Grande Guerra – Organização das Comunicações do CEP – I – A Divisão Auxiliar


Na sequência de conversações entre os governos de Portugal e da Grã-Bretanha, foi elaborado, no Estado-Maior do Exército, em novembro de 1914, um estudo sobre a constituição de uma força expedicionária de nível divisionário (Divisão Auxiliar Portuguesa), que incluiu a criação de um Quadro Orgânico. Pelas circunstâncias que vieram depois a ocorrer, tanto internamente como na disposição inglesa, a Divisão nunca chegou a ser mobilizada.
Nos respetivos planos refere-se a sua constituição geral e especifica-se a composição das suas unidades e órgãos, assim como a distribuição do seu pessoal, entre o qual o afeto às comunicações. Assim:
1Quartel-General da Divisão.
1.1 – Pertencia ao QG da Divisão a Chefia do Serviço Telegráfico, constituída por um capitão de Engenharia e uma praça amanuense.
2Tropas Divisionárias.
2.1 – Uma Companhia de Sapadores Mineiros;
2.2 – Uma Secção de Telegrafistas de Campanha, com dois oficiais e 107 praças (ver quadro);         divisão auxiliar Secção de telegrfistas de campanha 001
2.3 – Uma Secção de Projetores;
2.4 – Uma Secção de Telegrafistas sem Fios, com 2 oficiais e 30 praças (ver quadro):divisão auxiliar secção de telegrafistas sem fios m.t 001
2.5- Uma Secção Automóvel;
3Quatro Grupos de três Baterias de Artilharia 7,5 TR.
4Um Regimento de Cavalaria.
No estado-maior e menor do Regimento havia o comando de um Pelotão de Telegrafistas, constituído por um oficial subalterno e uma praça.
4.1 – O Regimento era constituído por dois Grupos de Esquadrões a dois Esquadrões cada um.
No estado-maior de cada Grupo de Esquadrões havia um 2º sargento telegrafista e em cada Esquadrão um 1º cabo telegrafista.
5Quatro Grupos de Baterias de Metralhadoras, sendo dois Grupos a três baterias e dois Grupos a duas baterias.
6Duas Brigadas de Infantaria, com três Regimentos cada uma;
6.1 – Regimento de Infantaria
Cada Regimento tinha três Batalhões.
No estado-maior e menor do Regimento havia o comando de um Pelotão de Telegrafistas, constituído por um oficial subalterno, um 2º sargento telegrafista e duas praças.
6.1.1 – Batalhão de Infantaria
Cada Batalhão tinha quatro companhias.
No estado-maior de cada Batalhão havia dois 1ºs cabos telegrafistas.
6.1.1.1 – Companhia de Infantaria
Em cada Companhia havia dois 2ºs cabos ou soldados telegrafistas e nove soldados agentes de ligação.
7Coluna de Munições.
8 Formações Sanitárias.
9– Coluna de Víveres.

A Divisão Auxiliar morreu à nascença, tanto pela mudança de posição inglesa em relação à participação de forças portuguesas na frente europeia, como pelas alterações políticas internas, especialmente a partir de janeiro de 1915, quando foi nomeado o governo Pimenta de Castro, que anulou a mobilização.

AHM/DIV1/1290/2

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3 comentários a “Grande Guerra – Organização das Comunicações do CEP – I – A Divisão Auxiliar

  1. Este novo comentário tem dois objetivos:
    • O primeiro é apresentar as minhas desculpas por dois erros que cometi no meu post anterior e que o meu amigo coronel Costa Dias teve a amabilidade de assinalar.
    • O segundo é para reafirmar a minha convicção de que, com os dados apresentados no post a respeito dos efetivos empregues nas transmissões das unidades das Armas, é impossível construir um sistema de transmissões para a Divisão Auxiliar.
    Os erros que cometi foram em primeiro lugar considerar que não estava considerado no QG da Divisão a Chefia do serviço de Transmissões, quando tal está explicitamente indicado no post e o segundo foi ter designado os Grupos de Metralhadoras por Regimentos de Metralhadoras.
    Passando ao problema essencial que é como conciliar o funcionamento do sistema de transmissões previsto para a Divisão Auxilliar com os dados dos efetivos de Transmissões indicados no post, extraídos dos QO da Divisão Auxiliar.
    Recordemos que normalmente a Engenharia asseguraria as ligações das Grandes Unidades, ou seja entre o QG da Divisão e as Brigadas e destas para os Regimentos. Os Regimentos de Infantaria, o Regimentos de Cavalaria, os Grupos de Artilharia e os Grupos de Metralhadoras, teriam as suas transmissões próprias, cujo pessoal deveria constar dos respetivos QO.
    Ora o que sucede, dos dados que se tiram do post , para minha surpresa, nem os Grupo de Artilharia nem os Grupos de Metralhadoras têm qualquer elemento de transmissões atribuído, o Regimento de Cavalaria apresenta um total de 8 elementos (1 dos quais oficial) e os 6 Regimentos de Infantaria um total de 632 elementos (entre os quais 1 oficial e 141 agntes de ligação).
    Como explicar esta discrepância?
    Penso que a razão fundamental é que o QO da Divisão Auxiliar não é suficientemente explícito a indicar as especialidades sobretudo das praças. Apercebi-me disso ao analisar o QO, indicado no post da Secção de Telegrafistas, onde é impossível descobrir quantos telegrafistas, guarda-fios ou telefonistas existem na secção.
    Como o número de soldados ou cabos de cada unidade de Artilharia ou de Metralhadoras é indicado em globo é impossível descortinar quantos sinaleiros existem nos Grupos, baterias ou Esquadrões.
    Deste modo, para mim os efetivos indcadios para os elementos de transmissões no post são apenas uma pequena parte dos efetivos de pessoal de transmissões empregues nas unidades das Armas, porque estão incluídos nos números globais.
    É pena porque permitiria ver a evolução que se iria verificar no futuro na Divisão de Instrução e no CEP…

  2. Os elementos utilizados neste post foram obtidos pela consulta dos quadros completos de pessoal projetados das unidades, que constituiriam a Divisão Auxiliar e que estão disponíveis no AHM na cota referida em roda pé.

    Quanto às questões relativas ao sistema de Transmissões, lido o post com atenção, constata-se que havia uma Chefia do Serviço Telegráfico ao nível do Q.G. da Divisão, que não havia Regimentos de Metralhadoras mas sim 4 Grupos de Metralhadoras e que na Infantaria não havia sinaleiros mas no seu lugar em cada companhia havia nove soldados agentes de ligação.

    A não existência de elementos de transmissões na Artilharia e nos Grupos de metralhadoras teria a ver com a sua forma de emprego, ou seria da responsabilidade da Secção de Telegrafistas de Campanha

  3. No início da Guerra, em 1914, como se sabe, Portugal aceitou a sugestão inglesa de adotar a política de “neutralidade não declarada”, que não agradava ao governo, presidido por Bernardino Machado e dominado pelo Partido Republicano Democrático, que pretendia a participação portuguesa na frente europeia.
    Na ideia da criação da Divisão Auxilar foi do general Pereira de Eça, ministro da Guerra e constituiu a primeira tentativa de levar os ingleses a aceitar a política guerrista do governo português. O pretexto foi aproveitar um pedido de material de Artilharia por parte dos franceses e que os ingleses apoiaram. A ideia era que o material de artilharia não deveria ser fornecido isoladamente mas enquadrado numa unidade que era a Divisão Auxiliar, o que foi aceite pelos ingleses, mas que, como diz o post, a Divisão não saiu do papel,
    De realçar que esta Divisão constituiu a primeira tentativa de criar uma unidade, para combater na Flandres, ao lado dos nossos aliados.
    O post tem o mérito de, pela primeira vez, procurar apresentar a organização das transmissões nessa Divisão.
    Os dados apresentados, em meu entender, não permitem que se perceba como estava concebido o sistema de Transmissões na Divisão Auxiliar. Tem lacunas pois não é concebível, por exemplo, que nem a Artilharia nem os Regimentos de Metralhadores tivessem elementos de transmissões, não houvesse um chefe do serviço a nível divisionário, os pelotões só tivessem comando e não houvesse sinaleiros na Infantaria, Artilharia e Cavalaria.
    Mas isso, quanto a mim, não desvaloriza o trabalho reailzado, pois o desejável em História, nem sempre é possível, por depender dos dados que a investigação conseguiu obter. Penso que, neste caso, estaremos condenados a não conseguir perceber como seria efetivamente organizado e poderia funcionar o serviço de transmissões da Divisão Auxiliar.
    Convém assinalar que, neste caso, a divisão não chegou a sair do papel, pelo que os documentos que dela chegaram até nós sáo poucos e pouco esclarecedores sobre as transmissões.
    Por outro lado a única forma de escrever história para um grupo, como a CHT, de elementos interessados, não historiadores, é utilizar a metodologia usada pelos historiadores nas suas investigações, como é o caso da CHT, cuja metodologia de trabalho desde sempre foi assegurada, com o maior rigor, pelo historiador Aniceto Afonso.
    Continuo portanto a aguardar os próximos trabalhos da CHT, sobre as Transmissões da Grande Guerra, em que os elementos disponíveis permitam compreender o sistema de transmissões montado, sem as limitações insuperáveis que a Divisão de Instrução apresenta

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