22 de Abril de 1974 – primeira operação militar do MFA
Os rádios tácticos e respectivas antenas foram obtidos e instalados de véspera, sob a supervisão do então tenente coronel Garcia dos Santos, responsável pelas transmissões do movimento. Mas a montagem de telefones militares, fundamentais para garantir ligações seguras à rede militar (controlada por oficiais de Tm do MFA) e para providenciar uma linha directa (ponto-a-ponto) entre o PC e a sala da Central automática da EPTm (hoje RTm) em Sapadores, onde eram controladas as comunicações, tinha que começar mais cedo.
Para tal, e aproveitando uma ordem hierárquica já existente para instalar com urgência um telefone militar na zona dos Pupilos do Exército (Estrada de Benfica), foi decidido dar seguimento a esse processo, instalando clandestinamente, a partir das 20H00 do dia 22, um cabo aéreo de 5 pares com 2.000 m (retirado clandestinamente do depósito da EPTm depois das 20H00), primeiro até ao Colégio Militar (Largo da Luz), onde chegou às 04H00 do dia 23, e depois, com um novo cabo de 3.000 m, até ao RE 1, a cuja Porta d’Armas chegou às 06H00 do dia 24, depois de muito trabalho e algumas vicissitudes, como o ter que partir algumas lâmpadas de iluminação pública, para mascarar a instalação a que se procedia. Após um brevíssimo descanso do pessoal envolvido, procedeu-se então às emendas e aos ensaios necessário às ligações a estabelecer, sendo duas à central automática militar (EPTm), e outras duas, por uma questão de redundância, à central do QG de Lisboa e ainda a referida ligação ponto-a-ponto, que viria a permitir um contacto imediato sempre que houve que relatar escutas ao PC, ou coordenar ligações.
Cerca das 18H00 do dia 24, para surpresa dos oficiais que iriam constituir o PC, e que na altura tapavam as janelas com mantas, tal como é relatado por um deles, o Cap Engª Luis Ferreira de Macedo, os terminais do cabo davam entrada no PC, procedendo-se de imediato à ligação, teste e activação dos respectivos telefones.
Esta primeira “operação militar” do 25 de Abril foi dirigida pelo chefe da secção TPF do STM, Cap Verissimo da Cruz (já falecido), coadjuvado pelo adjunto da secção, Cap Pena Madeira, chefiando a equipa de guarda-fios que procedeu à montagem o furriel miliciano Cedoura. A este propósito, “clicar” aqui para ver, neste blogue, o depoimento do hoje MGen (R) Pedro Pena Madeira.