Philips Type 76


‘Post’ do nosso leitor João Freitas, recebido por msg:

Ao longo dos anos dedicados a esta matéria temos naturalmente encontrado aparelhos que são verdadeiros bicos de obra. Não só escasseia informação, apesar de muitas horas na sua busca e de inúmeros contactos estabelecidos, como muitas vezes ela é pura e simplesmente inexistente. Embora cientificamente não seja correcto, temos de nos servir da experiência (desculpem a imodéstia) para adivinhar o que nos falta. Creiam-nos que a muitas vezes em que, posteriormente, obtivemos confirmação das nossas suposições, verificámos que tínhamos razão, ou estávamos perto dela. Apenas nesse momento passamos a texto esses factos.

Esta realidade não nos pode privar de apresentar aparelhos de que tenhamos pouca informação, que sejam muito pouco conhecidos ou de que tivéssemos tido apenas poucas unidades. Tudo faz parte de uma história que queremos global. Como até ao início dos nossos artigos, tudo o que foi escrito sobre os rádios militares tácticos em Portugal, foi escasso e muito disperso, é nossa vontade que este trabalho de base sirva para alguma coisa no futuro. Porque não somos, nem queremos ser detentores da verdade, encontramo-nos totalmente disponíveis para o debate esclarecedor.

O rádio que hoje vos trazemos é um desses mistérios. Não sendo conhecido em parte nenhuma do mundo, nem havendo, aparentemente, referências acessíveis. No que respeita a Portugal tivemos cerca de uma dezena de “Type 76” que não terão entrado ao serviço activo, servindo apenas para serem experimentados tendo em vista uma possível compra de mais unidades no futuro. Se apenas foi essa a razão da sua permanência no nosso País, e pensamos que sim, estranhamos um número tão elevado de transreceptores, o que nos leva a pensar que, apesar de terem vindo para experimentação, terão sido de facto comprados.

O “Philips Type 76” tem origem, como o próprio nome indica, na conhecida fábrica holandesa, sendo fabricado especificamente na sua filial na África do Sul a “Philips Telecommunications Ltd.”(1). É basicamente um transreceptor de transporte ao dorso, com uma gama de frequências compreendida entre os 2 e os 12 Mhz, separada em 10 canais comandados a cristais, nos modos AM / CW / SSB.

Ainda voltando ao seu fabricante, temos que reparar que não se notabilizou no específico campo das comunicações militares tácticas, nem Portugal teve nele um fornecedor habitual deste tipo de aparelhos. Ao juntarmos a esta realidade o facto de na altura do seu aparecimento as nossas FA, devido ao material já existente, a acordos e por tradição, terem outras opções mais lógicas, torna o “Type 76” digno de nota.

A sua construção modular, diversas blindagens eletrónicas, fabricação muito cuidada, excelente apresentação e baixo peso (10Kgs), são deitados por terra por um saco de transporte de fraquíssima qualidade e resistência, de lona muito fina e alças de transporte perfeitamente ridículas. Em nosso entender, e desconhecendo se nos testes efectuados se terão descoberto falhas graves e persistentes a nível electrónico, esta má qualidade da sua “mochila” a par de ser um aparelho completamente desconhecido, naturalmente caro e ter como contemporâneos os Racal TR-28 (2), terão determinado o seu abandono.

Será de realçar o facto de este aparelho possuir diversos módulos do tipo cassete, de fácil extracção para análise e reparação (ver fotografia). Ainda sobre as possíveis reparações pode-se dizer que o acesso a todo o rádio era muito fácil, devido a um cuidado planeamento.

Da Philips, na África do Sul, recebemos um e-mail informando que, apesar de o reconhecerem como “seu”, nada tinham em arquivo sobre este aparelho. De um amigo e importante coleccionador holandês (Menno Putman), o e-mail que recebemos também foi totalmente negativo em relação ao conhecimento do Type 76, mesmo após este ter inquirido os arquivos da sede Philips, onde tem excelentes contactos, e outros colecionadores do seu país.

Este interessante rádio deverá ter chegado a Portugal no final da década de setenta acompanhado pelos seus excelentes dois manuais técnicos. Após uma curta experiencia/utilização, são arrumados numa prateleira do extinto depósito de Linda-a-Velha onde ficam esquecidos durante anos até serem vendidos para sucata em 2002/2003.

Ainda sobre a sua permanência em Portugal, alguns nem terão sido usados/experimentados, tal era o grau de apresentação dos seus diversos acessórios. Quase a totalidade dos que vimos, sofriam da deterioração da pintura, corrosão e danos no saco de transporte, junto à união da caixa das pilhas (3) com o rádio, motivadas pelo derramamento dos componentes químicos das baterias de Cad/Nic, apontando um total desinteresse nestes aparelhos há muito tempo.

João Freitas

Notas

(1) Informações tiradas do seu manual de origem (volume 1). Este “MT” é dedicado às especificações, instruções de operação e manutenção. Houve um segundo manual (volume 2) dedicado á reparação.
(2) Referimos o Racal TR28 no plural, porque tivemos vários modelos e dentro deles várias versões deste aparelho. Este tema ficará para um extenso artigo em preparação.
(3) O conjunto, recarregável, tinha a tensão de 24V.

Artigo publicado na revista de rádio QSP

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5 comentários a “Philips Type 76

  1. Boa noite
    Tenho também um destes Rádios Philips Type “76” na minha colecção está como novo, comprei numa feira já á alguns anos mas infeliz-mente não consegui uma bateria nem mesmo o diagrama de ligação dos 4 fios .
    Se alguém me conseguir uma mesmo sem elementos ficar-lhe ia muito grato .

    Bem hajam todas as pessoas que criaram esta fonte de informação sobre a História das comunicações Militares em Portugal .

    António Silva

  2. O texto deste post, dedicado ao equipamemto portátil Phillips type 76, permite explicar as razões que levaram ao seu completo esquecimento por parte do Exército.

    Com efeito julgo tratar-se de uma das tentativas fracassadaspara encontrar um equipamento portátil adequado na Guerra Coloinial, que o TR-28 resolveu de forma brilhante,

    • Boa tarde, possuo um Philips type 76 incompleto, mas o que preciso é saber se tem por ai os manuais de utilizaçaõ, caso seja positivo, gostaria de saber se pode ceder ou vender uma cópia do mesmo.
      obrigado pela atenção.
      Arlindo Ferreira
      arlindo.ferreira@iol.pt

        • Ex.mo Senhor Coronel José Manuel Canavilhas

          O meu muito obrigado pela resposta, irei contactar com o autor do artigo prontamente.

          Arlindo Ferreira

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