Eletrificação dos Lugares de Chã,       Abadia e Pinheiro pelos Militares da Escola Prática de Transmissões


No inicio dos anos 70 do séc passado, cerca de 30% dos portugueses eram ainda analfabetos, sendo a taxa nas mulheres bem superior à dos homens (quando da implantação da República, 3/4 da população portuguesa não sabia ler nem escrever). A esmagadora maioria não tinha qualquer acesso à cultura, ou sequer à informação, nem a meios e recursos de bem-estar.

Analfabetismo

Fonte: INE/GEPE

Mais de 50% das casas onde a população portuguesa vivia não tinham água canalizada; em cada 5 casas, 4 nem sequer tinham casa de banho; 40% não tinham esgotos.

Cerca de metade das habitações não tinha eletricidade. Muitas aldeias e lugares não tinham sequer quaisquer estradas, ou saneamento, ou eletricidade.
Não admira pois que, após o 25 de Abril, as Forças Armadas se tenham empenhado em diversas formas de apoio às populações, com realce para as Armas e Serviços técnicos do Exército (Engª, Tm e SMat).

Na sequência de um despacho de 12NOV74 do CEME, realizou-se de imediato uma reunião com vista a estabelecer uma Comissão para o estudo global das potencialidades da Engenharia militar, bem como de eventuais missões de apoio às populações e a entidades civis, tendo a Arma de Tm nomeado dois representantes, o Cor Corte Real e o Cap Cruzinha Soares.

Corpo Eng 1 Corpo Eng 2 Corpo Eng 3Entretanto, já em 7 de Março de 1975 a EPTm dera conta ao CEME que um instruendo do COM, o Asp Miliciano Amilcar Faustino, fizera chegar à EPTm, logo no início do ano, a informação de que, como engenheiro, colaborara com a CM de Sobral de Monte Agraço num projecto para a eletrificação de algumas das suas freguesias e que sugeria e se disponibilizava para efetuar os trabalhos em apoio dessas populações, desde que fossem fornecidos os meios materiais e humanos necessários.

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Carta do Cap Golias para o Asp Faustino

Carta do Cap Golias para o Asp Faustino

Muitos outros pedidos de apoio foram chegando à Arma de Transmissões, por parte de diversas Câmaras Municipais, como foi o caso já aqui relatado neste blogue, na história de vida do Cor Cruz Fernandes (ver aqui), na zona de Castro Daire (Viseu), ou o da CM da Tábua, como é referido no documento seguinte:

Nota DATAutorizados superiormente, os trabalhos levados a cabo nos lugares de Chã, Abadia e Pinheiro (todos em Sobral de Monte Agraço) iniciados ainda em Março, permitiram a eletrificação daquelas aldeias pelo pessoal da EPTm (2 oficiais subalternos, 3 sargentos e 22 praças, todos voluntários), com grande satisfação das populações, que comemoraram no final com uma festa, a “Festa da Luz”, no dia 28 de Junho de 1975.
Esta acção teve na altura imensa repercussão na comunicação social, nacional e internacional, tendo nomeadamente sido alvo de uma reportagem da revista Der Spiegel.

Chã

Chã, Abadia e Pinheiro (retirado do Google Maps)

Lista imprensa

Documentação conhecida sobre esta missão da EPTm

Reportagem Der Spiegel

Spiegel: “Como um paciente aprende de novo a andar” Uma reportagem sobre um ano de revolução em Portugal

Timidez ou defesas são desfeitas por bandas ou danças, cinema e teatro - ou mesmo pela instalação de linhas de energia elétrica, como na aldeia de Chã, a 35 quilómetros a noroeste de Lisboa. Aquartelados lá desde Março, numa exploração agrícola vazia, dezassete jovens soldados de Lisboa, sob o comando de Faustino, apoiam as vidas de cerca de 300 moradores. Pequenos agricultores e trabalhadores agrícolas, sobretudo, mudaram muito: pela primeira vez foi reconhecido pelo povo de Chã que seria bom ter uma sala de reuniões na aldeia - e concedeu um barracão vazio. Agora, existem filmes, discussões e apresentações de teatro por grupos de teatro amadores de Lisboa.

Timidez ou defesas são desfeitas por bandas ou danças, cinema e teatro – ou mesmo pela instalação de linhas de energia elétrica, como na aldeia de Chã, a 35 quilómetros a noroeste de Lisboa. Aquartelados lá desde Março, numa exploração agrícola vazia, dezassete jovens soldados de Lisboa, sob o comando de Faustino, apoiam as vidas de cerca de 300 moradores. Pequenos agricultores e trabalhadores agrícolas, sobretudo, mudaram muito: pela primeira vez foi reconhecido pelo povo de Chã que seria bom ter uma sala de reuniões na aldeia – e concedeu um barracão vazio. Agora, existem filmes, discussões e apresentações de teatro por grupos de teatro amadores de Lisboa.

Quarenta anos depois, no passado dia 28 de Junho de 2015, o povo de Chã resolveu comemorar a eletrificação da sua aldeia, com uma nova festa, em que foi erigido um pequeno monumento na praça principal com uma placa de agradecimento aos Aspirantes milicianos de Tm Amilcar Faustino e Emílio Vasconcelos, que chefiaram os trabalhos, bem como à Escola Prática de Transmissões (Lisboa), que dirigiu a missão e disponibilizou os homens e o material.

Placa no largo principal de Chã

Placa no largo principal de Chã

Detalhe

Detalhe

Placa na colectividade local

Placa na colectividade local, de agradecimento ao Asp mil engº Amilcar Faustino

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