Visita ao Museu Militar


Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

MM2A recente visita que fiz ao Museu militar, integrado num grupo da Junta de Freguesia de S. Francisco Xavier, onde era o único militar, permite-me continuar a abordar neste Blogue o tema da Museologia, uma das preocupações da CHT com indiscutível atualidade dada a reabertura da Coleção Visitável do RT prevista para o corrente ano.

Para o grupo a visita teve enorme sucesso. Todos gostaram francamente do que viram e não pouparam elogios á forma como a visita foi orientada.

Pela minha parte, tendo já visitado o Museu por várias vezes, foi uma agradável surpresa pois o Museu é efetivamente interessante e gratificante para quem o visita, quer seja militar ou civil.

Neste texto procuraremos dar, em primeiro lugar, uma breve explicação das causas essenciais do interesse do Museu Militar despertou para depois apresentar algumas considerações sobre o caso da CV do RT, nomeadamente quanto ao modelo a aplicar.

MuseuMilitarO sucesso da visita ao Museu Militar

O encanto e a surpresa da visita para quem desconheça o Museu Militar é que este é um Museu muito diferente de um Museu normal, onde o essencial é a coleção de equipamentos expostos, tendo a sua envolvente um papel secundário.

No Museu Militar, porém, a envolvente é riquíssima, com paredes e tetos decorados por artistas de alto nível, o que condiciona a visibilidade da exposição das peças de armamento.

O Museu conquista facilmente o público civil pois o visitante vai, sala a sala, sendo encantado pelas as obras de arte que lhe vão sendo sucessivamente  apresentadas e que naturalmente contrastam com a sobriedade das armas e equipamentos militares que também são apresentados, ofuscando-os quase completamente.

O Museu, e quanto a mim bem, não está organizado para que o armamento ou equipamento militar que interessa destacar (e também o há) seja apresentado de modo a “poder respirar”, mas sim para destacar a  merecida visibilidade da riqueza envolvente.

O segundo fator de sucesso da visita foi a forma como foi conduzida a visita guiada. A responsável foi a alferes miliciana contratada de Transmissões Ana Soares. Não é uma desconhecida da CHT pois prestou serviço no RT e por gentil iniciativa do Comandante do RT, foi posta a colaborar com a Comissão, dada a sua formação em História,

Guiar uma visita a um Museu, com estas caraterísticas, não é fácil, mas a alferes Ana Soares estava bem preparada e suficientemente motivada para conseguiu cativar permanentemente, durante hora e meia, o interesse do grupo. O que fez foi, em cada sala, explicar detalhadamente a sua componente artística, a que dava o maior relevo e depois fazer uma referência, relativamente breve a um ou outro equipamento militar exposto mais destacado.

Os visitantes ficaram assim muito mais impressionados pela componente artística do  que o Museu lhe oferecia do que pela evolução dos equipamentos militares ao longo dos séculos.

“Eu nunca pensei que um Museu Militar fosse tão interessante” foi o balanço da impressão  predominante do nosso grupo..

Considerações sobre a CV do RT

É evidente que o modelo da visita que o Museu Militar oferece que caracterizamos por uma envolvente de elevada craveira artística valorizada pela excelente visita guiada que nos foi facultada, não pode ser aplicado na CV do RT pela razão muito simples que a  envolvente artística, no seu caso não existe e não acreditamos que possa existir até setembro.

Isto não significa que, no futuro, o modelo não possa existir. pois temos na Arma excelentes pintores, de elevada craveira nacional e até internacional, e é perfeitamente possível imaginar uma CV do RT em que os visitantes se deleitassem com as suas obras em vez dos equipamentos de transmissões expostos, como sucede no Museu Militar.

Outro modelo que poderia dar vida à CV era apresentar os equipamentos expostos a funcionar, permitindo interatividade com os visitantes. Este modelo de coleção interativa, que também não é praticável na CV do RT a curto prazo, também não é de desprezar pois a Arma sempre teve excelentes técnicos de manutenção, o conceito de engenheiros de bancada foi praticado na Arma, pelo menos na década de 80 do século passado e na CV da EPT há vários equipamentos a funcionar. Em recente conversa com o Coronel António Pena ele informou-me que o Museu das Transmissões Militares francesas, que eu não conheço,  deste tipo, é interessantíssimo.

Estes dois modelos são interessantes tanto para militares como para  civis.

Existem outros dois modelos que, a meu ver, apenas são suscetíveis de despertar muito mais interesse aos militares do que aos civis

O primeiro é o modelo minimalista que tem predominado na CV do RT desde a sua criação. A coleção é apresentada com os materiais mais ou menos por ordem cronológica e sem qualquer contextualização histórica nem a preparação prévia de “visitas guiadas”.

O segundo é modelo que defendo para a CV do RT, que se pretende abrir no corrente ano, e que consiste em o material exposto ser organizado por períodos desde 1810 com o Corpo Telegráfico até hoje, com o RT e que se prepare, para cada período a história da evolução verificada, servindo os equipamentos expostos de complemento a essa história.

O essencial portanto desta CV era a história que se contava da evolução das Transmissões (sobretudo das Permanentes), em conjugação com os elementos expostos, ou seja uma Visita Guiada previa e cuidadamente preparada.

Apesar da importância que as Transmissões Militares tiveram como pioneiros das telecomunicações civis em Portugal ou no seu desenvolvimento tecnológico e apoio à sociedade civil em situações de crise ou emergência considero que a CV do RT tem sobretudo interesse para os militares, em especial para o pessoal da Arma, dada a riqueza da história das Transmissões e a  sua importância na evolução do Exército.

Há dois aspetos essenciais a ter em conta. A primeira é que a CV que se abrir este ano não pode nem deve ser considerada como uma obra acabada. A segunda é que nunca vi tanta gente como hoje a pensar na CV e disposta a levar a carta a Garcia. Esperamos que consiga.

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Um comentário a “Visita ao Museu Militar

  1. Fiquei muito satisfeito depois de ter lido que a CV do RT, num futuro próximo, vai ser um realidade.
    Efectivamente seria uma grande perda se esta colecção, tão laboriosamente organizada pelo Sr Coronel Bastos Moreira fosse dispersa por outros sítios fora do RT.
    Com efeito a sua saída para Elvas, como já foi encarada seria o fim da colecção.
    Tive ocasião de muito recentemente visitar o Museu de Elvas. As obras de restauro das antigas casernas foram muito bem organizadas.Algumas ainda estão em fase de acabamento. O material ali exposto – Serviço de Saúde , Veterinária e Artilharia de Campanha- foi bem recuperado e com boa exposição.
    Na visita, ouvi com algum espanto que as obras em acabamento seriam para albergar o espólio do Museu da EPT. Interrogei-me para tentar perceber o porquê de tal decisão. É claro que “quem sou eu para tal pensamento”.

    Visitei o Museu da EPT em 2001/2003, para colher elementos para uma investigação que estava a fazer acerca do Racal TR 28.
    O acervo do Museu, fruto do esfôrço do Sr. Capitão Almeida Pinto, era excelentemente cuidado. Muitos dos aparelhos em exposição funcionavam porque tinham sido recuperados e reconstruídos com precisão.Tive ocasião de assistir também a uma exposição na Alfandega do Porto, interactiva, destinada ás Escolas com imensa gente a assistir. Os alunos das escolas enchiam a sala, apreciavam, mexiam e recebiam as explicações dos Técnicos Militares presentes.

    O Museu de Elvas nunca poderá propocionar uma experiência como esta. Não tem sequer um militar de Transmissões com formação para servir de guia a uma visita, pese embora toda boa vontade existente. Na minha opinião, dentro de pouco tempo, será um depósito de inúteis, tal como acontece ás viaturas e blindados que apodrecem ao tempo esperando a sua hora final, a caminho da sucata.

    Um Museu é uma organização viva, não é um depósito de peças, mais ou menos bem expostas, em que os visitantes escasseiam. E aqueles que o visitam fazem um esforço para não se aborrecerem. A maioria dos visitantes em Elvas, segundo o que nos foi dito, são Espanhois.
    O futuro em Elvas não vai ser risonho para a colecção da EPT. Gostava de não ter razão.

    A CV. do RT poderá e deverá ter outra condição. A localização do Museu é excelente, embora o seu acesso, dentro RT, poderá trazer alguns constragimentos. No entanto com alguma imaginação poderão ser ultrapassados.A CV. deverá ser devidamente tratada e exposta com cuidado. O edificio do Museu que carece de alguma beneficiação também não deve ser problema. O Exército ainda deverá ter técnicos capazes para pôr alguns dos aparelhos funcionais o que engradeceria a exposição, neste capítulo basta copiar o que foi feito no Porto (EPT). Convém, também, não desperdiçar o magnífico conjunto das reservas do Museu.
    Entendam esta reflexão como um contributo de ideias.
    Luiz Fernando Dias
    CT1 EPR-CT0 422
    Member “The WS 19 Group” UK
    Member VAMRS, UK

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