Contribuição para uma Breve história da evolução das Transmissões do Exército (6)


Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

6º Período (1961 -1974) A Guerra Colonial

A Guerra começou em Angola em 1961, alastrou para Guiné em 1963 e, no ano seguinte, a Moçambique.

O sistema de transmissões, montado para guerra colonial, representou uma enorme mudança, tanto nas transmissões permanentes do Exército como nas de campanha.

Contrariamente ao que sucedeu nas duas guerras mundiais do século XX, o sistema de transmissões usado na Guerra Colonial não foi, nem podia ser, uma transposição de sistemas de transmissões usados por ingleses na IGM ou americanos na IIGM, incluindo o respetivos equipamentos, mas teve que ser encontrada uma solução própria, dado o isolamento internacional da Portugal, pela sua posição contrária aos “ventos da história”.

No sistema de transmissões permanentes verificou-se uma enorme expansão para ligar a Metrópole às antigas colónias e a ter estações nos comandos dos escalões mais elevados , em Angola, Guiné e Moçambique, o que foi uma mudança significativa, se nos lembrarmos que, o sistema de transmissões permanentes do Exército se limitava anteriormente ao continente e ilhas.

Para o efeito, construi-se em Lisboa (Encarnação) um centro emissor de HF, um Centro Recetor no Campo de Tiro de Alcochete, bem como um Centro de Transmissões no Quartel da Sapadores, ligados por feixes hertzianos.

O grande impulsionador desta expansão do STM foi o tenente coronel Mário Leitão.

Mas se não houve problemas de maior para montar o sistema de Transmissões Permanentes, o mesmo não aconteceu com as transmissões de Campanha, onde eram essências, neste tipo de guerra, as transmissões via rádio para manter a ligação entre as unidades em operações e as suas sedes.

No início da guerra em Angola, em 1961, procurou-se dotar as transmissões de campanha com o material inglês da II GM existente (P-19. P-21 e ZC-1) que se revelou completamente inadequado. De assinalar que não era permitida a utilização do material americano, existente na 3ª Divisão, fora do teatro europeu.

O grande problema que surgiu e cuja solução demorou a resolver foi o do rádio portátil, que se pretendia suficientemente leve para ser transportado a dorso, para equipar os grupos de combate, de efetivos da ordem do pelotão, que realizavam a atividade operacional dominante no princípio da guerra, para permitir comunicar com as sedes das suas companhias a distâncias, por vezes da ordem das dezenas de quilómetros.

Inicialmente foi usado o AN/GRC-9, conhecido da divisão NATO, que era fiável mas excessivamente pesado, obrigando o transporte à sua decomposição em partes, tornando-se da maior importância encontrar alternativa.

Várias tentativas foram feitas nesse sentido, nomeadamente com os rádios CHP-1 DHS-1, fabricados sob licença em Portugal, mas que não tiveram sucesso.

A primeira solução encontrada verificou-se em 1968, em Angola, com um equipamento rádio, o TR-28, desenvolvido pela Racal sul africana e que veio a ser produzido em Portugal. Na Guiné nas comunicações táticas foram utilizados, com sucesso a partir de 1973 rádios suecos da família STORNO.

No final da guerra a indústria portuguesa tomou a iniciativa de produzir equipamentos para substituir o TR-28 que foram o 20 TPL e uma versão mais avançada, com sintetizador, o 30 STPL. Qualquer dos rádios não passou da fase experimental, não chegando a equipar as nossas tropas por, entretanto, ter surgido o 25 de Abril.

A guerra colonial deu lugar a uma enorme evolução dos sistemas de Transmissões para se adaptarem à Guerra Colonial, a que se deu, naturalmente prioridade em detrimento da Metrópole.

Com o fim da guerra surgiu o problema de o material rádio usado na guerra colonial ser, em geral, inadequado ao quadro europeu em que nos iríamos inserir. Havia que pensar tudo de novo…

Sala de emissores no Centro Emissor Ultramarino (CEU)

Sala de emissores no Centro Emissor Ultramarino (CEU)

AN GRC-9

AN GRC-9

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