O BTm 2 e o Destacamento do STM em Moçambique- Dispositivo Final


A retirada de um teatro de operações constitui uma operação delicada e que exige grande disciplina, um bom planeamento e a conjugação favorável de vários fatores externos.  O facto de ter vivido essa experiencia em Moçambique em 1975, com a evacuação da componente Transmissões, leva-me a relatar esses momentos com dados e imagens únicas, o que farei aqui em curtos apontamentos, esperando que os meus amigos que passaram pela experiencia complementem com novos dados ou imagens.

O Batalhão de Transmissões 2 foi criado em 1968 tendo sido o seu primeiro comandante o TCor Ivan Serra e Costa/ Maj Pereira Pinto ( Ver livro “As Transmissões da Guerra Peninsular ao 25 de Abril” ).

Em 30 de Abril de 1975, com o seu ultimo Comandante TCor Gois Ferreira, já na metrópole a chefiar a comissão liquidatária, e o 2º Cmdt Maj Amaral Marques em Lourenço Marques, coube-me a mim, Capitão João Martins Alves, chefe do destacamento do STM, não só entregar a  unidade à Frelimo como chefiar o agrupamento de Transmissões que se manteve até ao ultimo dia e regressou na componente do comando no dia D ( 25 de Junho de 1975).

Por agora fiquemos pelo dia 30 de Abril de 1975 na cerimónia de passagem de testemunho.

O nosso efetivo era de 2 Oficiais, 19 Sargentos, 49 cabos e 21 soldados.

Foi perante a formatura das forças Portuguesas comandadas pelo Capitão Martins Alves e da Frelimo comandadas por Cornélio Focas que após breves palavras da minha parte teve lugar a cerimónia do arrear da bandeira (1º Sarg  Hilário).

          

As palavras:

“Este é o momento simbólico da entrega das instalações deste batalhão às Forças Populares de Libertação de Moçambique. Devo dizer que é com orgulho que o faço, considerando-o uma honra. Neste momento devo salientar a contribuição que foi dada para um processo de descolonização que se vai processando com uma dignidade exemplar. Nestes meses de convivência neste batalhão, portugueses e moçambicanos, fomos protagonistas de páginas brilhantes da nossa história comum e que demonstra a aproximação do nosso ideal, hoje felizmente comum, no que respeita ao ideal democrático da libertação dos povos. Nestes últimos tempos em que partilhámos as instalações não estivemos aqui para sermos agradáveis ou captar simpatias, cumprimos um dever, transmitimos o nosso saber, a nossa determinação. As nossas atividades neste batalhão não são fáceis, pois, dia a dia surgem problemas que pacientemente têm que ser superados. Entregamos materiais e instalações, e os inerentes problemas técnicos, que dão enfase ao nosso trabalho à nossa atividade.
Acrescento nesta entrega, a nossa amizade e saudações sinceras.”

As pessoas:

Esta é a lista dos últimos elementos de Transmissões primeiro em Nampula e que na madrugada de 1 de Maio saíram para Nacala, e depois a relação daqueles que constituíram o ultimo agrupamento em Moçambique e que saíram de Nacala, Beira e Lourenço Marques em 24 de Junho de 1975 (‘Clicar’ em cima das imagens para ver a lista dos nomes).

    

Um apontamento final para este dia 30 de Abril, dia da entrega das instalações, em que após a entrega, os dirigentes da Frelimo se retiraram e “cederam” as instalações para descansarmos por umas horas e partirmos durante a madrugada de 1 de Maio para Nacala. Embrulhadas as armas em mantas e os últimos caixotes embarcados no “machibombo” aí fomos nós rumo a Nacala onde fomos hóspedes do BART 6224 comandado pelo Maj Possidónio.

Próximamente publicarei as listas das últimas guarnições do STM em Mueda, Marrupa, Quelimane, Mocuba, Tete, Vila Cabral e Porto Amélia.

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5 comentários a “O BTm 2 e o Destacamento do STM em Moçambique- Dispositivo Final

  1. Boa tarde Coronel,
    Estive na entrega do Btm. em Nampula em 30 de Abril, estou na foto gostaria muito de falar com o Sr.

  2. Apenas um pequeno esclarecimento relativo ao primeiro Comandante do BTm2 em Moçambique (Lourenço Marques) que foi o então major Pereira Pinto. No livro citado ( pág. 280) essa informação está correta.
    O mesmo não acontece a pág 151 onde a redação se presta a confusões. O que de facto aconteceu foi que o tenente-coronel Ivan Serra e Costa estava para ser comandante do Batalhão mas nao chegou a sê-lo pois foi para Nampula para Comandante das Transmissões.

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