:

Heliógrafo italiano OMI

Heliógrafo italiano OMI

Heliógrafo italiano OMI

Heliógrafo italiano OMI

E três imagens do mod/938 pertencente à mesma coleção:

Heliógrafo português mod/938

Heliógrafo português mod/938

mod 1938_2

Heliógrafo português mod/938

mod 1938_3

Heliógrafo português mod/938

As instruções para este heliógrafo português mod/938 já anteriormente foram publicadas neste blogue, podendo ser consultadas clicando aqui.

Os AN/PRC-10 e 10A

Post do nosso leitor e colaborador Sr. João Freitas, recebido por msg:

No final da Segunda Guerra Mundial e tendo em conta o êxito do “SCR-300“, os EUA começam a pensar na sua substituição. O rápido avanço da técnica assim o exigia. Após a apreciação de alguns projectos, ficou decidido o início da produção de um dos mais emblemáticos rádios de transporte ao dorso (Walkie-Talkie).

Um conjunto completo AN/PRC-8, 9 ou 10. (foto do manual TM11-612)

Um conjunto completo AN/PRC-8, 9 ou 10.
(foto do manual TM11-612)

Esta nascença não foi singular, mas sim de quadrigémeos que recebem o nome oficial de AN/PRC-8, AN/PRC-9, AN/PRC-10 e AN/PRC-28. Posteriormente os três primeiros modelos tiveram uma pequena alteração a nível electrónico e cosmético, adoptando então respectivamente a designação 8A, 9A, 10A. Toda esta serie de seis aparelhos (exceptuando o PRC-28) foram fabricados sob licença em diversas partes do mundo, nomeadamente em França, Alemanha, Japão, e Israel. Convém precisar que em termos de frequências, somente o PRC-10, e 10A substituem o SCR-300, sendo os restantes modelos destinados a outras armas dentro das forças armadas dos EUA.

O AN/PRC-28 é um infeliz nesta notável família, é o irmão que nasce torto e que nunca vingará, acabando por falecer prematuramente. Este curioso rádio, exteriormente idêntico, perde a sintonia corrida (tem o botão de sintonia substituído por um tampão, nem tem a pequena alavanca de fixação da frequência escolhida) e apenas tem um canal comandado a cristal. A sua produção limitada, não fez história. Estes factos tornaram o PRC-28 uma peça cobiçada por coleccionadores.

O conjunto transportado ao dorso. (foto do manual TM11-612)

O conjunto transportado ao dorso.
(foto do manual TM11-612)

Ainda hoje se discute a utilização do PRC-8, 9 e 10 de forma operacional nos últimos dias do conflito coreano. Registos de ordens e contra-ordens e todo um secretismo, envolvem os seus primeiros passos em combate, apenas se sabe que chegam á Coreia nas últimas horas da guerra, o mesmo se passaria com o AN/PRC-6. Os seis modelos são praticamente iguais, interior e exteriormente, diferindo nas frequências abrangidas (*) e em pequenas modificações a nível electrónico. Como só tivemos nas nossas F. A. o PRC-10 e 10ª (oriundos de vários fabricantes), falaremos deles como de um só se tratasse.

Como é habitual dividem-se em duas partes, uma superiora destinada ao radio e seus comandos (**) em liga leve moldada e uma inferior (em aço ou alumínio), servindo de caixa para a bateria. Tinha esta caixa na sua base um compasso que uma vez aberto permitia que o aparelho ficasse na posição vertical no solo (ver foto). Além do R/T, o conjunto completava-se com um arnês “ST-120” e um pequeno saco “CW-216” onde eram colocadas as duas antenas os seus suportes elásticos e o microauscultador. Este saco era uma evolução estilizada do encontrado no “SCR-300“.

Com o PRC-10 foi introduzido um tipo totalmente novo de antena que veio revolucionar estes imprescindíveis acessórios – a antena de fita de aço “AT-272/PRC“, sendo rapidamente aplicada em modelos posteriores, não só nos EUA, mas por todo o mundo. Inquebrável e totalmente flexível, era o máximo que se podia esperar de um sistema irradiante portátil que estivesse sujeito a uma situação de combate. Alem da antena de fita o AN/PRC-10 podia usar quando utilizado em fixo (preferencialmente), a antena “AT-271/PRC“, com cerca de três metros de altura. Cada uma das antenas tinha um elemento flexível e alvéolos próprios. Apenas como curiosidade, podemos dizer que ela será suplantada pela antena “Kulikova” de origem soviética, mas isso é uma outra história…

Também estava prevista e recebemos antenas de quadro “AT-339“, para fins goniométricos. Como micro auscultador usava o nosso conhecido “H-33/PT“.

Totalmente a válvulas, pode-se dizer que é um dos primeiros rádios a utilizar, no seu bloco electrónico, uma forma verdadeiramente modular e padronização NATO ao nível das tomadas exteriores. Operando em FM e em banda corrida, possuía um cristal para calibração autónoma.

Painel de um PRC-8, 9 ou 10. (foto do manual TM11-612)

Painel de um PRC-8, 9 ou 10.
(foto do manual TM11-612)

O seu painel de comandos estava equipado de uma luz interior para o quadrante, de limitador de ruído e do respectivo botão de volume. Já que estamos a falar do volume de som, podemos dizer que de certa forma, foi o seu calcanhar de Aquiles, pois mesmo no seu máximo e em condições de algum ruído exterior, era por vezes complicado estabelecer uma comunicação eficaz.. Outro elemento que geralmente dava problema, era o pequeno cabo de ligação á pilha. Fino e extremamente flexível, não admitia “violências”, devendo ser tratado com cuidado.

Inicialmente era alimentado por uma grande pilha “BA-279/U” com as tensões de 1,5v, 67.5v e 135v. Posteriormente aparecem inúmeros conversores de cc/cc, que uma vez ligados a uma baixa tensão (geralmente 6 ou 12v), fornecem as mesmas tensões da mencionada pilha (BA-279/U).

Esta forma de obter a energia necessária, era em termos gerais mais económica, pois numa pilha de uma única baixa tensão era muito mais barata e diminuía o problema da deterioração em armazém, como sucedia nas BA-279/U. Para uso veicular, em aeronaves, ou em fixo, realçamos três meios também utilizados em Portugal. Os dois primeiros substituíam totalmente a caixa da bateria, são eles: O alimentador/amplificador de áudio “AM-598/U” (USA), equipado de base elástica e previsto para ser ligado a 24v; o “PP 8910/PRC” com a mesma origem, e feito na firma “Codeco Inc.” similar á caixa original da pilha e com possibilidade de ser ligado a 6, 12, 24v c/c, 110, ou 220v c/a. Usámos também um alimentador feito pela “ACEC” (francês?) com a designação “PP. GI 1178” que para alimentar o conversor, levava 24 pilhas de 1,5v.

Em Julho de 1967 foi testado em Linda-a-Velha (DGMT), com aparente sucesso, um outro conversor substituto da pilha BA-279/U, com a designação “ATR-137”. Não conseguimos saber se este famoso conversor francês, oriundo da firma “Soc. Quartz et Electronique”, foi de facto alguma vez utilizado pelo nosso exército.

O alimentador feito em Portugal e referenciado no texto, junto da sua embalagem original (lado onde o rádio é ligado). (foto do autor)

O alimentador feito em Portugal e referenciado no texto, junto da sua embalagem original (lado onde o rádio é ligado).
(foto do autor)

O mesmo conversor visto do lado oposto (lado das ligações às pilhas). (foto do autor)

O mesmo conversor visto do lado oposto (lado das ligações às pilhas).
(foto do autor)

Portugal não ficará de fora na historia dos acessórios para o PRC-10. Apesar da comprovada operacionalidade de todos os referidos alimentadores é desenvolvido e fabricado no nosso País, em quantidade apreciável (pelo menos 40/50 unidades), um curioso conversor com a designação CTH-5001-BM. Fabricado no “Centro Técnico Hospitalar” (dados fornecidos na embalagem de origem e razão da sua nomenclatura). Apesar de termos visto dezenas de unidades novas, tivemos muita dificuldade em obter informações adicionais sobre o tipo de pilhas usadas e se estaria contemplado um suporte específico para as mesmas. Acrescentamos ainda que, após alguns testes feitos por nós, e contrariamente aos conversores anteriormente apontados, o CTH-5001-BM necessitaria de uma tensão de 6v para fornecer os tais altas voltagens (67.5v + 135v) sendo os 1.5v fornecidos separadamente por uma pilha individual. Apesar de tudo o que sabemos sobre este aparelho, muito gostaríamos de ouvir, da vossa parte, sobre o seu desenvolvimento e verdadeira forma de alimentação, assim como do real número de unidades fabricadas e se houve ou não um manual de fábrica.

Apesar de já vir referenciado no curso de transmissões para oficiais do exército de 1959/60, mas sendo realçado que naquela data ainda não estava ao serviço do exército, vamos encontrar o PRC-10 a caminho dos Dembos, em Angola, em 1961. Deixará o serviço activo nos três ramos das nossas Forças Armadas durante os finais de setenta, princípio de oitenta.

Notas :

(*) AN/PRC-8 e 8A       de 20 a 27.9 Mcs   (para blindados) não usado em Portugal

AN/PRC-9 e 9A       de 27 a 38.9 Mcs   (para artilharia)   não usado em Portugal

AN/PRC-10 e 10A   de 38 a 54.9 Mcs   (para infantaria)

AN/PRC-28             de uma única frequência , não usado em Portugal

(As designações das armas onde seriam usados, apenas se aplicam aos EUA)

 

(**)Designações dos blocos electrónicos:

RT-174 no PRC-8

RT-175 no PRC-9

RT-176 no PRC-10

RT-399/PRC no PRC-28

Quando se trata de uma versão com o prefixo “A”, ao numero do RT é-lhe acrescentado o mesmo prefixo, o mesmo se passa com diversos acessórios e componentes

Ex.: RT-176A corresponde ao bloco electrónico encontrado no AN/PRC-10A

As fotos dos leitores (8)

Do nosso leitor sr Luís Fernando Dias recebemos mais algumas fotografias, desta feita relativas a uma exposição sobre Comunicações Militares organizada pela ZMM em 2006, acompanhadas pelos seguintes esclarecimentos:

“Em 2006, Maio/Junho, realizou-se uma exposição no Forte de São Tiago, Ilha da Madeira, sobre Comunicações Militares, promovida pela CZM Madeira. As peças expostas pertencem aos Museus da EPT do Porto e ao Museu do RT de Lisboa.”

Cartaz da exposição

Cartaz da exposição

Panorâmica da exposição

Panorâmica da exposição

BC 1000 (SCR 300), Origem US, II Guerra Mundial. Os auscultadores e microfone não pertencem a este               Tx/Rx, são de origem inglesa (P19, P22)

BC 1000 (SCR 300), origem US, II Guerra Mundial. Os auscultadores e microfone não pertencem a este Tx/Rx, são de origem inglesa (P19, P22)

WS 58 MK I, em Portugal P 58, Origem canadiana,               II Guerra Mundial

WS 58 MK I, em Portugal P 58, origem canadiana, II Guerra Mundial

Torn.Fu.b1, origem Alemanha, II Guerra Mundial. Este rádio muito utilizado pelo exército alemão foi             fornecido a Portugal, em 1944 (?)

Torn.Fu.b1, origem Alemanha, II Guerra Mundial. Este rádio, muito utilizado pelo exército alemão, foi fornecido a Portugal em 1944 (?)

A telegrafia ótica

A telegrafia óptica é um processo de transmissão em que o receptor é o olho humano. Ao longo dos tempos, diversos processos, códigos e sistemas foram usados na telegrafia óptica. Em Portugal, abandonados já pelo Exército os semáforos e os telégrafos de Ciera (que tinham sido largamente usados a partir do final da primeira década do séc XIX), foram três os tipos de aparelhos mais usados no principio do séc XX:

Bandeiras
As bandeiras regulamentares, sempre usadas aos pares, eram constituídas por uma haste de madeira com 56 cm de comprimento e 2 cm de diâmetro, com um torneado com 20 cm de comprimento e 3 cm de diâmetro na base, e por um pano de algodão com 40×36 cm, com uma faixa central vermelha e os extremos de côr branca. As 3 faixas tinham a mesma largura, 12 cm, e a bandeira pesava 310 g, segundo o regulamento de 1930. Podia usar-se o código Morse, o que já era raro, ou o alfabeto homográfico. No caso de ser usado o primeiro, o traço era transmitido pelo R do alfabeto homográfico, e o ponto pelo B.

Nota: As bandeiras foram utilizadas para transmitir sinais desde tempos imemoriais. As acima referidas são as últimas que foram regulamentadas, mas muitas outras houve. Por exemplo, aquando da GG, eram as seguintes as bandeiras utilizadas, também aos pares (note-se a faixa vermelha muito mais estreita):

Mas antes, no final do séc XIX (1896), o Manual do telegraphista militar em campanha estipulava como norma que estas deviam ser formadas por um panno de 1,20 m de comprimento e 0,90 de altura bipartido no sentido transversal em duas côres, branca e encarnada, e fixo no topo de uma haste de 2,0 m de comprimento e 0,03 m de diametro. Na altura apenas se usava o código Morse, com uma única bandeira, sendo as posições para o ponto e o traço as aqui referidas.
Como curiosidade adicional, nessa altura (final do séc XIX) também se utilizavam ArchotesQuadros na telegrafia óptica para a transmissão dos códigos Morse.
Estes eram constituídos por uma armação de quatro barras de ferro de cerca de 0,50 m de comprimento e 0,015 m de diametro articulados por arrebites nos extremos formando quadrado, munido de um cabo e revestido n’uma das faces por um panno branco e na outra por um panno encarnado. O ponto era transmitido por apenas o braço direito na horizontal, enquanto o traço o era por ambos os braços. O branco era usado com fundos escuros, de contrário usava-se o encarnado. A posição de descanso era com ambos os quadros sobrepostos, descaídos à frente e a meio do corpo.
Quanto aos Archotes, eram formados por um tubo metallico que se adapta à haste de uma bandeira, cheio de estopa embebida em essencia de terebenthina. Os sinais de Morse podiam ser feitos com apenas um archote (neste caso empregue como no manejo da bandeira), ou com dois (manejados como os quadros).
Finalmente, de referir ainda a utilização de lanternas (de secção quadrada, munidas de lâmpadas de petróleo, tendo a face da frente envidraçada e coberta exteriormente por umas persianas móveis de folha, com uma mola) e aparelhos ópticos Mangin, mas estes serão tratados em artigo próprio.

Heliógrafos
Aparelhos destinados a produzir sinais pela reflexão dos raios solares. Nos anos 30, o aparelho regulamentar distribuído às Unidades era o heliógrafo de Mance, constituído por um espelho redondo, um suporte para o porta-mira, porta-mira, espelho auxiliar e tripé (anteriormente, a partir de 1884, fora muito usado o heliógrafo Martins, mais adequado a instalações fixas). O espelho transmissor não tinha estanho num pequeno circulo central e o seu movimento era em torno de 2 eixos perpendiculares. Para o manobrar, na inclinação, existia um parafuso de haste que permitia movimentos lentos e que era necessário soltar quando se pretendia de início ajustar por movimentos de maior amplitude. Para movimentos lentos de azimute, havia um parafuso tangencial. Depois de cuidadosamente alinhados os espelhos dos dois postos (o centro de cada espelho, a imagem do ponto de mira e a imagem do posto correspondente colocados na mesma linha reta), para transmitir, começava-se por baixar ligeiramente o espelho, a fim de que só carregando no manipulador se veria luz no posto receptor. Um clarão curto era um ponto e um clarão mais longo um traço, usando portanto o código Morse. Por vezes a posição solar obrigava ao uso do espelho auxiliar, que passava a ser o que ficava na direcção do posto correspondente. O alcance, com tempo limpo e usando binóculos, era da ordem dos 50 Km.

Lanternas de sinais
As lanternas regulamentares eram as lanternas Lucas, com ligeiras alterações relativamente ao modelo usado pelos ingleses (anteriormente tinham também sido muito usados os aparelhos Mangin, de muito maior porte).  Eram compostas por uma caixa de madeira com 2 compartimentos, um para o projetor, suportes, discos coloridos e tampa do transmissor; o outro continha uma pilha de 12 V e uma caixa de sobresselentes. O projetor era um tambor cilindrico fechado, dum lado por uma calote esférica e do outro por uma tampa envidraçada. No fundo, havia um espelho lenticular em cujo foco estava a lâmpada. Por cima encontrava-se o tubo visor (mira). Os discos eram de duas espécies – 3 de côr, de celuloide (amarelo, vermelho e verde)  e 1 disco de noite (para obturar mais ou menos a saída do feixe luminoso). Era o posto correspondente que determinava a escolha do disco, consoante as condições de visibilidade. O transmissor Morse era fixo na tampa do compartimento do projetor, do lado das tomadas de corrente da pilha. A lanterna podia ser colocada, ou na estaca própria, ou no tripé do heliógrafo de Mance. O alcance ia dos 4 Km, de dia, aos 8 Km, de noite.

Sala de TSF do museu da EPT

Colecção visitável da EPT - Sala TSF (1)

Colecção visitável da EPT - Sala TSF (2)

Estas imagens mostram uma panorâmica da sala onde estão expostos alguns equipamentos de TSF, assim como diversos tipos de equipamentos áudio e de teste. Estes equipamentos (audio e teste), são oriundos das oficinas de manutenção e fotocine existentes nas antigas instalações da Escola Prática de Transmissões (no Bom Pastor).

Lanterna Eléctrica de Sinais

Destina-se à transmissão de sinais luminosos, durante o periodo nocturno, comandados por uma chave de Morse.

REGISTO

EPT:  Nº 0333

NOMENCLATURA:

Lanterna Eléctrica de Sinais

EQUIPAMENTO:   S/N

ORIGEM: Itália

ANO: 1930

MESA: X33

Bandeiras de Sinais

Foram utilizadas como meio de transmissão de grafia óptica (alfabeto homográfico). Utiliza-se uma bandeira em cada mão que colocadas em determinada posição significam uma letra ou um número, permitindo assim a transmitir mensagens completas.

REGISTO

EPT:  Nº0359

NOMENCLATURA:

Bandeiras de Sinais

EQUIPAMENTO:   S/N

ORIGEM: Portugal

ANO: Década de 1930

AQUISIÇÃO: Oferecidas pelo Sr.Coronel Bastos Moreira em 15JAN85

MESA: X33

Telefone de mesa ERICSSON

Este telefone está montado sobre dois pés que são o indutor do magneto. Da base de ebonite saem as ligações para a campainha e para o micro auscultador. A bobina de indução esta alojada no garfo comutador. O “patère” está ligado por um cordão de seis condutores para ligação à linha, pilha e extensão de campainha.

COMPOSIÇÃO:

Base de Ebonite
Garfo Comutador
“Patère”
Campainha
Pés

REGISTO

EPT:  0153/M

NOMENCLATURA:

TELEFONE DE MESA ERICSSON TIPO AC

EQUIPAMENTO   Nº S/N

ORIGEM:   Aktiebol:aget L.M. Ericsson & Cº Stockholm – Suécia

ANO: 1910

AQUISIÇÃO: EPT

MESA: X32

Desenrolador MOD. 943 com carretel de fio

Este desenrolador era utilizado para lançamento de fio telefónico em campanha. Tem a particularidade de o fio se apresentar protegido por papel encerado ao contrário das linhas que se utilizam actualmente (WD1-TT) que são manufacturadas em plástico.

REGISTO

EPT:  1284+1968

NOMENCLATURA:

DESENROLADOR MOD.943 COM CARRETEL DE FIO

EQUIPAMENTO:  Nº S/N

ORIGEM:   U.S.A

ANO: 1943

AQUISIÇÃO: Oferecido pelo Sr.Coronel Bastos Moreira ao Museu da EPT.

LUGAR: 38

Cofre para Secretaria Regimental m/74

Esta arca de madeira destinava-se ao sargento das Companhias quando estas se deslocavam para exercícios no exterior das Unidades. Serviam para guardar valores, documentos, mensagens, etc..

REGISTO

EPT:  1921

NOMENCLATURA:

COFRE PARA SECRETARIA REGIMENTAL m/74

EQUIPAMENTO:   Nº S/N

ORIGEM:   PORTUGAL

ANO: 1974

AQUISIÇÃO: Foi oferecida ao Museu da EPT, pelo Sr. Coronel Sollari Allegro em 16MAI99

LUGAR: 34

Caixa CH-251

Esta caixa faz parte também do completo do AN/GRC-38, uma vez que é para armazenar as bobines de sintonia e as unidades de frequência do respectivo emissor receptor. É composta por 6 unidades de frequência e 4 bobines de sintonia.

REGISTO

EPT:  0046-1.39

NOMENCLATURA:

CAIXA CH-251

EQUIPAMENTO:   Nº S/N

ORIGEM:  Signal Corps U.S.Army – Stander Arts – USA

ANO: 1949

AQUISIÇÃO: EPT

MESA: 30

Transformador de 110/220 V

Este transformador servia para alimentar todo o sistema a 110V a partir da rede do sector normal de 220V AC.

REGISTO

EPT:  1494-1.35

NOMENCLATURA:

Transformador de 110/220V AC C/voltímetro e saída regulável.

EQUIPAMENTO:   Nº S/N

ORIGEM:   U.S.A

ANO: 1951

AQUISIÇÃO: EPT

MESA: 30

Unidade de controlo remoto RM-39

Esta Unidade permite operar Emissores Receptores do tipo SCR até à distância de mil e seiscentos metros aproximadamente, permitindo assim que os operadores, estejam muito distantes das estações emissoras, contribuindo consideravelmente para a segurança destes.

REGISTO

EPT:  0775

NOMENCLATURA:

UNIDADE DE CONTROLO REMOTO TIPO RM-39

EQUIPAMENTO :  Nº1378

ORIGEM:  Signal Corps US Army – Automatic radio U.S.A

ANO: 1952

AQUISIÇÃO: Depósito Geral de Material de Transmissões

MESA: 30

Frequencímetro BC-221 N

Este frequencímetro gera uma gama de frequências que vai de 125 até 20.000Khz e destinava-se à calibração de Emissores Receptores de Campanha.

REGISTO

EPT:  1004-1.52

NOMENCLATURA:

FREQUENCÍMETRO BC-221 N

EQUIPAMENTO:   Nº6043

ORIGEM:  Signal Corps US Army Philco Corporation Philadelphia Pensylvania – U.S.A.

ANO: 1951

AQUISIÇÃO:EPT

MESA: 30