Depoimentos de sinaleiros franceses na batalha de Verdun


Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

Tenho o privilégio de ter uma filha que me presenteia com livros sobre a IGM, sabendo do meu gosto pelo estudo da participação portuguesa na IGM, que vem de há muitos anos.

O último livro que me ofereceu, depois de uma viagem a França, foi o seguinte:

VerdunO autor, no livro, apresenta depoimentos de telefonistas franceses de unidades de infantaria que sobreviveram à batalha de Verdun, que considera a “maior batalha da história”.

Neste post limito-me a transcrever esses depoimentos, apenas observando que no CEP estes telefonistas seriam designados por “sinaleiros de infantaria”:

Em frente de Bras, em fevereiro, sofremos um bombardeamento, estando nós em campo raso; foram longas essas horas! Acabei por não me abrigar e observar, de joelhos, os acontecimentos. Entretanto reparava. Como consegui sair de lá?

                                                                                        Soldado Luciano Lahaye. 156º RI

Março de 1916 – Um telefonista deve ter numerosos e bem visíveis pontos de referência pelos quais se possa orientar de noite. A sua vida depende frequentemente da forma como faz as reparações.

Os nossos pontos de referência eram: o calvário, um poste indicador, as ruinas de um muro, os destroços carbonizados de equipamentos de uma quinta, o cadáver de um cavalo. Mais além uma equipe de distribuição do rancho foi surpreendida pelo rebentamento de uma granada e 12 homens foram mortos. Os cadáveres foram retirados mas ficaram no solo os cantis, as marmitas, os pães. Eis excelentes referências.

As linhas telefónicas eram cortadas pelas granadas cinco ou seis vezes por dia e outro tanto à noite. Nós saltitávamos de cratera de granada em cratera de granada, com o nosso desenrolador de fio e o aparelho que serve para reparar os cortes de linha. Estávamos no inverno e a neve caía em abundância, mas nós regressámos banhados de suor ao nosso posto em Bras.

                                                                                               Emile Carlier. 127º RI

Na segunda quinzena de julho fui telefonista. Guarnecíamos o posto de Tavannes. O espetáculo era aterrorizante. A toda a hora surgia o bombardeamento mais violento que eu jamais vira, desencadeando-se progressivamente, metro a metro, por toda a ravina até à entrada do túnel de Tavannes, uma verdadeira fantasmagoria infernal. Estávamos num pequeno abrigo encravado no flanco de um pequeno monte, esperando o momento em que uma granada rebentasse em cima ou na entrada para sermos exterminados como vulgares coelhos nas suas tocas.

Logo que uma linha era cortada, o que acontecia constantemente, partiam logo dois homens para a reparar. Perguntava-me sempre como era possível sair vivo de tal inferno.

Quando rebentava uma granada era como se passasse um furacão durante 5 minutos, mas durante esses cinco minutos nem um só metro de terreno, sem exagero, era poupado, à parte alguns locais entre a parede da ravina onde se encontravam os abrigos e onde as granadas passavam muito perto. Portanto, alguém que se encontrasse dentro deste cataclismo era destruído no local e enterrado sem custos e sem cerimónias: era o tradicional “desaparecido” dos registos oficiais.

                                                                                   Robichon, telefonista, 95º RI2

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