Visita ao museu Rafael Bordalo Pinheiro


Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

Tive o gosto de participar numa visita guiada a uma exposição temporária, no Museu Rafael Bordalo Pinheiro, situado em Lisboa, no Campo Grande.

A exposição é intitulada “Poetas como nós”, é constituída por um conjunto de esculturas contemporâneas sobre poetas do século XX, de salutar carácter humorístico, da autoria do escultor Zé Dalmeida (1940) ainda é vivo e que se tem distinguido também na área do cartoon.

O interesse e qualidade das obras e o que sugerem, aliado à forma competente como foi orientada a excelente visita guiada que nos foi proporcionada merece algumas considerações que julgo com interesse para a CHT dado o envolvimento que a Comissão tem na área da Museologia e que julgo justificar uma visita a esta coleção, na qual poderá colher  ensinamentos úteis.

O primeiro ensinamento que colhi foi que se pretende apresentar uma exposição “voltada para o público” em que se procura que o visitante saia dali a “conhecer um pouco mais de cada um dos poetas  considerados mais importantes” apresentados. Isto feito – e conseguido – de uma forma interativa entre o guia e o visitante. Daí que antes de a guia apresentar o poeta (o que fez sempre de forma breve e competente) tinha sempre o cuidado de convidar os elementos do grupo visitante a apresentar os seus conhecimentos sobre o poeta apresentado, que assim participavam no processo. Por vezes apresentava poesias que pedia a um elemento do grupo para ler (o que deu lugar a que sobressaísse uma senhora que se revelou excelente executante). Pela primeira vez ouvi o poema “A Nêspera” de  Mário Henrique Leiria (in Novos Contos do Gin) que Mário Viegas interpretou e que não resisto a reproduzir aqui:

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia

chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a

é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

A primeira parte da visita foi dedicada à abordagem, de forma semelhante, de outros poetas e de que se mostram aqui alguns exemplos.

Almada Negreiros

Almada Negreiros

António Aleixo

António Aleixo

Fernando Pessoa e heterónimos

Fernando Pessoa e heterónimos

A parte final a visita foi uma espécie de “revisão da matéria dada” ou de “lessons learned”  como fazem os militares aparentemente para que os conhecimentos obtidos durante a visita fiquem assentes.

Esta parte final é apresentada em outra sala, onde os visitantes se sentam, lhe são distribuídos  cartões com textos ou poemas de alguns dos poetas apresentados na exposição, com frases que os visitantes são convidados a completar (não interessa indicar o que possivelmente o poeta pretendeu escrever mas que o visitante achar que fica melhor).

Estas frases e os textos servem de base para mais um interessante processo interativo entre o guia e os visitantes.

Confesso que saí do Museu encantado. Tinha aprendido muito de uma forma interessante, com base nas esculturas, um trabalho impecável da guia, mas sobretudo tendo por traz um imenso e meritório trabalho de preparação do Museu e de conhecimento das obras e dos poetas representados.

O museu sabia o que queria transmitir, esmerou-se na apresentação  e consegui dar uma lição de forma extremamente agradável. A não perder.

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