Introdução da TSF


Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

Ao consultar um conjunto de documentos do espólio do coronel Mário Leitão que aguardam classificação na sala da CHT, encontrei uma fotocópia de um artigo do coronel de Engª João de Oliveira publicado na Revista Militar.[1]

O artigo apresenta, para mim, algumas novidades sobre as primeiras experiências de T.S.F. realizadas em Portugal, que considero com interesse e que passo a referir:[2]

  • As experiências foram realizadas em cumprimento de ordens do Ministério da Guerra.
  • A casa Ducretet, fabricante dos equipamentos rádio, oferecera um emissor e um recetor ao Ministro da Guerra, general Pimentel Pinto, que ordenou que as experiências fossem entregues ao Regimento de Engenharia, que dispunha de uma Companhia de Telegrafistas.
  • O Comando do Regimento atribuiu as experiências ao comandante dessa companhia, o capitão de Eng Severo da Cunha, que nelas foi coadjuvado pelos seus subalternos, tenentes de Eng Pedro Álvares e Salvador Correia de Sá (mais tarde visconde de Asseca).
  • “As experiências deste meio de comunicação começaram por se realizar na parada do quartel dos Quatro Caminhos, não mais de 100 metros separando os postos emissor e recetor. Os aparelhos vieram acompanhados, apenas, de um catálogo e, sem outra indicação, os primeiros ensaios não foram animadores; dentro em pouco, tiveram êxito e a distância entre os postos foi crescendo, firmando-se um no quartel e deslocando-se o outro para pontos que dele se avistavam, para norte, até se atingir o Alto de S. João.

Para consentir-lhe maior amplitude, mas ainda só tateando o terreno, em sucessivas etapas, transferiu-se o posto emissor para o Alto do Duque e o recetor para a margem esquerda, de começo na zona a ele fronteira.

Ao conseguir-se vencer a distância entre o Alto do Duque a Raposeira[3], o acontecimento foi considerado digno de um convite ao Ministro da Guerra e oficialidade de Lisboa, para assistir a uma experiência de comunicação entre esses pontos.[4]

A pessoa de El-Rei não era de uso convidar para facto de tão pequena monta.[5]

  • Nas experiências, realizadas em abril de 1901, e que foram noticiadas nos jornais da capital, assistiu a Comissão Superior dos Telégrafos que era presidida pelo general Bon de Sousa.
  • As experiências prosseguiram, passando a realizar-se entre a Raposeira (posto emissor) e um navio de guerra (posto recetor), no qual embarcou o tenente Pedro Álvares, tendo-se conseguido fazer comunicação à distância de 18 km.
  • Depois destas experiências o tenente de Eng Sá Carneiro “foi então o comissionado para ir ao estrangeiro adquirir o primeiro de T.S. F. de que foram dotadas as nossas tropas, pouco a pouco acrescido e melhorado, à proporção que o nosso sistema de comunicações se foi desenvolvendo até ao que hoje possui”.[6]
  • Entretanto o Ministério das Obras Públicas pediu informação sobre a conveniência de num diploma, a sair sobre comunicações por T.S.F., incluir as restrições a estabelecer por exigências de defesa nacional, ao Ministério da Guerra. Este  pediu um parecer à Comissão Superior dos Telégrafos.
  • O Ministétrio da Guerra pediu um parecer à Comissão Superior dos Telégrafos. O cor João de Oliveira foi o relator desse parecer, de que destaco a conclusão de que “O Estado deve reservar-se o monopólio do sistema de T.S.F.”
  • “Ao pretender a Comissão Militar dos Telégrafos avançar na matéria, o Engenheiro Benjamim Cabral, exercendo com a maior aptidão e competência o cargo de Administrador Geral dos Correios e Telégrafos, pronunciou-se perante a Comisão nos seguintes termos “Em minha opinião é prematuro qualquer projeto de rede de T.S.F” por ainda serem pouco precisos e até contraditórios os resultados obtidos no estrangeiro. Os relatórios militares pareciam-lhe pouco seguros para formular conclusões e a administração a seu cargo encontrara os maiores embaraços comerciais na aquisição de aparelhos que os permitissem com a devida clareza. Entendia, pois, dever aguardar-se a possível compra desses aparelhos e suas experiências”.

Talvez este último parágrafo contribua para poder explicar porque é que o Exército depois de ter sido o pioneiro em Portugal das experiências de T.S.F. acabou por demorar vários anos antes de a desenvolver e aplicar.


[1] O artigo intitula-se “A T.S.F, Como nasceu em Portugal” e está publicado na Revista Militar nº 11 de Novembro de 1946. pág, 562 a 565.

[2] Verifiquei que também acrescentam alguma coisa aos dois posts que existem neste Blogue sobre o mesmo assunto: o de 27 Dez 2011 do Cor Costa Dias e o de 12 de Janeiro de 2012 do Cor José Canavilhas.

[3] 4,3 km, segundo o post do Cor José Canavilhas.

[4] Assinala-se a preocupação de informar a oficialidade da capital da potencialidade do novo meio.

[5][5] Se D.Carlos e o Ministro adivinhassem o futuro, com certeza que o Rei iria com todo o gosto..

[6] De notar que esta versão em que o tenente Sá Carneiro parte em 1901, depois das experiências,  para comprar equipamentos não condiz com a versão de Bastos Moreira (vol2 das Notas, pág. 21) e do post do Cor Costa Dias, que afirmam que esta viagem de Sá Carneiro foi anterior às experiências.

De qualquer maneira desconheço quantos equipamentos adquiriu o tenente Sá Carneiro.

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