Galeria

Os ‘8 Magníficos’ das Guerras de África


Durante os mais de 13 anos que duraram as guerras em Angola, Guiné e Moçambique, muitos foram os rádios utilizados em campanha, alguns deles tendo servido também as ligações fixas. De uma situação no início de 1961 de quase completa penúria e inadequação do material disponível, foi-se progressivamente dotando o Exército de material apropriado, num enorme esforço das Transmissões, decorrente da falta de recursos, das distâncias envolvidas, das diferentes especificidades de propagação nos 3 TO, e também da dificuldade em obter equipamentos num ambiente internacional adverso, pelo que várias soluções foram sendo testadas, incluindo o recurso à industria nacional e à ‘militarização’ de rádios civis.

Nesta galeria não se pretende descrever as caracteristicas técnicas nem a história de alguns desses rádios (o que será feito oportunamente neste blogue), mas sómente relacionar aqui aqueles que a maioria dos portugueses que combateram nessas frentes melhor conheceram (à cabeça de todos, o AN/GRC-9, o TR-28 e o AVP-1, certamente os mais conhecidos daqueles que por lá passaram) e a quem muitos ficaram a dever a vida.

Salvo melhor opinião, que gostaria de ver aqui discutida, estes foram os ‘8 Magníficos’, mas muitos outros houve que duma lista de ‘magníficos’ poderiam constar, como o CHP-1, o DHS-1, o IRET, etc, etc.

AN/GRC-9:

Racal TR-28:

AVP-1:

AN/PRC-10:

Racal RT-422:

Racal TR-15 (A, sintetizado, e L, cristalizado):

Storno (Dinamarca, civil):

Marconi H-4000 (Canadá, civil):

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19 comentários a “Os ‘8 Magníficos’ das Guerras de África

  1. Caros Amigos,
    O meu contributo vai ser mais modesto mas penso que importante.
    Fui Radiotelegrafista e mobilizado para o CTIG em 1972, incorporado num Batalhão.
    Normalmente, durante o IAO, havia uma selecção de soldados que escreviam e falavam Francês fluentemente, como o meu caso, tendo prestado provas de aptidão no Agrupamento de Transmissões, em Bissau.
    Mesmo tendo ficado aprovado nos testes, segui com o meu Batalhão para o respectivo sector operacional.
    Quase um ano mais tarde vim a ser chamado para prestar serviço no Centro de Escuta e Guerra Electrónica e tive por missão escutar as redes militares do Senegal e da Guiné-Conakry, as redes da policial senegalesa e outras redes que operavam em fonia e em Língua Francesa que dessem eventual apoio à operacionalidade do inimigo.
    Para tal, usava um sofisticado receptor da marca Plessey, não me recordo do modelo, mas posso garantir que era, coadjuvado com boas antenas, de um excepcional poder de captação e de grande utilidade na prevenção de ataques às NT, bem como termos acesso aos relatórios com os resultados de operações já realizadas.
    Estes receptores electrónicos estavam destinados à escuta exclusiva em fonia já que a escuta de grafia usava outros aparelhos. Curiosamente, também nos era muito útil aos domingos para ouvirmos os relatos dos jogos de futebol na Metrópole, pela Emissora Nacional.
    Um Abraço.
    José Eduardo Couto

  2. No seu comentário Fernando Bento chama a atenção para as vidas que se salvaram, em momentos críticos, porque as comunicções funcionaram, como foi o seu caso ao operar como radiotelegrafista o RACAL TR28 num destacamento de fuzileiros, sem qualquer discriminação, ou melhor “sem nunca olhar a cores ou credos”.

    Como, para mim, foram inúmeros os casos, na guierra colonial, em que o bom funcionamento das comunicções (ou do conjunto operador aparelho) evitou a perda de vidas, pretendo apenas salientar que é a primeira vez que a isso se faz referência neste blogue.

    • Não posso deixar de fazer referencia ao “barulhento” CH25, que na MGP foi “pau para toda a obra”. Este equipamento serviu durante muitos anos em praticamente todos as estações de radio da Marinha, ao longo das costas do Continente, Madeira, Açores, Cabo Verde, Guiné, Macau e Africa, em tudo o que foram capitanias, delegações, faróis e navios de pequeno porte, nos sítios mais “estranhos” lá “serviu” o CH25, e foi companheiro fiel de mil vidas anónimas, nalguns casos a unica forma de contacto QSO com o mundo exterior.Lembro-me particularmente do faroleiro das ilhas Selvagens, no contacto diario com a Radionaval do Funchal e que me encomendava milho para as galinhas…com sotaque madeirense e eu principiante (no sotaque) só entendia…não entendia. Foi-me apresentado em Porto Amélia, Radionaval (CRX) no norte de Moçambique, onde para além de assegurar a escuta de socorro permanente em 2182Khz (fonia) era tambem utilizado para o QSO diário com os postos mais a norte, Mocímboa da Praia, Ibo, e Palma. Até deste “barulhento” sinto saudades….

  3. Como radiotelegrafista de um destacamento de fuzileiros especiais, tive a oportunidade de levar a “passear” o TR28B, com chave de Morse, antena vertical e dipolo por todo o norte de Moçambique nos belos anos 70. E verdade seja dita, nunca me deixou ficar mal, quer seco ou molhado, no tarrafo ou em terra firme salgado ou ensonço, o velho Racal cumpriu bem o seu dever por vezes com algum “nervoso” à mistura lá foi enviando “Flash`s” em Morse precedencia “Zulu”, que para bom entendedor meia palavra basta, lá foi salvando vidas sem nunca olhar a cores ou credos….como deve ser. Nalguns dias “nublosos” Mueda recebia mas não dava troco e o heli que poderia evitar males maiores titubeava…e era necessario, recorrer,a meios aquáticos e a medicina ficava mais longe….enfim obrigado grande e pesado TR28, meu companheiro inseparável …POR MATOS NUNCA DANTES NAVEGADOS.

  4. Este é o meu primeiro comentário sobre trabalhos apresentados neste Blogue. Penso que o Post dos 8 Magníficos está muito bom e dou os parabéns ao camarada Coronel Canavilhas. A escolha de “Os oito magníficos” foi muito feliz, porque se tornou numa espécie de desafio. Todo aquele que conheceu e lidou com os equipamentos mencionados no título, evidentemente que concorda com a selecção dos oito. Mas deixa por fora o desejo de colocar lá outros equipamentos por ventura menos conhecidos, mas nem por isso menos importantes, não só pelo equipamento em si mesmo, como pelo papel que tenham desempenhado na campanha. E é de um desses que pretendo falar, infelizmente sem poder acrescentar grandes dados técnicos , pelo menos no presente. Refiro-me ao E/R, RF 301, de 100W, sintonia contínua, entre os 2 e os 30MHz. Este equipamento tem uma história gloriosa em Moçambique, ao serviço do Comando Chefe, com cobertura de todo o território de Moçambique. A ele já me referi em escritos anteriores e é de justiça voltar a referi-lo. Era este equipamento que permitia fazer a integração de uma chamada feita do mato numa comunicação de HF entre Moçambique e Portugal. Poucas pessoas sabem o serviço que este equipamento lhes prestou a as aflições de que as livrou. O RF 301 foi um dos equipamentos magníficos que não merece o silêncio da História.

    • O Senhor Coronel Cruz Fernandes presta uma justíssima homenagem a um excepcional aparelho, o “RF 301” da Harris RF Communications. Se me permite acrescentar, dependendo do sistema de sintonia de antena teve diversas nomenclaturas militares, como por exemplo a de AN/GRC-165. A nosa Marinha de Guerra também teve destes aparelhos “embarcados” ou em fixo terrestre com essa mesma designação ou com a nomenclatura “AN/URC-58”.

  5. Ao lote dos “8 Magníficos” da GU talvez pudesse juntar-se um equipamento HF chamado KAAR com o qual no Destacamento do STM Guiné (1968 – 70 e até antes deste período da minha 1ª Comissão no Ultramar) equipava uma das 4 redes em HF que ligavam o QG aos Batalhões e COP’s (Comandos Operacionais de nível Bat. aligeirados). Não me recordo da sua proveniência. Só mais tarde, já na parte final da comissão recebemos os H-4000 para os podermos substituir.
    Talvez o TCor Vaz do Quadro de Manutenção, na altura o 1º Sargento mais antigo da Oficina de manutenção rádio se possa lembrar de mais pormenores técnicos.
    Lembro com saudade e admiração o falecido Ten. Man. oriundo do Serv. Mat. Carlos da Costa Araújo (que consegui como reforço por ter regressado à Guiné após tratamento médico na Metrópole) e que passou dezenas de horas (incluindo muitos fins de semana) para os conseguir recuperar, pois à data da minha chegada ao STM, estavam todos Inop. Tal só foi possível, dadas as suas enormes competência, dedicação e paciência…

  6. Mão amiga trouxe-me este excelente site, que desconhecia…

    Amante das bricolages electrónicas, quando acabei a recruta lá preenchi o tal papelinho para escolhermos qual a especialidade que gostaríamos de tirar. Transmissões foi a minha primeira escolha. E qual não foi o meu espanto que tal escolha foi mesmo aceite!
    Assim, lá me fui engendrando nos carretéis do WD-1/TT (fio duplo, com 4 cabos de cobre e 3 de aço),nos telefones EE-8 , nas centrais FFOBZB (luminosas e silenciosas), e mais tarde nos fraquíssimos E/R CPRC-26 (que quase só dava para ouvir a banda FM) e o HF-156-MK2 (coitadinho!) . Até que cheguei à Guiné. Onde me esperavam as ITTS, as NEPS, os THC736 (o “banana” a válvulas!),os Sharps (com antena telescópica frágil e cromada!),o CHP1 e seu irmão mais avantajado o DHS1. O AN/GRC9 e o NA/PRC10 eram herança da companhia que eu ia render: estavam no posto de transmissões…
    Mais tarde, os ONKYOS (com antena igual à dos AVP1) e os AVP1 vieram modernizar as minhas “armas”.
    Fracas lembranças dos HF´s naquelas terras tropicais. À noite, no meio de tanto QRM, dificilmente superavam os 2 Ktos. O DHS1,mais pesado e potente, não alterava as coisas. A antena dipolo, esticada na ponta de duas G3, pouco ajudava. E aqueles malditos acumuladores transparentes! Com os contactos sempre oxidados e com uma carga fraquíssima! Até que passei a mandar para o mato os CHP1 com as baterias secas do AVP1, que os alimentavam, se necessário, com uma ficha auto construída…uma maravilha! Cheguei ainda a testá-los com cristais.
    Por fim, o AN-PRC10 com a antena ground plane na base, e com os AVP1 nos grupos que saiam, a coisa melhorou. Até que às tantas me lembrei de fazer uma ground plane desmontável portátil com os segmentos da antena do AN-GRC9 (excedentes) para mandar para o mato, para ser utilizada com os AVP1. Mas precisava de uma ficha para ligar o cabo de baixada ao AVP1. Mais uma ida a Bissau, ao Comando das Transmissões, para falar com o então Capitão Falcão. Nada resolvido! Fichas, não havia…Tive então que adaptar uma do cabo de baixada do DHS-1 (excedente), que, cortada serviu à maravilha.
    Saí então para fazer a experiência. Um peso lançado sobre um ramo alto, a espia puxava a antena, que ficava bem elevada (à falta de ramos, a antena colocada no tapa chamas de uma G3 bem esticada ajudava…). E então o valente AVP1 chegou a cobrir os 20 Ktos, falando alegremente com o AN-PRC10 da base!
    Por último, já no fim da comissão ,”deram-me” o RACAL (com SSB!) para substituir os HF´s e o PRC-236 (tipo AVP-1,mas “aquadradado”, com 100 canais!),não tendo muito tempo para testá-los…
    Tanta conversa para justificar que, para mim, os dois magníficos da guerra da Guiné foram o AN-PRC10 e o AVP1.
    Parabéns pelo site e continuem!
    João Ramiro S C Firmino
    Fur Milº de TRMS

  7. Ainda sobre os 8 magníficos
    “I.R.E.T.” UMA “MODELAR” FAMILIA ITALIANA
    Com alguns dos “habituais países amigos” de costas voltadas para o nosso esforço de defesa, após a agressão de 1961, por ser na altura, pateticamente correcto, encontraríamos na inesperada indústria italiana de transmissões militares, um dos muitos parceiros que colmatarão deficiências inultrapassáveis naquele momento de aperto. Este tiro instintivo dado no escuro, apesar de não ter sido na mouche, tinha acertado num pequeno alvo a mil metros! Convém dizer que anteriormente a aquisição de material a este país tinha sido diminuta.
    Se em Itália e no mundo a IRET foi pouco conhecida, hoje em dia o seu nome está na mais profunda e injusta obscuridade. Actualmente, em Portugal, militares do campo das comunicações ou outros, nada sabem sobre esta marca, nem reconhecem os rádios e o enorme protagonismo recente que tiveram no nosso País.
    Para ter-mos uma ideia dessa mesma importância, podemos dizer que será a maior família evolutiva de aparelhos, seus diversos acessórios e aparelhos de medida e teste, oriunda de um mesmo fabricante e de um mesmo país (algumas vezes tal não acontece), a serem adquiridos em quantidades significativas por Portugal durante um espaço de tempo alargado, servindo os três ramos das suas FA, em igual número de frentes de combate, e em todo o restante espaço geográfico nacional. Assim como, durante mais de quinze anos, após o conflito colonial. Para não falar em todos aqueles aparelhos desta marca que, embarcados em navios da Marinha de Guerra, percorreram diversos cantos do mar. Este historial invejável é mais do que suficiente para que fossem reconhecidos historicamente. Tal facto não acontece.
    Lista geral do material mais importante da IRET usado em Portugal
    (Os casos em que não se tenha a certeza de determinado facto, estão devidamente sublinhados, assim como aqueles dignos de nota)

    RÁDIOS
    1º- Modelo PRC-116, rec/trm “handie-talkie”. Tipo de modulação FM. Com 5 canais (transformável em 6) comandados a cristais entre os 47 e os 56Mhz. Microtelefone exterior opcional e com antena fixa. Utiliza um acumulador IRET de 18V (A-18/500) ou três pilhas secas de 6V cada. Apenas conhecemos o manual de fábrica em língua inglesa.
    2º- Modelo PRC-116-6M, rec/trm “handie-talkie” Tipo de modulação FM. Exteriormente igual ao PRC-116 e com a mesma gama de frequências dividida em 6 canais comandados a cristais, microtelefone exterior opcional e com antena fixa. Utiliza um acumulador IRET de 18V (A-18/500) ou três pilhas secas de 6V cada. Apenas conhecemos o manual de fábrica em língua inglesa.
    3º- Modelo PRC-119, rec/trm “walkie-talkie” Tipo de modulação FM. Para uso ao ombro, ou preso ao cinturão. Com 5 ou 6 canais comandados a cristais, numa gama de frequências entre os 47 e os 56Mhz. Obriga o uso de microtelefone exterior e tem antena amovível. Utiliza quatro pilhas secas de 4,5V ou um acumulador IRET AL 18/1. Conhecemos apenas um manual de fábrica em inglês.
    4º- Modelo PRC-139, rec/trm “walkie-talkie”. Tipo de modulação FM. Electronicamente similar a um PRC 216, mas com dimensões exteriores idênticas a um PRC-119 e painel de controlo original. Tem 100 canais fixos de 47 Mc a 56.9Mc. Obriga ao uso de microtelefone exterior e tem antena amovível. Sem saco de transporte, usa apenas um simples arnês para suspensão ao ombro e uma pala em tecido grosso que protege o painel de comando. Utiliza quatro pilhas secas de 4,5V ou um acumulador IRET AL 18/1. Apesar de termos encontrado os seus manuais de fábrica em inglês com anotações em português, nunca obtivemos qualquer prova testemunhal, física ou outra da sua existência em Portugal. Se de facto passaram pelas nossas FA, deverão ter sido apenas unidades para avalição.
    5º- Modelo PRC 216A, rec/trm “handie-talkie”. Tipo de modulação FM. Com 6 canais comandados a cristais numa gama de frequências entre os 47 e os 56Mhz. Microtelefone exterior opcional e antena fixa à caixa exterior. Utiliza quatro pilhas secas de 4,5V ou um acumulador IRET AL 18/1.
    6º- Modelo PRC 216A1, rec/trm “handie-talkie”. Tipo de modulação FM. Em tudo idêntico ao PRC 216A, mas com uma gama de frequências compreendida entre os 43 e os 52Mhz.
    7º- Modelo PRC 236-B, rec/trm “handie-talkie”. Tipo de modulação FM. Com 100 canais fixos de 47 Mc a 56.9Mc. Idêntico ao PRC-216. Com microtelefone exterior opcional e antena fixa à caixa exterior. Utiliza quatro pilhas secas de 4,5V ou um acumulador IRET AL 18/1. Conhecemos dois manuais portugueses datados respectivamente de 1969 e de 1972.
    8º- Modelo PRC 238-A, rec/trm “walkie-talkie”. Tipo de modulação FM. Modelo já com características NATO. Exteriormente similar ao PRC-119 e ao 239, mas de maiores dimensões. Tem 360 canais fixos de 38 a 56Mhz e possibilidade de sintonia corrida. A antena amovível permite a sua orientação vertical qualquer que seja a posição do rádio. Obriga ao uso de um microtelefone. Utiliza como alimentação 9 pilhas secas de 1.5V (12V) ou um acumulador modelo AL-12/4 da IRET. Está prevista a utilização de um amplificador de RF com a nomenclatura PA-30, não sabemos se este amplificador terá sido usado em Portugal.
    9º- Modelo PRC 239-6X, rec/trm “walkie-talkie”. Tipo de modulação FM. Para uso ao dorso, ou preso ao cinto. Com 100 canais fixos de 47 Mc a 56.9Mc. Idêntico ao PRC-119, tem uma mochila de transporte. Obriga ao uso de microtelefone exterior e tem antena amovível. Esta antena, a AT-32, permite a sua orientação vertical qualquer que seja a posição do rádio. Utiliza quatro pilhas secas de 4,5V ou um acumulador IRET AL 18/1. Existe manual feito em Portugal com a nomenclatura MTm-15, datado de 1972.
    10º- Modelo PRC 1216, rec/trm “handie-talkie”. Tipo de modulação FM. de dimensões similares ao AVP-1. Modelo já com características NATO (fichas/tomadas). Com 100 canais fixos de 47 Mc a 56.9Mc, microtelefone exterior opcional e com antena fixa. Utiliza quatro pilhas secas de 4,5V ou um acumulador IRET AL 18/1. Este modelo foi especialmente usado no exército. Terá sido o último modelo de IRET a vir para Portugal (?).
    11º- Modelo TR 12, rec/trm (transmissor com a nomenclatura T 20). Tipo de modulação AM. Modelo já com características NATO (fichas/tomadas). De aspecto exterior muito similar ao conhecido AN/GRC-9, tem, como este, uma gama de frequências compreendida entre ao 2 e os 12Mhz, dividida em três bandas. É um aparelho com um receptor transistorizado e válvulas no transmissor. Vieram para Portugal (Marinha de Guerra) apenas duas ou três (?) unidades para avaliação (?). Temos um relato não fidedigno e incomprovado até agora, de que foram usadas unidades destas (também um reduzido número) no exército. Estava concebido para ser transportado ao dorso ou aplicado em viaturas no solo ou em fixo. Este conjunto compreende ainda uma fonte de alimentação exterior com a nomenclatura TN-20.
    (Sobre este aparelho, ver artigo específico já publicado na QSP)

    ACESSÓRIOS:
    AMPLIFICADORES
    – PA 21, Amplificador de áudio e rádio frequência (de 2W para 30W) para uma gama compreendida entre 47 e 56.9Mhz e fonte de alimentação. Usado com o PRC 239-6X. Concebido apenas para uso veicular, função para a qual vinha equipado de base específica com suportes elásticos SA 26. Existe manual em português datado de 1973 com a nomenclatura MTm-15 servindo os PA 21 e PA 21/A, curiosamente a mesma usada no manual do PRC 239-6X (9º modelo). Foi usado em viaturas blindadas “Chaimite”, jipes “UMM” e outras viaturas.
    – PA 21/A, Idêntico ao anterior, mas para frequências compreendidas entre os 43 e os 52.9Mhz.
    – PA-30, amplificador de áudio/RF para ser usado no PRC 238-A. Apesar da sua menção no manual do rádio, não encontrámos provas, nem informação da sua utilização em Portugal.

    MICROTELEFONES
    MT-1
    MT 4 -2 modelos com a mesma nomenclatura, mas totalmente diferentes nas formas e nos materiais empregues (plástico e metal)
    MT 7D

    (Retirado de um artigo da revista de rádio “QSP”, de minha autoria, sobre os rádios IRET)
    João Freitas

    • Muito obrigado pelo seu extenso e interessante contributo. O maior problema da IRET (Industria Radio Elettrica e Telecomunicazioni), empresa italiana localizada em Trieste, foi nunca ter conseguido colocar os seus rádios nos outros países da Nato, pois, além de Portugal, quase só vendeu para o norte de África e Médio Oriente (os americanos encontraram e capturaram muitos deles no Iraque, na 1ª guerra do golfo). Tenho um post preparado sobre o PRC/239-6X e o seu companheiro, o amplificador de potência PA-21, para mais tarde, mas considero importante ter mencionado todos os outros que mencionou, mesmo os que nada tiveram a ver com a Arma de Tm e o Exército.

      • Senhor Coronel Canavilhas

        Em continuação do que disse sobre os IRET e indo ao seu encontro, tomo a liberdade de continuar o artigo. Curiosamente pensamos e temos prova fotográfica disso, que o nosso Exército teve diversos modelos desta marca e que os usou extensivamente.

        continuando . . .

        A “Industria Radio Elettrica Triesttina”, de forma abreviada I.R.E.T., renomeada no final de setenta “Industria Radio Elettrica Telecomunicazioni” (mantendo a mesma sigla), foi uma firma italiana, sediada em Trieste, fabricante de aparelhagem electrónica, componentes e de uma vastíssima gama de rádios militares com a característica de não terem padronização NATO (1), durante uma parte significativa da sua produção. Ao longo do tempo a sigla “IRET” aparecerá com múltiplos tipos de grafismos e cores, também ao longo dos anos vários foram os símbolos adoptados pela marca, predominando dois ou três tipos de esquemas estilizados de transístores (PNP).

        Direccionado a sua produção de material militar a países do Norte de África, América Latina e países socialistas limítrofes de Itália, chega em final de vida a vender rádios ao Iraque. Dizem as más-línguas que é este mesmo fornecimento de rádios e consequentes incumprimentos (por parte do comprador), que lhe dão o golpe final numa já débil contabilidade. Vem a fechar as portas nos anos oitenta. Como veremos, na sua história comercial, a IRET veio encontrar em Portugal um excelente cliente, que lhe proporciona um certo desafogo de tesouraria. Não só a ela como aos sequenciais e interligados representantes no nosso País (TEMAC, Técnica e Máquinas Lda. e INDUMA, Máquinas industriais Lda.).

        Ao analisarmos os últimos modelos de aparelhos produzidos por esta casa, é com pena que vemos o seu fecho. O desenho apelativamente avançado e boa tecnologia, anteveriam um relativo sucesso que não veio a acontecer.

        Desde a sua falência até á venda judicial, a quase totalidade do seu espólio: rádios, acessórios e bens diversos, foram desaparecendo pela porta dos fundos, chegando ao ponto de quase nada haver quando os leiloeiros tiveram autorização de abrir as portas e proceder às respectivas hastas públicas. De resto, nada que nos admire na latinidade!

        Ainda com as portas abertas, mas especialmente após ao seu fecho, com os nomes “Bero”, “Electra” e “Iskra” produziram-se rádios militares, em antigos países da cortina de ferro, que apenas diferem dos IRET de geração intermédia, pelo nome estampado na placa identificativa, mantendo em alguns casos até, as nomenclaturas de originais. Estas fábricas teriam tido mesmo, alguma parceria comercial com a IRET, enquanto esta esteve em laboração, continuando produções independentes após o fecho da fábrica em Itália.

        Uma das características mais interessantes destes aparelhos (dos modelos recebidos em Portugal, incluindo os aparelhos de teste e medida específicos), era a distribuição dos inúmeros componentes electrónicos em pequenos módulos invioláveis, agrupados por funções. Para o exterior de cada módulo, apenas passariam diminutos terminais de ligação. A conexão entre módulos e restantes componentes do aparelho era feita com delicados feixes de finos cabos eléctricos.

        Como os componentes de cada módulo ficavam suspensos no seu interior por uma teia de ligações entre si e com o exterior (não havendo um circuito impresso), a IRET resolve matar três coelhos de uma assentada ao encher cada um com uma cera líquida. Embrenhando-se pelos interstícios dos componentes e endurecendo ao secar, dava total resistência a cada unidade, anulava interferências parasitas e impossibilitava a reparação, obrigando à sua unitária e simples substituição. Assim pensava e desejava a IRET…

        Para além de reduzir o tempo de reparação, este sistema obrigava á referida compra de material de reposição á casa italiana através dos seus representantes. Com o andar dos tempos, as crónicas avarias em módulos específicos aguçam o engenho nacional. De forma expedita os nossos técnicos descobrem a maneira de lhes retirar a referida massa e de os reparar, mais uma vez o General (e o Almirante!) Desenrasca produziam resultados.

        As primeiras tentativas revelaram-se dignas de um Nobel da química, pois tudo foi tentado, desde a água morna ao diluente. Finalmente alguém descobriu que o tenaz protector era suficientemente frágil, para que, com a ajuda de uma agulha, se fosse partindo, ficando a descoberto os componentes que interessava substituir. A tarefa era facilitada se o módulo fosse colocado num congelador durante um certo tempo (o frio tornava o produto quebradiço). Todo o processo (cerca de meia hora por unidade) requeria por parte do “artista em filigrana” o maior dos cuidados para que não fossem partidos, nem os delicados componentes, nem adjacentes ligações eléctricas.

        Ainda sobre estes módulos, é opinião do nosso amigo Mario Galasso, coleccionador de rádios desta marca em Itália, que esta opção técnica/comercial ajuda a cavar a sepultura da IRET. Ao optar por uma produção baseada em aparelhos com o mesmo sistema modular, supostamente inviolável, previam-se obter apreciáveis lucros na venda de sobressalentes, que só eles poderiam fornecer e a subsequente fidelização à marca. Tal não vem a acontecer, pois os exércitos que os compram mais tarde ou mais cedo descobrem o processo de os reparar. Este mesmo amigo enquanto nos mostrava o que restava da fábrica original, foi-nos dando para a mão fotografias do complexo logo após o seu fecho. O que se via era impressionante a nível de componentes e partes várias, espalhadas em grandes armazéns.

        P.S. O criador da firma IRET era de origem jugoslava (naturalizado italiano), pensamos que esta “paternidade” lhe terá dado a base necessária para a implantação no antigo bloco de leste.

        • Mais uma vez obrigado. Seria difícil ser mais esclarecedor. Devo acrescentar que, para além de outros aspectos, desconhecia ter havido dois fornecedores diferentes e que quando andei à procura de manuais me surpreendeu haver nos do PRC/239.6X e do PA-21 uma folha no final apenas com a designação completa da INDUMA, absolutamente invulgar em manuais técnicos do Exército (terão apoiado a sua publicação?).

        • Senhor Coronel
          De facto parece-nos que os referidos manuais eram mandados executar pelas casas representantes (não será caso único), levando nas capas todas a identificação da “arma” a que se destinavam. Contactos tidos com funcionários destas antigas firmas nunca nos permitiram chegar a uma conclusão satisfatória.
          De realçar o facto de estes “TM” serem de manufatura diferente/mais cuidada e com cores peculiares.
          Sobre os manuais Nacionais, gostaria de lhe enviar um texto para o seu e-mail pessoal, caso me o ceda, para que o aprecie e veja se tem lugar no vosso (nosso?!) site.

  8. O AVP-1 que também concordamos com a escolha para um dos “magníficos, teve a sua origem em França e desenvolvido pela Thomson-Houston-TH.C.- , é totalmente transistorizado. Veio substituír o TH.C.736 que ainda utilizava vávulas sub-miniatura e uma pilha de grandes dimensões (ver PRC 6)
    Utilizando transistores foi possível alimentar o AVP-1 com uma pilha de 15 V,
    É de facil utilização mas de muito díficil reparação, foi montado em Portugal pela ITT Standard. A Força Aérea tambem utilizou o AVP-1 mas com designação de TH.C 766.
    Em França foi conhecido como TR-PP- 11 e muito utilizado no final da guerra da Argéla. Tambem foi fabricado em Itália.

  9. Apurando ainda mais a selecção (agora seleção) na minha opinião o “magnífico” dos magníficos é o célebre AN-GRC-9 por todas as razões e mais uma. E esta uma é porque foi o primeiro equipamento rádio com que trabalhámos ainda na Academia Militar. Ficou-me na memória o quanto era penoso dar à manivela para alimentar o “bicho”, quando em emissão. Aqui fica o link para recordar-mos um pouco mais sobre o AN-GRC-9
    http://www.angrynine.nl/theangrynine.html

    • Não posso estar mais de acordo contigo. Primeiro, porque foi o primeiro verdadeiro rádio de campanha que conseguiu cumprir a sua missão em África, sobretudo em Angola, e talvez aquele que se manteve em serviço mais tempo em todo o lado.
      Depois, por essas mesma recordações, ainda do tempo da Academia. Também me lembro bem, quando me calhava ‘estar à manivela’, da força que subitamente era preciso fazer quando o ‘operador’ carregava na patilha para emitir 🙂

    • Lembro-me muito bem dessas “aventuras”, na AM, e da falta de imaginação para manter um diálogo! O que mais se ouvia era: “xxx! Aqui yyy! Diga se me ouve. Kapa!”

  10. Considero este post francamente apelativo e espero que suscite comentários bem mais importantes do que o meu, visto que estou convencido que há, dentro e fora da CHT elementos bem mais competentes para o fazer.
    Limitar-me-ei a duas observações.
    A primeira é que concordo que o 3 maiores, entre os ” 8 Magníficos” são o AN/GRC-9, o TR-26 e o AVP-1 (por esta ordem), a uma grande distância dos outros. Julgo que é uma opinião com grande consenso, mas por vezes há surpresas, pelo que aguardo com interesse as opiniões que decerto surgirão no Blogue.
    Outra questão é a não inclusão dos rádios das delegações do STM que permitiam a ligaçao ao continente dos diferentes teatros de operações. Claro que poucos os conhecem mas não tenho dúvidas que desempenharam um papel fundamental na guerra. Pelo menos um talvez seja de acrescentar na lista dos “magníficos”. Mas com certeza que os homens do STM têm algo a dizer…

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