Coronel Cruz Fernandes – Uma notável história de vida (5)


Cap. V – O meu Comando

 A minha passagem pelo RTm como comandante

 1. Primórdios

Mesmo destinando-se este documento a dar testemunho, para memória futura, das memórias que retenho como comandante do RTm, não posso, devido às particulares condições do meu percurso militar, deixar de recuar um pouco no tempo para situar esse começo.

Assentei praça, como soldado, no então BT, nos finais dos anos 50, com apenas a instrução primária.

Nesta Unidade fui sargento miliciano, e já como sargento do quadro e com o curso geral dos liceus daqui concorri à Academia Militar, de onde regressei, quatro anos depois, com o curso de oficial, em trânsito para o IST, de onde haveria de regressar, três anos depois, licenciado em Engenharia Electrotécnica, com a melhor classificação do meu curso.

Período conturbado e decadente

No período a seguir ao 25 de Abril de 74, perdido o objectivo de África e quebrada a organização administrativa do Estado, foi a Instituição Militar objecto das mais diversas solicitações externas para suprir as lacunas de autoridade do Estado, com evidente perda de qualidade interna da própria instituição.

O RTm espelhava, anos depois, essa situação de degradação geral.

Estando eu próprio hipotecado numa missão dessas, numa visita que fiz à Unidade verifiquei que se cozinhava numa arrecadação e se fazia bicha única para o café, desde o soldado ao Comandante.

Preparação e comando

Cheguei à Unidade, desta vez, como 2.º comandante.

O Comandante, cor. eng.º Pinto dos Santos delegava a parte técnica no chefe da DIRM, sem qualquer interferência do 2.º Comandante nessa área.

Durante este período, as minhas obrigações limitavam-se ao Quartel, mas as preocupações estendiam-se a toda a organização e estrutura das Transmissões Permanentes, obsoletas e no fim da vida útil.

Reportando-me apenas à Unidade, recordo que:

As actuais cozinhas não funcionavam ainda;

Os Refeitórios eram de paredes nuas e amplos salões, sem divisória entre messes de oficiais e sargentos e a baixela de aço inoxidável;

O mobiliário era constituído por mesas quadradas e cadeiras metálicas;

Na Unidade havia uma cantina que vendia géneros da Manutenção Militar, ditas “sobras do rancho”;

Os depósitos da Unidade estavam transformados em arrecadações de sucata e materiais obsoletos;

O edifício das Transmissões não escapava ao estado geral de arrecadação de obsoletos;

A parada superior, sem urbanização, era um lamaçal quando chovia;

As instalações do pessoal, algum do qual vivia na Unidade, em muito mau estado;

A cobertura das casernas das praças, suportada em asnas de madeira de primorosa execução, a ameaçar ruína, em virtude do apodrecimento dos topos de apoio nas paredes;

A água que se infiltrada nos torrões ameaçava arruinar o tecto de estuque trabalhado do Gabinete do Comandante;

Os terrenos militares, fora dos muros do quartel, invadidos por ocupação selvagem, continham 16 barracas e alguns quintais de particulares.

A frota de viaturas da Unidade, constituída por grandes viaturas de campanha, era insuficiente e completamente desadequada para o serviço do STM.

Para além de se saber que provinha da Engenharia Militar, a Unidade não dispunha de um estudo que falasse das origens do quartel e da sua Evolução e Herança Histórica.

2. O meu comando

Com os antecedentes atrás referidos, no acto de posse do comando, nos finais de 1984, anunciei um Plano Director de Obras (um ano depois transcrito a páginas 48 e seguintes do Anuário da Unidade), que resumidamente tinha em vista os seguintes objectivos:

– Garantir maior funcionalidade e eficiência das instalações para o cumprimento da Missão;

– Contribuir para o bem-estar e formação do espírito de corpo do pessoal da Unidade;

– Obstar a que o património se degradasse.

Para não tornar extenso demais o meu depoimento, refiro que a transformação do que era a Unidade para o que está hoje à vista no RTm, se deu durante o meu comando. No entanto, chamarei a atenção para aspectos que não são do conhecimento geral, nomeadamente: Cozinhas e Refeitórios, Sala de Oficiais, trabalhos de azulejaria e casernas das praças.

Cozinhas

Incluo nesta designação a entrada em funcionamento das cozinhas e a preparação dos Refeitórios dos Oficiais, dos Sargentos e das Praças.
Nesta preparação se inclui a divisória amovível de separação do Refeitórios de Oficiais do de Sargentos, e o azulejamento destes refeitórios e do das Praças. E ainda o mobiliário e baixela novas.

Azulejos do refeitório, hierarquia

Fig42 - RTM - Azulejos do refeit¢rio - Brasão de Armas

Fig42 – RTM – Azulejos do refeit¢rio – Brasão de Armas

A este respeito ressalto que o revestimento em azulejo tem um sentido e uma intencionalidade e as cinco cadeiras mais notáveis do mobiliário foram as mesmas que serviram no Tribunal da Unidade desde a sua fundação (1907), revestindo-se portanto de um simbolismo especial.

Por sua vez, o significado dos azulejos, é o seguinte:

– O Brasão simboliza “Hierarquia”, o mural que contém os brasões das Unidades e Órgãos de Transmissões, simboliza o “Espírito de Corpo”, o Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos, que está na origem do RTm, representa a “Herança Histórica”, a figuração do actual Edifício do Comando, representa o “Testemunho” e os diversos equipamentos de transmissões espalhados pelas paredes representam a “Missão”.

– Na sala de Sargentos e na das Praças há apenas Hierarquia e Missão.

Sala de Oficiais

A sala de Oficiais do Edifício do Comando era exígua e sem dignidade, ocupava apenas o que é hoje a sala de jogos (atravancada por um longo balcão coberto a napa) e a sala do café. Para ela se entrava pela porta lateral, a partir de um corredor que abria directamente para os quartos. Exigia-se coisa de maior dignidade.

Desde sempre tive orgulho de a Engenharia provir do Real Corpo de Engenheiros e aproveitei esta obra para deixar nela uma marca que lembrasse essa herança histórica.

Depois de reflectir, concluí que a melhor maneira de o conseguir seria representando oficiais do Real Corpo de Engenheiros, tal como fardaram ao longo dos tempos. É isso que se pode observar, do mais antigo para o mais moderno, começando na porta de entrada, sob o arco, e terminando no Salão Nobre.

Faço notar que a “figura de convite”, que se encontra ao lado da porta de entrada para o Bar, é uma evocação das que, nos palácios dos grandes senhores, davam as boas-vindas e encaminhavam os convivas para os salões.

Para executar a obra foi preciso cortar duas paredes, e construir dois pórticos sobre os quais descarregam as paredes mestras dos andares superiores do edifício. O piso da sala, que era de madeira, foi substituído por laje. De notar que toda obra, incluindo a entrada para a Parada Principal e as portadas foram executadas por pessoal do RTm.

Azulejos da entrada de sala de oficiais. Figura de convite

Fig43 - RTM - Azulejos da entrada de sala de oficiais - Figura de convite

Fig43 – RTM – Azulejos da entrada de sala de oficiais – Figura de convite

No passo seguinte foram azulejados os corredores de entrada da Sala e dos aposentos dos sargentos com idêntica figuração à que tinha sido utilizada para os Refeitórios.

Casernas de praças

A primeira pedra do Edifico do Comando foi lançada pelo rei D. Luís, cerca de 1905.

Nessa altura trabalhava-se com madeira de uma maneira primorosa. É esse primor que se observa nas asnas de sustentação das coberturas dos edifícios das casernas. Com o tempo, a humidade infiltrada corroeu as cabeças das asnas, algumas das quais tinham descaído tanto que a cobertura ameaçava desabar.

Concebeu-se e mandou-se executar um cachorro especial, do qual saía, depois de instalado, um perfil em U, com medida interna justa para receber a asna e longo o bastante para a acompanhar até à parte sã. Para executar a obra foi preciso elevar e nivelar as asnas das estruturas e mantê-las nessa posição até à consolidação das massas de assento dos cachorros. Diminuiu-se deste modo para um décimo o custo da obra e preservou-se um património muito raro.

Resenha Histórica da Unidade

Este estudo, publicado no Anuário da 1987, faz uma resenha histórica das vicissitudes porque passou a Unidade e o local em que hoje se encontra. Divide-se em duas partes, tratando a primeira da contribuição para a História das Transmissões e para a determinação da herança histórica do Regimento de Transmissões e a segunda de uma contribuição para a história do Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos, onde, depois de muita evolução, nos encontramos.

O STM

Eu fui o primeiro comandante do RTm com formação em engenharia electrotécnica. Os comandantes antes de mim, alguns muito bons engenheiros, tinham formação de base e prática na área de engenharia civil.

Havia oficiais promissores, com formação em engenharia electrotécnica como eu, mas de escalões ainda muito baixos para influenciar a linha de comando.

Entretanto, as tecnologias estavam em ritmo acelerado de mudança e as exigências de comunicações dos vários comandos e órgãos em ritmo crescente. As velhas tecnologias da rede aérea e da central manual estavam no fim. O STM mantinha tudo isso, sem saber evoluir. Como exemplo, quando, em 1976, foi preciso projectar de raiz uma Rede Telefónica Interna de PU, não se encontrou neste Serviço quem fosse capaz de o fazer.

Foi por requisição temporária que fui colocado no STM, vindo de RMC, onde me encontrava, para elaborar os primeiros sete projectos de Rede Interna de Unidade e passar o Know-how ao capitão Ferreira da Silva. As primeiras PU a beneficiar foram o RC, o RAAQ, a EPAM, a EPC, o RIV, etc.

Quando assumi o comando, havia uma Directiva de há cinco anos atrás, que apontava para basear as Comunicações Militares Permanentes entre o EME e as RM em circuitos alugados aos CTT/TLP, forma implícita de reconhecer a incapacidade de a Instituição o fazer por si mesma. Escapava a este desígnio, a ligação Lisboa-Porto, suportada nos feixes da FAP.

A nível das RM, havia centrais telefónicas nos QG e algumas comunicações ponto-a-ponto, telefónicas e de telex, baseadas em tecnologias analógicas.

Certas PU dispunham de Redes Telefónicas Internas, lançadas a partir dos projectos referidos acima, algumas de comutação electrónica, mas todas de tecnologias analógicas.

No STM (RTm), a central telefónica de 700 direcções e a central de telex de 100 direcções, não fugiam à regra. Com excepção da rede de Lisboa, em que os circuitos de telex eram comutados, todos os outros eram ligações ponto-a-ponto.

A rede de cabos de Lisboa, parte em cabo de papel e parte em cabo PVC, estava numa fase embrionária e com montagem em estrela.

Em alguns comandos, EME incluído, havia duas ou mais redes internas independentes, uma dos CTT e outra militar, com fiarada pendurada pelas paredes, a entrar pelas janelas e a cruzar por todos os lados.

Havia um imbróglio de posse e propriedade entre os CTT e o STM, que só foi resolvido algum tempo mais tarde, mercê de um Protocolo que nasceu e foi acordado no tempo do meu comando e depois aproveitado pelo EMGFA para os outros Ramos.

A um deus desconhecido

Se, como 2.º Comandante, pude influenciar a vida da Unidade, o mesmo não acontecia em relação ao STM, porque, nesse domínio, o Comandante decidia com o chefe da DIRM.

Mesmo assim, foi como 2.º Comandante, ao arrepio da orientação e da prática então seguidas, que apresentei, numa reunião do RTm, a minha primeira visão idealizada do SITEP, potenciado pelo emprego das tecnologias emergentes. Dei-lhe o nome de “A um Deus desconhecido”, por duas razões: primeiro porque falava de conceitos totalmente desconhecidos para muitos dos presentes e, segundo, porque nunca acreditei que o Director da Arma, então presente, fosse atribuir mais importância ao meu trabalho do que a outros. Ou seja, não esperava convertê-lo a um deus digital que substituía as tecnologias analógicas pelas temporais.

Defendia aí a entrada directa nas tecnologias digitais (comutação, transporte e terminais), na integração de voz e dados, entrava pelos mecanismos burocráticos e técnicos de execução e gestão de projecto (de que trazia uma larga experiência pessoal), defendia a necessidade de incorporar o existente no que de novo fosse feito (a que chamava aceitar o cenário envolvente), defendia uma estrutura e um serviço de cobertura do território nacional, introduzia a noção de hierarquias no sistema e tratava o conjunto por SITEP (Sistema Integrado de Transmissões do Exército Português). No seu conjunto os requisitos são 18, de que só dou aqui alguns exemplos. E terminava dizendo que, apesar de longamente meditado, assumia arriscar que o que expunha não fosse tomado em consideração.

Enganei-me!

O General Pinto Coreia, então Director, escutou atentamente e, como o tempo fosse escasso, convocou-me para, nos dias seguintes, lhe expor na DAT, todo o meu Plano (Março de 1984). A partir daí, o Director da Arma, soube-o mais tarde, defendeu a minha promoção a coronel para assumir o comando do RTm, o que obrigou à promoção a coronel de cinco oficiais da Arma de uma só vez, para chegar até mim.

Enquanto isso, pela minha parte ainda me desloquei a Macau, onde decorria a construção de um sistema integrado de comunicações do Governo e Forças de Segurança da minha autoria e sob minha fiscalização. Em Macau enriqueci mais a minha experiência e fortaleci a convicção de que o caminho que defendia para o SITEP estava certo.

Um começo convencional

Com este cenário no STM e antes de o SITEP nascer como entidade, preparei um Plano Director do STM, que entreguei ao Director da Arma de Transmissões, no qual abrangia todos os aspectos (estruturas e pessoal) e propunha uma linha de acção. Esse trabalho é anterior às Directivas Técnicas da AT para o STM, que mais tarde serviram a toda a Arma.

O SITEP no EME – uma sessão especial

Assumido o comando, o Director da Arma autorizou-me, em nome da DAT, a ir apresentar o SITEP ao EME. Para o efeito, o Vice-CEME convocou todo o staff. Pela minha parte fiz-me acompanhar do major Fialho da Rosa e do capitão Edorindo Ferreira, meus íntimos colaboradores.

Ouvida a exposição, na qual já se destacava um Projecto Tipo de Área Piloto (PTAP), que serviria o Comando e faria o salto tecnológico para o SITEP, o general Firmino Miguel pediu pareceres aos presentes, que de um modo geral foram contra. Destacou-se o Director das Finanças, brig. Júlio Silva, argumentando com a falta de verbas, indisponibilidade para preparar o caderno de encargos e morosidade da sua aprovação.

Perante isto, o general Vice-CEME, depois de obter os esclarecimentos que pretendeu, perguntou: “Cruz Fernandes, garantes que és capaz?” A resposta foi sim. E acrescentei que, numa estimativa tipo A, o custo rondaria os 200.000 contos e que tinha uma exigência a fazer: Que a elaboração do Caderno de Encargos fosse da responsabilidade do STM, quer a parte administrativa quer a técnica. Que o Caderno de Encargos assim elaborado seria submetido a aprovação superior e que, uma vez aprovado, passaria a Caderno de Encargos-Tipo, o qual na parte administrativa vigoraria para todo o SITEP, sem posterior intervenção dos Serviços Financeiros.

Ouvida a resposta, o general Firmino Miguel propôs ao CEME a aprovação do SITEP e instruiu o chefe das Finanças para a necessidade de aprovar célere o Caderno de Encargos e para o informar que seriam postos à disposição os Fundos Privativos do EME, o que veio a concretizar-se meses mais tarde, quando o PTAP foi aprovado.

O SITEP e as RM/ZM

A segunda acção foi um ciclo de visitas às RM/ZM para:

– Divulgação do SITEP perante os Comandos e órgãos, estudos dos perfis, locais dos repetidores, de abertura dos anéis da hierarquia primária do SITEP aos Nodos Regionais e de ligação por feixes (drop insert) às PU ao longo dos percursos. São exemplos de (drop insert), na RMS, Arrábida, Mendro, Arraiolos, e São Mamede;

-Estudo de soluções regionais para a passagem da hierarquia primária à hierarquia secundária (regional) do SITEP (que nem sempre coincidem com o modelo de Nodo Regional Tipo), e de locais e espaços para Centros de Comunicações das RM/ZM;

-Estudo da situação das transmissões da RM/ZM e soluções de enquadramento no SITEP;

-Projectos de Redes de PU, de Redes de Guarnição e sua interligação por cabos e feixes regionais e zonais, etc.

Durante o meu comando foram visitadas com este propósito todas as RM e ZM, algumas delas várias vezes. As primeiras visitas foram para avaliação, estudo e projecto; as outras para as diferentes fases de execução.

Os trabalhos de Redes de PU, de Guarnição e Regionais que se realizaram em simultâneo com os grandes projectos da Hierarquia Primária do SITEP, permitiram preparar por antecipação diversas obras, sem as quais o SITEP teria sofrido bloqueios na sua implantação. Tratava-se de praticar no terreno o requisito de ir preparando os subsistemas para a integração. Torre de Santa Margarida e a migração do CORAFOME para Santa Margarida das ligações a Tomar, Tancos, Abrantes e Entroncamento.

A seu tempo tratarei deste assunto.

O PTAP e as Empresas

Nos primeiros tempos só eu tinha uma visão precisa do SITEP. Por isso foi preciso explicá-lo vezes sem conta, até para os colegas de profissão e divulgá-lo.

3. SITEP com nodos. Conceito global

Fig44 - RTM - SITEP com nodos (conceito global)

Fig44 – RTM – SITEP com nodos (conceito global)

Logo que assumi o comando, desencadeei dois tipos de acção:

Convoquei as firmas mais credenciadas na área das comunicações para, no RTm, lhes expor os requisitos operacionais e técnicos do SITEP e do PTAP e desafiá-las a apresentar, por si ou pelas suas representadas, no RTm, o melhor que eram capazes de fazer. Cerca de uma dezena de firmas respondeu a este desafio. Os trabalhos de apresentação decorreram nos últimos meses de 1984. Estas apresentações e discussão entre os requisitos do SITEP e o estado da arte apresentado pelas firmas permitiu refinar o projecto e aferir o caderno de encargos.

O PTAP, Execução

O PTAP foi o projecto de arranque do SITEP, que tinha como objectivo introduzir a comutação e a transmissão digital incluindo a comutação automática de mensagens por pacotes, a introdução da fibra óptica na transmissão, o comando e o controlo remoto e centralizado, a telessinalização de avarias.

O PTAP incluiu a digitalização completa de EME e do RTm e a ligação por fibra entre eles. No RTm, além da digitalização da rede interna, foram colocados no Edifício das Transmissões os principais órgãos do SITEP, destacando-se a central de alimentação do sistema (UPS), a central de comutação de serviços integrados, o comutador de mensagens (cross roads ou store and foreward), os bastidores do sistema e o comando centralizado de todo o SITEP.

Assinalou-se a entrada do Exército na era digital com painel evocativo de azulejos que se encontra na sala de comando e controlo do SITEP.

Dos Cadernos de Encargos fazia parte a inspecção e recepção em fábrica, bem como cursos no local de fabrico, de teste de cumprimento dos requisitos e das facilidades, concepção electrónica, assemblagem, detecção e reparação de avarias, comando e controlo. Chefiei para esse propósito a delegação à Bélgica para as centrais de comutação electrónica, onde deixei os oficiais destinados ao curso. Chefiei também a delegação à Califórnia, onde deixei para fins idênticos, os oficiais destinados ao Cross Roads (comutação de mensagens por pacotes). O calendário era feito de modo a que, acabados os cursos, seguiam para Portugal o material, os oficiais dos cursos e os engenheiros das firmas construtoras que vinham dirigir as montagens.

O Edifício das Transmissões

Para responder ao conceito do SITEP, o Edifício das Transmissões teve uma transformação completa. Este requisito, que era acompanhado da radical alteração da compartimentação interior, foi dos primeiros que apresentei quando assumi o comando. Como a DSFOE se tinha atrasado no projecto de refazer o edifício, foi o RTm a executar, com o seu pessoal, os trabalhos indispensáveis à instalação do PTAP.

Foi uma operação delicada e difícil, lançar o sistema digital e eliminar o analógico sem quebra de serviço.

O cross roads incluído no PTAP é o sistema que pela primeira permitiu realizar no Exército a comutação automática de mensagens, obedecendo às especificações do ACP 127 (NATO).

Rede do EME

O PTAP incluía a Rede Interna do EME, remodelação e ampliação do edifício da Central, repartidor, energia de recurso e entrada/saída de cabos. O edifício estava pejado de condutores militares e civis pendurados pelas paredes entrando e saindo pelas janelas.

A rede passou a enterrada sem condutores à vista. As entidades que tinham um telefone para cada rede passaram a ter apenas um para tudo, mas para isso foi preciso eliminar as duas centrais (uma da rede do Estado e outra da rede pública) dos CTT/TLP.

Protocolo

Para isso foi preciso negociar um protocolo com aquela entidade, o que resolveu, de uma só vez, a remoção de todos os seus pertences de todas as propriedades não do EME, mas de todas as propriedades do Exército e estabeleceu uma fronteira onde terminava a propriedade e as responsabilidades de cada um, mediante o pagamento, por uma só vez, de um montante irrisório, por aplicação de uma fórmula expressa no Protocolo.

Neste protocolo ficou propositadamente incluída também a utilização partilhada de património (nomeadamente condutas enterradas e repetidores), o que veio desde logo a ser utilizado na instalação dos repetidores do Link Sul do SITEP, condutas enterradas de Setúbal, Ponta Delgada e Angra do Heroísmo e passou a ser regra nos nossos trabalhos futuros.

Mais tarde este Protocolo foi aproveitado e ampliado aos Ramos pelo EMGFA.

Com a previsão do arranque do SITEP, o cabo óptico entrou em cena. Aproveitou-se este facto para lançar o desafio à indústria nacional para a sua produção. Respondeu a Cel Cat, aceitando o desafio. O primeiro quilómetro de cabo óptico fabricado em Portugal encontra-se no PTAP, no percurso entre o RTm e o EME.

Lista Telefónica

Um dos requisitos do SITEP é atingir uma numeração fechada, quando concluído. A numeração fechada é aquela que permite ligar sempre o mesmo número qualquer seja o lugar onde se encontra o destinatário e o iniciador da chamada dentro do Sistema.

Com a entrada em funcionamento do PTAP foi preciso proceder a uma numeração nova na rede do STM (EME/RM/ZM) e desta com o exterior (EMGFA, EMA, EMFA, GNR, PSP).

Fig45 - RTM - Lista telefónica n 13, que introduziu a nova numeração telefónica

Fig45 – RTM – Lista telefónica n 13, que introduziu a nova numeração telefónica

Reproduzem-se nessa lista mapas do território nacional, dividido em ZM e RM, cada uma com o seu indicativo e uma grelha que contém todos os indicativos de acesso de cada um para todos os outros locais. Não era ainda uma numeração fechada, que esta só se conseguia com a digitalização completa do SITEP. Isto introduziu um passo importante na facilidade de utilização e no sistema de numeração, abrindo vias e encurtando o tempo de acesso.

Sublinhando isso, na primeira página da Lista Telefónica, mandei escrever duas frases: “Abrimos os caminhos do diálogo” e “Encurtamos a distância do pensamento ao acto”.

Impostos alfandegários

Como o material era importado, o imposto de importação de 8% retirava ao financiamento do PTAP um montante suficiente para construir uma rede interna de PU.

Contactados os Serviços de Finanças da Exército para que reagissem, estas aceitaram o imposto como uma fatalidade. Perante isso, dirigi uma exposição ao Director Geral das Alfândegas, argumentando a favor da eliminação desse imposto, o que foi conseguido, não só para o PTAP como para todos os projectos de SITEP. Passámos a ter mais dinheiro.

Fig46 - RTM - Trabalhos na Rua da Verónica

Fig46 – RTM – Trabalhos na Rua da Verónica

Mais tarde, as empresas que apresentavam produtos nacionais passaram a ficar em desvantagem com as que os importavam, criando-se uma desvantagem em relação àquelas. Um documento idêntico, argumentando em favor da indústria nacional, deu-nos razão, passando o STM a beneficiar do montante correspondente do Imposto de Importação para investir em novas obras.

Laboratório de fibra óptica

Do caderno de Encargos fazia parte também o fornecimento de equipamentos, transferências de tecnologias e cursos de aquisição de know-how.

Neste contexto foram mandados dois oficiais tirar um curso de fibras ópticas para preparação para o PTAP.

Fig47 - RTM - Ensaios da Fibra óptica empregue no PTAP

Fig47 – RTM – Ensaios da Fibra óptica empregue no PTAP

Para complementar tudo isto, durante a preparação do Caderno de Encargos e da montagem do sistema, houve sessões regulares teóricas e práticas.

No final do PTAP o STM dispunha de uma equipa habilitada a saber responder pelo lançamento de redes de fibras ópticas.

Pressurização de cabos

Para o SITEP aceitar o cenário envolvente com garantia de qualidade de transmissão nas redes de cobre, havia necessidade de pressurizar os cabos de bainha de PVC. Os TLP já enfrentavam o mesmo problema e foi aí que se mandou uma equipa tirar um curso.

Com todas estas trocas de saberes resultou um enorme valor acrescentado nas carreiras dos meus oficiais, que os levou a serem reconhecidos entre os seus pares civis como profissionais de sólida formação.

Terminada a segunda fase do PTAP, o STM dominava perfeitamente a tecnologia digital de comutação integrada de voz e dados, da comutação de mensagens por pacotes obedecendo ao ACP 127 (NATO), da tecnologia das fibras ópticas, do controlo remoto centralizado e estava preparado para receber o correio de voz centralizado (terceira fase do PTAP).

Introdução da energia fotovoltaica

O SITEP serviu também para introduzir a energia fotovoltaica, especialmente para alimentação dos feixes hertzianos. A primeira instalação desta energia limpa foi feita no RTm e ainda se encontra no primeiro patamar da torre de feixes.

Escola de formação de Engenheiros de sistemas

O PTAP era um projecto complexo. Incluía realização de obras para redimensionar o edifício para as exigências do PTAP, o dimensionamento e instalação de sistemas de energia de recurso (no brake power) e respectivas terras de serviço, a 0,5 ohms na pior estação. A instalação, em várias salas, da central de comutação de serviços integrados, do comutador de mensagens, do comando e controlo do SITEP, dos interfaces digitais e analógicos, do repartidor, e por aí fora.

Nas especificações do PTAP fiz incluir a obrigação de a firma adjudicatária oferecer e custear estágios, no país de produção dos equipamentos, que incluíssem toda a fase de programação, testes, assemblagem e detecção e reparação de avarias a três oficiais engenheiros do STM. Esses estágios decorreram nas fábricas de produção do material e continuaram em Portugal durante todo o decurso da montagem no local da obra, conduzida por engenheiros enviados pelo fabricante e pelo fornecedor, a que juntei, além do pessoal já envolvido, outro que entendi conveniente. Considero que o modelo seguido serviu de escola de formação e de prestígio do pessoal envolvido e para elevar o nome da Unidade, última essência justificativa de todo o esforço.

Simbolismo da Sala de Controlo e Comando do Sistema

A assinalar esse facto, está uma alegoria em azulejo na Sala de Comando e Controle, que representa as comunicações da nova era. A bola luminosa central simboliza o PTAP, primeiro nodo do SITEP, e o raio branco num horizonte azul simboliza a fibra óptica e o ambiente digital. É por motivo deste simbolismo que a alegoria foi escolhida para capa do Anuário do RTm de 1987.

Fig48 - RTM - PTAP do SITEP

Fig48 – RTM – PTAP do SITEP

Semana da Arma de 1987

O general Pinto Correia, Director da Arma, determinou que se realizasse no RTm, antes da inauguração oficial do PTAP, a Semana da Arma de Transmissões, para o que foram convidados oradores de outros Ramos das FAA, da firma instaladora e do RTm.

Parte importante dos trabalhos versou sobre o SITEP e o PTAP. Aí se expôs a concepção e a cronologia de execução, descrição, funcionamento e novas tecnologias.

Fig49 - RTM - Alegoria ao SITEP por alturas da inauguração do PTAP

Fig49 – RTM – Alegoria ao SITEP por alturas da inauguração do PTAP

Programa ED-01.1

Com o PTAP encaminhado foi preciso prever uma fonte de receita permanente que alimentasse a capacidade de execução do STM/RTm. Apenas parte das redes de PU estava garantida pelos orçamentos da DAT. Impunha-se mudar o paradigma, fazendo que o SITEP tivesse elegibilidade na Lei de Programação Militar (LPM).

O STM foi o primeiro a apresentar a sua proposta de inclusão, acompanhada de uma estimativa de montante anual. Para a LPM, o SITEP passou a ser o Programa ED-01-1.

ARTEL – Primeira Área Telemática do Exército

O SITEP previu para Lisboa uma área nodal, com nodos no RTm, EME, DSIE e QG/RML.

Fig50 - RTM - Integração de Voz, Texto e Dados

Fig50 – RTM – Integração de Voz, Texto e Dados

Cada novo nodo incluiu a ligação por fibra óptica aos nodos já construídos, a passagem a digital de tudo que fosse feito de novo e a integração das partes analógicas existentes e em bom estado de funcionamento (aceitação do cenário envolvente).

No cenário envolvente do ARTEL estava a DSIE, que defendia a informática concentrada. Na defesa deste princípio, os terminais eram estúpidos, sem software distribuído e cada um deles exigia dois pares de linhas metálicas, a fornecer pelo STM, que ficavam hipotecadas 24 sobre 24 horas, por vezes com reduzido trabalho diário.

Fig51 - RTM - PTAP ARTEL - área Telemática do Exército

Fig51 – RTM – PTAP ARTEL – área Telemática do Exército

Ao contrário, o STM via na informática distribuída a única solução que permitia evoluir para terminais inteligentes e o trabalho de computadores em rede.

O STM defendia a saída para o futuro.

O ARTEL vem provar que respeitando o cenário envolvente, se possibilita a informática distribuída, a passagem a terminais inteligentes e a instalação de redes de computadores da DSIE trabalhando sobre o SITEP. Os computadores da DSIE passaram a ser apenas mais uma máquina ligada ao SITEP, através do Host de interface com a central digital de comutação de serviços aí instalada.

A partir daí, os terminais da DSIE espalhados por áreas onde a rede digital ia chegando passaram a ligar por simples marcação de dígitos.

Estava realizada a Primeira Rede Telemática do Exército.

Neste projecto incluíram-se também as redes internas da DSIE, do LMPF, dos SCE.

Fez-se ainda a Rede Interna da EPSM e ligou-se por fibra óptica a respectiva central digital à DSIE e, daqui, ao EME e STM..

A inauguração do ARTEL coincidiu como o dia do RTm e teve a presidi-lo o General Firmino Miguel, já na qualidade de CEME.

O ARTEL, juntamente com trabalhos que fui apresentando nas Semanas da Arma de Transmissões, para demonstrar as vantagens da integração da DSIE nas Transmissões, acabaram por criar uma corrente favorável a esse desígnio, que não vi concretizado no meu tempo.

O ARNOL – Área Nodal de Lisboa

Com o ARNOL terminava a construção da Área Nodal de Lisboa e é daí que vem o seu nome. Ainda se trabalhava no ARTEL e já se desenvolviam trabalhos para completar a Área Nodal de Lisboa, com o Nodo e a rede interna do QG/RML, ligados STM, ao EMGFA pelo Aqueduto das Águas Livres, ao Trem Auto, ao BST e à EPAM.

Os meios e as tecnologias deste projecto são essencialmente os mesmos dos PTAP e do ARTEL. Fibra óptica para ligar o Nodo do QG com o RTm, tubagens com cabos analógicos até ao Lumiar, preparados para receber fibras ópticas e para fechar o anel pelo aeroporto com a DSIE. Pressurização de cabos de cobre.

Fig52 - RTM - àrea nodal de Lisboa

Fig52 – RTM – àrea nodal de Lisboa

Meios de Produção

Quando assumi o comando, o RTm estava sem frota de viaturas e as poucas que tinha eram inadequadas para os serviços que prestava.

Compulsando os trabalhos que a Unidade já fazia com os acréscimos decorrentes do SITEP, foi feito um trabalho que conduzia à necessidade de 19 viaturas, especiais. 17 dessas viaturas eram de cabine dupla, sendo 11 de caixa fechada e 6 de caixa aberta. Destinavam-se à actividade execução de projectos e de actividade de manutenção.

As duas restantes são viaturas IVECO fechadas de capacidade de carga e volume interior adequados à instalação de sistemas de SOM/TV, para emprego em cerimónias militares, civis e religiosas. Todas elas sofreram processos de transformação da autoria e acompanhamento de oficiais da Unidade. Todas entraram ao serviço durante o meu comando.

Base de dados

Os projectos de Rede Interna de PU, a que acima me refiro, foram batidos à máquina, com os gráficos tirados a stencil, processo que se mantinha quando assumi o comando. Era pois urgente preparar uma base de dados para registo informático do património da STM e apoio à elaboração dos projectos do SITEP. Tratou-se de um meio de produção que muito valorizou, facilitou e acelerou o trabalho, além de ter contribuído para a introdução da informática de gestão nos hábitos do pessoal do STM. A Base de Dados foi a primeira ferramenta eficaz que se iniciou ainda antes do primeiro projecto do SITEP. O testemunho para a história da data de entrada em funcionamento da base de dados verifica-se nos documentos, que deixaram de apresentar emendas a verniz corrector, e passaram a documentos limpos.

RM/ZM

As RM/ZM contribuem para o SITEP com uma hierarquia intermédia e com um número variável de hierarquias básicas.

Em simultâneo com o desenvolvimento do SITEP, iniciei as visitas às RM/ZM para avaliar necessidades, apresentar o SITEP aos comandos, inspeccionar estruturas do STM existentes e elaborar projectos. Pode dizer-se que a meio do meu comando, não havia nenhuma unidade do Exército onde eu não tivesse estado. Com o desenvolvimento dos projectos voltei lá sempre que a situação o aconselhou.

Fig53 - RTM - Nodo-tipo

Fig53 – RTM – Nodo-tipo

Com o Protocolo com os CTT/TLP resolvido a nosso contento, o planeamento de redes de PU (hierarquia básica) passou a beneficiar de um modelo padronizado, pois que a entrada em funcionamento da rede militar da PU coincidia com o levantamento da rede civil.

Essas missões iniciavam-se com a apresentação da delegação ao Comandante da RM/ZM, seguindo-se um briefing no qual se falava do SITEP e se expunha a finalidade e funcionamento de cada estrutura de que o comando passava a dispor. Serviam também para avaliar da receptividade dos comandantes ao SITEP e da opinião sobre o pessoal do STM.

Também aproveitavam as visitas ao RTm do CEM, VICEME, DDO, DDI e reuniões de Comandante s da RML par divulgação do SITEP.

Visita à RMN – 1986

Esta visita destinou-se também a inspeccionar do sistema de Feixes de Cobertura Regional, que do Porto por Santa Marta, Marão e Minhéu, ligaram o Comando da RMN ao RCB (Braga), RIC (Chaves), RIVR (Vila Real) e CIPOE (Lamego). Todas as unidades do RMN ficaram ligadas por meios militares, excepto Penafiel. Essa visita abrangeu igualmente a Rede de Guarnição, onde se avaliou o estado do que havia, se equacionaram soluções e se decidiram prioridades de implementação. Foi nessa inspecção que se decidiu a passagem do cabo QG-EPT pela mina, das Rede Internas do REE (Espinho) e da EPAM (Póvoa de Varzim) e do lançamento do traçado em condutas para o RIP (hoje EPT). O exemplo para a RMN serve igualmente para as restantes RM.

Aproveitei, nesta visita à RMN e às unidades onde entrou em funcionamento a rede regional de feixes, para inspeccionar os equipamentos de transmissões e registar todos os defeitos de instalação, deficiências e faltas no material e para produzir NEPs que servissem de guia a futuras inspecções, feitas por oficiais do STM.

Houve uma fase de grande dificuldade em restaurar a credibilidade das Transmissões junto dos Comandos das Unidades e levá-los a aceitar que o pessoal que nelas trabalhava tinha de ter instrução e controlo exercidos pelas Transmissões, não sendo as suas funções compatíveis com o improviso. O problema estava em fase aguda na RMN, quando a visitei, devido a ter entrado em funcionamento o sistema de feixes regionais.

Desta visita saiu uma proposta para os operadores de transmissões serem preparados e geridos pelas Transmissões, que passou a ser norma de futuro.

Visita à RMC/Zona Norte – 1985

As primeira missões às RM destinavam-se a recolher um retrato da situação nos aspectos referentes às estruturas e ao funcionamento das Transmissões Permanentes nas unidades, estabelecimentos e órgãos das RM/ZM, bem como decidir em áreas da competência do STM ou propor soluções quando as decisões dependiam de outras entidades.

A missão à RMC incluiu deslocação à Lousã (Trevim), para inspecção da abertura (drop insert) do feixe da FAP e da ligação à RMC por Montes Claros (Coimbra), onde se situa o Nodo da RMC/Zona Norte.

Para inspecção ao edifício e aos equipamentos dos repetidores da rede de feixes de cobertura regional (também situados na Lousã), que ligam o QG/RM com o RIV (Viseu), o BIA (Aveiro), a EPST (Figueira da Foz), o RAL (Leiria) e o ISM (Águeda) e estas unidades entre si. Ficava apenas de fora o RICB (Castelo Branco).

Fig54 - RTM - Nodo Regional de Coimbra

Fig54 – RTM – Nodo Regional de Coimbra

A missão incluiu uma inspecção à EPST, onde entrara em funcionamento recente a Rede Interna e o terminal de feixes da Rede de cobertura regional.

Em Coimbra centrou-se no STM (Montes Claros), na mudança do QG para o BAS, nos requisitos do Centro de Comunicações do novo QG e nas suas ligações a Montes Claros e à Rede de Guarnição.

Foram anotadas muitas deficiências, a maioria resultante da falta de doutrina e de competência atribuída para utilização dos novos meios de comunicações. O Relatório aponta medidas correctivas.

Visita à RMC/Zona SUL

Esta missão, como outras, foi feita por uma delegação do STM, composta por mim e por oficiais da DIRM e da DIVEX.

Nela se incluíram inspecções aos equipamentos e pessoal de Transmissões Permanentes do ABSM (Santa Margarida), do RIT, unidade e rede de guarnição (Tomar), da EPE (Tancos) e Chorofome. Os principais objectivos foram:

Montagem da Torre de 94 m (auto de consignação, espaço para construção e estaleiro) e construção do edifício para alojamento dos equipamentos de retransmissão nodal e regional no espaço entre pernas da torre. A Torre foi construída para permitir a instalação, a 45m de altura, das antenas do repetidor de Santa Margarida do Anel Sul do SITEP e, nos andares superiores, as antenas dos repetidores da Rede Regional, que passariam a interligar o QG/ABSM com a EPT, o RIT, o BSM (Entroncamento), o RIA (Abrantes) e a dar a estas unidades acesso ao SITEP.

Fig55 - RTM - Nodo de Santa Margarida

Fig55 – RTM – Nodo de Santa Margarida

Mudança dos repetidores regionais do Chorofome para a Torre, depois da construção desta, com libertação do espaço no Chorofome para instalação do repetidor do fecho Anel Sul do SITEP e utilização dos canais libertados entre o ABSM e o Chorofome, para acesso de Santa Margarida ao exterior pelo feixe da FAP;

Fig56 - RTM - Torre de Santa Margarida

Fig56 – RTM – Torre de Santa Margarida

Estudo da rede de guarnição do ABSM e das redes internas de várias das suas unidades do Campo e apresentar ao comando a futura rede de cobertura nacional, o SITEP.

À semelhança de outras visitas, foi elaborado um anexo contendo todas as acções a desencadear e mencionadas as entidades a quem pertencia a iniciativa, quer dentro do STM, quer no exterior.

Visita à RMS – 1987

O Link Sul, o Centro de Comunicações do QG da RMS, o Nodo SUL e a Rede de Guarnição e do RIE foram o motivo desta missão.

Esta missão à RMS seguiu-se a outras anteriores, começadas três anos antes, nas quais foram estudados o percurso e os locais dos repetidores do Link Sul, o contacto com entidades de diversas tutelas, como a Câmara de Setúbal, a Direcção do Parque da Arrábida, a PSP, os CTT/TLP, o IPAAR e os Amigos dos Castelos.

Estiveram em estudo pontos de repetição da Arrábida, Serra Alta, Mendro, Arraiolos e São Mamede.

A instalação do Centro de Comunicações do QG/RMS foi estudado e definido nesta reunião com o Cmdt da RMS. Os trabalhos compreendem as obras de remodelação do edifício, a torre auto-suportada e a rede de guarnição de Évora.

Apresentou-se ao Comando uma explanação do SITEP e o Papel do Link Sul, servindo no seu percurso Vendas Novas, Setúbal e Oeiras (a partir da Arrábida), Beja (a partir do Mendro), a Guarnição de Évora (a partir do Nodo do QG), Estremoz (a partir de Arraiolos), Elvas (a partir de São Mamede) e, finalmente Santa Margarida, através da Torre auto suportada já atrás referida.

Deste modo, a RMS ficaria com dois acessos a Lisboa, um dos quais pela Zona Militar de Santa Margarida, além de comando directo a todas as unidades da RMS.

Na missão inclui-se a fiscalização dos trabalhos da rede de guarnição de Elvas e da Rede interna do RIE, com projectos elaborados a partir de visitas anteriores.

Link Sul

O Link Sul vai de Lisboa a Santa Margarida e foi objecto de negociações, longas e aturadas, quer com os proprietários dos terrenos onde se instalaram os Repetidores, quer para o fornecimento de energia, atribuição de frequências, etc.

Com excepção da Arrábida, que acabou por ser negociada com a PSP (depois de o Parque negar a cedência do local que se pretendia), e de Arraiolos, os Repetidores de Serra Alta, Mendro e São Mamede, ficaram em terrenos dos os CTT, com base no protocolo de utilização antes negociado.

No início de 1978, foi feita a última vistoria de acerto de pormenores, necessários para finalização dos Cadernos de Encargos, que já vinham a ser preparados no STM.

Fig57 - RTM - Link Sul

Fig57 – RTM – Link Sul

O Link Sul serve várias PU da RML e da RMS. Oeiras, Setúbal e Vendas Novas, a partir da Arrábida; Beja, sul do País e área de manobras, a partir de Mendro; Nodo Sul e Rede de Guarnição, a partir de Évora; Estremoz, a partir de Arraiolos e Guarnição de Elvas e PU, a partir de São Mamede.

À missão do STM juntou-se uma delegação dos CTT, composta por quatro engenheiros, que respondiam pelas várias especialidades.

O Link Sul deu origem a dois tipos de Projecto: Um para as infra estruturas de apoio (edifícios, terras e torres) e o outro para os meios de transmissão.

Um dos requisitos de SITEP é o de assegurar interligação a equipamentos tácticos.

Para seleccionar o melhor lote de firmas e apreciar as tecnologias empregues, chefiei uma delegação à SAT – Paris, e desloquei-me à Itália para visita idêntica, por determinação do CEME, a quem foi dirigido convite que mencionava o meu nome.

Os equipamentos de campanha, ao tempo existentes no Exército, eram os FM 200, que têm modulação e sinalização diferentes dos do SITEP.

No Projecto de Transmissão foi, por isso, necessário fazer a compatibilização do SITEP com o equipamento de campanha.

O Link Sul tem as qualidades técnicas dos feixes de transmissão digital, modulação PCM, sinalização por canal comum e comando, controlo e roteamento por comando remoto, localizado em Lisboa.

HF – Tempo Real – Justificação

As ligações aos Açores, ao tempo do estudo do SITEP, eram apenas possíveis por satélite ou HF. A ligação por satélite foi a primeira a estabelecer e era feita por um canal telefónico, ao qual se tinha aplicado S+Dx (speech plus data), permitindo assim um canal de voz e quatro telegráficos, a 50 Bauds.

Não havendo cabo submarino e sendo a distância a Lisboa demasiado grande para feixes hertzianos, optou-se pelo HF para ligação de recurso entre o Nodo de Ponta Delgada e o de Lisboa.

Fig58 - RTM - HF Tempo Real

Fig58 – RTM – HF Tempo Real

Fazendo uso da evolução tecnológica verificada nesta banda, o projecto foi elaborado para HF – Tempo Real, que é uma técnica que permite a sondagem oblíqua da ionosfera, a escolha da frequência óptima de trabalho (FOT) em tempo real e ligações com um BER (bit error rate) da ordem de 1 em 100.000.

Além disso, para as potências de emissão necessárias (cerca de 1kW), as tecnologias disponíveis já permitiam aproximar a antena de emissão da de recepção até cerca de 100 metros, situação determinante para a instalação da emissão e da recepção dentro do RTm, em Lisboa, tal como se encontra.

Incluiu esta missão o estudo das áreas necessárias à implantação do HF – Tempo Real (emissão e recepção), fornecimento de energia, interface com o Nodo do QG/ZMA.

Resolveu-se também o acesso Comando Chefe e ao Sistema de Cobertura do Arquipélago e das redes de guarnição Ponta Delgada e de Angra do Heroísmo.

O sistema de Cobertura, cujo projecto eu tinha elaborado algum tempo antes a solicitação da DAT (cujo Director, General Pereira Pinto aí se deslocou para in loco assistir à exposição das soluções ao General Oliveira Pinto, então Comandante da ZMA), partia do QG/ZMA, Pico da Barrosa (São Miguel), de onde partia para Santa Maria e Santa Babara (Terceira), de onde abria para Angra e para e para a Horta (Faial), com um salto na ilha do Pico.

A rede de guarnição de Angra e do RIAH, com interface aos CTT, tinham também projectos elaborados por mim e nesta data já executados.

O Sistema de Cobertura acabou por ser avocado pelo EMGFA, que me requisitou para acompanhar ao arquipélago o Cor. Cruzinha Soares e aí lhe transmitir os pormenores de execução do Projecto, para proceder à fiscalização da obra.

Aliás, o mesmo aconteceu com o Projecto de Cobertura do Arquipélago da Madeira, igualmente de minha autoria.

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Um comentário a “Coronel Cruz Fernandes – Uma notável história de vida (5)

  1. Exmº Sr- Coronel Cruz Fernandes

    Foi com muito agrado, que tenho lido toda a sua História de vida.

    Fui Militar no Rtm entre Maio de 1982 e Maio de 1983, tendo sido o Exmº Sr. Coronel Cruz Fernandes, também meu Comandante (2º no meu caso).

    Cruzámo-nos por várias vezes, e dialogámos algumas, pois eu fui 1º cabo da Companhia de Manutenção (Amilcar Delgado Nº 185/82) ,e estava no Serviço de feixes hertzianos,, chefiado pelo Sr. Major Oliveira Dias, Sr. Capitão Varela, Sr. Capitão Félix.

    Se eventualment o Exmº Sr. Coronel se encontar com os oficias que mencionei, agradeço caso lhe seja possível, que o 1º cabo Delgado, lhes manda cumprimentos e com o devido respeito um forte abraço, (sinceramente gostaria de um reencontro, pois já passaram 32 anos, e tenho saudades dos momentos que passei no Rtm, e foi com algum espanto que uma vez encontrei o Sr.1º Sargento, cujo nome não me recordo, me disse, que “ainda” era lembrado (por bons motivos), no Rtm passados +/- 10 Anos)

    Se assim o entender pode s.f.f. facultar o meu email: delgado@sapo.pt

    Exmº Sr. Coronel Cruz Fernandes, dou-lhe os meus parabéns pelos artigos expostos e vou continuar a acompanhar com agrado todas as notícias.

    Com os meus respeitosos cumprimentos.

    Amilcar Delgado

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