As Transmissões Permanentes do Exército (1873 a 1901)


Post do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

Este período começa, em 1873, com a reintrodução das Transmissões Permanentes no Exército, através da criação da primeira rede telegráfica elétrica do Exército depois da extinção do Corpo Telegráfico.

O período termina em 1901, ano em que se verifica a passagem da responsabilidade das Transmissões Permanentes do Exército para a Arma de Engenharia e que constituiu a concretização de uma velha aspiração desta Arma.

Trata-se de um período de 28 anos em que tiveram lugar alterações significativas nas Transmissões Permanentes do Exército que tomam uma feição diferente da que tinham no período anterior do Corpo Telegráfico. Essas transformações tiveram objetivos e uma dinâmica diferente em dois períodos que referimos a seguir:

  • Entre 1873 e 1880 em que praticamente a dimensão do sistema se manteve na rede criada em Lisboa.
  • A partir de 1880 em que se verifica uma forte expansão da rede militar e a introdução de novos meios de transmissões no sistema militar permanente.

Período entre 1873 e 1880

A criação da pequena rede de 13 estações em Lisboa. destinou-se, segundo  revelou o seu impulsionador Fontes Pereira de Melo, a permitir dispor de um conjunto de pessoal devidamente qualificado que permitisse a constituição de uma unidade de Transmissões de campanha. Convém acentuar que, em 1873, não existia ainda no Exército português nenhuma unidade de transmissões de campanha (o que só viria a acontecer em 1884, na chamada reorganização fontista do Exército) mas que a necessidade da sua criação era reconhecida, sobretudo depois do papel que teve na guerra franco-prussiana de 1870-1871.

A finalidade da reintrodução das transmissões permanentes era assim, essencialmente, permitir a criação de uma unidade de transmissões de campanha. Veremos que não se limitou a isso  pois as transmissões permanentes  continuaram a existir depois da criação transmissões de campanha. Para isso contribuiu a dinâmica da evolução que se verificou a partir de 1880 e que trataremos a seguir.

Período de 1880 a 1901

Neste período a rede militar expande-se pelo território nacional e verifica-se a introdução de novos meios que se sobrepõem à telegrafia elétrica.

O grande impulsionador desta nova dinâmica da rede militar permanente foi Bon de Sousa, oficial de Infantaria que se manteve como Diretor do Serviço Telegráfico durante 21 anos, desde a patente de major à de general de brigada reformado. Era membro da Academia das Ciências e um estudioso das transmissões militares, nomeadamente das transmissões de campanha existentes nos exércitos dos diferentes países da Europa, de que fez um estudo detalhado.

Nessa altura, nas transmissões de campanha dominava o princípio da sobreposição de meios. O meio usado mais importante era o telégrafo elétrico (o telefone e a TSF são posteriores),  o mais rápido e fiável mas que era vulnerável por depender da continuidade das linhas. Para aumentar a probabilidade de a mensagem chegar ao seu destino aplicavam-se, em sobreposição, outros meios como pombos-correios, semáforos, heliógrafos e lanternas.

Bon de Sousa aplicou o princípio da sobreposição de meios nas transmissões permanentes do Exército.

O seu conceito dá continuidade à ideia fontista que apresentámos das transmissões permanentes como génese das transmissões de campanha, dando-lhe maior amplitude. Bon de Sousa considera que o pessoal de transmissões permanentes é o que está melhor preparado e habilitado para entrar em conflito em caso passagem ao estado de guerra. Por isso o material permanente deve ser idêntico ao de campanha e o pessoal de transmissões permanentes deve ter treino suficiente em cada um dos meios.

É de acentuar que a aplicação deste princípio da sobreposição de meios às transmissões permanentes se manteve em Portugal até meados do século XX, e teve aplicação na Primeira Guerra Mundial (onde o uso do telefone ultrapassou o do telégrafo e se usou, de forma limitada a TSF).

Na Grande Guerra o pessoal de Transmissões Permanentes distinguiu-se. no CEP, pela qualidade do seu serviço pois foi dado de reforço aos Centros de Transmissões de Batalhões e Grupos.

Nesta época das Transmissões Permanentes não se deve esquecer um excelente colaborador de Bon de Sousa que foi o alferes Martins, autor de várias invenções a mais importante das quais foi o heliógrafo Martins.

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