Presente de Natal inesperado


Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

Não era capaz de adivinhar que o meu reencontro com um documento, com mais de um século, que já não via há anos, da autoria de Bon de Sousa, um dos vultos mais notáveis das Transmissões do Exército de sempre, constituísse para mim um autêntico presente de Natal do ilustre general de Brigada.

Como se trata de uma obra importante – mais uma, entre as muitas que protagonizou –  e que poucos tiveram oportunidade de ler, não posso deixar de a apresentar aqui no Blogue, até pela oportunidade e estímulo do exemplo que nos dá ainda hoje.

A obra a que me  refiro é a “Informação à Comissão Superior de Guerra”, de 1899,  de que se junta a fotografia, e que pertence à Coleção Visitável do RT.

PastaTrata-se de uma informação, solicitada pela Comissão Superior de Guerra, que tem duas partes uma com texto, de mais de 100 páginas, e outra de desenhos (a que se apresenta na foto).

A informação é um trabalho escrito à mão, em que Bon de Sousa conta a história da evolução das Transmissões Permanentes e das grandes realizações que introduziu  durante o longo período em que exerceu o cargo de Diretor  desde 1880 e que só terminou a 9 de Janeiro de 1901 (A Informação é, como disse, de 1899, pelo que cobre praticamente todo o período da sua direção).

Trata-se de um documento circunstanciado que envolve todos os setores, alguns dos quais pouco conhecidos (rede de telegrafia elétrica e sua expansão em cooperação com os serviços telegráficos e postais civis, introdução de semáforos, de heliógrafos, de lanternas elétricas, dos pombos correios, a excecional colaboração que teve do seu braço direito na Direção, o sargento-inventor Martins, os aeróstatos, a cooperação com os caminhos de ferro nas suas redes (com telégrafos Breguet), a elaboração do ante-projeto da unidade de  Transmissões de campanha a criar, etc.

É um trabalho  exaustivo onde o autor conta não só a história da evolução dos diferentes setores a seu cargo como também apresenta cópia manuscrita das fontes que utiliza, não deixando de referir que o faz “com autorização superior”.

Julgo que é um documento que ajuda a perceber a forma como, mais tarde, Afonso do Paço trata este período no seu livro de 1938, “As comunicações Militares de Relação em Portugal- subsídios para a sua história”. Para um historiador, um trabalho, como este, de Bon de Sousa, no fim de contas o seu testemunho da obra que realizou nas Transmissões, constitui um auxiliar precioso para quem pretenda perceber a história do período, antes de a procurar escrever.

Neste Blogue, este ano já se publicaram dois notáveis testemunhos de elementos marcantes da nossa Arma (do Rodrigo Leitão e do Golias, um grande impulsionador da ideia da vantagem dos testemunhos), e outros, felizmente, pelo que sei, vêem a caminho.

Pela minha parte congratulo-me com isso. Julgo que é um caminho a prosseguir, porque felizmente não faltam elementos marcantes do passado da Arma que o possam fazer.

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