Telégrafo de Postigos


Em 1810 foi criado oficialmente o Corpo Telegráfico, sendo Ciera nomeado seu Director. Ainda neste ano, para a ligação entre as estações de Buenos Aires e de Almada, encontrámos a primeira referência ao telégrafo de postigos(1) , também designado por tábuas, palhetas ou volante, que é uma simplificação do telégrafo inglês de Murray de seis postigos para três postigos. O telégrafo de postigos português, por utilizar as Taboas Telegráficas de Ciera, necessita só de três postigos, que lhe permitem representar os algarismos de 1,2,3,4,5,6 e duas posições de serviço – os três postigos abertos ou fechados.

Com este telégrafo e óculos de aumento 20 a 30 vezes conseguia-se comunicações a distâncias entre três a seis léguas(2)

telégrafo de postigos

Modelo do telégrafo de postigos à escala 1:4 construído para apresentação no bicentenário do CORPO TELEGRÁFICO em 2010 no RTm.

telégrafo de postigos2

telégrafo de postigos posições

Desenhos dos postigos e seu significado

Na obra “Outros tempos ou Velharias de Coimbra, 1850 a 1880”, de Augusto de Oliveira Cardoso Fonseca, publicada em 1911,este autor descreve o funcionamento do Telégrafo de Postigos de Coimbra, a que assistiu, da seguinte forma:
«Recordamo-nos de ter, por algumas vezes, visto funccionar esse telegrapho, a cujo serviço estavam dois veteranos que se revezavam de seis em seis horas. Era muito curioso o seu serviço que demandava a maior attenção. O telegraphista estava sentado n.um banco alto, para melhor poder consultar alternadamente os dois oculos de alcance que se conservavam assestados, cada um, em orificio proprio aberto na parede. Do tecto da pequena e estreita casita pendiam tres cordas, cada uma das quaes correspondia a uma das tres grades de madeira, pintadas de branco e preto, para signaes. O veterano servia-se da mão esquerda para com o auxilio das cordas imprimir movimento aos quadros e transmittir signaes; e com a direita ia escrevendo n.uma ardósia os signaes que recebia, designados por algarismos, os quaes depois passava ao papel, enviando-o ao governo civil, onde eram decifrados»
O processo em 1850 de utilizar só um operador para ver os telégrafos adjacentes ao seu, para escrever e manobrar as palhetas, era o mesmo já descrito por Ciera em 1808 para o telégrafo de ponteiro.

04-Torre Belém

Utilização do telégrafo de postigos na Torre de Belém(3)

(1)AHM Div14-163-29 m0014

(2) AHM/Div 1-14 -163-29 (m0009).

(3) Fotografia do Arquivo Fotográfico da CML

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2 comentários a “Telégrafo de Postigos

  1. Convém recordar que os três telégrafos óticos usados no tempo de Ciera foram o de postigos, descrito neste post e de que existe modelo reduzido, o telégrafo de ponteiro, descrito no post do coronel Costa Dias de 18 dez 2012 e de que também existe modelo reduzido, e finalmente o de 3 bolas, descrito no post do coronel Canavilhas de 28 de Setembro.
    De referir que esta notícia da existência do telégrafo de 3 bolas é relevante pois até aí apenas conhecíamos os telégrafos de persianas e de ponteiro.

  2. Neste ano de 2013, em que se comemoram os 250 anos do nascimento de Francisco Ciera (1763-1814), parece oportuno aproveitar a referência ao telégrafo de postigos, que criou, para recordar a sua notável ação como pioneiro das telecomunicações em Portugal.

    Com efeito, ao criar em Portugal o sistema de telegrafia visual próprio, Ciera coloca-se a par dos grandes vultos da telegrafia visual como Claude Chappe, Murray e Edelkrantz, tanto mais que o seu sistema foi comprovadamente eficaz visto que se manteve durante cerca de meio-século ao serviço do país.

    Em particular relativamente ao telégrafo de postigos, que fazia parte do sistema português, convém acentuar que:

    – A posição das 3 persianas podia ser diferente da indicada, nomeadamente estando as três alinhadas verticalmente, ou horizontalmente (como se mostra, para este caso, no post do Cor Canavilhas de 2 nov 2012 “Ainda o Infogestnet”).
    – Para manter as persianas abertas usavam-se contrapesos.
    – As dimensões das persianas eram diferentes consoante as distâncias, segundo uma fórmula apresentada em 1828 pelo Maj Couto e Melo, indicada no post atrás referido.

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