As origens históricas das Transmissões do Exército


‘Post’ do MGen Pedroso Lima, recebido por msg:

Este post é dedicado à origem histórica da Arma de Transmissões e foi suscitado pela leitura da pasta 001 da caixa 102 do Arquivo da Comissão de História das Transmissões.

Uma primeira observação sobre a avaliação do conteúdo desta pasta 001, ou seja, do texto do coronel reformado de Engenharia Craveiro Lopes de Oliveira  “As tropas de engenharia no regime do exército permanente 1812  – 1910”.

Há cerca de 6 anos fiz o seguinte comentário a este texto (que está na pasta 001) “Este documento não tem grande interesse para a História das Transmissões”. Actualmente penso de forma completamente diferente. Parece-me natural, pois o grau de conhecimentos que hoje tenho sobre a evolução das Tm, depois de 6 anos de envolvimento na CHT, é francamente superior. Julgo que o mesmo se passará com a maioria dos CHT’s. Ou seja, um documento do Arquivo que há 6 anos era considerado como sem qualquer espécie de interesse, nos dias de hoje pode não ser bem assim…

Mas voltemos ao problema da origem histórica e da caixa 102. Tudo começa com a seguinte passagem : …”em 1812, com o Regulamento provisional do “Real Corpo de Engenheiros”, nasceram as primeiras tropas da arma (de Engenharia)”. Estas tropas eram, informa o autor mais adiante, “um Batalhão de artífices engenheiros… com um total de 12 oficiais e 244 praças”.

Como o Corpo Telegráfico, a primeira unidade de Transmissões Permanentes do Exército, foi criado em 1810, sendo assim anterior ao Batalhão de artífices engenheiros, parece dificilmente compatível com o facto de se considerar a Engenharia como a “Arma Mãe” da Arma de Transmissões.

De facto, em 1970, quando se criou a Arma de Transmissões, a Arma de Engenharia  tinha a responsabilidade pelas Transmissões Permanentes e de Campanha do Exército, que passou para a nova Arma de Transmissões. A Arma de Engenharia é, assim, indiscutivelmente a “Arma Mãe” das Transmissões.

Actualmente, a solução que se tem adoptado, tem a ver com a consideração de origens históricas diferentes para as Transmissões de campanha e as Transmissões permanentes.

No caso das Transmissões de Campanha, a origem histórica está na Engenharia. A primeira unidade de Transmissões de Campanha (uma Companhia de Telegrafistas) foi criada em 1884, através da reorganização de Fontes Pereira de Melo e dentro da Engenharia. As Transmissões de Campanha, depois de 1884, sempre existiram no Exército.

Mas as Transmissões Permanentes, como dissemos, apareceram no Exército em 1810, com o Corpo Telegráfico. As Transmissões Permanentes não pertenciam à Engenharia,  dependendo diretamente do Ministro da Guerra e eram dirigidas por oficiais das outras Armas. A extinção do Corpo Telegráfico em, 1864, deu lugar a um período de  9 anos em que o Exército não teve transmissões próprias. Em 1873 foi inaugurada a primeira rede de telegrafia elétrica, que marca o ressurgimento das Transmissões Permanentes do Exército. A Engenharia só passaria a ter responsabilidade pelas Transmissões Permanentes em 1901.

Presentemente as unidades de Transmissões são consideradas como herdeiras históricas de unidades da Arma de Engenharia,  com exceção do Regimento de Transmissões, cuja origem histórica mais remota é o Corpo Telegráfico.

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3 comentários a “As origens históricas das Transmissões do Exército

  1. O comentário de 5 de janeiro do Tenente Miliciano Carlos Inácio tem a virtude de trazer a este Blogue o tema da Guerra Eletrónica, praticamente não abordado, e que poderia suscitar o esclarecimento da evolução que se tem verificado, na Arma, nesta área
    Mesmo sabendo que há, felizmente, na Arma gente bem mais habilitada para o fazer, (e que certamente o fará) resolvi apresentar dois breves apontamentos relativos ao texto do Tenente Miliciano Carlos Inácio, pelo respeito e consideração que merece a importância da ação que desenvolveu como pioneiro da introdução da Guerra Eletrónica no Exército, na década de 50 do século passado, constituindo o braço direito do Capitão Garcia dos Santos, com uma paixão pela GE que o seu cometário mostra que ainda mantém bem viva, mais de 5 décadas depois!
    Embora quando a Arma foi criada, em 1970, em plena Guerra Colonial, a Guerra Eletrónica praticamente não existisse, a partir do final da década de 70, a situação evoluiu, pelo que me permito transmitir duas “boas notícias”, que presumo terá gosto em conhecer:
    • A primeira é que a Guerra Eletrónica existe presentemente na Arma, pois o Regimento de Transmissões, no Porto, tem a funcionar uma Companhia de Guerra Eletrónica constituída, que faz parte do atual e recente QO do Regimento e que portanto é para se manter.
    • As “guerras” com a CHERET já não podem ter lugar presentemente, porque esta organização foi extinta e as suas funções são hoje desempenhadas pela Arma de Transmissões.

  2. Sem a Guerra Electronica, as Transmissoes nao sao uma Arma: Sao um Serviço (a cargo da Arma de Engenharia). É a Guerra Electronica que dá às Transmissões capacidade de intervençao directa sobre o IN; sem isso, como a Administração Militar limita-se a fornecer apoio às Armas (Infantaria, Cavalaria, etc) na sua acção sobre o IN. Ainda hoje não percebo como se deixou “morrer a Guerra Electrónica, e com ela a Arma de Transmissões. As manobras luso-espanholas do “Salado” mostraram o que a Guerra Electrónica (então pouco mais que pre-embrionária) o que se pode conseguir sobre o IN: desorganização interna, e consequente reduçao do poder de acção. Morreu a Guerra Electronica, morreu a Arma de Transmissões. Foi pena. Ganhou a CHERET!!!
    Carlos Inacio
    (Antigo Tenente Miliciano de Transmissões)

  3. Em primeiro lugar quero reforçar aquilo que disse o Maj Gen Pedroso de Lima sobre o conteúdo das caixas arquivo que resultaram do trabalho da CHT. De facto , encontram-se hoje reunidos nessas caixas alguns conjuntos de documentos importantes e interessantes para a História das nossas transmissões militares. Deve-se ao Cor Falcão a organização dessas caixas e a classificação do seu conteúdo. Embora eu conhecesse a sua existência nunca as tinha, sequer, aberto.
    Há dias, por ter pensado fazer aqui um post sobre Guerra Electrónica (GE), abordei o assunto com o Pedroso de Lima e ele disse-me que existiam alguns documentos elaborados por mim sobre este tema naquelas caixas. E, de facto, na caixa 301, série 001, secção 003, número 003, está arquivada uma cópia do texto de uma “Palestra realizada no Instituto de Altos Estudos Militares” pelo então Cap. de Engª Amadeu Garcia dos Santos, no dia 28 de Janeiro de 1967. Nesse texto, em primeiro lugar, eu relatava o que era a GE, o que é que já tinha sido feito até então entre nós, nessa matéria, o que é que se pretendia que fosse feito e, por fim, quais eram as tendências futuras. Recordando esses tempos e fazendo um esforço de memória, lembro-me de ter sido um grande entusiasta do lançamento e da divulgação desta especialidade na nossa Arma, quer através da criação do Centro de Instrução de GE (CIGE) no antigo Batalhão de Telegrafistas, quer da realização de cursos de especialização para o pessoal da Arma.
    O meu interesse pela GE surgiu como consequência de ter sido nomeado pela Direcção da Arma para a frequência de um curso NATO de GE para oficiais de transmissões das forças terrestres. Nessa altura eu era Adjunto da Direcção do Serviço de Telecomunicações Militares (STM), cujo Director era o Coronel Mário Leitão que se opôs ferozmente, mas sem êxito, a essa minha nomeação. Esse curso decorreu no Centro Difesa Elettronica, em Anzio, na Itália, entre 7 de Junho e 17 de Julho de 1965. Mais tarde, em Junho de 1966, fiz um estágio, conjuntamente com o então tambem Capitão (como eu) Pereira Pinto, na 44ª Companhia de Transmissões do Exército Belga, quando esta Unidade realizou manobras em Kassel, na Alemanha. Apesar das minhas funções no STM, entusiasmado com esta nova especialidade com que me estava a confrontar e com o auxílio e o, tambem, entusiasmo do então Tenente Miliciano Carlos Rafael Alves Inácio, efectuaram-se vários exercícios de GE no Batalhão de Telegrafistas em tirocínios de Alferes de Engenharia, em cursos de Sargentos Milicianos de Transmissões, etc., etc., e nas manobras luso-espanholas designadas por “Salado”.
    Entretanto o CIGE veio a ser desactivado no Batalhão de Telegrafistas e só em 1977, sob a responsabilidade da nova Escola Prática de Transmissões no Porto, voltam a ser ministrados cursos nas várias especialidades da GE. Há, no entanto, um aspecto que considero de especial relevância e que se trata do custo do funcionamento, da manutenção e, sobretudo, da modernização e actualização permanentes exigidas por uma Unidade deste tipo. Ou seja, manter operacional a 100% uma Unidade de GE em época de crise como a que estamos a viver, se, antes, já era extremamente dificil, hoje é totalmente impossível.
    Creio que este assunto da GE dá, como se costuma dizer, “pano para mangas”.
    Naturalmente que, na área das Transmissões, mais do que qualquer outro, envolve delicados problemas de segurança. Por isso, há que ter algum cuidado na sua abordagem.

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