Grande Guerra – Divisão de Instrução – Relatório Soares Branco (1)


Post do MGen Pedroso Lima e do Cor Costa Dias,  recebido por msg:

Relatório do Serviço Telegráfico da Divisão de Instrução – 1ª Parte

O Relatório da participação das transmissões nas Manobras de Tancos da Divisão de Instrução, em 1916, elaborado pelo Chefe do Serviço Telegráfico da Divisão, capitão de Engenharia Soares Branco é um documento extenso dividido em 4 partes:

 1ª Parte – Trabalhos efetuados antes de 5-6-1916

2ª Parte – Instrução Técnica das Tropas

3ª Parte – Operações

4ª Parte – Conclusões e Propostas

Com este post dá-se início à apresentação de um resumo do relatório:

1ª Parte – Trabalhos efetuados antes de 5-6-1916

Ligações estabelecidas para o serviço da Divisão no acampamento, com a Direcção de Etapas e Zona de Fogos de Guerra.

O capitão de Engenharia Soares Branco foi nomeado Chefe do Serviço Telegráfico da Divisão de Instrução em Fevereiro de 1916.

A sua missão consistia em elaborar o programa de Instrução das tropas telegrafistas da Divisão, estabelecer as ligações necessárias entre Tancos e Lisboa e entre as forças estacionadas, bem como assegurar o funcionamento do serviço, durante as manobras.

O capitão Soares Branco deslocou-se para Tancos, com o Quartel General da Divisão, em 5 de maio, um mês antes da concentração das tropas. Nessa altura já tinha elaborado o Plano de Instrução, de acordo com a Inspeção do Serviço Telegráfico Militar (ISTM), o que, segundo ele, “muito o beneficiou”.

As ligações permanentes existentes em Tancos, em maio, eram manifestamente insuficientes para suportar o tráfego com o exterior que as manobras iriam exigir.

Na altura, encontrava-se em Tancos a Escola de Aplicação de Engenharia (EAE) [1], onde existia uma estação miliar que se ligava à estação da Barquinha de dia, e de noite às estações militares de Santarém e Abrantes, que se encontravam ligadas às estações civis locais.

Dado o aumento de tráfego previsto, a Direção Geral dos Correios e Telégrafos (DGCT) deu ordem para que as estações civis da Barquinha e Santarém passassem a serviço permanente e que a estação de Santarém centralizasse o trafego entre Tancos e Lisboa.

Esta solução era insuficiente, pelo que o chefe do Serviço Telegráfico propôs ao comando a construção de várias linhas, o fornecimento de 18 km de linha telefónica e 18 km de linha telegráfica, e a vinda de uma esquadra com o efetivo de dois 2º sargentos e de treze cabos e soldados da Companhia de Telegrafistas de Praça (CTP), que chegaram a 15 de maio.

O Comando da Divisão considerou prioritárias as seguintes ligações:

  • Estabelecimento de uma linha telefónica Tancos – Entroncamento para a Direção de Etapas, com estação intermédia na Barquinha;
  • Prolongamento da linha telegráfica militar Tancos – Barquinha (a que seguia pela linha 303 para Abrantes) até ao Entroncamento, permitindo a sua ligação a uma linha civil do Norte (24), cedida pela Direção Geral dos Correios e Telégrafos (DGCT), permitindo comunicação direta e exclusiva para Lisboa;
  • Ligação com alguns comandos de forças que viriam a constituir-se: Brigadas de Infantaria e Comandos da Artilharia e Cavalaria;
  • Linha telegráfica e telefónica para o Casal do Relvão, na zona dos fogos de guerra.

As construções efetuaram-se a uma velocidade de 1 a 2 km por dia devido a terem que ser substituídos quase todos os postes do traçado militar, ou por terem de ser rebaixados e ripadas (retiradas) as linhas existentes.

A linha telefónica e a linha telegráfica entre Tancos e a Barquinha com destino ao Entroncamento foram instaladas utilizando os postes do traçado civil, marginal à linha férrea.

A 1 de junho estavam a funcionar todas as linhas telegráficas e telefónicas na margem Norte do Tejo.

Em seguida começou a construção da linha para sul do Tejo (Arrepiado – Carregueira – Casal do Relvão) que terminou em poucos dias porque a DGCT permitiu a utilização dos postes civis até à Carregueira, pelo que apenas houve que construir cerca de 4 km entre a Carregueira e o Casal do Relvão,

Fundo-3-5-4-22-211_m0056A 12 de junho o serviço estava concluído.

Surgiu uma dificuldade, que foi a de ter que se por de parte a utilização de linhas simples, não só por razões de segurança nas comunicações, mas também por se verificar que a chamada para uma estação acionava também outras.

Para manutenção das linhas, durante o exercício, ficaram 7 praças guarda-fios.

Ao todo, foram montadas, neste período que antecedeu as manobras, as seguintes estações:

  • Estações telegráficas e telefónicas no QG e no Casal Relvão;
  • Estação telefónica dupla na Barquinha;
  • Estações telefónicas simples (CEM e 2ª Rep/Div; 1ª e 2ª Brigadas de Infantaria, Comando da Cavalaria, Comando da Artilharia, Comando da Engenharia e Serviço Telegráfico; Direção de Etapas (Entroncamento), Direção de Fogos de Guerra, Comando da Ponte no Arrepiado e EAE.

Através do indicador da EAE era possível ao QG da Divisão (Aringa) comunicar com várias entidades como o Batalhão de Pontoneiros, a secretaria da EAE, o Hospital de Tancos, entre outras.

As comunicações cm Lisboa ficaram asseguradas pela ligação direta Aringa – Entroncamento – linha 24 -Lisboa e pela linha Tancos – Barquinha – linha 303 – Santarém – Lisboa.

Esta duplicação de linhas para Lisboa viria a revelar-se de grande utilidade durante o Exercício.

A guarnição das estações instaladas:

  • na Central do QG 1 – 2º sargento (da CTP) e 6 – praças (4 da CTP e 2 da STC)
  • na estação do Casal do Relvão 2 – praças (1 da CTP e 2 da STC)
  • na estação telefónica da Barquinha 2 – praças (1 da CTP e 1 da C.S.)
  • as estações telefónicas simples não tinham telegrafistas e eram guarnecidas com pessoal do comando a que estavam adstritos.

Foram gastos cerca de 50 km de fio telefónico, assentes cerca de 200 postes, montadas duas estações telegráficas, uma telefónica de 10 direções em conjugação com outra de 9 direções (na Barquinha) e estabelecidos outros 10 postos telefónicos.

As estações telegráficas e telefónicas do QG (Aringa) e casal do Relvão serviam também para prática dos telegrafistas de campanha, os quais, fora das horas de serviço eram obrigados à permuta de um certo número de despachos. No entanto, apesar dos esforços e dedicação do 2ºsargento da estação do QG (da CTP), poucos resultados se obtiveram visto que o pessoal “praticava na manipulação e receção de despachos mas eram de uma rudeza extraordinária, quanto às regras de serviço”.

O Relatório diferencia claramente a capacidade do pessoal da CTP da do pessoal de campanha.

Com efeito, verificava-se que apenas o pessoal da CTP tinha capacidade para exploração das estações telegráficas e construção das linhas permanentes.

O pessoal de campanha só fazia bom serviço na montagem e levantamento de linhas de campanha e exploração de postos telefónicos.

Mesmo a exploração de estações telefónicas, sobretudo em comunicações com outras civis, só podiam ser realizadas por pessoal da CTP.

Este claro reconhecimento da maior capacidade do pessoal da CTP teria importantes consequências na composição do pessoal do CEP na Flandres, onde se aumentou substancialmente o emprego de pessoal da CTP em relação ao inicialmente previsto, com vista a melhorar a qualidade do serviço.
Redes telefónicas e telegráficas de TancosFundo 3-5-4-22-211_m0051

[1] A Escola Prática de Engenharia foi criada em Tancos em 1880. Em 1911, com a reorganização do Exército da I República, passou a ser Escola de Aplicação de Engenharia. Em 1927 retomou o nome de Escola Prática de Engenharia.

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