A CTm 5 na UNAVEM III


O DGMT foi responsável pela organização e sustentação da CTm 5, integrada na UNAVEM III, tendo em 01Jul97 continuação na MONUA (Missão da Organização das Nações Unidas para Angola). A presença da CTm 5 no território de Angola, decorreu da Resolução N.º 976 de 8 de Fevereiro 1995 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A resolução estabeleceu a missão da UNAVEM III que visou assegurar o respeito pelo cumprimento do cessar fogo, mediante o acompanhamento, verificação, investigação e inspecção das actividades previstas no protocolo de Lusaka.

O antigo 2º Comandante do BTm 4, Maj Eng Tm Joaquim Humberto Arriaga da Câmara Stone foi, após o seu regresso a Portugal, convidado para comandar a Unidade de Transmissões que viria a fazer parte da UNAVEM III, e que foi desde logo designada por Companhia de Transmissões N.º 5.

No dia 20 de Março de 1995, o Major Stone recebia das mãos do Presidente da República, Dr. Mário Soares, o Estandarte Nacional, em cerimónia que se realizou nas instalações do antigo Regimento de Comandos na Amadora. Esta cerimónia contou também com a presença do Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, Almirante Fuzeta da Ponte, e do Chefe de Estado Maior do Exército, General Cerqueira Rocha.

O deslocamento do pessoal da Companhia para Angola, foi executado em duas fases. A primeira teve lugar no dia 12 de Maio de 1995, composta por 11 elementos e chefiada pelo Comandante da Companhia. Foram recebidos no aeroporto “4 de Fevereiro” pelo Adido de Defesa em Angola. A segunda fase, composta pelos restantes 87 militares, chegou a Luanda em 26 de Maio enquadrada pelo Segundo Comandante da Companhia.

Embarque do material da CTm5

O material foi transportado por mar, no navio “Dragasani”, fretado pela Organização das Nações Unidas. Foi carregado no cais de Alcântara no dia 10 de Maio e partiu de Lisboa a 13 de Maio, chegando a Luanda no dia 28. Para acompanhar o material seguiram no navio 4 militares.

À chegada, o pessoal ficou instalado no Campo de Trânsito em Viana, até dia 30, quando se deu o seu deslocamento para Belas. Nesse dia nasceu o estacionamento da CTm 5.

A Missão atribuída à CTm 5 assentou essencialmente num interface em comunicações entre os 6 Quartéis Generais Regionais e o Quartel General da Força em Belas, Luanda, e consistia em:

• Fornecer comunicações triangulares entre “Nações Unidas – Governo de Angola – UNITA”;

• Fornecer 63 operadores de rádio fluentes em inglês e preparados para operar centros de comunicações;

• Instalar, operar e manter Centros de Comunicações nos QG regionais e, com limitações, no Centros de Comunicações do Quartel General da Força;

• Fornecer assistência na instalação, manutenção e reparação do material de comunicações e infra-estruturas associadas;

• Fornecer, em casos especiais, assistência na reparação de material crítico local da ONU e de Angola.

As comunicações implementadas foram as seguintes:

• Rede Nacional de Comando com equipamentos de HF, entre o Quartel General da Força (Luanda) e os Quartéis Generais Regionais ( Uíge, Saurimo, Huambo, Menongue, Lubango, Luena )

• Rede RATT, que constitui reserva aos meios de comunicações da ONU, servindo também de Rede de Comando da CTm 5 na ligação aos Centros de Comunicações.

• Comunicações via satélite INMARSAT, com o sistema CAPSAT, que permitiu o tráfego de mensagens sob a forma de ficheiros.

• Comunicações via satélite INTELSAT, que permitiu o tráfego telefónico e fax.

• Comunicações para a retaguarda (Portugal) pelo sistema POSAT-1, que permitiu o envio de ficheiros para outras estações do mesmo tipo.

• Comunicações para a retaguarda (Portugal) via HF, permitindo fonia e RATT para as outras estações da rede.

O pessoal da CTm 5 foi sendo renovado em várias rotações, ocorridas aproximadamente em períodos de 6 meses. Apesar dessas rotações, a maior parte do pessoal quis continuar por vários períodos sucessivos. Em 19 de Dezembro de 1996, assumiu o Comando da CTm 5 o Maj Eng Tm Carlos Manuel Dias Chambel, vindo a ser substituído em 26 de Novembro de 1997 pelo Maj Tm Ricardo Jorge Ferreirinha de Araújo Costa.

A CTm 5, à semelhança do que havia acontecido com o BTm 4 em Moçambique, tornou-se um local obrigatório de visita de todas as entidades que visitaram Angola, entre as quais se realça o Presidente da República Portuguesa, Dr. Mário Soares, em 10 de Janeiro de 1996 e o seu sucessor, Dr. Jorge Sampaio, em 09 de Abril de 1997.

A CTm 5 organizou inúmeras cerimónias, muitas das quais em apoio da própria Missão das Nações Unidas e de outras unidades da mesma. As datas festivas portuguesas, Dia de Portugal e 1º de Dezembro, foram sempre comemorados com cerimónias especiais cheias de dignidade e brilho, procurando associar a elas a Comunidade Portuguesa radicada em Angola.

O relacionamento com as populações locais  pautou-se pelo respeito e amizade, apoiando na medida do possível, algumas organizações não governamentais de solidariedade social e contribuindo para o fortalecimento da amizade entre os povos de Angola e de Portugal.

Texto baseado no Anuário do DGMT de 1997

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15 comentários a “A CTm 5 na UNAVEM III

  1. Boas Camaradas,

    Foi uma experiencia unica e da qual tenho saudades. Vejo aqui uma série de nomes familiares com os quais partilhei esta experiencia.

    Quanto aos convivios, tenho pena de não ter participado em nenhum, mas também nunca recebi informação dos mesmos. Existe alguma mailing list? quem costuma organizar os convivios?

    Um abraço,

  2. Olá viva ! Caros camaradas de armas do Btm 4 ( ctm 3 / ctm 1 ) Onumoz ( nampula / Maputo ) e da Ctm 5 ( Unavem III – Monua ) Angola ! A todos os srs . Oficias ; Sargentos e claro Praças ( especialmente aos Cabos adjuntos como eu ) desejo tudo de bom na vida . Mas caros camaradas só soube do convívio no Reg. Trms no Porto no dia 30 Maio 2015 , depois de ler o correio da manhã !! Srs náda me foi dito … Afinal também lá estive ! Ou seja Fiz parte dessas companhias e batalhão d Trms … Ate breve . Hermínio Marinheiro ( ex -cabo adjunto ) .

  3. Ola boa tarde amigos ja se passaram alguns anos mas este infante continua aqui presente bem aja a todos cabo adj. gamboa

  4. Olá amigo Rente, belos tempos que passamos em angola já la vão uns aninhos vai dando noticias um abraço para a malta da ctm5
    1.cabo moreira,o nosso amigo castanho continua em grande

  5. boas camaradas.sou o figueiredo cabo adjunto. estive no inicio do btm4 e da companhia.btm4 refugio da cobra. costa, fernando monteiro , ctm5 lourenco, cabral cozinheiro. rente estive contigo no mne. a todos da familia tms um abrco

  6. um grande agraço a todos camaradas da ctm5 pois estive la 2 anos adj andre e tenho bastante saudade de velhos camaradas e amigos do peito

  7. Ora Vivam! Descobri neste momento este espaço dedicado á CTm 5, da qual fiz parte de Maio a Dezembro de 1995! Lembro os primeiros dias passados em Viana, e depois o montar da Companhia desde o zero, no Futungo de Belas. Adorei o Lubango e o Saurimo especialmente, passei momentos inesqueciveis, momentos bons e claro tambem menos bons! Adorei a experiencia e sonho voltar a Angola revisitar o conhecido e visitar um pouco do que não vi. Tive bons Camaradas, como o Vieira, alguns outros o nome já esqueci. Fiquem bem!

  8. Fiz parte desta Companhia de dezembro de 95 a dezembro de 96. Tempos de grandes amigos e camaradagem sem igual!! Lembro-me bem de ti camarada Rente! 😉

  9. Olá caros camaradas. Sou o patafurdio nº 1 (Marinheiro) NAMPULA e tambem na CTm5 ( LUANDA ; HUAMBO; LUENA ) a todos Saudações e ate breve.

    • caros amigos e camaradas de armas , quando houver algum evento – convivio da ONU btm 4 – ctm 3 – ctm 5 . Por favor colocar nesta pagina ou então enviem para o meu Email ( herminiomarinheiro@gmail.com] obrg . Bip Bip Trms . ate breve . Herminio Marinheiro ( Ctm 3 – Ctm 5 / ONU ) Patafurdio nº 1 .

  10. Lembro-me perfeitamente de ver essa maquete a ser feita e gostava de a ver novamente. Também gostava de ver editada a História da Ctm5 da qual fiz parte desde o 1º dia.

  11. A respeito da CTm5 apenas dois apontamentos . O primeiro é para lembrar que existe uma excelente maquete desta unidade que estava exposta na Coleção Visitável do RTm, na sala do DGMT que hoje está desativada, havendo que enontrar uma solução para a sua exposição, possivelmente em Elvas.
    O segundo é para recordar que existe um trabalho detalhado da história desta Companhia que nunca foi editado, por falta de verba e que sugiro que seja incluído no nosso site, dada a sua extensão

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