Cândido Mariano da Silva RONDON – Marechal do Exército Brasileiro


Post do Cor António Pena, recebido por msg:

Patrono da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro[1] 

RondonO Marechal Rondon terminou a sua preparação militar em 08 de janeiro de 1890, na Escola Superior de Guerra, com o título de Engenheiro Militar e diplomas de bacharel em Matemática e em Ciências Físicas e Naturais. Antes, aos 16 anos, ingressou no Exército, 2º Regimento de Artilharia a Cavalo, como soldado, com destino à Escola Militar da Praia Vermelha, onde completou os cursos preparatório de Infantaria, Cavalaria e Artilharia e de Estado-Maior de 1ª Classe (1883/1888).

Em janeiro de 1890 na sequência de serviços relevantes prestados à Proclamação da República é promovido a Primeiro-Tenente por distinção e designado para a Comissão Construtora de Linhas Telegráficas no Estado de Mato Grosso (Cuiabá ao rio Araguaia) assumindo em 1900 (Capitão) a chefia da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas no Estado de Mato Grosso. As ligações telegráficas de Corumbá e Cuiabá, com o Paraguai e a Bolívia, são estabelecidas com direção de Rondon, tendo sido estendidos 1747 Km de linhas telegráficas entre 17 estações (1900/1906).

mapa-rondonEm 1907, no posto de Tenente-Coronel, é nomeado pelo Presidente da República, Afonso Penna (1906/1907), para chefiar a Comissão de Linhas Telegráficas Estratégicas de Mato Grosso ao vale do rio Madeira no Amazonas tendo como base de partida a cidade de Cuiabá. No dia de Natal de 1908 atingiram o rio Madeira, “ocasião em que Rondon, exultante, mandou seu corneteiro dar o toque – VIVA O 5º BATALHÃO DE ENGENHARIA”.

No território da atual Rondónia (Coronel de Engenharia promovido em 1912) coordenou a construção da Linha Telegráfica Cuiabá a Santo António do Madeira, com 1490 Km e 20 estações (1914). As suas missões militares no âmbito de Engenharia (Comunicações) terminaram, como Diretor de Engenharia do Exército e Chefe das Linhas Telegráficas, no período 1919/1924 (General de Divisão).

O Marechal Cândido Rondon, que neste curto post (4000 carateres) apresento como introdução a trabalho de algum vulto a submeter para publicação na Revista Militar (Portuguesa) em 2016, para além de Militar de Comunicações de excepção, foi combatente de mérito comandando Forças em Operações em diversos envolvimentos revolucionários.
Engenheiro Militar empenhado na construção de quartéis modernos, envolveu-se na Filosofia Positivista (Religião da Humanidade), foi defensor e protetor dos Índios, explorador e descobridor de inéditos exemplares botânicos e geógrafo. Nesta última atividade levantou a carta de Mato Grosso, trabalho topográfico e geográfico que realizava em paralelo com as comissões construtoras de linhas telegráficas completando e corrigindo imprecisões nas cartas existentes.

No âmbito das Comunicações foi elevado aos mais altos e honrosos faróis imortais das Comunicações Brasileiras:

Patrono das Comunicações Nacionais do Brasil, autorização da Presidência da República (27 de abril de 1971), ficando o dia 05 de maio, data do seu nascimento em Mimoso, perto de Ciuabá, em 1865, dedicado às Comunicações;

Patrono da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro (a Arma do Comando), Decreto nº 51 560 de 26 de abril de 1963, “por haver chefiado a implantação no Brasil de 8.000 Km de linhas telegráficas, fatores de Integração, Unidade e Desenvolvimento (…)”.

O Marechal Rondon foi reverenciado e distinguido das mais diversas formas não apenas como oficial relevante e distinto, mas também como excepcional explorador, naturalista, filósofo e estudante.

Este ser humano de excepção, pelo conjunto da sua obra e postura humanitária, por decisão do Congresso Brasileiro, traduzida na Lei nº 2 409 de 27 de janeiro de 1955, foi consagrado de justiça pelo Povo Brasileiro, como Marechal Honorário do Exército e dado o seu nome ao território atualmente Estado de Rondónia.

rondoniaO Marechal morreu em 19 de janeiro de 1958, com quase 93 anos, tendo sido sempre leal ao seu pensamento dos primeiros anos de oficial, “Mais importante que a vida é o espírito com o qual a vivemos.”

[1] O post foi preparado a partir dos seguintes documentos observados na internet: “Marechal Cândido Mariano Rondon – O Guerreiro da Paz”, do Coronel Cláudio Moreira Bento (02 de maio de 2006); “Cândido Rondon”, Wikipédia (18 de maio de 2015); “Comissão Rondon, doenças e política: ‘Região do Madeira: Santo Antônio’, de Joaquim Augusto Tanajura – uma outra visão do Alto Madeira em 1911”, da autoria de André Vasques Vital (29 de maio de 2015) e “Exército Brasileiro – Arma de Comunicações (18 de maio de 2015).

Ainda foram observados o número de junho de 1955 da Revista Militar (Portuguesa) e o livro “Nas Pegadas de Rondon”, Hélio J. Bucker – Ivete B. Bucker, entrelinhas, Cuiabá/Brasil, 2005.

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3 comentários a “Cândido Mariano da Silva RONDON – Marechal do Exército Brasileiro

  1. Caríssimo Rui Santos Vargas, muito obrigado pela oportuna recomendação respeitante à edição comemorativa sobre o Marechal Candido Rondon. Os artigos que consegui ler aqui na internet são do maior interesse, mas vou desenvolver esforços para obter um exemplar em papel, embora me pareça que o jornal ainda não está à venda.
    Parabéns pelo interessante trabalho que por certo resulta do honroso desempenho como Delegado em Portugal da Federação das Academias de História Militar Terrestre do Brasil.
    Um abraço da maior consideração, António Pena.

  2. Tive o maior prazer em ler o post do coronel Pena sobre o marechal Rondon, figura brasileira do maior relevo , patrono das Comunicações Brasileiras e da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro, praticamente desconhecido em Portugal, pelo que já o felicitei pela sua iniciativa, a meu ver exemplar e que considero importante para o Blogue
    Por duas razões essenciais. A primeira por constituir um incentivo á alimentação do Blogue, que, em meu entender, se encontra em acentuada perda, em termos de posts publicados.
    Em segundo lugar por trazer ao blogue a problemática das comunicações brasileiras, pois, que me lembre, uma vez apenas lhe dedicou, em 2012, um post (1) sobre uma outra grande figura brasileira das comunicações, pioneiro das comunicações TSF em fonia – o padre Roberto Landell de Moura.
    De acentuar que, apesar disso, o conjunto de visitantes brasileiros a este Blogue é apreciável e ainda se mantém agora à volta dos 20%, o que representa um total de cerca de 37.000.que apenas é superado pelo conjunto de visitantes portugueses (acima de 60%) e está muito distanciado do seguinte – Os Estados Unido da América, com cerca de 4.400 visitantes.
    O post do coronel Pena tem assim, no meu entender, a vantagem de corresponder a este interesse dos visitantes brasileiros pelo nosso blogue e permitir minorar o conhecimento sobre as Comunicações do Exército Brasileiro, praticamente desconhecidas em Portugal.
    Nesse sentido permito-me apresentar duas questões ligadas à história da Comunicações do Exército brasileiro, na esperança de que algum dos visitantes brasileiros que leia o comentário possa esclarecer e que desde já agradecemos..
    A primeira diz respeito à História das Comunicações do Exército Brasileiro de que apenas tenho conhecimento através da Net. (2)
    Essa história começa com o marechal Rondon e a telegrafia elétrica. Ora, no livro “As Transmissões Militares da Guerra Peninsular ao 25 de Abril”, disponível neste Blogue , reporta-se o início das Transmissões do Exército português para os princípios do século XIX, com a criação do Corpo Telegráfico e o uso da telegrafia ótica.
    Ou seja, em Portugal, na historiografia das Transmissões, do Exército português inclui-se a telegrafia ótica, enquanto que no Brasil, tanto quanto sei , o mesmo não sucede.
    No entanto na net encontrei o texto de Mauro Costa da Silva e Ildeu Castro Moreira intitulado “A introdução da telegrafia elétrica no Brasil “ (3) onde refere que “os primeiros telégrafos óticos foram construídos em 1809 entre as cidades de cabo Frio e Rio de Janeiro. A sua principal utilização era o aviso da chegada de navios e comunicação deles com os portos”. E também que “existiram telégrafos óticos na Baía, Pernambuco, na Maranhão e em santa Catarina, para comunicação entre fortalezas.
    Daqui parec poder concluir-se concluir que, de facto, no princípio do século XIX, telegrafia ótica existia no Brasil e era utilizada elos militares brasileiros.
    Outra dúvida que gostaria de esclarecer diz respeito à construção de milhares de quilómetros de linhas telegráficas feita nos princípios do século XX, sobre a direção do marechal Rondon, referida nos post do coronel Pena.
    A obra gigantesca da construção destas linhas e a sua operação foram feitas pelos militares brasileiros?
    Tudo parec e indicar que sim (o que não sucedeu em Portugal) pois segundo a wikipédia (4)
    “ Em 1880 o Batalhão de Engenheiros foi reorganizado para poder ser empregado na construção de estradas de ferro e de linhas telegráficas”.

    (1) Post do MGen Carlos Alves de 26 de Novembro de 2012.
    (2)http://pt.wikipedia.org/wiki/Arma_de_Comunica%C3%A7%C3%B5es_do_Ex%C3%A9rcito_Brasileiro
    (3)www.sbhc.org.br/arquivo/download?ID_ARQUIVO=82
    (4)http://pt.wikipedia.org/wiki/Arma_de_Comunica%C3%A7%C3%B5es_do_Ex%C3%A9rcito_Brasileiro

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