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A família RACAL TR-28


Artº do nosso leitor João Freitas, recebido por msg:

O artigo que vos trazemos é muito importante. Não o será devido à prosa, mas porque tomámos a liberdade de vos falar sobre um dos mais significativos aparelhos usados pelas nossas FA e em situação de combate real. Daqui a muitos anos, se pudermos voltar cá para lermos o que hipoteticamente se escrever sobre o conflito colonial de 61 a 74, verificaremos, certamente que haverá ainda referências ao avião “T-6”, à espingarda “G-3” e ao rádio “TR-28”. Talvez nessa altura, devido ao espaçamento do tempo, se possa fazer de forma desapaixonada a história do que se passou nas picadas e nos salões. Agora achamos que ainda é cedo.

Como já referimos em outras ocasiões, as dificuldades enfrentadas na obtenção de material de guerra durante o conflito colonial da década de sessenta e setenta, levou Portugal a demandar mercados que se distanciavam dos seus usuais fornecedores. Assim, procurámos apoio em países fora do âmbito da NATO. Alguns, como a África do Sul, reconheceram no esforço português a possibilidade de juntarem um bom negócio à protecção dos seus próprios interesses geopolíticos e estratégicos do momento.

Durante esses anos a fábrica Racal em Inglaterra e as suas empresas agregadas, das quais se destaca a  “Racal SMD” (1) na República da África do Sul, estão intimamente ligadas ao fornecimento de aparelhos de comunicações, seus diversos acessórios, assim como aparelhagem de teste para as Forças Armadas portuguesas. Destes fornecimentos sobressaem os aparelhos que hoje vos trazemos – os TR-28.

Ainda sobre as relações entre a “Racal” sede e a sua filial sul-africana, a seu tempo o governo inglês pressionará a primeira a largar esta filial, por causa do problema racial então vigente naquele país africano. Muitos engenheiros regressarão então a Inglaterra, em nada afectando a produção e a criação de novos modelos, pois o material humano sul-africano era de primeiríssima qualidade. Já com nova denominação e provando o que foi dito, emerge como grande fabricante de aparelhagem electrónica para diversos fins, incluindo o militar (para a aeronáutica).

Com o TR-28 deixamos de andar com as válvulas às costas, por muito pequenas que fossem. Com a sua originalidade e tecnologia entramos decididamente numa nova era. Portugal começa a receber estes receptores/transmissores para os três ramos das forças armadas em finais da década de sessenta. Permanecerão em serviço cerca de vinte cinco anos.

TR-28 do 1º modelo no leste de Angola

Os TR-28 (Transmitter-Receiver 28) são uma evolução dos conturbados RT-14B (da SMD) sendo este um dos primeiros aparelhos militares a utilizarem bandas laterais. Este tipo de modulação já era nessa altura (1965/66) um sucesso junto dos civis, mas era vista como uma curiosidade pela sociedade castrense, sendo a “Racal SMD” uma das responsáveis pelo seu desenvolvimento e aplicação táctica graças a um conjunto de engenheiros notáveis. Podemos dizer que o TR-28 é de facto idealizado numa noite, em Março de 1966 (2), sobre a mesa da casa de jantar de Ken Clayton – um dos responsáveis pelo seu desenvolvimento eletrónico- tendo por base os elementos do referido RT-14. Dessa noite até ao aparecimento do protótipo decorrerá uma semana! Nesse ano são feitos testes (de fábrica) em Angola no vale do Zambese e em redor da cidade de Salazar. Os primeiros modelos serão entregues a tropas da Rodésia em 1967 (3).

TR-28 do 2º modelo no norte de Moçambique

Sendo o TR-28 um rádio excepcional, é no entanto um aparelho desconhecido internacionalmente. A explicação para esta realidade reside, em nossa opinião, em diversos factos dos quais podemos realçar a já citada desconfiança com que então eram sentidas as bandas laterais aplicadas a aparelhos militares, e a pouca penetração no mercado internacional de aparelhos oriundos da África do Sul, quer fossem da Racal ou não! A utilização intensiva dada a este aparelho em Portugal (praticamente o seu único grande utilizador) não o ajuda a criar um lugar de destaque na história das comunicações militares, pois… a descolonização portuguesa era a última, e a novidade das independências já tinha perdido impacto, relegando para o esquecimento as armas os barões assinalados e os rádios.

Esta série de rádios de utilização ao dorso, veicular e fixa, opera em AM e bandas laterais (sup. /inf.), em voz ou grafia, dos 2 aos 8 Mc/s e com uma potência de 25/30W. A “família” TR-28 compreende cinco modelos principais (ver o quadro abaixo), todos eles com frequências fixadas a cristais. As diferenças, como veremos, não se ficam pelo número de canais e alterações a nível electrónico mas também pela forma exterior e cores com que originalmente vinham pintados.

1º Modelo do TR-28

1º Modelo (pormenor)

1º Modelo (detalhe da caixa de baterias)

Como vemos pelas fotografias, a primeira, segunda e terceira versão do primeiro modelo são todas elas, exteriormente, para além de iguais entre si, ligeiramente mais pequenas e uniformes do que o segundo modelo. Verifica-se então que o primeiro modelo não tem o painel de controlo a sobressair da sua largura geral (junto às pegas). Estas três primeiras versões do modelo inicial usam também uma caixa de bateria diferente (4). Internamente e comparando os diversos modelos, são relativamente pequenas as alterações a nível electrónico, sendo apenas de realçar as modificações realizadas na fonte de alimentação (5) e na adição sucessiva de encaixes para o sempre crescente número de cristais, o que vai obrigando a novas disposições internas.

2º Modelo do TR-28

2º Modelo (pormenor)

2º Modelo (detalhe da caixa de baterias)

Digno de nota e passando despercebido num primeiro olhar, é a curiosa e válida técnica utilizada na fabricação das caixas exteriores de todos eles, incluindo a caixa das baterias do segundo modelo. Se repararmos bem (e sem contarmos com os fechos e painel de comandos) notamos que são basicamente três peças (duas peças para as caixas do 1º modelo, e três + uma aparafusada para a sua caixa das baterias do 2º modelo) em liga leve coladas e prensadas umas às outras! A mesma técnica é empregue na fixação das duas pegas em todos eles. Apesar de parecer uma solução de fraca durabilidade em termos de uso militar, o tempo veio a confirmar amplamente o contrário.

Muitos TR-28 serão montados em Portugal na Standard Electrica/Centrel (sob controle da Direcção da Arma de Transmissões) com inclusão de componentes vindos da África do Sul via Lourenço Marques, tendo Portugal participado no desenvolvimento das versões de 36 canais. Praticamente todos os TR-28 traziam estampado no painel frontal de forma bem notória a indicação “EXÉRCITO PORTUGUÊS”. Assinalamos este facto pois é caso raro. Não podemos confundir esta indicação com as habituais letragens encontradas em pequenos autocolantes ou placas de alumínio, identificativas de outros aparelhos (ex. AVP-1). Esta indicação figurava em todos os aparelhos, independentemente da arma onde estivessem distribuídos. Até à data não vimos, nem tivemos conhecimento por qualquer forma, de nenhum outro rádio com tal menção.

Antena de fita

No que respeita a periféricos, saltam à vista dois sistemas de antena singulares. O primeiro compreendia um rolo de fio metálico, sustentado por um fino cabo sintético, enrolado num pequeno carretel de alumínio. Com a ajuda de um peso, lançava-se o fio de antena sobre uma árvore, sendo a outra extremidade (a do carretel) enfiada no alvéolo destinado à antena. Verdadeiramente original era uma antena baseada numa real fita de medida metálica (em polegadas e da marca “Starett”), rebitada a um suporte especial. Encaixada no alvéolo da antena do rádio, a sua distensão precisa, e posterior suporte num ponto alto, cortava-a de imediato para a frequência pretendida. O seu enrolamento era efectuado com a ajuda de uma pequena manivela exterior, como em qualquer boa fita de pedreiro! Apesar de prática não teve sucesso e foi poucas vezes utilizada, estando hoje em dia quase esquecida.

Conjunto das antenas mais usuais

Ainda sobre os acessórios, além das referidas antenas de fio, podíamos encontrar um dipolo, uma antena vertical de elementos de encaixar, um pescoço de pato, dois tipos de microtelefone/auscultadores, uma chave de Morse, um suporte veicular/fixo e diversos tipos de carregadores de baterias. Quanto a estes packs de baterias recarregáveis (Ni/Cad), eram compostos por 10 baterias de 1,2V, sendo possível o seu carregamento sem serem removidos do rc/tr, e com este em funcionamento. Não nos vamos esquecer de mencionar os excepcionais manuais de fábrica (em português), com esquemas diversos em papel vegetal para se poderem sobrepor a outros, de modo a determinar-se a posição dos inúmeros componentes eletrónicos. Ainda sobre os acessórios conhecemos cinco tipos de sacos de transporte, os primeiros em lona castanha (tipicamente inglesa) de fabricação sul-africana e de fraca qualidade, três de fabricação nacional em diversos tons de verde oliva e em lonas de padrões diferentes e um também nacional em “nylon” verde oliva. De todos eles fazia parte indissociável o alvéolo para guardar as varetas da antena.

Estes aparelhos vinham equipados com dois modelos de “placas capacitivas” – uma fazendo parte integrante das “costas” da mochila de transporte e outra destacada podendo ser guardada num bolso ou deixada por terra. Sem esta placa bem ligada à massa do rádio (servindo de plano de terra), prejudicava-se nitidamente os alcances esperados. Ainda sobre a sua potência relativa e apenas como mera curiosidade, e uma vez que a distância de quarenta anos os torna eternamente impunes de uma reprimenda, foi-nos dito por antigos operadores de rádio, que era possível acender um cigarrito na antena, quando em emissão.

Modelo sul-africano (diferentes botões, fichas e micro-telefone)

Sobre as cores com que eram pintados originalmente realça-se, nos modelos iniciais (Sul-Africanos), um verde-escuro brilhante (bronze green) característico das forças armadas britânicas. Na produção nacional e posteriores repinturas foram utilizados variados “verdes militares”, que vão de um “olive drab” escuro e brilhante a cores próximas do “RAL-6018”, sendo utilizadas em grande parte dos modelos nacionais tintas texturadas de qualidade. Como curiosidade já deparámos com exemplares repintados (?) de cinzento claro “Marinha” e azul “Força Aérea”.

Com um exterior completamente diferente, mas com componentes internos similares à versão militar “TR-28”, a Racal fez uma versão civil com a designação “TR-38D”. Chegámos a ela, a partir do seu manual técnico e de textos em folhetos oriundos do seu antigo representante em Moçambique (6), e por indicação de um técnico português que trabalhou na referida fábrica. Esta versão tinha frequências do espectro atribuído a civis, tendo sido utilizada por fazendeiros do interior das antigas províncias ultramarinas.

Na linha do natural desenvolvimento do TR-28 estaria em vias de concretização uma versão sintetizada (7), ideia germinada em Portugal por engenheiros da Standart Electrica/Centrel, mas que terá sido abandonada por causa de Abril de 1974 e o consequente fim das hostilidades em África.

Caminhando para o fim deste artigo, não vamos deixar de mencionar uma informação que nos foi dada há alguns anos, até porque um dos nossos leitores poderá ser a chave para a solução do mistério: de que a Força Aérea (Corpo de Tropas Pára-quedistas) teria tido uma versão específica do TR-28B2 (ver quadro abaixo), com uma caixa de bateria mais pequena, para tornar o rádio mais leve! Até ver, esta interessante indicação – apesar da veemência incontornável com que nos foi dada – nunca obteve confirmação por parte de fontes seguras pertencentes às Tropas Aerotransportadas e com responsabilidade nos seus antigos sistemas de transmissões, nem em militares ou civis ligados à linha de montagem portuguesa.

Os rádios que hoje utilizamos não são de geração espontânea. Tiveram toda uma evolução e essa evolução marcos de referência, como o aparelho de que tratámos hoje. Basta reparar, apesar da distância no tempo, na origem e na técnica, nas semelhanças físicas existentes entre o TR-28 e o “nosso” recente P/PRC-425 que o vem, em parte, substituir, para verificarmos que quem concebeu esteticamente este último deveria ter tido como referência sobre o estirador um velho TR-28!

Lista dos modelos Racal TR-28

(Esta listagem é de nossa responsabilidade, não tendo nós conhecimento de que alguma vez tal tivesse sido feita, apenas foi encontrada informação fidedigna que a advogasse em parte. A conclusão a que chegámos, e que vos apresentamos em 1ª mão, resulta da observação de muitas dezenas de aparelhos e seus acessórios, de vasta literatura técnica e promocional de origem nacional e estrangeira lida nas linhas e entrelinhas, e de indicações amavelmente cedidas por antigos militares de diversa hierarquia ligados à sua montagem, reparação e utilização táctica no continente e no antigo ultramar, assim como de civis relacionados directamente com a produção nacional.)

1º Modelo/1ª versão: RACAL TR-28A, 12 frequências (c/ 12 cristais CR18U), 25W de saída, indicações de comandos em inglês ou português, com ou sem a indicação “Exército Português” no painel.

1º Modelo/2ª versão: RACAL TR-28A2, 12 frequências (c/ 12 cristais CR69U), 25W de saída, indicações de comandos em português, com ou sem a indicação “Exército Português” no painel.

1º Modelo/3ª versão: RACAL TR-28B, 24 frequências (c/ 24 cristais CR69U), 25W de saída, indicações de comandos em português e menção “Exército Português” no painel. Esta legenda aparece também no 2º modelo.

2º Modelo/1ª versão: RACAL TR-28B2, 24 frequências (c/ 24 cristais CR69U), 30W de saída, nova apresentação exterior e modificações a nível electrónico

2º Modelo/2ª versão: RACAL TR-28B2, apesar da mesma nomenclatura, tem 36 frequências (c/36 cristais CR69U), redisposição interior por causa do aumento do nº de cristais, em tudo o mais é idêntico ao 3º modelo. Nestes aparelhos era acrescentado ao painel de comando um pequeno autocolante com a indicação “36 canais

3º Modelo: RACAL TR-28C (?), possível versão sintetizada, que nunca terá passado da fase conceptual.

Notas:

(1) A firma sul-africana sediada em Durban  “Radio Electro-Equipement Co.“,  dá lugar em 1937 à firma “S. M. D. Manufacture Co.” (SMD são as iniciais dos nomes dos seus três fundadores: Steel, Madison e Dainty).  Em 1963 dá-se a fusão desta casa com a britânica “Racal Electronics”, passando-se a denominar “RACAL SMD”. A esta fusão segue-se a mudança da sede, de Durban para Pretória. Em 1969 muda outra vez de nome, passando a chamar-se “Racal Electronics South Africa Ltd.” ou apenas “R.E.S.A.”. Actualmente estas firmas já não existem, estando a “Racal Electronics” inglesa englobada na “Thales Group”, e a “Racal Electronics South Africa Ltd.” no grupo “Grintek”. Quando em 1963 se deu a fusão da “SMD” com a “Racal”, uma pequena parte da “SMD” constitui uma nova empresa, ligada ao grupo industrial Barlows, dedicando-se ao desenvolvimento e fabricação de aparelhagem para comunicações aeronáuticas e rádios civis de grande qualidade (Barlows Wedley)

(2) “The SSB manpack and his pioneers in South Africa” 2ª parte, em Radio Bygones nº 94

(3) Por tropas denominadas “Rhodesian African Rifles” em “Bush telegraph” de Gordon Munro e Henton Jaaback, de 2002

(4) O segundo e último pack de baterias, apesar de ser feito de três peças coladas (ver texto), era incomparavelmente muito mais robusto do que o primeiro modelo (feito de uma única peça). Devido à sua posição, o pack de baterias é o primeiro a sofrer os impactes no solo, de todo o conjunto.

(5) Talvez a principal fonte de problemas neste aparelho, a par de um relais de fácil substituição e a fusão de cablagens em climas muito quentes, chegando a ser feitas cablagens de recurso em plena zona de operações (Apontamento referido por alguns radio montadores)

(6) Representantes da “Racal Electronics South Africa Ltd.” em 1970:

Portugal continental: Ondex Representações Electrónicas Ldª. (Lisboa)
Angola: Racal Electronica Ldª. (Luanda)
Moçambique: Construtora Rádio Eléctrica Ldª. (Lourenço Marques)

(7) Não sabemos se seria a versão “TR-28C”, referida em boletins da Academia Militar.

João Freitas

(Texto tirado e adaptado de um artigo nosso que saiu na revista “QSP”)

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23 comentários a “A família RACAL TR-28

  1. Boa noite
    Fui militar em Moçambique, Cabo Delgado, e gostaria de conhecer um pormenor acerca deste rádio transmissor.
    Seria possível em 1970//3, localizar a origem de transmissão do Racal TR-28, e as suas coordenadas?
    Obrigado

    • Sim, desse ou de qualquer outro rádio, através da Guerra electrónica, por triangulação, embora pouco usada por nós no ultramar. Consistia basicamente em ter 3 receptores de qualidade, com antenas direccionais, localizados em 3 locais diferentes, em que cada um dava o azimute da emissão e a intersecção das 3 linhas dava o local onde se localizava essa emissão. Por falta de recursos, foi raramente usada.

  2. Hi,
    concerning the picture of the South African TR-28B I have to make some comments. Yes, the radio was made by Racal SMd in Pretoria / South Africa, but not the way the picture shows. I owned the radio some time ago and rebuilt it. The face plate is home made as well as the capacity plates. The radio is repainted, the audio connectors replaced by standard military type U-79/u receptacles. The handest is a Swedish one, modified to fit the radio. The carryind bag is a British one. As the antennas and all additional equipment was missing I mase my own. The also missing battery case was homemade, including a built-in battery charger. The rechargable batteries are placed in a battery carrier of a SEM-35 radio. As the battery box is made for 12 size “D” batteries, and the radio only needs 10 of them, a dummy battery replacement was made to fill the empty space inside the battery container. Some more modifications are made by me. So the radio is an unique one and never was produced in series or used by the military. So far concerning the rumors about this radio .

    • Dear Mr Hermanns
      This really is a small world. Thanks for all this precious information on the “south-african” TR-28 model displayed. I’ll alert the author of the post, in case he wants to contact you for any further exchange of information on this model.
      P.S. – your msg, as any other, has to be approved prior to be shown. I have been away for the weekend, sorry for the delay.
      Best wishes,

  3. Chegou-me recentemente ás mãos um equipamento TR28, o qual gostaria de restaurar, de preferência mantendo o aspeto e funcionamento como original. Nesse sentido, venho deste modo solicitar ajuda de alguém que conheça o equipamento, do ponto de vista de funcionamento e operação, de forma a poder levar a cabo a minha pretenção.
    Possivelmente, este não será o local indicado para colocar este tipo de comentário, pelo que apresento desde já as minhas desculpas, mas impossibilitado de o poder fazer de outra nao me restou outra alternativa.
    Se, eventualmente, alguém possouir alguma informação, agradeço o contacto para sergiodomingos@sapo.pt.

    Atempadamente grato
    Sergio

  4. Boas a todos:
    Necessito do esquema do TR28 B2 de 36 canais.
    Será que alguém mo poderá arranjar, com todas as despess por minha conta, claro! Pode ser digitalizado se preferirem.
    Obrigado
    Jose

  5. Fui TRMS de infantaria em Moçambique na ccs BCAC4215 andei com ele as costas e nunca me deixou mal o unico contra que tinha era um pouco pesado o radio a G3 e a ração de combate para 4 ou 5 dias era um peso enorme

  6. Aqui estou a recordar a minha passagem pelo BTm 361, fiz parte da 1ª incorporação após a criação deste Batalhão.
    Estive na oficina de manutenção do equipamnto de Transmissões onde fiz parte da equipa de manutenção e o TR28 entre outros fez parte das minhas actividades de manutenção.
    Mais tarde e após a independencia de Angola, fiz parte dos quadros da Racal Electronics South Africa (R.E.S.A.) onde contactei mais profundamente com o famosos TR28 e tambem o AN-GRC9 entre outros.

    • Ex.mo Sr
      A sua passagem pela RACAL pode ter-lhe dado informações e dados preciosos para a história desses dois rádios, mas também da colaboração dessa empresa com as FFAA portuguesas. Se for o caso, não quer escrever um pequeno post, como colaboração histórica de alguém que conheceu a empresa por dentro? Terei muito gosto em o publicar.

  7. Fui radio montador no exercito tendo reparado e montado muitos Racais TR28 na EPC nos M24, M47, Chaimites, Panhards e jeeps. Pelos conhecimentos aqui referidos, acho que nada mais tenho a dizer. Parabens pelo vosso trabalho, nomeadamente o do Sr João Freitas.
    Por acaso o Sr Freitas não era dos feixes hertzianos dos CTT?
    Saudações a todos.

  8. Fui soldado de TRMS em Angola de 1972 a 1974, realizei muitas operações apeadas com o TR 28 às costas. Foi-me muito bastante útil, nomeadamente como rádio fixo, no grande ataque desencadeado pela FNLA ao posto fronteiriço do Luvo em 29 de julho de 1974. Foi graças a este rádio, que entrei em contato com a sede da C. Cav. 8453 e, atravéz dele comunicar as coordenadas que deveriam ser bombardeas. Bombardeamento de tal modo eficiente, que provocou ao In. pelo menos 5 mortos abandonados na fuga.

  9. Fui radio montador no batalhão de cavalaria Ás de Espadas leste de Angola Cangamba, conheci este radio perfeitamente por dentro, reparei muitos, modo de afinação para saber se ele estava com a saida de potencia maxima, colocava a uma distancia de 5 a 7 cm da antena o meu dedo indicador, quando transmitia a faisca saltava até começar a queimar o dedo, eu tinha a certeza que já estava com maximo de saida

  10. Este foi o rádio que mais me apaixonou até aos dias de hoje. Na qualidade de Rádio Amador, tenho procurado adquirir um mas é como procurar uma agulha num palheiro. Porém, não me dou por vencido. Saudações.

  11. É com o maior gosto que registo a participação do tenente-coronel Viegas de Carvalho neste Blogue, referindo a utilização do RACL TR-28 na Cooperação com a República da Guiné Bissau.

    Apenas duas breves considerações.
    A primeira é para referir uma outra utilização pouco conhecida do TR-28 no período pós guerra colonial que foi o facto de ter sido invocado que a utilização da sua caixa podia ser usada na construção do P/PRC-425 (o que não chegou a verificar-se), com vista a baixar o custo do novo equipamento.

    A outra é para referir que o que conheço da cooperação com a Guiné Bissau na área das Telecomunicações Militares leva-me a considerar que este Blogue muito ganharia se a história dessa cooperação fosse contada e que o tenente-coronel Viegas de Carvalho talvez seja a pessoa que melhor o possa fazer, caso se disponha a isso.

    • Senhor Pedroso de Lima
      Realmente quem concebeu esteticamente o “425”, deveria ter sobre o estirador um TR-28.
      Não falamos nas dimensões gerais, que eram na altura as aceites e tidas como as convenientes para o que se pretendia e que a técnica permitia, mas a uma espécie de evolução natural do desenho.
      O mesmo se deverá ter passado com o anterior 20TPL (de má sorte!), mas neste caso a nível da disposição interior, fundamentalmente em relação à solução encontrada para a sintonia de antena e zona dos cristais.
      Pensamos que este aparelho (o 20TPL) foi um marco Nacional muito significativo em relação à nossa maneira peculiar de entendermos o que é um aparelho militar de transporte ao dorso. Será impossível olhá-lo e não o reconhecer como um desenho nosso!
      Isto dos rádios militares tem cada coisa !
      João Freitas

  12. Este trabalho sobre o equipamento TR-28 é importante para a história das transmissões durante a guerra colonial. É preciso dizer que depois da guerra colonial as unidades territoriais receberam estes equipamentos e nunca chegaram a tirar o rendimento deles, razão porque foram abandonados. O Projecto de Transmissões na Republica da Guiné-Bissau recupoerou-os e criou várias redes na Guiné-Bissau iniciando um trabalho notável iniciado em 1995 até aos dias de hoje com grande sucesso cobrindo todo o território. Infelizmente a Cooperação Militar com a Guiné-Bissau foi suspensa em 2010 o que inutiliza esta aventura e abandona cerca de 300 equipamentos, acessórios e peças sobressalentes.

  13. Foi com enorme satisfação que li este post do sr João Freitas. Isto resulta do facto de o aparecimento do TR-28 em Angola, na então Região Militar de Angola (RMA), se ter verificado durante o periodo em que fui oficial de operações do Comando das Transmissões daquela RM. Vivi todo o processo de desenvolvimento da escolha do equipamento que mais se adequaria ao tipo de operações e de unidades militares que nelas eram utilizadas. Foram inúmeros os equipamentos ensaiados e testados (mesmo em operações reais) até se chegar à decisão de escolha do TR-28. Uma das características mais interessantes e importantes daquele Em/Rec era o do seu número de canais (24) que permitiu uma criteriosa escolha de frequências e sua distribuição e a atribuição desses canais a um conjunto de “redes” que permitiam (sem que fosse necessária qualquer alteração de frequência) a utilização de qualquer Em/Rec em qualquer operação e na necessidade de interligação das unidades intervenientes e dos correspondentes apoios. As Normas de Execução Permanente (NEP´s) de Transmissões continham o mapa da distribuição das redes rádio pelos 24 canais do TR-28, nominalmente mas sem indicação de qualquer valor das respectivas frequências, o que permitia a qualquer utilizador-operador do Em/Rec TR-28 com toda a facilidade entrar em rede em qualquer circunstância. Foi, de facto, um equipamento de transmissões de campanha que solucionou satisfatòriamente a enorme dificuldade com que o Exército Português se confrontou nos primeiros tempos da Guerra Colonial. Apenas tinha um “pequeno” contra : pesava 9,8 kg e, ao fim de algum tempo de caminhada no mato….. a vírgula caía!!!

  14. Este post do sr. João Freitas constitui um excelente e cuidado trabalho de investigação sobre a génese do Racal TR-28 que vem de novo chamar a atenção para um rádio que foi incluído nos “8 magníficos”.

    O Racal TR-28 merece pois foi a solução finalmente encontrada para substituir o AN/GRC-9. fiável mas dificilmente transportável a dorso.

    A este respeito a minha sugestão é que se encare a eventual publicação de um documento que existe no Arquivo da CHT da autoria do coronel Silva Ramos que em Angola participou com engenheiros da Racal no desenvolvimento deste equipamento.

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