“Memória sobre o Telégrafo”


Em Lisboa, em Julho de 1796, foi publicado no Palladio Portuguêz, periódico da responsabilidade de José Mariano da Conceição Veloso, um caderno intitulado “Memoria sobre o Telegrapho” , com a tradução de uma carta escrita de Paris a Leypsic.

Esta Memória descreve o Telégrafo de Chappe, com a história do seu descobrimento, primeiros sucessos, instruções para a sua construção e com estampas finas iluminadas.

Em relação a quem é o autor da concepção deste telégrafo, este caderno dedica parte de um capítulo, intitulado “De noticias relativas ao telegrapho”, a justificar que o autor da invenção foi o célebre Jurisconsulto Linguet.

 Sem embargo de ter a carta acima, que copiamos, dado a entender que o Cidadão Chappe fora o inventor do Telégrafo; contudo essa notícia é duvidosa . Na verdade ele foi, o  que apresentou, e propoz esse projecto à Convenção Nacional. Lechenal, Arbougast e Danau foram os comissários nomeados para a inspecção do seu primeiro ensaio, que se fez em uma linhade nove léguas na continuação, e direcção da qual se puseram três máquinas telegráficas. Conforme a relação de Lachnal decretou à convenção a erecção do primeiro Telégrafo em Louvres.

O pretendido inventor Chappe recusou aceitar o prémio pecuniário, que se lhe mandara dar, só se quiz dar por satisfeito com um Decreto que o declarasse benemérito da sua Pátria. Os Artifices e Literadores disputaram a Chappe essa invenção, e fizeram ver que com toda a probabilidade que o plano executadopor ele tinha sido inventado, e descoberto pelo célebre Jurisconsulto Linguet, não é desconhecido entre nós esse nome pela celebridade dos seus escritos, pela variedadeda sua fortuna; e últimamente pela desgraça, com que fechou os seus dias , estando preso na Bastilha em o ano de 1782; pois então tinha oferecido ao Ministério por preço da sua liberdade o ensinar um meio pelo qual em breve tempo se podiam comunicar as notícias mais ocultas de Paris até Petesburg , ou Constantinopla por um modo tão rápido, como seguro; e por meio de um instrumento que qualquer marceneiro, ou ferreiro de aldeia o poderia fazer. 

Linguet, recebendo por outra via a sua liberdade, deixou cair em esquecimento esse projecto. Quando ele ao depois ao ano de 1793 foi preso outra vez e perdeu

a sua vida no cadafalso em 1794, os seus papeis foram selados, e entregues à Comissão da pública segurança. Esses papeis foram depois desviados por uma criatura de Roberspierre, e cairam nas mãos do Ingenheiro Chappe, que pretendeu ser o inventor do Telégrafo.

Das estampas finas iluminadas destacam-se  a do telégrafo de Paris, a de um telégrafo de Chappe e a de um leque da época alusivo à divulgação deste telégrafo.

Estação telegráfica de Paris

Telégrafo de Chappe

Leque com sinais telegráficos

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Um comentário a ““Memória sobre o Telégrafo”

  1. Julgo que esta carta de Paris (não se diz o autor) que o post cita e que foi publicada no jornal periódico Palladio Português onde se afirma que Linguet foi o inventor do telégrafo de Chappe não pode nem deve ser tomada, quanto a mim, como uma certeza.
    Com efeito ainda hoje Chappe é considerado o inventor do telégrafo do seu nome e considerado como tal em França. Penso que a corrente pró autoria de Linguet é hoje francamente minoritária.

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