Ainda a 1ª experiência de TSF em Portugal


Ligação pioneira da TSF em Portugal (depois das experiências iniciais realizadas no quartel dos 4 caminhos e zona envolvente), com o capitão eng.º Severo da Cunha de novo como responsável, entre o Forte do Alto do Duque (Lisboa, margem norte do Tejo, onde estava instalado o emissor Ducretet, estação que era comandada pelo tenente Salvador Correia de Sá, tendo como operador o sargento Silva) e a Bateria da Raposeira (Trafaria, margem sul, onde estava o receptor, chefiada pelo tenente Pedro Álvares, tendo como operador o sargento Bagina), numa distância de 4.300 metros:

Forte do Alto do Duque:

Bateria da Raposeira:

As comunicações norte/sul, sobretudo na zona de Lisboa, sempre foram um problema, devido à largura do estuário do Tejo. Não admira pois que esta primeira tentativa de comunicar sem fios tenha sido feita entre as duas margens do Tejo e tenha ocorrido exactamente nesta zona, à entrada do chamado ‘gargalo’ do estuário. Convém lembrar que a primeira das duas pontes de Lisboa (Salazar, rebaptizada 25 de Abril em 1974) só foi inaugurada em 06AGO1966 e que, antes delas, a ponte Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira, a 30 Km de distância, só o foi em 30DEZ1951, ou seja, muito tempo depois desta primeira experiência de TSF (17 de Abril de 1901). Antes disso apenas existia a ponte D. Luis, em Santarém, a mais de 70 Km de Lisboa (inaugurada em 17SET1881). Para ver o post inicial sobre a 1ª experiência de TSF em Portugal (na parada do actual RTm), clicar aqui

(Imagens do Google Earth)

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9 comentários a “Ainda a 1ª experiência de TSF em Portugal

  1. Pingback: A GUERRA CIVIL DE ESPANHA PASSOU PELO TEJO? (PARTE I) | Operacional

  2. Fico a aguardar com interesse o resultado da investigação que o sr. João Freitas se propõe realizar sobre a 1ª experiência de TSF em Portugal
    No seu comentário mais recente refere um tema .que é o da utilidade deste Blog em termos de preservação da memória, que pelo seu interesse e oportunidade me parece importante realçar.
    Dado que é um tema distinto das 1ª experiências de TSF mas sobretudo para lhe conferir maior visibilidade preferí abordá-lo num post que enviei ao Admimistrador do Blogue.

  3. Este texto refere-se ao último comentário do sr. João Freitas, a quem aproveito por apresentar as minhas homenagens pela forma empenhada e eficaz como que tem animado e valorizado este Blogue.
    Os aspetos que pretendo abordar, relacionados com esse comentário ,são os seguintes:

    • O problema do tratamento, dado no País, às primeiras experiências de TSF
    • As dúvidas que existem e a forma de as ultrapassar
    • O problema que põe de no Blogue pouco se conhecer globalmente e com precisão dos aparelhos e seus diversos componentes.

    Penso que às experiências de Severo da Cunha em 1901 não foi dada grande relevância, na altura. no país, no Exército e mesmo na Engenharia. .

    Afonso do Paço, no seu livro de 1938, transcreve uma notícia da imprensa (não indica o jornal), no dia seguinte ao da experiências e a CHT tem cópia da notícia que saiu, na mesma data ,no Diário de Notícias, pelo que não parece existirem dúvidas que estas experiências se realizaram mesmo em 1901 por Severo da Cunha.

    Afonso do Paço (pág. 119) diz-nos: “que as primeiras experiências de TSF em Portugal devem-se a “oficiais do nosso exército”, diz uma nota da Comissão dos Telégrafos Militares de 1901 (que indica) e, de indagação em indagação conseguimos apurar que as realizara o Ex.º coronel João Severo da Cunha, então capitão do Regimento de Engenharia,”(era o Comandante da Companhia de Telegrafistas do Regimento de Engenharia).

    Desta observação parece poder concluir-se que, em 1938, não era ponto assente que Severo da Cunha tinha sido o protagonista das experiências visto que se fosse, Afonso do Paço não precisava de o descobrir indo “de indagação a indagação”…

    Ou seja de 1901 a 1938 o assunto não parece ter sido ventilado. Depois de Afonso do Paço é conhecido o artigo do capitão reformado Henrique de Carvalho na Revista do Tricentenário da Engenharia de 1947, na década de 60 Bastos Moreira nas suas Notas. e em 2008 no livro da CHT.

    Talvez neste Blogue tenha sido onde mais até agora se falou nas primeiras experências de TSF em Portugal.

    Quanto às dúvidas suscitadas por esta escassa biografia para já resumem-se a saber quando é que os equipamentos Ducretet chegaram a Portugal (em 1900 ou 1901).
    Penso que isso só se resolve através de um aprofundamento da investigação que permita resclarecer o assunto. Para isso julgo que poderá ter interesse ler o artigo da Revista Militar de 1905 “Material de campanha de TSF” de MASCARENHAS, Jorge Soares Pinto (1905-57 –p.0250-4. Ou ainda a consulta dos processos individuais de Severo da Cunha e do tenente Sá Carneiro, que colaborou nas experiências.

    Quanto ao problema do tratamento, neste Blogue, dos aparelhos e dos seus componentes, concordo inteiramente com o sr. João Freitas quanto à insuficiência da forma como o assunto tem sido tratado neste Blogue.. Penso que isso se deve ao facto de o quadro Técnico de Manutenção das Transmissões, que desempenhou um papel importantíssimo nas Transmissões de Campanha e Permanentes do Exército, mas até agora ter estado praticamente ausente do Blogue. Há, no entantto, ndícios seguros de que esta situação, a breve prazo se possa modificar de forma a que o sr. João Freitas possa ter, nesta matéria, os interlocutores interessados que merece.

    • Senhor General Pedroso Lima
      Agradecendo a sua cordialidade e ainda sobre este tema (da 1ª experiencia), informo-o que estou a rever (e tentado encontrar!) tudo o que tenho sobre o assunto. O nosso artigo sobre o Ducretet tem cerca de 7/8 anos e algumas das fontes encontram-se dispersas pelos nossos “papéis”. Sei que na altura me servi de mais alguns textos, logo que os encontre compilaremos o que se sabe, se a tanto o permitir.
      Sobre algum desconhecimento que se tem da totalidade dos aparelhos utilizados em Portugal, achamos isso natural. Ao militar não se deverá pedir que tenha a obrigação de, enquanto ao serviço ativo, historiar os aparelhos de que se vai servindo. A sua missão será outra.
      Isto não invalida que ele se interesse pelo assunto e passe a papel (escrito e fotográfico) o que sabe. Os civis interessados também terão parte ativa neste assunto, quando os aparelhos chegam ao fim da sua vida útil e passam a ser sucata.
      Como o Senhor General sabe, melhor do que nós, um militar miliciano lidará com um rádio. O militar do quadro durante a sua vida ativa e devido à sua contínua movimentação, tomará conhecimento de poucos mais. O fio condutor da história é quebrado continuamente, ao perderem-se as memórias. As fotografias permanecerão esquecidas e inúteis em centenas de álbuns.
      Tentemos, através deste “blog”, inverter a situação. Ainda estaremos a tempo . . .
      João Freitas

  4. Em relação a este assunto convém acentuar que as duas fontes que conheço que são o livro de Afonso do Paço (pág, 119 a 121) e o artrigo do capitão reformado de Eng.ª Henrique J.F. de Carvalho (pág, 173 da Revista Comemorativa do III Centenário, não são, em meu entender, facilmente compatíveis.
    Vejamos porquê.
    O primeiro refere que Severo da Cunha recebeu, em princípios de 1901, um emissor e um receptor Ducretet, com o qual, com os seus colaboradores, fez em Março experiências no quartel (da Companhia de Telegrafistas que era o Quartel dos Quatro Caminhos) e que chegaram a atingir o Alto de S:João..Transcreve a notícia publicada na imprensa a 18 de Abril das experiiências realizadas no dia anterior entre o forte do Alto do Duque e a Bateria da Raposeira que o coronel Canavilhas descreve no seu post.

    O capitão Henrique de Carvalho, por seu lado, refere que o material foi “encomendado ao conhecido e especilaizado fabricante francês E. Ducretet que vem a entregá-lo em princípios de 1900.”
    Acrescenta mais adiante que ” o material…veio a ser ensaiado sob a direção do ilustre engenheiro Severo da Cunha, então comandante da companhia de telegrafistas, em experiências que tiveram lugar na sede da Escola Prática de Engenharia na<s quais se obtiveram comunicações regulares à volta de um quilómetro…

    Esta última versão torna difícil explicar:
    . o prazo, de mais de um ano, que quer teria decorrido entre a entrega dos equipamentos rádio (emj princípio de 1900) e a divulgação pública das experiências entre o forte do Alto do Duque e a Bateria da Raposeira.
    .A importância dada às experiências realizadas na Escola Prática de Engenharia (que A. do Paço não refere e o cap Henrique Carvalho não indica a data), que não me parecem comparáveis , em importância, às realizadas em Abril em LIsboa.

    Tudo isto me leva a encarar a versão do capitão Herique Carvalho com alguma reserva, tanto mais que conforme indica Afonso do Paço no seu livro, teve a colaboração do então coronel Severo da Cunha.

    • Cento e dez anos depois, alguma dúvida ainda se levanta sobre estes primeiros testes. Experiências tão importantes (primordiais), deveriam ter sido registadas, concretamente, em texto e fotografia. Tal não feito de forma cabal.
      As dúvidas que o Senhor General Pedroso de Lima apresenta, também as tivemos. Neste caso é quase obrigatória uma descodificação do que está e não está escrito. Tentar passar a texto um evento histórico, onde o que lemos é escasso e contraditório, obriga-nos à interpretação gastando, de modo voluntário, muitas horas de busca em outras tantas páginas esquecidas de textos não assinados. E eles serão vários.
      Muito se sabe, de forma concreta e bem documentada, sobre a evolução das transmissões, a sua organização, organigramas e diversas nomenclaturas que ao longo dos anos foram aparecendo, indicadoras de ajustes ao seu natural crescimento. Pouco se conhece globalmente e com precisão dos aparelhos e seus diversos componentes. Será, talvez, essa falta que nos faz debruçar sobre esta interessantíssima matéria.
      João Freitas

  5. O senhor João Freitas refere-se em 3B a um trabalho de autor desconhecido, publicado no Anuário do RTm de 1987, onde consta a data de 1900 para a experiência que refere. Sobre isto desejava que tomasse nota que o autor do trabalho é o Comandante do RTm, à data eu próprio. A data de 1900 “cito de cor” vem num trabalho publicado pela Engenharia, pelos 300 anos da sua criação.

    • Senhor Coronel Manuel C. Fernandes
      Agradeço a sua informação, que ficará devidamente registada na minha documentação.
      Freitas

  6. Os “DUCRETET ” (Sistema Popov-Ducretet)

    OS PRIMEIROS RÁDIOS USADOS PELO EXÉRCITO

    Até chegarmos ao desenvolvimento e fabrico nacional do P/PRC-525 e à sua utilização prática, o exército percorreu parte do caminho no campo das comunicações militares. Naturalmente, no tempo, esse percurso teve um início, um traço no chão que determina o princípio dessa caminhada conturbada. O destino quis que se chamasse “Ducretet” (1), poderia ter sido um outro qualquer (1A).

    Desde o final do século dezanove, alguns portugueses civis e militares (2), mantinham-se atentos e participantes, no evoluir do fenómeno da TSF. A princípio apenas movidos pela curiosidade e logo a seguir pela utilidade demonstrada em testes que se faziam um pouco por todo o mundo civilizado. Apesar de uma monarquia no seu estertor e das limitações de um país na penúria, não passaria muito tempo para que Portugal viesse a usufruir desta novidade para as suas comunicações militares.

    O russo Alexander Stepanovitch Popov (1859 -1906) e o francês Emile Ducretet (1844 -1915), são nomes ligados aos primórdios da rádio prática. Das concepções radioeléctricas dos dois e da fábrica de Ducretet, vem a nascer um receptor/transmissor de fabrico em série que recebe o seu nome, sendo, em 1901 e de forma continuada no tempo, o primeiro aparelho a ser utilizado experimentalmente pelo nosso exército. Este ramo das forças armadas não terá adquirido mais de dois destes aparelhos. Presumimos a exactidão do número, pelas entrelinhas de diversos textos, pois não encontrámos referência certa sobre o assunto. Rádios desta marca e de modelo quase idêntico, foram comprados posteriormente, em 1905, pela marinha de guerra. Pelo menos, ainda existe um exemplar desses completos (2A), que aguarda exposição em espaço dedicado às suas transmissões, a ser preparado (?), no Museu de Marinha.

    É encarregue da análise, sobre o que comprar, o Tenente Eng.º. Carlos Sá Carneiro da Companhia de Telegrafistas. Escolhida que foi a fábrica francesa E. Ducretet, vem esta a fornecer os aparelhos em 1901 (3, 3A, 3B). Com o capitão Eng.º João Severo da Cunha nomeado como o responsável operacional dos testes, procede-se à montagem dos rádios, tendo que se servir, para o efeito de um catálogo, por falta de instruções de fábrica! Desde a primeira á última hora, o desenrasca está presente nas comunicações militares portuguesas. Em Março de 1901 começam as experiências entre as extremidades Norte e Sul da parada (ou em terrenos) da então Escola Prática de Engenharia em Sapadores (4), sendo Severo da Cunha coadjuvado pelos tenentes visconde de Asseca e Pedro Álvares,

    Após alguns insucessos iniciais, estabelecem-se finalmente comunicações satisfatórias. Com o deslocamento de um aparelho (4 A), rapidamente as comunicações irão ultrapassar o perímetro desta unidade e alargar-se até ao Vale Escuro (ainda hoje em dia com essa designação, é o nome dado á encosta que vai da Penha de França a Stª. Apolonia), e ao Alto de S. João. Apesar destes sucessos, posteriormente seguem-se alguns percalços quando se tenta comunicar entre a Torre de Belém e o forte da Raposeira (Trafaria). Em 17 de Abril e desta vez na presença do Ministro da Guerra e outras altas individualidades, realizam-se comunicações entre os fortes do Alto do Duque e da Raposeira (5). O grande sucesso deste teste, leva a que Severo da Cunha seja louvado pela ilustre e maravilhada plateia.

    Pouco tempo depois, Severo da Cunha aproveitando o transmissor montado no forte da Raposeira (sendo ele a manipolar o aparelho) e pedindo que seja montado o receptor (operado pelo tenente Pedro Álvares) num navio de guerra da nossa armada, que se deslocava ao Algarve, obteria um alcance de 18kms sobre o mar, facto notável para um equipamento tão fraco.

    Segundo o capitão de Engenharia Henrique de Carvalho, estes rádios de grande qualidade de manufactura, compreendiam: um receptor por meio de um revelador de agulhas de aço, (e não um tubo de Branly, como era usual na altura), e um transmissor muito idêntico ao utilizado por Hertz (bobine de Ruhmkorff). Ambos vinham encerrados em caixas separadas de madeira com um esmerado acabamento. Estes conjuntos compreendiam ainda um manipulador e um completo sistema de antenas e planos de terra.

    Pensamos que não caberá aqui destrinçar os dois sistemas receptores (Branly / revelador de agulhas). Especificamente sobre o revelador de agulhas, apenas dizemos que estamos em face de um sistema detector, mais moderno e menos temperamental do que o tubo de limalha de Branly (também conhecido por coesor, ou coersor de Branly).

    Pouco se sabe sobre o final da carreira dos Ducretet. Temos conhecimento que em 1904 participaram em manobras na região do Bussaco e que em 1906 (6), para além de sofrerem reparações devido a um estado de abandono e degradação evidentes, entrariam em mais experiências, que desta vez não resultam devido a antenas deficientes e a avarias sucessivas. Consideramos por isso os anos de 1906 e 1907 como a data final da sua utilização. A partir dessa altura não mais encontramos referência sua.

    Os Ducretet, ao iniciarem a TSF militar em Portugal (7), vêm de imediato alertar as autoridades civis e castrenses para a necessidade de regulamentar esta novidade. Desde logo o Estado chama para si a autoridade total sobre o assunto, emitindo com esse fim legislação diversa e continuada no tempo.

    Como dissemos, no princípio do nosso artigo, o ponto de partida na história tinha sido marcado. Nos cem anos seguintes Portugal irá descrever, no campo das transmissões militares, um percurso do qual não se deve envergonhar. Condicionalismos de diversa ordem – uns bem conhecidos, outros cercados pela obscuridade – levam a que este trilho tenha sido quase sempre uma picada no final da monção…

    Notas e bibliografia:

    (1) Esta designação generalista é de pouquíssima precisão identificativa. Deparamos com o facto de nesta altura (1899/1900/1901) haverem diversos aparelhos diferentes com esta mesma nomenclatura oriundos dos estabelecimentos E. Ducretet (originalmente, um conceituadíssimo fabricante de aparelhos científicos com sede em Paris). Ainda sobre o nome Popov, algumas vezes encontra-se escrito com FF no final, sem que isso seja um erro, mas apenas resultado de traduções do russo (cirilico).

    (1A) Em fins de Março de 1901 o exército recebe propostas de fornecimento de material rádio, por parte do representante em Portugal da casa Siemens e Halske A. G., em Berlim

    (2) Por exemplo, o Inspector do Serviço Telegráfico Militar, o Tenente-coronel Gouveia Prego. É referenciada a atividade informativa deste oficial no número comemorativo da “Revista de Engenharia Militar”, sobre o III Centenário desta mesma arma em 1947. Este texto é da autoria do Capitão Henrique Carvalho e tem o nome “O primeiro material de TSF no nosso Exército”.

    (2A) Suspeitamos que um outro Ducretet comprado pela Marinha de Guerra em 1905, também ainda exista.

    (3) O tenente Afonso do Paço, em “As comunicações militares de relação em Portugal”, edição de 1938

    (3A) O tenente Afonso do Paço, em “As comunicações militares de relação em Portugal”, edição de 1938, pag. 119 e 120, refere com precisão a data de Março de 1901, para o inicio dos testes.

    (3B) No anuário de 1987 do “Regimento de transmissões”, emitido pelo Estado-maior do Exército e de autor desconhecido, refere-se na página 14 a data de 1900.

    (4) Esta importantíssima unidade militar de Lisboa era então conhecida por Quartel da Cruz dos Quatro Caminhos, sendo actualmente o Regimento de Transmissões. É obvia a enorme importância deste quartel (construído de 1907 a 1913), entre outras, na evolução das transmissões militares (a partir de 1927). Começa a zona onde está implantado a ser ocupada por sucessivas unidades militares logo após o terramoto de 1755 (instaladas em casas de madeira até 1907). Na rua de Sapadores pode observar-se no topo desta unidade (na esquina do lado d.º. sobre as ameias), o único pombal militar ainda existente em Portugal.

    (4 A) Por não sabermos quantos rádios foram de facto comprados, desconhecemos se foram deslocados á distância um receptor e um transmissor, ou se apenas um deles foi movimentado.

    (5) A estação instalada no forte do Alto do Duque era comandada pelo tenente Salvador Correia de Sá, tendo como operador o sargento Silva. O rádio colocado no forte da Raposeira foi chefiado pelo tenente Pedro Álvares, tendo como operador o sargento Bagina. A comandar os dois postos ficou o já referenciado capitão Severo da Cunha.

    Nessa circunstância foi expedido um telegrama do Alto do Duque para a Raposeira “que esta última estação repetiu, como é regulamentar, com toda a exactidão para a primeira” (sic. jornal da época)

    Estiveram presentes nesse dia:” O Ministro da Guerra, o general comandante da 1ª Divisão, o coronel Avelar Machado, os Sr. marquês de Abrantes e Correia de Sá, os generais Bon de Sousa, Justino Teixeira e Couceiro, o capitão-de-mar-e-guerra Morais e Sousa, majores Sarsfield, Simões, capitães Soares, Sinel de Cordes, Marques Paixão e Hermano de Oliveira, o tenente Craveiro Lopes de Oliveira, etc.” (sic. jornal da época)

    (6) “As comunicações militares de relação em Portugal” da autoria do tenente Afonso do Paço, pág. diversas. Lisboa 1938.

    (7) O vice-almirante Moura da Fonseca, no seu livro “As comunicações navais e a TSF na armada” editado 1988, para que a briosa pareça ser a pioneira em tudo que diz respeito ás comunicações de rádio em Portugal, criptografa a realidade que reconhece, posteriormente, ao longo do seu texto.

    Passando o seu texto (*) pela descodificação, chegamos á conclusão do seguinte: Apenas em 1905, vem a marinha de guerra a adquirir dois aparelhos “Ducretet”, instalando um em Vale de Zebro e outro na antiga Escola Naval, na Rua do Arsenal em Lisboa.

    (V. de Zebro, situada entre Coina e o Barreiro, foi inicialmente uma antiga fábrica de biscoitos para as naus portuguesas e um antigo convento. De 1905 a 1924 ou 28, situa-se aí o SEPTE Serviço e Escola Prática de Torpedos e Electricidade. Desde o principio da década de sessenta, até aos nossos dias é aí que é instalada a Escola de Fuzileiros),

    Isso também é perfeitamente visível quando este oficial, se refere aos testes de 1902 (**). Ora, estas experiências, entre o cruzador D. Carlos I e a cidadela de Cascais (realizados de Maio a Junho de 1902), são feitas a pedido do Ministério das Obras Públicas, com material ( aparelhos Slaby – Arco), e pessoal dos “Correios e Telégraphos”, a marinha de guerra servirá de suporte com a cedência do cruzador D. Carlos I (***) .

    Em conclusão, e em termos de testes e experiências com a novidade da telegrafia sem fios, enquanto o exército comunica com rádios seus, com pessoal seu e numa unidade sua em 3/1901, em semelhantes circunstancias a marinha apenas o conseguirá fazer em 1905. Em comunicações operacionais a marinha será a primeira em 11/12/1909 com aparelhos Marconi de 1,5Kw, e o exército o segundo em 1910 / 1912 com os Telefunken.

    (*)Capitulo 15, pagª 77, 79, 81 etc.

    (**)Capitulo 15, pagª 79

    (***) Eurico Carlos Esteves Lage Cardoso, em “História dos correios em Portugal em datas e ilustrada” edição de 2001, pagª 99.

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