Os Pioneiros da TSF – Nicola Tesla


Nicola Tesla

Tesla (fonte: crystalink.com)

Nasceu em 1856, na actual Croácia, filho de pais sérvios, e morreu em 1943, em Nova Iorque. Em 1884 foi para os Estados Unidos trabalhar com Edison.

Tesla foi um dos mais brilhantes cientistas dos finais do século XIX e primeira metade do século XX. Não descurando a teoria, foi um cientista eminentemente prático, podendo ser considerado o protótipo do “cientista-inventor”, como comprovam as suas quase 300 patentes. Alguém resumiu a sua contribuição para a evolução da humanidade no título: “O Homem que inventou o século XX”[1]. Para dar razão a este título basta referir que o actual sistema de geração e distribuição de energia eléctrica, em corrente alterna trifásica, utilizado em todo o mundo, tem por base descobertas e invenções suas.

Para além das suas invenções, sobretudo no campo da electricidade, mas não só, que revolucionaram a nossa vida, o seu nome está ligado a algumas ideias, que muitos consideram extravagantes ou de ficção científica,como é o caso da transmissão de grandes quantidades de energia à distância, sem suporte material, e o famoso “raio da morte”.

Algumas das suas ideias, muito avançadas para a época, e a forma algo teatral como fazia as suas apresentações, com “efeitos especiais”,utilizando as faíscas provocadas pela bobina que inventara, levaram a que alguns o considerassem  “cientista louco”.

Indubitavelmente, foi um dos pioneiros da TSF. Desenvolveu trabalhos no domínio das altas frequências, tendo inventado os circuitos sintonizados, dos quais é exemplo a “bobina de Tesla”  com um princípio de funcionamento semelhante ao da bobina de Ruhmkorff, mas trabalhando com os circuitos primário e secundário ressonantes a uma dada alta frequência. Este invento foi usado por Marconi nos emissores de maior potência, com os quais conseguiu a proeza de comunicar primeiro entre margens da Canal da Mancha e, posteriormente entre a Europa e a América.

Fez várias apresentações públicas, com início em 1893, onde previu as potencialidades de transmissão da informação que a TSF veio a revelar.

Tesla tinha preparado, no início de 1895, uma transmissão rádio entre Nova Iorque e West Point, numa distância de 50 milhas, mas um incêndio destruiu o seu laboratório, impedindo a experiência.

Em 1898, na inauguração do “Madison Square Garden”, fez uma demonstração pública de controlo remoto de um pequeno barco, no lago do jardim.

Em 1901 , com a ajuda do banqueiro J. P. Morgan, começou a construir o seu novo laboratório, denominado  Wardenclyffe, situado em  Long Island, que tinha associada uma grande torre metálica para apoio das suas experiências.

Laboratório Wardenclyffe (fonte: crystalink.com)

A disputa de patentes rádio entre Tesla e Marconi

Tesla obteve as patentes US 645576 de 20/03/1900 e US 649621 de 15/05/1900 que designou “Sistema de transmissão de energia eléctrica”, mas que não era mais que um sistema de rádio. Em 10 de Novembro de 1900 Marconi solicitou a sua primeira patente nos Estados Unidos que lhe foi recusada, alegando a utilização das ideias de Tesla, tal como aconteceu durante os três anos seguintes. Subitamente, em 28 de Junho de 1904, o “US Patent Office” contrariou as suas decisões anteriores e concedeu a Marconi a patente US 763772 de um sistema de transmissão rádio, usando circuitos sintonizados. Nessa altura parece ter sido o poderio económico  da sua companhia e o seu grande prestígio que influenciaram a decisão.

Em 1901, quando Marconi conseguiu transmitir sinais rádio entre as duas margens do Atlântico, os amigos de Tesla, preocupados com o protagonismo de Marconi em relação a Tesla, confrontaram-no com esse facto, tendo ele retorquido: “Marconi é um bom tipo. Deixem-no continuar. Ele está utilizando 17 das minhas patentes”[2]. Parece ter mudado de ideias uns anos depois, provavelmente despeitado com a atribuição do prémio Nobel a Marconi. Em 1915 interpôs uma acção judicial contra a “Marconi Telegraph Company of America” relativamente à propriedade da patente básica para transmissão de mensagens. Mas ,nessa altura, era demasiado tarde para Tesla. O poderio económico do oponente inviabilizou qualquer decisão a seu favor. Só em 1943, depois da morte de Tesla, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos considerou a patente de Tesla válida em detrimento da de Marconi. Infelizmente, uma vez mais, foram razões económicas e monetárias, e não razões técnicas, que estiveram na origem deste desfecho.  Marconi  tinha exigido um pagamento aos Estados Unidos, pela utilização da sua patente durante a 1ª Grande Guerra, o que foi considerado uma afronta e teve como consequência esta retaliação.

[1] Robert Lomas

[2] Eric Rhoads, “Just Who Invented the Radio”

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5 comentários a “Os Pioneiros da TSF – Nicola Tesla

  1. Até aqui, neste Blogue, parece predominar a tese de que o inventor foi Tesla e não Marconi, de acordo com a sentença do Supremo Tribunal dos EUA de 1943.
    Sobre este assunto tive ocasião de ler no Google, entrada “14 de Maio-1987 a primeira transmissão rádio da história”, o seguinte:
    “Em Outubro de 1943, a Suprema Corte dos EUA considerou ser falsa a reclamação de Marconi que afirmava nunca ter lido as patentes de Nikola Tesla e determinou que não havia nada no trabalho de Marconi que não tivesse sido anteriormente descoberto por Tesla. Infelizmente, Tesla tinha morrido nove meses antes.
    No entanto, e muito embora Marconi não tenha sido o inventor de nenhum dispositivo em particular (ao usar a bobina de Ruhmkorff e um faiscador na emissão, repetiu Hertz, e usou o radiocondutor de Branly na recepção, acrescentando a antena de Popov a ambos os casos) parece ser possível afirmar que Marconi é, na verdade, o inventor da rádio, visto que ninguém, antes dele, teve a ideia de usar as ondas hertzianas com o objectivo da comunicação.

    Donde parece poder concluir-se que o mérito de Marconi teri sido o de combinar vários processos para fazer, de facto a primeira comunicação rádio:

    Em que ficamos? Confesso que tenho curiosidade de ouvir, sobre isto, o parecer de alguns dos CHTs bem mais sabedores do que eu…

  2. Muito obrigado à Natasha pelo seu interessante comentário sobre Tesla.
    Sobre isso posso esclarecer que a Natacha é uma simpática jornalista sérvia, casada com um português, que vive em Aveiro, onde também está uma filha minha muito amiga do casal.
    O comentário da Natacha percebe-se pois Tesla é uma figura idolatrada na Sérvia, mas muito pouco conhecida e falada em Portugal, pelo que o post, naturalmente, a surpreendeu.
    Em relação ao Blogue é importante assinalar que se trata do o primeiro comentário apresentado por um estrangeiro, neste caso por uma mulher estrangeira (não sei mesmo se houve alguma portuguesa que já tivesse feito qualquer comentário)e, claro, por uma servia.
    Portanto, com a Natasha o Blogue deixou de ser exclusivamente masculino.
    Por tudo isto os nossos maiores agradecimentos.

  3. Parabéns pelo texto! Gostaria de adicionar: “Tesla nasceu na aldeia de Smiljan, Império Austríaco, perto da cidade de Gospić, hoje na actual Croácia, filho de pais sérvios.
    O seu certificado de batismo registra que nasceu a 9 de Julho de 1856, filho do Padre Milutin Tesla, presbítero da Igreja Ortodoxa Sérvia, Metropolitanato de Sremski Karlovci, e de Đuka Mandić. A sua origem paterna supõe-se que seja ou de um dos clãs sérvios locais na região do vale do Tara ou da nobreza herzegovina descendente de Pavle Orlović. A sua mãe, Đuka , filha de um padre da Igreja Ortodoxa Sérvia, era proveniente de uma família domiciliada em Lika e Banija, mas com raízes profundas no Kosovo. Era talentosa a fazer utensílios domésticos e memorizou muitos poemas épicos sérvios, mas nunca aprendeu a ler…”

    • Muito obrigado pelos dados biográficos que acrescentou. É interessante a alusão ao talento técnico da mãe, é natural que Tesla o tenha herdado.

  4. Sendo dos poucos CHT’s que se atreve a considerar vantajoso para a vitalidade do nosso Blogue apresentar comentários aos diferentes posts que vão aperecendo, antes propriamente de comentar este excelente post do Carlos Alves, julgo com interesse apresentar as razões desta atitude.

    Faço-o em primeiro lugar porque julgo que a apresentação de posts com qualidade, embora dêm trabalho a quem os faz, são valorizantes para o Blogue; em segundo lugar porque considero que o comentário ao post significa apreço e atenção para com o autor da iniciativa; a que entendo não dever ficar indiferente e em terceiro lugar porque considero que devo procurar apresentar aspectos que considero interessantes relacionados com o tema.

    Em relação ao post dedicado a Tesla pelo Carlos Alves julgo exemplar e demonstra que está a melhorar de post para post.. Parece confirmar-se o ditado que diz que a prática faz o mestre (Ele já era mestre mas não a fazer posts).

    A respeito do tema parece-me importante sublinhar que as patentes de Tesla são anteriores às de Marconi, sem margem para dúvidas. No entanto em Portugal parece-me que isso é ignorado.
    Sem por em causa os méritos de Marconi e a sua projeção científica e empreendedorismo empresarial à escala mundial, não posso deixar de confessar a minha surpreza ao não ter encontrado qualquer referência a Tesla no livro de 2007 e de indiscutível qualidade “Marconi em Lisboa, Portugal na rede mundial de TSF”, da autoria de Fernanda Rolo e Maria Inês Queiroz.

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